BRANCA (Está de pé, muito excitada.)
Era o que eu já devia ter feito. Assino em branco que reconheço todas as culpas de que me acusam ou venham a acusar-me e pronto. Assim, talvez devolvam a vocês a liberdade e a mim a luz do sol! (Sobe ao plano superior e grita.) Guarda! Guarda!
AUGUSTO
Branca, por Deus, não faça isso! Por que terei então resistido a todas as torturas? Para quê?
BRANCA
Mas eu não quero que você sofra!
AUGUSTO
Mas alguém tem de sofrer!
BRANCA
Não por minha causa.
AUGUSTO
Por uma causa qualquer, grande ou pequena, alguém tem que sofrer. Porque nem de tudo se pode abrir mão. Há um mínimo de dignidade que o homem não pode negociar, nem mesmo em troca da liberdade. Nem mesmo em troca do sol.
BRANCA
Nem mesmo em troca do sol.
GUARDA (Entra.)
Que foi? Alguém chamou?
BRANCA (Hesita ainda um instante.)
Não, ninguém Chamou.
GOMES, Dias. O Santo Inquérito. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1985. p. 66.
Questão pública
Questão de Língua Portuguesa
Concurso Público Professor de Língua Portuguesa • Cesgranrio • 2026
ID 206541
Língua Portuguesa Interpretação de Textos
Cesgranrio
Fundação Osorio Professor Língua Portuguesa 2026
Texto associado
Texto XV: O Santo Inquérito
Escrita em 1966, a peça O Santo Inquérito conta a história de Branca, acusada de heresia pelo Tribunal do Santo Ofício e, por isso, presa junto com seu noivo, Augusto, e seu pai, Simão.
Na cena (Texto XV), Branca convence-se do argumento de Augusto porque compreende que
Na cena (Texto XV), Branca convence-se do argumento de Augusto porque compreende que
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