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Questão pública

Questão de Língua Portuguesa

CONCURSO PÚBLICO MP-ES • FGV • 2026

O romance São Bernardo, de Graciliano Ramos é um registro de impressões pessoais do narrador. Ao iniciar a tarefa de escrever o romance, esse narrador pensava em dividi-la entre amigos, mas logo apareceram as dificuldades, como indica o seguinte trecho: "O resultado foi um desastre. Quinze dias depois do nosso primeiro encontro, o redator do Cruzeiro apresentou-me dois capítulos datilografados, tão cheios de besteiras que me zanguei: Vá para o inferno, Gondim. Você acanalhou o troço. Está pernóstico, está safado, está idiota. Há lá ninguém que fale dessa forma! Azevedo Gondim apagou o sorriso, engoliu em seco, apanhou os cacos da sua pequenina vaidade e replicou amuado que um artista não pode escrever como fala. Não pode? perguntei com assombro. E por quê? Azevedo Gondim respondeu que não pode porque não pode. - Foi assim que sempre se fez. A literatura é a literatura, seu Paulo. A gente discute, briga, trata de negócios naturalmente, mas arranjar palavras com tinta é outra coisa. Se eu fosse escrever como falo, ninguém me lia." Pode-se inferir da discussão entre o narrador e Azevedo Gondim que
A
para o narrador, a língua falada só deveria ser empregada na comunicação diária.
B
para Azevedo Gondim, a literatura deveria ser um espaço em que se valorizasse a norma culta.
C
para Azevedo Gondim, a língua utilizada na literatura deveria ser a linguagem do público leitor.
D
para o narrador, a literatura deveria empregar uma linguagem que se aproximasse da língua falada.
E
para o narrador e para Azevedo Gondim, o público leitor prefere a língua falada na literatura por ser de mais fácil compreensão.
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