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Questão de Português

FGV - Prefeitura de São Lourenço da Mata PE - Professor de Língua Portuguesa - 2024 • FGV • 2024

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Texto-base

Atenção! Leia a crônica para responder à próxima questão. Outra coisa que não parece ser entendida pelos outros é quando me chamam de intelectual e eu digo que não sou. De novo, não se trata de modéstia e sim de uma realidade que nem de longe me fere. Ser intelectual é usar sobretudo a inteligência, o que eu não faço: uso é a intuição, o instinto. Ser intelectual é também ter cultura, e eu sou tão má leitora que, agora já sem pudor, digo que não tenho mesmo cultura. Nem sequer li as obras importantes da humanidade. Além do que leio pouco: só li muito, e li avidamente o que me caísse nas mãos, entre os treze e os quinze anos de idade. Depois passei a ler esporadicamente, sem ter a orientação de ninguém. Isto sem confessar que – dessa vez digo-o com alguma vergonha – durante anos eu só lia romance policial. Hoje em dia, apesar de ter muitas vezes preguiça de escrever, chego de vez em quando a ter mais preguiça de ler do que de escrever. Literata também não sou porque não tornei o fato de escrever livros “uma profissão”, nem uma “carreira”. Escrevi-os só quando espontaneamente me vieram, e só quando eu realmente quis. O que sou então? Sou uma pessoa que tem um coração que por vezes percebe, sou uma pessoa que pretendeu pôr em palavras um mundo ininteligível e um mundo impalpável. Sobretudo uma pessoa cujo coração bate de alegria levíssima quando consegue em uma frase dizer alguma coisa sobre a vida humana ou animal. LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. Adaptado.
A respeito do emprego dos sinais de pontuação no trecho, é correto afirmar que, em
A
“Ser intelectual é usar sobretudo a inteligência, o que eu não faço: uso é a intuição, o instinto”, o sinal de dois-pontos introduz uma citação.
B
“Isto sem confessar que – dessa vez digo-o com alguma vergonha – durante anos eu só lia romance policial”, os travessões servem para indicar a mudança de interlocutor.
C
“... só li muito, e li avidamente o que me caísse nas mãos...”, a vírgula serve para separar os termos de uma enumeração.
D
“Hoje em dia, apesar de ter muitas vezes preguiça de escrever...”, a vírgula isola um adjunto adverbial deslocado de sua posição habitual na frase.
E
“... não tornei o fato de escrever livros “uma profissão”, nem...”, as aspas em “uma profissão” indicam o emprego de um termo em contexto diferente do habitual.
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