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Questão pública

Questão de Português

FCC - TRT 1ª REGIÃO RJ - Área Administrativa - 2025 • FCC • 2025

Texto associado

Texto-base

Atenção : Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte. As duas memórias O filósofo francês Henri Bergson distinguiu dois tipos de memória, dos quais nos servimos ao longo da vida: a memória-hábito e a memória-pura. Na memória-hábito, o corpo guarda esquemas de comportamento de que se vale muitas vezes automaticamente na sua ação sobre as coisas; na memória-pura, ocorrem lembranças independentes de quaisquer hábitos, lembranças isoladas, que constituiriam autênticas ressurreições do passado. A análise do cotidiano mostra que a relação entre essas duas formas de memória é, não raro, conflitiva. Na medida em que a vida psicológica entra na bitola dos hábitos, e move-se para a ação, restaria pouca margem para o devaneio onde flui a evocação espontânea das imagens e das lembranças avulsas. O contrário também é verdadeiro: o sonhador resiste ao enquadramento nos hábitos, que é peculiar ao homem de ação. A memória-hábito adquire-se pelo esforço da atenção e pela repetição de gestos e palavras. Ela é um processo que se dá pelas exigências da socialização. Graças à memória-hábito, sabemos ''de cor'' os movimentos que exigem, por exemplo, o comer segundo as regras da etiqueta, o falar uma língua estrangeira, o dirigir um automóvel, o costurar, o datilografar etc. No outro extremo, a lembrança pura, quando se atualiza na imagem-lembrança, traz à tona a consciência de um momento único, singular, não repetido, irreversível, da vida. Sonho e poesia são, tantas vezes, feitos dessa matéria que estaria latente nas zonas profundas do psiquismo, a que Bergson não hesitará em dar o nome de ''inconsciente''. A imagem-lembrança tem data certa: refere-se a uma situação definida, individualizada, ao passo que a memória-hábito já se incorporou às práticas do dia a dia. A memória-hábito parece fazer um só todo com a percepção do presente. "Memória-sonho'' e ''memória-trabalho'' também seriam denominações justas, para bem distingui-las. (Adaptado de: BOSI, Ecléa. Memória e sociedade - Lembranças de velhos . São Paulo: T. A, Queiroz, 1979, p. 11)
Está plenamente correta a redação da seguinte frase:
A
Das memórias em que nos valemos nem sempre nos cabem reconhecer sua utilidade.
B
Imprime-se nas memórias caracterizadas por Bergson a distinção entre suas duas naturezas.
C
Resultam com o esforço da atenção e da repetição a utilidade desse tipo de memória.
D
A resistência de que se aplica ao esquecimento aproximam essas imagens da poesia.
E
Diante do aspecto prático da memória-trabalho opõem-se a poesia das imagens-lembranças.
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