Questão pública
Questão de Português
VUNESP - Polícia Militar SP - Aspirante da Polícia Militar - 2017 • VUNESP • 2017
– Bem dizia eu, que aquela janela… – É a janela dos rouxinóis. – Que lá estão a cantar. – Então, esses lá estão ainda como há dez anos – os mesmos ou outros – mas a menina dos rouxinóis foi-se e não voltou. – A menina dos rouxinóis? Que história é essa? Pois deveras tem uma história aquela janela? – É um romance todo inteiro, todo feito, como dizem os franceses, e conta-se em duas palavras. – Vamos a ele. A menina dos rouxinóis, menina com olhos verdes! Deve ser interessantíssimo. Vamos à história já. – Pois vamos. Apeiemos e descansemos um bocado. Já se vê que este diálogo passava entre mim e outro dos nossos companheiros de viagem. Apeamo-nos, com efeito; sentamo-nos; e eis aqui a história da menina dos rouxinóis como ela se contou. É o primeiro episódio da minha odisseia: estou com medo de entrar nele porque dizem as damas e os elegantes da nossa terra que o português não é bom para isto, que em francês que há outro não sei quê… Eu creio que as damas que estão mal informadas, e sei que os elegantes que são uns tolos; mas sempre tenho meu receio, porque, enfim, deles me rio eu; mas poesia ou romance, música ou drama de que as mulheres não gostem é porque não presta. Ainda assim, belas e amáveis leitoras, entendamo-nos: o que eu vou contar não é um romance, não tem aventuras enredadas, peripécias, situações e incidentes raros; é uma história simples e singela, sinceramente contada e sem pretensão. Acabemos aqui o capítulo em forma de prólogo e a matéria do meu conto para o seguinte. (Almeida Garrett. Viagens na Minha Terra) Com a passagem “Ainda assim, belas e amáveis leitoras, entendamo-nos…”, o narrador faz
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