QuestLab Plataforma Inteligente de Questões
Questão pública

Questão de Língua Portuguesa

Instituto AOCP - Prefeitura de Valença - Fiscal de Tributos - 2016 • AOCP • 2016

Texto associado

Texto-base

Pressionar crianças para que sejam bons alunos
resulta em desânimo

Rosely Sayão

Pesquisas apontam aumento na taxa de
suicídio entre os jovens brasileiros, e o fenômeno
é mundial. Por esse motivo, alguns países têm
se preocupado com a depressão em crianças e
jovens. A Academia Americana de Pediatria, por
exemplo, recomendou que os médicos devem
sempre procurar sinais dessa doença nos mais
novos. Sinal amarelo piscando.

Precisamos pensar com atenção na saúde
mental de nossas crianças e de nossos jovens.
Mas parece que nem as famílias e nem as escolas
têm essa questão como importante: ambas são
criadoras de muitas causas que podem afetar
negativamente a qualidade de vida emocional de
quem elas deveriam cuidar. Vamos levantar alguns
pontos que podem provocar pressão em demasia,
ansiedade e medos de fracasso nas crianças e nos
jovens.

Primeiramente, a pressão sobre a vida escolar.
Nunca, nunca antes tivemos famílias e escolas
tão empenhadas em fazer com que filhos e alunos
tenham alta performance escolar, o que significa,
é claro, boas notas, aprovação com destaque em
exames e provas etc. Mas por quê?

Porque, de repente, decidimos que o bom
rendimento escolar da criança é pré-requisito
fundamental para um futuro profissional promissor.
Posso assegurar-lhe que não é, por dois motivos
bem simples. Primeiro: bom rendimento escolar
não significa, necessariamente, bom aprendizado.
Segundo: estamos um pouco atrasados
nessa premissa, já que, hoje, ter estudos não
garante nada, absolutamente nada em termos
profissionais, e não apenas em nosso país. Agora,
imagine crianças - inclusive as mais novas - e
jovens pressionados até o limite para que sejam
bons alunos. Só pode resultar em ansiedade,
desânimo, receios etc. Junte a isso as acirradas
competições às quais eles são submetidos, o
bullying - que eu reputo à ausência de adultos na
tutela dos mais novos -, as agendas lotadas de
compromissos, as intermináveis lições de casa
(muitas vezes motivos para brigas entre pais e
filhos), a erotização precoce que promove busca
infantil por um determinado tipo de beleza etc.

Uau! Se para um adulto essa mistura já pode
ser explosiva para a sanidade mental, imagine,
caro leitor, para crianças e adolescentes! E o que
podemos fazer? Muita coisa! Deixar de confundir
cobrança com pressão já pode ser um grande passo. Nossos filhos e alunos precisam ser
cobrados a levar sempre adiante sua vida escolar.
Mas precisamos ser mais compreensivos quando
eles não conseguem, e ajudá-los no esforço
que precisam investir para aprender, em vez de
pressioná-los mais ainda.

As famílias podem e devem também ensinar
os filhos a lidar com suas emoções. Sabe quando
uma criança pequena pega algum objeto de vidro e
os pais o ensinam a tomar cuidado porque é frágil
e ela pode quebrar, mesmo sem querer? Podemos
fazer a mesma coisa com os sentimentos que
ela experimenta. Posso ilustrar isso que acabei
de dizer com o seguinte exemplo: quando uma
criança manifesta raiva, devemos ensiná-la que
essa emoção e suas manifestações podem machucá-
la e também os outros.

E a escola precisa se dar conta de que o
ambiente escolar pode ser - e em geral é -
neurotizante para muitas crianças! E não é por
falta de conhecimento que não mudamos esse
panorama.

Vamos cuidar da saúde mental de nossas
crianças e jovens tanto quanto cuidamos de sua
saúde física!
Adaptado de:
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/roselysayao/
2016/03/1747467-pressionar-criancas-ate-o-limite-
para-que-sejam-bons-alunos-so-pode-resultar-em-ansiedade-edesanimo.
shtml
Acesso em 10 de março de 2016.
Sobre a expressão “Sinal amarelo piscando”,
presente no texto, é correto afirmar que
A
um “sinal vermelho” deve acender quando
as escolas e as famílias compreenderem que
as cobranças relacionadas ao desempenho
intelectual das crianças brasileiras são
totalmente prejudiciais para a saúde mental
delas.
B
o comprovado aumento de suicídio entre jovens
no Brasil e a atenção que outros países têm dado
a esse mesmo problema entre os seus jovens
soam como um alerta (sinal amarelo piscando)
para que prestemos mais atenção às causas de
depressão entre os jovens brasileiros.
C
apesar do alerta das pesquisas funcionar como um “sinal amarelo piscando” não há
como reverter o processo de aumento dos
suicídios entre os jovens brasileiros, pois os
pesquisadores desconhecem as reais causas
desses suicídios.
D
o “sinal amarelo” é uma expressão utilizada
pelos cientistas responsáveis pelas pesquisas
que indicam o aumento da taxa de suicídio
entre jovens brasileiros para indicar que
algum fenômeno social contemporâneo causa
depressão nas crianças e jovens.
E
o “sinal amarelo” faz referência à recomendação
da Academia Americana de Pediatria que, ao
indicar a necessidade de investigar as causas
de depressão nas crianças e jovens, colocou em
alerta os pediatras de diversos outros países,
inclusive os brasileiros.
Quer responder esta questão e acompanhar seu desempenho?

Entre na QuestLab para responder, acessar a AURA, estatísticas, cadernos, anotações e outros recursos da plataforma.