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Questão de Língua Portuguesa

Instituto AOCP - SEAD PA - Agente de Segurança Prisional (Polícia penal) - 2017 • AOCP • 2017

Texto associado

Texto-base

TEXTO I

Vida de Acompanhante

Ana teve que fazer uma pequena
intervenção cirúrgica e me convidou para ser
seu acompanhante na casa de saúde. Bem,
normalmente evito passar até na porta de um
hospital (atravesso sempre para o outro lado
da rua, receoso de apagar diante de um bafo
mais forte de éter). Aquela situação, porém,
não me permitia simplesmente bater em
retirada. Mesmo assim, o medo falou mais alto
e bem que tentei cair fora.

- Escuta, Ana, quero lhe dizer que me sinto
profundamente honrado com o convite que
você me faz para ser seu partner no hospital
mas... Será que vai pegar bem? Será que o
pessoal do hospital não vai reparar de você
ter o próprio marido como acompanhante?
Você sabe como é esse pessoal de hospital,
fala demais. Vão dizer que você é uma mulher
absorvente, ciumenta, que não larga o marido
nem para ser operada.

- Se você não quiser ir - disse ela muito
segura - eu chamo outra pessoa.

- Não, Ana. Que é isso? Eu vou, claro. Tamos
aí, firme e forte. O problema é que não tenho
muita experiência. Talvez pudéssemos chamar
outra pessoa para ir com a gente. Na minha
vida, só entrei como acompanhante em baile
de formatura. O convite do hospital dá direito
a levar quantos acompanhantes?

- Um. Um só. E vai ser você. Ou será que
você está com medo?

- Quem, eu? - dei aquela do machão. - Você
não me conhece... Sou uma fera braba dentro
de um hospital.

- Tenho a impressão de que você está com
medo.

Não adianta fingir, pensei. Resolvi me
entregar:

- Morrendo, Ana. Tô morrendo de medo. Não
sei se vou agüentar. Tenho pavor de entrar em
hospital, aquele clima, aquele cheiro... Veja, já
estou suando só de pensar.

- Fique tranqüilo - disse ela me afagando
- não precisa se preocupar. Não vou deixá-lo
sozinho.

- Você jura? Mas e quando você estiver na
sala de cirurgia, quem vai tomar conta de mim?

- Fique calmo, bobinho. Deixo minha
irmã tomando conta de você. Eu volto logo.
Qualquer coisa, estarei ao seu lado.

A conversa foi muito reconfortante. Ana
procurou me dar força e, depois de ouvila
durante três horas, senti que já estava
psicologicamente preparado para enfrentar a
situação de acompanhante. [...]

NOVAES, Carlos Eduardo. Vida de acompanhante. In: A cadeira do
dentista. Coleção Para gostar de ler. 8.ed.. São Paulo: Ática, 2005,
p. 26-27.


As questões de 1 a 7 referem-se ao TEXTO I.
Releia o seguinte fragmento, retirado do
1º parágrafo do texto.
“Bem, normalmente evito passar até na
porta de um hospital (atravesso sempre
para o outro lado da rua, receoso de
apagar diante de um bafo mais forte de
éter).”.

A ideia presente nesse fragmento entra
em contradição com qual dos trechos a
seguir?
A
“[...] e me convidou para ser seu
acompanhante na casa de saúde.”
B
“Talvez pudéssemos chamar outra pessoa
para ir com a gente.”
C
“Você não me conhece... Sou uma fera
braba dentro de um hospital.”
D
“Tenho a impressão de que você está com
medo.”
E
“Fique calmo, bobinho. Deixo minha irmã
tomando conta de você.”
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