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Questão pública

Questão de Língua Portuguesa

FCC - SABESP - Advogado - 2018 • FCC • 2018

Texto associado

Texto-base

Atenção : Para responder às questões de números 7 a 11, baseie-se no texto abaixo.

O moderno pelo moderno
O escritor mexicano Octavio Paz, num de seus ensaios, lembrou que nós somos os integrantes de uma época que se chamam a si mesmos de modernos . Segundo ele, antes de nós as pessoas se identificavam como românticas, realistas, utópicas, revolucionárias, conservadoras etc. Nós nos chamamos de modernos, e ao nosso tempo de modernidade. Para Octavio Paz, isso significa que a qualidade de que nos valemos para nossa localização no tempo é o próprio tempo – razão, talvez, para se pensar que já não temos nenhuma qualidade própria, a não ser a de sermos contemporâneos de nós mesmos. E o que seria ser moderno?
Tudo indica que nosso tempo de aceleradíssimo desenvolvimento tecnológico e alucinante escalada de todos os meios de comunicação nos fez perder o sentido de qualquer outra coisa que não seja essa espécie de euforia por um presente permanente, vitorioso, que apaga toda a história passada e mira num futuro tão próximo que já parece estar sendo vivido. Teríamos perdido, portanto, um critério mais amplo para viver a fundo a nossa própria humanidade: seríamos produtos de um tempo que parece correr com velocidade própria e nos convida para pegar uma carona com ele, rumo à consumação de sabe-se lá qual projeto. Octavio Paz alerta-nos, pois, para alguma despersonalização coletiva que nos arrasta a todos, seduzidos pelos evidentes sucessos e fulminantes conquistas da ciência que já não sabemos se ainda estamos dominando ou apenas nos põe num caminho diferente do que até agora entendíamos como o rumo da civilização.
(Salvador Angusto, inédito )
O fato de sermos os integrantes de uma época que se chamam a si mesmos de modernos indica que
A
baseamo-nos num conceito permanentemente valorizado pela história para buscarmos uma vez mais definir-nos a nós mesmos.
B
fincamos o pé em nosso tempo para criticar tudo o que nos antecedeu e vislumbrar um futuro em que nos superemos a nós mesmos.
C
encontramos um modo de personalização coletiva que nos faz projetar o futuro como um avanço para a socialização definitiva.
D
limitamo-nos a manipular o sentido do tempo de modo que ele sirva a todos os nossos propósitos, inclusive os destrutivos.
E
perdemos qualquer referência de valor que não seja a do próprio tempo para qualificarmos a nós mesmos como seu produto.
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