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Questão pública

Questão de Língua Portuguesa

FCC - TRT 20 - Técnico Administrativo - Área Administrativa - 2024 • FCC • 2024

Texto associado

Texto-base

Atenção : Para responder às questões de números 11 a 14, leia o texto abaixo.

Há algum tempo venho percebendo que as recordações começam a falhar. Os fatos do passado se embaralham e embaçam minha compreensão. Por isso, antes de sumirem por completo, tomei coragem para reviver as histórias que povoaram minha infância e adolescência. Aqui, na cidade de Paris, em que vivo há mais de cinquenta anos, distante cerca de 7,5 mil quilômetros do bairro Paripiranga, decidi escrever o que aconteceu comigo até o dia de minha partida, no final de 1960, quando os tropeços com a realidade me obrigaram a entrar, sem volta, no mundo dos adultos. Não que minha vida mereça um romance, Não, Eu vivi uma vida feijão com arroz, uma vida simplória, sem glamour, sem feitos nem confeitos. Não fui protagonista. Fui testemunha. Prometi para mim mesma que, se um dia descobrisse alguma lasca de talento, escreveria um livro contando minha história. Como o estalo de Vieira nunca se manifestou, cansei de esperar o surto de genialidade e resolvi simplesmente contar alguns fatos que presenciei ou ouvi. Dispensei o computador porque o texto só ganhou fluência quando passei a escrevê-lo à mão. Descobri que, apesar da distância espacial e temporal, o bairro onde titia enterrou meu umbigo continuava vivo dentro de mim. Bastou iniciar o registro das primeiras reminiscências e me vi transportada para um tempo que ficou grudado nas bordas da lembrança. Então cavouquei ainda mais e raspei do tacho da memória histórias que eu nem sabia que havia guardado. Um assunto puxava outro e às vezes bastava uma palavra para os casos brotarem da raiz da minha cabeça.

(Adaptado de: CORREIA, Tina. Essa menina . Editora Alfaguara, 2016)
Aa mencionar que possui uma vida feijão com arroz , uma vida simplória, sem glamour, sem feitos nem confeitos, a narradora
A
reflete sobre o quanto gostaria de ter vivido uma vida mais sofisticada e cheia de luxo.
B
desvaloriza completamente sua vida, afirmando que não há nada de interessante para contar.
C
reconhece uma vida simples e comum, sem grandes eventos ou realizações extraordinárias.
D
demonstra frustração por não ter vivido uma vida cheia de aventuras e conquistas.
E
tenta convencer o leitor de que sua vida é mais interessante do que aparenta ser.
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