A escrita, que parece dever fixar a língua, é justamente o que a altera; não lhe muda as palavras, mas o gênio; substitui a expressão pela exatidão. Quando se fala, transmitem-se os sentimentos, e quando se escreve, as ideias. Ao escrever, é-se obrigado a tomar todas as palavras em sua acepção comum, porém aquele que fala varia suas acepções pelos tons, determina-as como lhe apraz. Menos preocupado em ser claro, dá maior importância à força; não é possível que uma língua escrita guarde por muito tempo a vivacidade daquela que só é falada. Escrevem-se as vozes e não os sons. Ora, numa língua acentuada são os sons, os acentos, as inflexões de toda sorte que constituem a maior energia da linguagem, que tornam uma frase, fora daí comum, adequada unicamente ao caso em que se encontra. Os meios que se utilizam para substituir esse recurso estendem, alongam a língua escrita e, passando dos livros para o discurso, enfraquecem a própria palavra.
Jean-Jacques Rousseau. Ensaio sobre a origem das línguas no qual se fala da melodia e da imitação musical. Lourdes Santos Machado (Trad.). São Paulo: Editora Abril, 1973, p. 277 (Coleção Os Pensadores – volume XXIV).
Julgue os itens seguintes, com base na interpretação e na análise crítica do texto precedente.
Questão pública
Questão de Comunicação Social
CESPE/CEBRASPE - FUNPRESP-JUD - Analista - Área: Comunicação Social - Jornalismo - 2026 • CEBRASPE • 2026
ID 187264
Comunicação Social
CEBRASPE
Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal do Poder Judiciário Analista - Área: Comunicação Social - Jornalismo 2026
Texto associado
Texto-base
No que concerne aos seus elementos estruturais, o texto prescinde de conclusão, já que seu objetivo principal é o estabelecimento de contrastes entre fala e escrita e a relação do tipo de linguagem com o gênio de uma língua.
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