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Questão de Português

IDECAN - SME de João Pessoa PB - Bibliotecário - 2025 • IDECAN • 2025

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Texto-base

Texto para a questão. O naufrágio Cada dia na vida humana é único, pois o corpo está em constante transformação. Em sete anos, todas as células se renovam, e em uma vida longa, o corpo é trocado diversas vezes. Somos feitos de matéria mutável, conectados ao universo em sua essência atômica. Viver plenamente o presente, como ensina o xamã do Yucatán, é libertar-se do peso do passado e da ansiedade do futuro — é o que a criança faz, vivendo apenas de sensações imediatas. A morte, inevitável, causa temor, mas pode ser vista como parte de um ciclo maior. Religiões orientais falam em reencarnação e karma; outras, em vida eterna espiritual. O pavor da morte se deve ao desconhecimento e, também, às reações do ambiente, da família, dos amigos, da sociedade em geral, daqueles com os quais se convive. A variedade de condições em que nascemos levanta questões sobre mérito, destino e justiça. Platão e o pensamento oriental sugerem que as almas escolhem onde nascer, conforme seu grau de evolução. A espiritualidade oriental vê a morte como troca de roupa: transitória. O budismo diz que o divino está em nós — e o despertar é reencontrar essa essência. Ao fim da vida, resta a paz de quem, mesmo após naufragar, contempla o infinito e encontra doçura nas águas do desconhecido. Gastei minha vida para vencer uma congênita ignorância e pequenez. Consegui um vislumbre do infinito à minha frente. Contudo, sinto-me feliz, como o poeta que revelou: “o naufragar é doce neste mar”. Vittorio Medioli – Texto Adaptado Disponível em: https://www.otempo.com.br/opiniao/vittorio-medioli/2025/4/27/o-naufragio
Considerando os elementos temáticos e estruturais do texto “O naufrágio”, bem como os recursos argumentativos empregados pelo autor, é correto afirmar que a construção do sentido global do texto está sustentada
A
na defesa de uma postura ascética, marcada pelo desapego às sensações humanas e pela negação do mundo sensível.
B
na oposição entre razão científica e crença religiosa, que evidencia o conflito insolúvel entre conhecimento e fé diante da morte.
C
na valorização da experiência imediata, que suprime os vínculos com o passado e o futuro, anulando a noção de identidade contínua.
D
na apresentação de uma visão cíclica da existência, em que o corpo é entendido como expressão efêmera de uma essência permanente.
E
no predomínio de um olhar niilista, no qual a finitude do ser é enfrentada com resignação cética, desprovida de sentido espiritual.
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