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Questão pública

Questão de Língua Portuguesa

Quadrix - SESC - Professor de Português - 2018 • Instituto Quadrix • 2018

De fato, antes procurava‐se mostrar que o valor e o significado de uma obra dependiam de ela exprimir ou não certo aspecto da realidade, e que este aspecto constituía o que ela tinha de essencial. Depois, chegou‐se à posição oposta, procurando‐se mostrar que a matéria de uma obra é secundária, e que a sua importância deriva das operações formais postas em jogo, conferindo‐lhe uma peculiaridade que a torna de fato independente de quaisquer condicionamentos, sobretudo social, considerado inoperante como elemento de compreensão. Hoje sabemos que a integridade da obra não permite adotar nenhuma dessas visões dissociadas; e que só a podemos entender fundindo texto e contexto numa interpretação dialeticamente íntegra, em que tanto o velho ponto de vista que explicava pelos fatores externos, quanto o outro, norteado pela convicção de que a estrutura é virtualmente independente, se combinam como momentos necessários do processo interpretativo. Sabemos, ainda, que o externo (no caso, o social) importa, não como causa, nem como significado, mas como elemento que desempenha um certo papel na constituição da estrutura, tornando‐se, portanto, interno.
Antonio Candido. Crítica e sociologia . In: Literatura e sociedade.
Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2010, p. 13 e 14.
A respeito das duas correntes teóricas de interpretação da obra literária apresentadas no texto acima, assinale a alternativa correta.
A
De acordo com o texto, o essencial em uma obra literária é a expressão de determinado aspecto concreto da realidade, independentemente de fatores estéticos.
B
A fusão de texto e contexto no processo interpretativo da obra significa, necessariamente, o apagamento do contexto em favor das dimensões estéticas do texto.
C
Uma interpretação dialeticamente íntegra implica na neutralidade do crítico, que não deve assumir nem uma perspectiva sociológica nem uma abordagem esteticista.
D
Infere‐se do texto que a abordagem crítica exigida pela obra de arte é aquela que considera o trabalho estético de internalização dos dados externos na estrutura da obra.
E
O texto defende a ideia de que a corrente crítica que privilegia a centralidade da matéria social na obra de arte está ultrapassada e deve ser substituída pela perspectiva crítica atenta aos jogos de linguagem.
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