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Texto para as questões de 28 a 32

1 A língua é para Saussure “um sistema de signos” ̶ um
conjunto de unidades que se relacionam organizadamente
dentro de um todo. É “a parte social da linguagem”, exterior
4 ao indivíduo; não pode ser modificada pelo falante e
obedece às leis do contrato social estabelecido pelos
membros da comunidade. O conjunto linguagem‐língua
7 contém ainda um outro elemento, conforme Saussure, a
fala. A fala é um ato individual; resulta das combinações
feitas pelo sujeito falante utilizando o código da língua;
10 expressa‐se pelos mecanismos psicofísicos (atos de
fonação) necessários à produção dessas combinações. A
distinção linguagem/língua/fala situa o objeto da linguística
13 para Saussure. Dela decorre a divisão do estudo da
linguagem em duas partes: uma que investiga a língua e
outra que analisa a fala. As duas partes são inseparáveis, em
16 virtude de serem interdependentes: a língua é condição
para se produzir a fala, mas não há língua sem o exercício
da fala. Há necessidade, portanto, de duas linguísticas: a
19 linguística da língua e a linguística da fala. Saussure
focalizou, em seu trabalho, a linguística da língua, “produto
social depositado no cérebro de cada um”, sistema
22 supra‐individual que a sociedade impõe ao falante. Para o
mestre genebrino, “a linguística tem por único e verdadeiro
objeto a língua considerada em si mesma, e por si mesma”.
25 Os seguidores dos princípios saussureanos dedicaram‐se a
explicar a língua por ela própria, examinando as relações
que unem os elementos no discurso e buscando determinar
28 o valor funcional desses diferentes tipos de relações.

José Luiz Fiorin (org.). Introdução à Linguística . v. 1 e 2. São Paulo: Contexto, 2006 (com adaptações).

No que se refere às formas linguísticas usadas no texto, assinale a alternativa correta.

A O uso do sinal grave em “obedece às leis do contrato social” (linha 5) é facultativo, pelo fato de a regência do verbo obedecer ser variável.
B A oração “utilizando o código da língua” (linha 9) estabelece uma relação causal com a oração antecedente.
C Na linha 13, o pronome “Dela” não é o sujeito da forma verbal “decorre”
D Na linha 18, a forma verbal “Há” está no singular porque estabelece concordância com a palavra “necessidade”.
E A retirada da partícula “‐se” da forma verbal “dedicaram‐se” (linha 25) não traz prejuízos para a correção gramatical do período.

Essa coisa da realidade, essa dificuldade, esse suposto confronto entre poesia e realidade, talvez ele não exista verdadeiramente, ou será que existe? Manuel Bandeira tem razão quando diz que estamos imersos em poesia e isso é uma grande verdade. Ao mesmo tempo, João Cabral também está certo quando diz, nos versos finais de Uma faca só lâmina , que a realidade arrebenta com toda palavra; isso também é uma verdade. São contradições? São. Mas o que importa é que ambos dizem verdades. É que a realidade é uma coisa muito difícil, imensamente difícil de saber. As palavras, quer dizer, essa coisa da fala, como se fosse um canto geral, uma música, uma verdadeira música que o homem diz nas circunstâncias mais banais, têm um sentido de uma intensidade admirável; não há no mundo palavra que seja uma palavra perdida, ao contrário das balas. As palavras acertam fundo; todo o discurso humano é um canto realmente extraordinário. Isso ultrapassa o país, isso ultrapassa as fronteiras. Agora, o ouvido é pequeno, o ouvido é insuficiente, o ouvido realmente não dá, não tem a medida do diapasão desse canto, que é o canto da realidade, do qual, no entanto, não desistimos, não desanimamos de escutar onde quer que estejamos.
Francisco Alvim. In: Flora Süssekind e Tânia Dias (org.). Cultura brasileira hoje: diálogos. Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 2018. p. 236. Internet: (com adaptações)

Com base no texto acima, assinale a alternativa correta acerca de literatura, cultura e realidade.

A No texto, o conceito de literatura é apresentado no seu sentido estrito e específico: o da palavra escrita.
B Para o autor, os limites territoriais e as fronteiras culturais se sobrepõem ao caráter geral do discurso humano.
C De acordo com o texto, o poeta é o único capaz de dizer em palavras a difícil realidade, cujos ouvidos dos homens comuns não podem escutar.
D O texto defende a ideia de que a realidade não existe independentemente da consciência humana, ela é discursiva, restrita ao que o homem pode dizer e ouvir.
E Infere‐se do texto que, na relação entre realidade e literatura, se sobressai o desejo humano de compreender contradições objetivas que estão acima das possibilidades subjetivas.

De fato, antes procurava‐se mostrar que o valor e o significado de uma obra dependiam de ela exprimir ou não certo aspecto da realidade, e que este aspecto constituía o que ela tinha de essencial. Depois, chegou‐se à posição oposta, procurando‐se mostrar que a matéria de uma obra é secundária, e que a sua importância deriva das operações formais postas em jogo, conferindo‐lhe uma peculiaridade que a torna de fato independente de quaisquer condicionamentos, sobretudo social, considerado inoperante como elemento de compreensão. Hoje sabemos que a integridade da obra não permite adotar nenhuma dessas visões dissociadas; e que só a podemos entender fundindo texto e contexto numa interpretação dialeticamente íntegra, em que tanto o velho ponto de vista que explicava pelos fatores externos, quanto o outro, norteado pela convicção de que a estrutura é virtualmente independente, se combinam como momentos necessários do processo interpretativo. Sabemos, ainda, que o externo (no caso, o social) importa, não como causa, nem como significado, mas como elemento que desempenha um certo papel na constituição da estrutura, tornando‐se, portanto, interno.
Antonio Candido. Crítica e sociologia . In: Literatura e sociedade.
Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2010, p. 13 e 14.
A respeito das duas correntes teóricas de interpretação da obra literária apresentadas no texto acima, assinale a alternativa correta.

A De acordo com o texto, o essencial em uma obra literária é a expressão de determinado aspecto concreto da realidade, independentemente de fatores estéticos.
B A fusão de texto e contexto no processo interpretativo da obra significa, necessariamente, o apagamento do contexto em favor das dimensões estéticas do texto.
C Uma interpretação dialeticamente íntegra implica na neutralidade do crítico, que não deve assumir nem uma perspectiva sociológica nem uma abordagem esteticista.
D Infere‐se do texto que a abordagem crítica exigida pela obra de arte é aquela que considera o trabalho estético de internalização dos dados externos na estrutura da obra.
E O texto defende a ideia de que a corrente crítica que privilegia a centralidade da matéria social na obra de arte está ultrapassada e deve ser substituída pela perspectiva crítica atenta aos jogos de linguagem.

Assinale a alternativa correta com relação à produção poética de diferentes períodos da literatura brasileira.

A O verso livre é um elemento essencial da poesia parnasiana.
B O gênero épico foi predominante na poesia da primeira fase modernista.
C Na poesia pastoral árcade, o eu‐lírico culto é identificado a uma rusticidade simulada.
D A poesia romântica abriu mão de todo subjetivismo em favor da figuração concreta do indígena.
E Na poesia barroca, a unidade de sentido é garantida pela recusa das formas labirínticas e alegóricas.