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Questão pública

Questão de Língua Portuguesa

FCC - TRT 6 - Técnico Judiciário - Área: Administrativa - 2025 • FCC • 2025

Texto associado

Texto-base

Atenção : Para responder às questões de números 6 a 10, baseie-se no texto seguinte.

[Entre luas]

Declarou-me uma amiga que passou a se dedicar a olhar o céu estrelado para se consolar das feiuras terrestres. Não seria isso uma solução excessivamente cômoda? Se quiséssemos levar essa declaração às últimas consequências, acabaríamos dizendo: "que a Terra continue de mal a pior, eu olho para o céu e reencontro meu equilíbrio interior". Não estaria minha amiga instrumentalizando Ilicitamente esse céu estrelado?
Não buscaria eu exortá-la a mais entusiasmo lembrando as magníficas aventuras cosmonáuticas da humanidade, essas lutas míticas pela supremacia terrestre sobre o firmamento. O que me interessa, ao contrário, é tudo o que é apropriação verdadeira do espaço e dos objetos celestes, ou seja, o conhecimento objetivo de uma relação entre nós e o universo extra-humano.
A Lua, desde a Antiguidade, significou para os homens esse desejo de um paraíso luminoso e sereno, e essa devoção lunar dos poetas se perpetuou pelos tempos. Mas a Lua dos poetas tem alguma coisa a ver com as imagens leitosas e esburacadas que os foguetes nos enviam? Talvez não, ainda; mas o fato de sermos obrigados a reconsiderar a Lua de maneira nova nos levará a reconsiderar de maneira nova Inúmeras outras coisas. Quem ama a Lua realmente não se contenta em contemplá-la como uma imagem convencional: quer entrar numa relação mais estreita com ela, quer ver mais na Lua, quer que a Lua lhe diga mais .

(Adaptado de: CALVINO. Italo. Assunto encerrado - Discursos sobre literatura e sociedade. Tradução: Roberta Bami. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 217-218)
O título "Entre luas" justifica-se pelo fato de que, nesse texto, o autor
A
demonstra a superioridade da imaginação contemplativa sobre o pragmatismo de quem se limita à ciência.
B
analisa a polaridade que existe entre o culto místico dos astros e a busca obsessiva do autoconhecimento.
C
se mostra um entusiasta das contemplações poéticas que sua amiga costuma estender ao satélite da Terra.
D
fala da diversidade dos corpos celestes e do reconhecimento que só merecem os que de fato se aplicam em estudá-los.
E
distingue as perspectivas de quem olha para o céu em busca de paz íntima e de quem quer investigá-lo para conhecê-lo.
Quer responder esta questão e acompanhar seu desempenho?

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