TEXTO 1
A maior parte do tempo e do esforço gastos por professores e alunos durante o processo escolar, na assim chamada aula de língua portuguesa, é destinada ao aprendizado da metalinguagem de análise da língua, com alguns (e esporádicos) exercícios de língua propriamente ditos.
No entanto, uma coisa é saber a língua, isto é, dominar as habilidades de uso da língua em situações concretas de interação, entendendo e produzindo enunciados adequados aos diversos contextos, percebendo as dificuldades entre uma forma de expressão e outra. Outra coisa é saber analisar uma língua, dominando conceitos e metalinguagens a partir dos quais se fala sobre a língua, se apresentam suas características estruturais e de uso.
Na prática escolar, institui-se uma atividade linguística artificial: assumem-se papéis de locutor/interlocutor durante o processo, mas não se é locutor/interlocutor efetivamente. Essa artificialidade torna a relação intersubjetiva ineficaz, porque a simula.
Não estou querendo dizer que inexiste interlocução na sala de aula; estou querendo apontar para seu falseamento, dado que os papéis básicos dessa interlocução estão estaticamente marcados: o professor e a escola ensinam; o aluno aprende (se puder). Tentar ultrapassar essa artificialidade é efetivamente tentar assumir-se como um “tu” da fala do aluno, na dinâmica de trocas do “eu/tu”. [...] Essa artificialidade do uso da linguagem compromete e dificulta, desde sua raiz, a aprendizagem na escola de uma língua ou da variedade de uma língua.
Na verdade, a situação é um pouco mais caótica ainda. Simula-se que inexistem diferenças entre a variedade que se quer ensinar e a variedade que o aluno domina. Constata-se essa diferença – é impossível esconder o sol com a peneira – mas age-se como quem não a escuta. Porque escutá-la não é corrigi-la para calá-la, mas ouvir vozes que preferiríamos caladas. Ou que outros preferem caladas.
É precisamente porque essas vozes não podem mais calar que o compromisso político primeiro do professor de língua portuguesa é possibilitar o domínio efetivo da língua padrão.
GERALDI, J. W. O Texto na sala de Aula. São Paulo: Ática, 2006. p. 70.
Questão pública
Questão de Língua Portuguesa
Instituto AOCP - SEDUC RS - Professor - Área: Letras/ Português - 2023 • AOCP • 2023
ID 158982
Língua Portuguesa Metodologia de ensino de língua portuguesa
AOCP
Secretaria de Estado de Educação do Rio Grande do Sul Professor - Área: Letras/ Português 2023
Texto associado
Texto-base
A avaliação tradicional, que subjaz à crítica exposta no excerto “o professor e a escola ensinam; o aluno aprende (se puder)”, do Texto 1, opõe-se à perspectiva pedagógica de avaliação formativa. Para Perrenoud (2002, p. 25), “a avaliação das competências deve ser formativa, passar por uma análise do trabalho dos estudantes e pela regulação de seus investimentos mais do que pelas suas notas ou classificações”.
Fonte: PERRENOUD, P. A formação do professor no século XXI. In: PERRENOUD, P. et al. As competências para ensinar no século XXI: a formação dos professores e o desafio da avaliação. Porto Alegre: Penso, 2002.
A partir desse contexto, assinale a alternativa em que o(s) objetivo(s) dialoga(m) com a proposta de avaliação formativa.
Fonte: PERRENOUD, P. A formação do professor no século XXI. In: PERRENOUD, P. et al. As competências para ensinar no século XXI: a formação dos professores e o desafio da avaliação. Porto Alegre: Penso, 2002.
A partir desse contexto, assinale a alternativa em que o(s) objetivo(s) dialoga(m) com a proposta de avaliação formativa.
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