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“Na Antiguidade e na Idade Média, apesar do nível técnico inferior, o tempo de produção diária, semanal ou anual era bem menor que no capitalismo. Como a religião tinha primazia sobre a economia, o tempo das festas e dos rituais religiosos era mais importante do que o tempo da produção, que foram em boa parte abolidos na esteira da modernização.” (KURZ, R., in Folha de São Paulo, 3 jan. 1999, p. 5) Com base no texto acima, considere as assertivas abaixo.

I. O trabalho na sociedade feudal era estruturado na servidão, que mantinha os indivíduos presos à terra, tendo que pagar uma série de obrigações em taxas e serviços. Apesar disso, o servo era preso à terra e não podia ser negociado como mercadoria, diferentemente do trabalhador no sistema capitalista, facilmente descartado e substituído.

II. As sociedades existentes antes da Revolução Industrial eram quase todas de caráter aristocrático e hierarquizadas. A economia era primordialmente agrícola, em que o comércio ocupava um papel complementar. O objetivo máximo era suprir as necessidades da sociedade como um todo. Com o advento da economia de mercado capitalista, o objetivo era a obtenção do lucro, mesmo que fosse necessário transformar a força de trabalho em mercadoria.

III. A sociedade capitalista é uma organização social regida pelas necessidades das leis de mercado, não apenas para satisfazer às necessidades humanas. Nelas os trabalhadores modernos são livres, pois não estão sujeitos à autoridade de um senhor, como antigamente, porém, na economia de mercado atual, os empregados só têm participação como vendedores de sua força de trabalho. Assinale

A se somente a I estiver correta.
B se somente a I e a II estiverem corretas.
C se somente a I e a III estiverem corretas.
D se somente a II e a III estiverem corretas.
E se todas estiverem corretas.

“A lei Adolfo Gordo era uma constante ameaça a todos, meio de intimidação e vingança, um cutelo suspenso na cabeça do irreverente ou inconformado. O fazendeiro ameaçava o colono. O industrial ameaçava o operário. Ou se submetiam a qualquer iniquidade, a aceitar condições vexatórias e prejudiciais, ou eram denunciados como elementos perigosos à tranquilidade pública. Para tal, não eram precisas provas: a informação policial era suficiente!” (DIAS, Everardo. História das Lutas Sociais no Brasil . São Paulo: Alfa-Ômega, 1977; p.56) Sobre a lei citada no trecho acima e seu contexto histórico, é correto afirmar que

A tinha como objetivo inibir a ação reivindicativa de imigrantes estrangeiros que chegaram ao Brasil durante o início do século XX, em especial os anarcossindicalistas, responsáveis por inúmeras greves durante a Primeira República.
B recaiu principalmente sobre os imigrantes que estavam alocados nas fazendas de café e tinha como objetivo principal evitar revoltas de cunho marxista que pudessem desestruturar a produção cafeeira do oeste paulista.
C foi introduzida, após a insurreição comunista de 1935, diante da grande quantidade de estrangeiros que participaram desse movimento. Ficou conhecida como Lei de Expulsão de Estrangeiros e foi usada durante todo o governo Vargas.
D vigorou na Primeira República como forma de coibir levantes de caráter anarquista e socialista que eclodiam com muita frequência na zona rural paulista, em especial, nas fazendas de café onde havia maior exploração da mão de obra imigrante.
E pretendia evitar que a presença de imigrantes italianos influenciados pelas ideias bolcheviques perturbasse a ordem política e social brasileira. Foi responsável pela expulsão de muitos imigrantes durante a Era Vargas.

“Com a longa depressão dos preços do açúcar brasileiro que persistiu na maior parte do século XVIII, o tráfico baiano com a Costa da Mina tornouse a principal fonte de escravos na economia colonial em um sistema assemelhado ao uso da geritiba (cachaça) pelos comerciantes do Rio na compra de escravos em Benguela e Luanda. Os baianos compravam escravos no ocidente da África com tabaco de rolo feito com a parte não vendida da colheita e resultante de um processamento inferior que o tornava um produto agrícola de baixo custo em relação à indústria do fumo orientada para mercados metropolitanos.” (PANTOJA, Selma e SARAIVA, José Flávio. Angola e Brasil nas rotas do Atlântico. Rio de Janeiro: Bertrand, 1998. p.27) É possível inferir que o trecho acima indica que

A A lucratividade do tráfico negreiro está relacionada com o baixo custo na aquisição dos escravos em território africano e o alto valor desses vendidos no litoral brasileiro.
B A crise do açúcar brasileiro acarretada pela concorrência com o açúcar antilhano dinamizou o tráfico de escravos para o sudeste da colônia.
C A geritiba e a tabaco eram os únicos produtos aceitos nas trocas entre traficantes de escravos africanos e baianos.
D O preço do escravo africano caiu vertiginosamente no litoral brasileiro, durante o século XVIII, devido às crises econômicas coloniais.
E A economia brasileira foi menos dependente da mão de obra escrava, durante o século XVIII, devido à mineração e a uma nova dinâmica econômica.

A expansão da civilização romana e a conquista do Mediterrâneo, se por um lado trouxeram riquezas e poderio à Roma; por outro lado, provocou um conflito entre as antigas instituições políticas, frente à nova realidade social e econômica dos romanos. Isso se deve

A às Guerras Púnicas que resultaram no predomínio marítimo- mercantil romano sobre o Mediterrâneo, onde Cartago teve que se render à Roma, porém os cartaginenses não aceitaram submeter-se às leis romanas.
B à inadequação entre a estrutura política republicana e a expansão do sistema escravista de produção, cuja principal consequência foi a crise da República Romana e o estabelecimento do Império.
C à expansão externa de Roma que provocou a vinda de imensos contingentes de prisioneiros de guerra na condição de escravos, favorecendo os pequenos e médios proprietários de terra.
D à conquista do Mediterrâneo e à abertura de novos mercados à economia romana que prejudicaram fortemente o desenvolvimento da manufatura e dos produtos romanos frente à concorrência das mercadorias estrangeiras.
E às vitórias advindas após as Guerras Púnicas, que foram responsáveis pelo início de um período de prosperidade econômica e, consequentemente, paz social e estabilidade política.

“(...) A poesia fugiu dos livros, agora está nos jornais. Os telegramas de Moscou repetem Homero. Mas Homero é velho. Os telegramas cantam um mundo novo que nós, na escuridão, ignorávamos. Fomos encontrá-lo em ti, cidade destruída, na paz de tuas ruas mortas, mas não conformadas, no teu arquejo de vida mais forte que o estouro das bombas, na tua fria vontade de resistir.” (Carlos Drummond de Andrade. Carta a Stalingrado do livro Rosa do Povo ”. Em Poesia e Prosa. Rio de janeiro, Editora Nova Aguilar, 1983) O trecho acima relata, poeticamente, uma das maiores batalhas da Segunda Guerra Mundial, a batalha de Stalingrado, em 1943, na União Soviética. Stalingrado tornou-se sinônimo mundial do heroísmo e da luta pela pátria. A respeito desse episódio histórico e suas consequências é correto assinalar que

A Hitler, ao ordenar a invasão da União Soviética, em julho de 1941, aproveitou-se do espírito anticomunista presente nos Estados Unidos que, mesmo descontente com os rumos da guerra, não saiu do seu isolamento político tradicional.
B os alemães, ao adotarem a tática de “terra arrasada”, acabaram por infligir enormes perdas humanas e materiais à União Soviética, a qual, apesar do heroísmo demostrado nessa batalha, é obrigada a recapitular junto ao Terceiro Reich.
C a Operação Barbarossa, nome dado ao plano de guerra alemão contra os russos, a fim de conquistar os poços de petróleo do Cáucaso e a cidade de Stalingrado, foi um fracasso. Essa batalha foi o marco do início da derrota alemã.
D os soviéticos tiveram expressiva ajuda norte-americana nesse episódio de guerra, pois sem a contribuição dos Estados Unidos, seria impossível vencer o exército alemão, mais bem equipado e com maior número de combatentes.
E foram utilizadas, na batalha de Stalingrado, novas armas de guerra na ofensiva alemã sobre os soviéticos, o que garantiu o rápido avanço das tropas nazistas e o quase aniquilamento da cidade, que foi salva graças à ação dos aviões bombardeiros americanos.

“Os humanistas, num gesto ousado, tendiam a considerar como mais perfeita e mais expressiva a cultura que havia surgido e se desenvolvido no seio do paganismo, antes do advento de Cristo. A Igreja, portanto, para quem a história humana só atingira a culminância na Era Cristã, não poderia ver com bons olhos essa atitude.” (SEVCENKO, Nicolau. O Renascimento . São Paulo: Unicamp, 1988. p.14) Quanto aos humanistas, podemos dizer que

A eram em sua maioria cristãos e desejavam reinterpretar o Evangelho à luz da experiência e dos valores da Antiguidade. Exaltavam o indivíduo, a vontade e a capacidade de ação dos homens.
B valorizavam os antigos gregos e romanos em detrimento da cultura medieval. Assim, os humanistas retornam ao paganismo e fazem dessa religião sua crença principal provocando a ira da Igreja Católica.
C acreditavam que somente Deus é a fonte de energias criativas ilimitadas, detentor único de virtude e glória. Porém, seu teocentrismo não os impediu de produzir obras que valorizassem a ação humana.
D acreditavam, inspirados nos valores clássicos, na capacidade transformadora dos homens induzidos por força criadora de Deus. Diante disso, a Igreja Católica adotou uma política de total apoio ao movimento.
E eram orientados pela ideia de submissão total do homem a Deus e à Igreja. Obedeciam à ordem social imposta pelo clero e justificam esse posicionamento a partir dos textos da antiguidade clássica.

“A história de todas as sociedades até agora tem sido a história das lutas de classe. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, membros das corporações e aprendiz, em suma, opressores e oprimidos, estiveram em contraposição uns aos outros e envolvidos em uma luta ininterrupta, ora disfarçada, ora aberta, que terminou sempre com a transformação revolucionária da sociedade inteira ou com o declínio conjunto das classes em conflito.” Trecho do Manifesto do Partido Comunista de Karl Marx e Friedrich Engels – 1848 Sobre o contexto histórico e as propostas de Marx e Engels considere as seguintes afirmações:

I. O Manifesto do Partido Comunista foi escrito às vésperas das Revoluções de 1848, as quais abalaram os setores mais conservadores da Europa, preocupada em barrar o avanço das transformações iniciadas com a Revolução Francesa de 1789.

II. Assim como em 1871 na Comuna de Paris; em 1848, a classe operária europeia tornara-se protagonista nos movimentos revolucionários críticos do modelo capitalista e da sua exploração do trabalho.

III. Conhecida como a Primavera dos Povos, as Revoluções de 1848 uniram anarquistas, comunistas e socialistas em torno de um projeto essencialmente marxista, culminando em ações revolucionárias nas principais capitais europeias.

IV. Na construção de sua teoria, Marx e Engels reapropriam-se criticamente da filosofia alemã, em especial Hegel, das reflexões dos socialistas utópicos, da teoria econômica inglesa e da prática política dos movimentos sociais e operários europeus.

A apenas II e III são corretas.
B apenas I é correta.
C I, II e III são corretas.
D I, II e IV são corretas.
E todas são corretas.