Texto II
Festival reúne caravelas em barcos
Dizem que o passado não volta, mas a cada
cinco anos boa parte da história marítima da Euro-
pa se reúne para navegar junto entre o Mar do Norte
e o canal de Amsterdã. Caravelas e barcos a vapor
5 do século passado se juntam a veleiros e lanchas
contemporâneas que vêm de vários países para um
dos maiores encontros náuticos gratuitos do mundo.
Durante o Amsterdam Sail, entre os dias 19 e 23 de
agosto, cerca de 600 embarcações celebram a arte
10 de deslizar sobre as águas.
Desde 1975 o grande encontro aquático junta
apaixonados pelo mar e curiosos às margens dos ca-
nais para ver barcos históricos e gente fazendo festa
ao longo de cinco dias – na última edição, o público
15 estimado foi de 1,7milhão de pessoas. Há aulas de
vela e de remo para adultos e crianças, além de atra-
ções musicais. [...]
Você pode até achar que é coisa de criança, mas
o jogo em que cada um leva o próprio balde e simula
20 as tarefas a bordo de um navio é instrutivo e divertido
para todas as idades.
MORTARA, F. O Estado de S. Paulo , São Paulo, 4 ago. 2015,
Caderno D, p. 10. Adaptado.
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378 questões
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348 questões
FAURGS
203 questões
FIOCRUZ
48 questões
MACKENZIE
48 questões
CETRO
17 questões
12.751 questões encontradas
Um administrador, que está fazendo uma revisão das atividades realizadas em sua área visando à obtenção de mais eficiência, solicitou ao seu assistente a elaboração de um fluxograma para que, assim, seu objetivo fosse alcançado.
O fluxograma tem como objetivo
Texto associado
O suor e a lágrima
Fazia calor no Rio, 40 graus e qualquer coisa,
quase 41. No dia seguinte, os jornais diriam que fora
o mais quente deste verão que inaugura o século e
o milênio. Cheguei ao Santos Dumont, o vôo estava
5 atrasado, decidi engraxar os sapatos. Pelo menos
aqui no Rio, são raros esses engraxates, só existem
nos aeroportos e em poucos lugares avulsos.
Sentei-me naquela espécie de cadeira canônica,
de coro de abadia pobre, que também pode parecer
10 o trono de um rei desolado de um reino desolante.
O engraxate era gordo e estava com calor — o
que me pareceu óbvio. Elogiou meus sapatos, cromo
italiano, fabricante ilustre, os Rosseti. Uso-o pouco,
em parte para poupá-lo, em parte porque quando
15 posso estou sempre de tênis.
Ofereceu-me o jornal que eu já havia lido e co-
meçou seu ofício. Meio careca, o suor encharcou-lhe
a testa e a calva. Pegou aquele paninho que dá brilho
final nos sapatos e com ele enxugou o próprio suor,
20 que era abundante.
Com o mesmo pano, executou com maestria
aqueles movimentos rápidos em torno da biqueira,
mas a todo instante o usava para enxugar-se — caso
contrário, o suor inundaria o meu cromo italiano.
25 --- E foi assim que a testa e a calva do valente filho
do povo ficaram manchadas de graxa e o meu sapato
adquiriu um brilho de espelho à custa do suor alheio.
Nunca tive sapatos tão brilhantes, tão dignamente
suados
30 --- Na hora de pagar, alegando não ter nota menor,
deixei-lhe um troco generoso. Ele me olhou espanta-
do, retribuiu a gorjeta me desejando em dobro tudo o
que eu viesse a precisar nos restos dos meus dias.
Saí daquela cadeira com um baita sentimento
35 de culpa. Que diabo, meus sapatos não estavam tão
sujos assim, por míseros tostões, fizera um filho do
povo suar para ganhar seu pão. Olhei meus sapa-
tos e tive vergonha daquele brilho humano, salgado
como lágrima.
CONY, C. H. In : NESTROVSKI, A. (Org.). Figuras do Brasil –
80 autores em 80 anos de Folha. São Paulo: Publifolha. 2001.
p. 319.
Fazia calor no Rio, 40 graus e qualquer coisa,
quase 41. No dia seguinte, os jornais diriam que fora
o mais quente deste verão que inaugura o século e
o milênio. Cheguei ao Santos Dumont, o vôo estava
5 atrasado, decidi engraxar os sapatos. Pelo menos
aqui no Rio, são raros esses engraxates, só existem
nos aeroportos e em poucos lugares avulsos.
Sentei-me naquela espécie de cadeira canônica,
de coro de abadia pobre, que também pode parecer
10 o trono de um rei desolado de um reino desolante.
O engraxate era gordo e estava com calor — o
que me pareceu óbvio. Elogiou meus sapatos, cromo
italiano, fabricante ilustre, os Rosseti. Uso-o pouco,
em parte para poupá-lo, em parte porque quando
15 posso estou sempre de tênis.
Ofereceu-me o jornal que eu já havia lido e co-
meçou seu ofício. Meio careca, o suor encharcou-lhe
a testa e a calva. Pegou aquele paninho que dá brilho
final nos sapatos e com ele enxugou o próprio suor,
20 que era abundante.
Com o mesmo pano, executou com maestria
aqueles movimentos rápidos em torno da biqueira,
mas a todo instante o usava para enxugar-se — caso
contrário, o suor inundaria o meu cromo italiano.
25 --- E foi assim que a testa e a calva do valente filho
do povo ficaram manchadas de graxa e o meu sapato
adquiriu um brilho de espelho à custa do suor alheio.
Nunca tive sapatos tão brilhantes, tão dignamente
suados
30 --- Na hora de pagar, alegando não ter nota menor,
deixei-lhe um troco generoso. Ele me olhou espanta-
do, retribuiu a gorjeta me desejando em dobro tudo o
que eu viesse a precisar nos restos dos meus dias.
Saí daquela cadeira com um baita sentimento
35 de culpa. Que diabo, meus sapatos não estavam tão
sujos assim, por míseros tostões, fizera um filho do
povo suar para ganhar seu pão. Olhei meus sapa-
tos e tive vergonha daquele brilho humano, salgado
como lágrima.
CONY, C. H. In : NESTROVSKI, A. (Org.). Figuras do Brasil –
80 autores em 80 anos de Folha. São Paulo: Publifolha. 2001.
p. 319.
O período em que se observa concordância nominal adequada à norma-padrão é:
Texto associado
Low Oil Prices Could Be Good
for Electricity and Renewables
By Robert Fares
Since I first wrote about the price of oil last
December, the global oil price has fallen to levels
not seen in over five years. For many, the recent
price decline brings back memories of the 1980s oil
5 price collapse, which followed the 70s oil price spike
and drew attention away from renewable energy
and other alternatives — famously prompting U.S.
President Ronald Reagan to remove the White House
solar panels that had been installed by the previous
10 administration.
Thankfully, this time around, the outlook for
renewable energy isn’t so bleak. In fact, it is possible
low oil prices could actually improve the economics
of renewable energy. It all comes down to the
15 relationship between oil and gas production and the
price of electricity, which directly affects the bottom
line of technologies like wind and solar.
In 1973, the year the Arab Oil Embargo caused
a steep rise in oil prices, the United States produced
20 17 percent of its electricity using petroleum. When the
oil price increased, the price of electricity increased
too. This increase in price prompted greater interest in
domestic sources of electricity, like coal, nuclear, and
renewable energy.
25 Due in part to the turn away from oil in the 70s,
today the United States produces just 0.7 percent of
its electricity using petroleum. Therefore, the price of
oil has no direct impact on the price of electricity. Most
electricity comes from coal (39 percent) and natural
30 gas (27 percent), with the remainder coming from
nuclear, hydroelectric, wind, and other renewables.
The fuel with the most direct impact on the price
of electricity is natural gas, because natural gas
generation often sets the price of electricity in the
35 market. To gauge how low oil prices might affect the
price of electricity, it’s really important to think about
how they might affect the price of natural gas.
Although oil and natural gas prices have
decoupled in recent years, there is still an indirect link
40 between the price of oil and the price of natural gas,
because both oil and natural gas are often produced
from the same well. While most U.S. natural gas is
produced from wells drilled for the express purpose
of extracting gas, a portion comes from wells that
45 are drilled to extract oil, but produce natural gas as
a byproduct. This “associated gas” or “casinghead
gas” is often flared in regions like the Bakken in North
Dakota, which has limited pipeline infrastructure.
However, in regions like Texas’s Eagle Ford and
50 Permian Basin, this gas is often injected into the
existing pipeline network. Because drillers are really
after the more-valuable oil, associated natural gas is
often simply dumped into the pipelines at little or no
cost — depressing the overall price of natural gas.
55 The Railroad Commission of Texas, which
regulates the oil and gas industry, collects separate
data on natural gas produced from gas wells and
natural gas produced as a byproduct from oil wells.
These data show that, while overall Texas natural gas
60 production has increased since 2008, the amount
of gas produced from purpose-drilled gas wells has
actually declined. On the other hand, natural gas
associated with oil production has increased markedly
since 2008.
Available at:
low-oil-prices-could-be-good-for-electricity-and-renewables/>.
Retrieved on: Nov. 10th, 2015. Adapted.
for Electricity and Renewables
By Robert Fares
Since I first wrote about the price of oil last
December, the global oil price has fallen to levels
not seen in over five years. For many, the recent
price decline brings back memories of the 1980s oil
5 price collapse, which followed the 70s oil price spike
and drew attention away from renewable energy
and other alternatives — famously prompting U.S.
President Ronald Reagan to remove the White House
solar panels that had been installed by the previous
10 administration.
Thankfully, this time around, the outlook for
renewable energy isn’t so bleak. In fact, it is possible
low oil prices could actually improve the economics
of renewable energy. It all comes down to the
15 relationship between oil and gas production and the
price of electricity, which directly affects the bottom
line of technologies like wind and solar.
In 1973, the year the Arab Oil Embargo caused
a steep rise in oil prices, the United States produced
20 17 percent of its electricity using petroleum. When the
oil price increased, the price of electricity increased
too. This increase in price prompted greater interest in
domestic sources of electricity, like coal, nuclear, and
renewable energy.
25 Due in part to the turn away from oil in the 70s,
today the United States produces just 0.7 percent of
its electricity using petroleum. Therefore, the price of
oil has no direct impact on the price of electricity. Most
electricity comes from coal (39 percent) and natural
30 gas (27 percent), with the remainder coming from
nuclear, hydroelectric, wind, and other renewables.
The fuel with the most direct impact on the price
of electricity is natural gas, because natural gas
generation often sets the price of electricity in the
35 market. To gauge how low oil prices might affect the
price of electricity, it’s really important to think about
how they might affect the price of natural gas.
Although oil and natural gas prices have
decoupled in recent years, there is still an indirect link
40 between the price of oil and the price of natural gas,
because both oil and natural gas are often produced
from the same well. While most U.S. natural gas is
produced from wells drilled for the express purpose
of extracting gas, a portion comes from wells that
45 are drilled to extract oil, but produce natural gas as
a byproduct. This “associated gas” or “casinghead
gas” is often flared in regions like the Bakken in North
Dakota, which has limited pipeline infrastructure.
However, in regions like Texas’s Eagle Ford and
50 Permian Basin, this gas is often injected into the
existing pipeline network. Because drillers are really
after the more-valuable oil, associated natural gas is
often simply dumped into the pipelines at little or no
cost — depressing the overall price of natural gas.
55 The Railroad Commission of Texas, which
regulates the oil and gas industry, collects separate
data on natural gas produced from gas wells and
natural gas produced as a byproduct from oil wells.
These data show that, while overall Texas natural gas
60 production has increased since 2008, the amount
of gas produced from purpose-drilled gas wells has
actually declined. On the other hand, natural gas
associated with oil production has increased markedly
since 2008.
Available at:
low-oil-prices-could-be-good-for-electricity-and-renewables/>.
Retrieved on: Nov. 10th, 2015. Adapted.
In the fragment of the text “Thankfully, this time around, the outlook for renewable energy isn’t so bleak ” (lines 11-12), the word bleak can be replaced, with no change in meaning, by
A posição do pronome se destacado atende às exigências
da norma-padrão da língua portuguesa em:
A imensidão do território brasileiro é acentuada para o viajante pelo fato de ele ter à frente, geralmente, planícies e planaltos, às vezes dominados por relevos tabulares. Essa topografia deriva da estrutura geológica do País, formada essencialmente de antigos escudos e de coberturas sedimentares ou vulcânicas.
THÉRY, H.; MELLO, N. Atlas do Brasil . São Paulo:
EDUSP, 2008. p. 61. Adaptado.
Como exemplo de cobertura vulcânica do território brasileiro, identifica-se o(a)
Disponível em: capitulo_2_a_localizacao_no_espaco_e_os_sistemas_
de_informacoes_geograficas_files/image068.gif.>. Acesso
em: 30 maio 2016.
Na Figura acima, a diferença entre as longitudes dos pontos A e B é de
Texto associado
Texto II
Feliz por nada
Geralmente, quando uma pessoa exclama “Es-
tou tão feliz!”, é porque engatou um novo amor, con-
seguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estu-
dos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo.
5 Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que
essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as
novidades envelhecem e que não é seguro se sentir
feliz apenas por atingimento de metas. Muito melhor
é ser feliz por nada.
10 Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz por-
que alguém o elogiou. Feliz porque existe uma pers-
pectiva de viagem daqui a alguns meses. Feliz porque
você não magoou ninguém hoje. Feliz porque daqui a
pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo
15 mais acolhedor do que sua cama. Mesmo sendo mo-
tivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.
Feliz por nada, nada mesmo? Talvez passe pela
total despreocupação com essa busca.
Particularmente, gosto de quem tem compromis-
20 so com a alegria, que procura relativizar as chatices
diárias e se concentrar no que importa pra valer, e
assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos
outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz
também. Não estando “realizado”, também. Estando
25 triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma.
Consciência. É ter talento para aturar o inevitável, é
tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochada-
mente assombrado consigo próprio: como é que eu
me meti nessa, como é que foi acontecer comigo?
30 Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo.
Benditos os que conseguem se deixar em paz.
Os que não se cobram por não terem cumprido suas
resoluções, que não se culpam por terem falhado,
não se torturam por terem sido contraditórios, não se
35 punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o
melhor que podem.
Se é para ser mestre em alguma coisa, então
que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do
pensamento. De querer se adequar à sociedade e ao
40 mesmo tempo ser livre. Adequação à sociedade e li-
berdade simultaneamente? É uma senhora ambição.
Demanda a energia de uma usina. Para que se con-
sumir tanto?
A vida não é um questionário. Você não precisa
45 ter que responder ao mundo quais são suas qualida-
des, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho
seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se
autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-
-intencionado e que muda de opinião sem a menor
50 culpa.
Ser feliz por nada talvez seja isso.
MEDEIROS, Martha. Feliz por nada . Porto Alegre: L&PM, jul. 2011.
Feliz por nada
Geralmente, quando uma pessoa exclama “Es-
tou tão feliz!”, é porque engatou um novo amor, con-
seguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estu-
dos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo.
5 Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que
essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as
novidades envelhecem e que não é seguro se sentir
feliz apenas por atingimento de metas. Muito melhor
é ser feliz por nada.
10 Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz por-
que alguém o elogiou. Feliz porque existe uma pers-
pectiva de viagem daqui a alguns meses. Feliz porque
você não magoou ninguém hoje. Feliz porque daqui a
pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo
15 mais acolhedor do que sua cama. Mesmo sendo mo-
tivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.
Feliz por nada, nada mesmo? Talvez passe pela
total despreocupação com essa busca.
Particularmente, gosto de quem tem compromis-
20 so com a alegria, que procura relativizar as chatices
diárias e se concentrar no que importa pra valer, e
assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos
outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz
também. Não estando “realizado”, também. Estando
25 triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma.
Consciência. É ter talento para aturar o inevitável, é
tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochada-
mente assombrado consigo próprio: como é que eu
me meti nessa, como é que foi acontecer comigo?
30 Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo.
Benditos os que conseguem se deixar em paz.
Os que não se cobram por não terem cumprido suas
resoluções, que não se culpam por terem falhado,
não se torturam por terem sido contraditórios, não se
35 punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o
melhor que podem.
Se é para ser mestre em alguma coisa, então
que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do
pensamento. De querer se adequar à sociedade e ao
40 mesmo tempo ser livre. Adequação à sociedade e li-
berdade simultaneamente? É uma senhora ambição.
Demanda a energia de uma usina. Para que se con-
sumir tanto?
A vida não é um questionário. Você não precisa
45 ter que responder ao mundo quais são suas qualida-
des, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho
seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se
autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-
-intencionado e que muda de opinião sem a menor
50 culpa.
Ser feliz por nada talvez seja isso.
MEDEIROS, Martha. Feliz por nada . Porto Alegre: L&PM, jul. 2011.