Atenção: Para responder às questões de números 1 a 6, considere o texto abaixo.
1 Em um marco estritamente institucionalista, pode-se dizer que república é uma forma de governo que se distingue
da forma monárquica. Tal distinção deve-se ao fato de que o fundamento do poder nas repúblicas não está associado a
governo unipessoal e à sucessão dinástica, tal como nas monarquias, invariavelmente governadas por casas reais. Ainda
que, ao longo do século 20 − e mesmo no início do 21 −, o termo “república” tenha sido utilizado na autodenominação de
5 regimes políticos autoritários, de modo geral a ideia contemporânea de república aproxima-se da de democracia, posto que
está associada à soberania popular, exercida por meio da participação em eleições regulares, livres, competitivas e extensivas
a todos os postos politicamente relevantes. A tais traços devem ser acrescentadas a distinção e a separação entre teologia e
política.
A ideia de república como forma de governo que se constitui como negação da forma monárquica ganhou
10 consistência a partir da emergência das duas revoluções republicanas modernas, em fins do século 18. Embora suas origens,
durações e efeitos tenham sido distintos, tanto a Revolução Americana (1776) como a Revolução Francesa (1789) tiveram
imenso papel na afirmação de uma forma de governo diversa da tradição monárquica europeia. [...] Durante o século 19,
tanto na Europa quanto nas antigas periferias coloniais − América do Sul, por exemplo –, vários movimentos democratizantes
ou de libertação nacional evocaram a forma republicana, sempre na chave de repúdio à forma monárquica de governo
15 unipessoal com fundamento dinástico. As revoluções europeias de 1830 e 1848, assim como os movimentos nacionais na
América Espanhola, estruturaram-se em torno de ideais republicanos, cujo núcleo invariavelmente gravitava em torno da
necessidade de afirmar o princípio da soberania popular.
A própria experiência brasileira, tardia com relação à da América do Sul, teve nesse traço um aspecto importante.
Entre nós, a defesa da república, durante o século 19, caracterizou-se menos pela defesa de um programa claro de reforma
20 para a sociedade e a política e mais pela simples negação do governo monárquico e pessoal de d. Pedro II. A primeira
década republicana no Brasil foi marcada por forte instabilidade e por intensa disputa a respeito do que deveria significar um
regime republicano. Coube ao governo do paulista Campos Salles (1898-1902) estabelecer as bases do regime, que
vigoraram até 1930.
(LESSA, Renato. República/Republicanismo. In: Dicionário de políticas públicas . Orgs. Geraldo DiGiovanni e Marco Aurélio Nogueira. 2. ed. São Paulo: Editora Unesp/Fundap, 2015, p. 884/885.
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Uma estrutura metálica foi construída com treliças de aço com 9 m de comprimento e 2 m de altura, como representada na figura
Para otimizar o fluxo de dados e simplificar o gerenciamento de uma rede local − LAN, um Analista decide por segmentar a rede utilizando o recurso de máscara de sub-rede IPv4. Considerando que a quantidade de hosts na LAN é cerca de 250 e que pretende criar 4 segmentos de tamanhos iguais, a máscara de sub-rede a ser utilizada é
Texto associado
É correta a seguinte afirmação:
Rede local, como a que conecta as bibliotecas de uma instituição, é uma rede de comunicação de dados utilizada para ligar
computadores e outros equipamentos. Nesse contexto,
I. todo dispositivo ligado à rede é conhecido como ponte.
II. o nó serve para conectar duas ou mais redes locais diferentes.
III. uma rede com topologia em estrela é adequada pois as estações de trabalho têm contato direto entre si.
Ocorre que
Ao projetar uma viga de concreto armado com f ck = 20 MPa para ser utilizada em um pergolado, verificou-se que bastaria armá-la longitudinalmente à tração com armadura mínima. Se as dimensões da seção transversal da viga são 12 cm de largura e 30 cm de altura, a armadura mínima absoluta de tração é, em cm 2 ,
Josias, funcionário do Tribunal, deixa, por indulgência, de responsabilizar subordinado que cometeu infração no exercício do
cargo, mesmo tendo competência para responsabilizá-lo e também não levou o fato ao conhecimento de seu superior. Por sua
conduta, Josias poderá sofrer eventual ação penal pelo crime de
Ao realizar um preparo inlay/onlay, o profissional deve observar, no preparo,
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 9 a 15, considere a entrevista abaixo com o historiador e professor Leandro Karnal.
1. Até que ponto o fracasso é culpa do indivíduo?
Leandro Karnal – Hoje existe um discurso dominante de que tudo o que acontece nas nossas vidas depende das nossas escolhas. Teorias de diversas naturezas, da religião à psicanálise, contrariam essa tese. Não somos tão racionais, nossas escolhas não nascem de uma liberdade plena e o acidente tem um papel maior do que imaginamos. Tenho usado em minhas palestras duas noções desenvolvidas por Nicolau Maquiavel: a “virtù”, o conjunto de habilidades e competências que nascem comigo e que posso desenvolver, e a “fortuna”, que significa o acaso, o inesperado. Ninguém é tão divino ( só “virtù”) e nem tão suscetível às circunstâncias (pura “fortuna”). Faz diferença a escolha do indivíduo. Mas nem sempre esse indivíduo lida com uma lógica absoluta, ele faz sua escolha dentro do possível.
2. De que forma o autoconhecimento pode ajudar uma pessoa que está vivendo uma fase ruim na carreira?
Leandro Karnal – Se você olhar para si mesmo com honestidade, se encarar o retrato terrível da Medusa, que é o seu lado difícil, tem a primeira chance de superá-lo. É o que diz a máxima “conhece a ti mesmo”, que funda a filosofia de Sócrates. É preciso investigar a si mesmo para perceber que você também tem falhas. Desse modo, fica mais fácil diminuir o efeito das fraquezas. Por outro lado, conhecer a si mesmo também é conhecer o que há de bom em mim mesmo e aquilo que me traz bem-estar. É comum ver pessoas que dizem que a carreira é tudo para elas, mas sofrem de gastrite no domingo à noite. Não sabem o que realmente querem. Há pessoas que adoram atividades repetitivas. Outras são viciadas em desafios. Eu preciso saber do meu perfil. Não posso contrariar permanentemente a minha natureza.
3. A morte do sociólogo Zygmunt Bauman reacendeu o debate sobre a deterioração das relações humanas na era da internet. Redes sociais geram uma falsa ideia sobre o sucesso alheio?
Leandro Karnal – Toda tecnologia é neutra, tudo depende do que fazemos com ela. Vivemos na sociedade do espetáculo, em que toda a atenção é voltada para a imagem. Precisamos entender que tudo que se publica nas redes sociais é de autoria de um roteirista. É alguém construindo uma imagem.
(Disponível em: exame.abril.com.br . Com adaptações)
1. Até que ponto o fracasso é culpa do indivíduo?
Leandro Karnal – Hoje existe um discurso dominante de que tudo o que acontece nas nossas vidas depende das nossas escolhas. Teorias de diversas naturezas, da religião à psicanálise, contrariam essa tese. Não somos tão racionais, nossas escolhas não nascem de uma liberdade plena e o acidente tem um papel maior do que imaginamos. Tenho usado em minhas palestras duas noções desenvolvidas por Nicolau Maquiavel: a “virtù”, o conjunto de habilidades e competências que nascem comigo e que posso desenvolver, e a “fortuna”, que significa o acaso, o inesperado. Ninguém é tão divino ( só “virtù”) e nem tão suscetível às circunstâncias (pura “fortuna”). Faz diferença a escolha do indivíduo. Mas nem sempre esse indivíduo lida com uma lógica absoluta, ele faz sua escolha dentro do possível.
2. De que forma o autoconhecimento pode ajudar uma pessoa que está vivendo uma fase ruim na carreira?
Leandro Karnal – Se você olhar para si mesmo com honestidade, se encarar o retrato terrível da Medusa, que é o seu lado difícil, tem a primeira chance de superá-lo. É o que diz a máxima “conhece a ti mesmo”, que funda a filosofia de Sócrates. É preciso investigar a si mesmo para perceber que você também tem falhas. Desse modo, fica mais fácil diminuir o efeito das fraquezas. Por outro lado, conhecer a si mesmo também é conhecer o que há de bom em mim mesmo e aquilo que me traz bem-estar. É comum ver pessoas que dizem que a carreira é tudo para elas, mas sofrem de gastrite no domingo à noite. Não sabem o que realmente querem. Há pessoas que adoram atividades repetitivas. Outras são viciadas em desafios. Eu preciso saber do meu perfil. Não posso contrariar permanentemente a minha natureza.
3. A morte do sociólogo Zygmunt Bauman reacendeu o debate sobre a deterioração das relações humanas na era da internet. Redes sociais geram uma falsa ideia sobre o sucesso alheio?
Leandro Karnal – Toda tecnologia é neutra, tudo depende do que fazemos com ela. Vivemos na sociedade do espetáculo, em que toda a atenção é voltada para a imagem. Precisamos entender que tudo que se publica nas redes sociais é de autoria de um roteirista. É alguém construindo uma imagem.
(Disponível em: exame.abril.com.br . Com adaptações)