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Em um ambulatório de hepatites, comparecem os pacientes abaixo, numerados de 1 a 5. De acordo com o atual PCDT 2023 para o tratamento de hepatite B no Brasil, analise a seguir os pacientes que deverão receber o tratamento para esta doença e qual seria a melhor conduta, respectivamente: 1. 7 anos, com HBV-DNA > 20.000. HBeAg positivo. ALT= 20. Elastografia < 6 kPa. Não é necessário iniciar o tratamento neste momento. 2. 18 anos, com HBV-DNA < 2.000. Não-cirrótico. ALT= 20. Elastografia < 6 kPa. Mãe tem carcinoma hepatocelular em decorrência da hepatite B. O paciente deve ser tratado e uma opção viável para o tratamento é o tenofovir desoproxila (TDF). 3. 67 anos, cirrótico, hipertenso e com doença renal crônica estágio

IV. Já usou lamivudina previamente. O paciente deve ser tratado com tenofovir alafenamida (TAF). 4. 20 anos, não-cirrótico, apresenta Anti-HBc IgG positivo, HBsAg negativo e Anti-HBs positivo. Diagnosticado com Linfoma Hodgkin e receberá terapia com Rituximabe. Deve-se iniciar profilaxia de reativação da hepatite B com entecavir (ETV). 5. 47 anos, cirrótico, com osteoporose. No momento, apresenta-se com ascite grau 2. Nunca recebeu tratamento para hepatite B. O paciente deve ser tratado com entecavir (ETV) em dose dobrada. Assinale a alternativa correta.

A Todos os pacientes deverão receber o tratamento conforme descrito em cada afirmativa
B Somente os pacientes 3, 4 e 5
C Somente os pacientes 2, 3, 4 e 5
D Somente os pacientes 1, 3, 4 e 5
E Nenhum dos pacientes acima deverá receber o tratamento conforme descrito em cada afirmativa

Para responder as questões 46 e 47, analise o caso abaixo. Paciente F.R.T, 54 anos, é um paciente cirrótico de etiologia alcoólica. Encontra-se abstêmio há 1 ano. Evoluiu com ascite intratável pela piora de função renal após introdução de diuréticos. Foi listado para o transplante hepático e convocado para a cirurgia. Em relação às possíveis complicações que envolvem o transplante hepático:

A uma complicação que pode ocorrer no momento do transplante é a síndrome pós-reperfusão. baseia-se no desenvolvimento de hipertermia, alcalose metabólica e hipocalemia causada pela tempestade de citocinas liberadas na corrente sanguínea do receptor após a anastomose vascular
B uma complicação que pode ocorrer nos primeiros dias após o transplante é a trombose de artéria hepática. caso ocorra nos primeiros 7 dias, a conduta é retransplantar. portanto, o paciente é novamente listado e priorizado na fila de transplante por conta da gravidade do quadro
C uma complicação que pode ocorrer mais tardiamente após o transplante é a estenose de via biliar. caso ocorra, a conduta é a realização de derivação bilio-digestiva, visto que a realização de colangiopancreatografia endoscópica retrógrada (cpre) é contraindicada em transplantados
D uma complicação que pode ocorrer logo após o transplante é o não-funcionamento primário do enxerto. caso ocorra, os níveis de inr e bilirrubina estarão dentro da normalidade e as transaminases costumam estar > 5x o limite superior da normalidade
E uma complicação que pode ocorrer nas primeiras semanas após o transplante é a infecção generalizada por citomegalovírus (cmv) em consequência da imunossupressão. caso ocorra, a imunossupressão é retirada por completo até a negativação do pcr para cmv e o tratamento de primeira linha é o aciclovir

Para responder as questões 46 e 47, analise o caso abaixo. Paciente F.R.T, 54 anos, é um paciente cirrótico de etiologia alcoólica. Encontra-se abstêmio há 1 ano. Evoluiu com ascite intratável pela piora de função renal após introdução de diuréticos. Foi listado para o transplante hepático e convocado para a cirurgia. Em relação ao seguimento do paciente após o transplante hepático:

A a terapia imunossupressora deve ser iniciada com droga única durante os primeiros meses após o transplante pelo risco aumentado de infecção. após o tempo mínimo de 6 meses, a terapia combinada (com 2 ou mais drogas) deve ser instituída
B o nível de inibidores da calcineurina (exemplo: tacrolimus, ciclosporina) deve ser monitorizado, haja vista que níveis superiores a 15, no caso do tacrolimus, conferem maior risco de toxicidade para o paciente. alguns achados típicos da intoxicação por tacrolimus são: aumento dos níveis de creatinina, hipercalemia e tremor de extremidades
C os inibidores mtor como o everolimus e sirolimus possuem efeito sinérgico com inibidores da calcineurina. possuem efeito antitumoral e também antiviral. tais drogas podem ser iniciadas logo após o transplante hepático pelo seu efeito benéfico na cicatrização
D as drogas antiproliferativas como o micofenolato de mofetila, micofenolato sódico e a azatioprina fazem parte do arsenal imunossupressor após o transplante hepático. são efetivos para o uso isolado nas primeiras semanas após o transplante e são consideradas drogas seguras em pacientes com infecção por citomegalovírus
E a corticoterapia pode ser iniciada ainda no intra-operatório nos casos de transplante hepático. É a droga de escolha inicial por inibir a proliferação de linfócitos B e T. Deve ser mantida por toda a vida, sendo retirada somente em casos de infecções oportunistas

Sobre a lesão hepática induzida por drogas, assinale a alternativa incorreta .

A O mecanismo de lesão pode ser dose-dependente ou dose-independente (idiossincrática). O denominador comum entre esses mecanismos é a hepatotoxicidade fármaco-induzida levando a lesão hepatocelular, lesão colestática ou mista
B O diagnóstico da lesão hepática induzida por drogas é basicamente presuntivo. É necessário estabelecer se houve contato recente com a droga, se há relação temporal entre o uso da substância e o aparecimento de sintomas e/ou achados laboratoriais e exclusão de outras causas de hepatopatia
C O aparecimento de encefalopatia hepática e sinais de coagulopatia ou INR >1,5 são indícios de mau prognóstico e a sua presença deve motivar consideração imediata de transplante hepático
D No mecanismo de lesão predominantemente colestática, a redução dos parâmetros laboratoriais após a suspensão da droga é mais rápida comparada às lesões hepatocelulares
E O uso da N-acetilcisteína é irrestrito às intoxicações por paracetamol e pode ser usada em demais casos de lesão hepática induzida por drogas nos casos de insuficiência hepática aguda, principalmente em pacientes com encefalopatia hepática graus 1 e 2

Em relação às lesões hepáticas benignas, é correto afirmar:

A o cisto hepático simples é a mais comum, representada por formações de conteúdo homogêneo, sem comunicação com a árvore biliar intra-hepática. o seguimento deve ser realizado anualmente na maioria dos casos
B a doença hepática policística é definida como a presença de 20 ou mais cistos, podendo ocorrer isolada ou associada à doença renal policística. icterícia obstrutiva é comum, tornando-se importante fator de risco para colangite bacteriana
C a doença de caroli é rara, congênita, caracterizada por dilatação segmentar ou multi-focal, nãoobstrutiva de grandes ductos biliares intrahepáticos. já a síndrome de caroli é mais comum e está associada à fibrose congênita
D o cisto hidático resulta de uma zoonose causada por cestódeos. o quadro clínico é geralmente subclínico por anos, mas sintomas como perda ponderal e icterícia são frequentes. o tratamento de escolha é a antibioticoterapia com cobertura gram-negativa por 2 semanas
E o abscesso piogênico é o abscesso visceral mais comum. manifestações clínicas típicas são febre, dor abdominal e calafrios. um diagnóstico diferencial importante é o abscesso amebiano, embora o tratamento com mebendazol ou albendazol por longo prazo seja capaz de tratar ambas as causas

Analise as afirmativas abaixo e dê valores Verdadeiro (V) ou Falso (F), com base nos seus conhecimentos sobre as manifestações extra-hepáticas dos vírus B e C.

( ) Há relação bem estabelecida e proporcional entre a gravidade dos sintomas sistêmicos e o estágio da doença hepática. Ou seja, quanto mais avançada a hepatopatia, mais grave serão as manifestações extra-hepáticas.

( ) A crioglobulinemia mista é manifestação extrahepática comum na hepatite B. O seu diagnóstico envolve a presença das crioglobulinas, fator reumatóide positivo e redução dos níveis de complemento.

( ) O líquen plano, manifestação extra-hepática típica do HCV, pode tanto melhorar quanto piorar com o tratamento da hepatite C.

( ) A erradicação do HCV está indicada nos casos de linfoma relacionado à hepatite C (como o linfoma não-Hodgkin de células B) porque pode induzir à remissão de linfomas indolentes e prevenir a recidiva do linfoma por remover o estímulo antigênico.

( ) O aparecimento de manifestação extrahepática no paciente com hepatite B configura-se como indicação de tratamento, assim como existência de coinfecção com HIV e HCV. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo.

A V - V - V - F - F
B F - F - F - V - V
C F - V - F - V - F
D V - F - V - F - V
E F - F - V - V - V

Sobre a insuficiência hepática crônica agudizada (do inglês, acute-on-chronic liver failure - ACLF), assinale a alternativa incorreta .

A A infecção se destaca como um dos maiores gatilhos para a ACLF, seguida de hemorragia digestiva secundária à hipertensão portal
B O paciente cirrótico configura-se como imunodeficiente, haja vista que o sistema reticuloendotelial e síntese de proteínas da imunidade inata estão comprometidos, tornando o cirrótico um paciente mais suscetível à infecções
C A ACLF é definida como a presença de duas ou mais falências orgânicas em pacientes hepatopatas crônicos ou agudos
D A ACLF está associada a uma intensa resposta inflamatória sistêmica que se relaciona com o dano tecidual e falência orgânica. A inativação dos monócitos está associada a uma “paralisia imune” que pode propiciar a complicações infecciosas
E O critério de avaliação da falência cerebral se dá pela presença e graduação da encefalopatia hepática

Em relação às colestases genéticas, assinale a alternativa correta.

A As colestases familiares intra-hepáticas progressivas (PFIC) são um grupo raro de doenças autossômicas recessivas. O uso de ácido ursodesoxicólico se associa à melhora bioquímica em alguns tipos de PFIC, sendo o transplante hepático reservado para casos com refratariedade ou de apresentação ou evolução mais grave
B A colestase recorrente benigna (BRIC) caracteriza-se por episódios autolimitados de prurido/icterícia. A BRIC é associada a casos severos de hepatopatia crônica
C A colestase intra-hepática da gestação apresenta-se comumente com prurido intenso e o tratamento é feito com ácido ursodesoxicólico ou fenobarbital. A recorrência do quadro em futuras gestações é incomum
D A colelitíase associada a baixos níveis de fosfolípides (LPAC) configura-se como uma doença com alto potencial de malignidade. Além de aumentar o risco de litíase biliar, torna-se fator de risco para colangiocarcinoma
E A síndrome de Alagille, a colestase é persistente em consequência da rarefação dos ductos biliares interlobulares (ductopenia). O prurido e icterícia, diferentemente das outras colestases, são sintomas incomuns

A icterícia pode ser causada por diversas doenças, podendo ser às custas de hiperbilirrubinemia direta ou indireta. Assinale a alternativa que apresenta uma das causas de icterícia com prevalência de hiperbilirrubinemia indireta.

A Atresia congênita de vias biliares
B Deficiência de desidrogenase glicose-6-fosfato
C Câncer de vias biliares
D Hepatites virais
E Síndrome de Dubin-Johnson

Mulher, 58 anos, com diagnóstico de cirrose de etiologia alcoólica, encontra-se internada por descompesação clínica há 3 dias. Ela apresenta piora da ascite, oligúria e início de encefalopatia hepática. Em uso diário de espironolactona 200mg, furosemida 40mg e complexo vitamínico. Creatinina 1,7 mg/dL (0,8 mg/dL na entrada); Líquido ascítico: hemácias= 1.300/mm³, leucócitos= 420/mm³ (62% de linfócitos, 31% neutrófilos e 7% de monócitos); proteína= 1,4 g/dL, albumina= 0,7 g/dL. O diagnóstico e a conduta são:

A Peritonite bacteriana espontânea com disfunção renal; prescrever ceftriaxona e albumina
B Lesão renal aguda estágio 1; reduzir diuréticos e prescrever ceftriaxona empírico
C Lesão renal aguda estágio 2; suspender diuréticos e prescrever albumina humana
D Síndrome hepatorrenal; prescrever albumina humana e terlipressina
E Síndrome hepatorrenal; prescrever albumina humana, terlipressina e ceftriaxona