Atenção : Para responder às questões de números 1 a 6, baseie-se no texto abaixo.
Hollywood dentro de nós
A cultura norte-americana, mais do que qualquer outra, vive e pensa à coletividade como um conjunto de indivíduos. Para um europeu ou um sul-americano, comemorar, explicar e mesmo narrar um acontecimento é, no mínimo, problemático sem explorar sua dimensão propriamente social: o encontro ou a luta de ideias, classes, nações, grupos, grandes interesses econômicos, etc.
Hollywood, com a força de seu cinema, só podia nascer numa cultura em que, seja qual for a dimensão social dos fatos, toda experiência toma a forma de uma história de aventuras. Nesse tipo de cultura, qualquer história de vida promete um roteiro de filme.
Criticamos ou desprezamos Hollywodd pelas simplificações, pelos silêncios e pelas ignorâncias., talvez inevitáveis, ao reduzir a complexidade da história às andanças singulares dos indivíduos. Mas, no fundo, essa critica se endereça a nós mesmos. Defendemos um entendimento do mundo em que causas e conflitos coletivos são mais importantes que a epopeia dos indivíduos. No entanto, a crítica do reducionismo de Hollywood é a maneira que encontramos para reprimir uma dimensão crucial da nossa própria experiência: o mundo nos interessa só porque constitui o cenário da aventura das nossas vidas. Hollywood, desprezada, cativa-nos e fascina-nos porque glorifica um individualismo que é o nosso. Portanto, mesmo envergonhados, entremos no cinema.
(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Terra de ninguém. São Paulo: Publifolha, 2004, p. 322-323)
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Atenção : Para responder às questões de números 7 a 12, baseie-se no texto abaixo.
De Rubem Braga para Vinicius de Moraes
Gosto muito da crônica que Rubem Braga publicou depois que seu amigo Vinicius de Moraes se foi. Em forma de carta, o cronista dá ao poeta notícias atualizadas sobre o Rio, as moças do Rio, a vida, a natureza em for, a chegada da primavera, as promessas no ar... E para arrematar sua despedida, diz:
— Vou ficando por aqui mais um pouco...
Esse “vou ficando” resume a contingência de todos nós, esse estado provisório que gostamos de tratar como se etemo fosse. Esse “vou ficando” soa como desculpa por ainda estar vivo O cronista melancólico diante da ausência de um ardoroso posta amigo, que tanto soube amar à vida.
Quem conheceu o velho Braga admitirá que o tempo dele foi sempre marcado por uma nostalgia profunda, dessas que existem garantindo que não tem cura. Esse “vou ficando” soa, assim, como uma espécie de resignação final de quem não alcançou o teto das expectativas e aguarda agora os protocolos do tempo implacável.
Admiro muito essas frases sintéticas, supostamente simples, mas de muitas camadas, ressonâncias e projeções A gente se abeira delas e elas vão minando água fresca, para saciar nossa sede de consolos. Agora mesmo tive vontade de dizer a todos os parentes e amigos que já partiram:
— Vou ficando mais um pouco...
Como nada mais tenho que possa lhes oferecer, fico recitando essa frase, com esse gerúndio expressivo, essa indiscrição de um vivo, essa penitência de quem fica à espera da curva depois da qual não se pode mais ficar nem um pouquinho.
(Almeida Tibinçã, a editar)
De Rubem Braga para Vinicius de Moraes
Gosto muito da crônica que Rubem Braga publicou depois que seu amigo Vinicius de Moraes se foi. Em forma de carta, o cronista dá ao poeta notícias atualizadas sobre o Rio, as moças do Rio, a vida, a natureza em for, a chegada da primavera, as promessas no ar... E para arrematar sua despedida, diz:
— Vou ficando por aqui mais um pouco...
Esse “vou ficando” resume a contingência de todos nós, esse estado provisório que gostamos de tratar como se etemo fosse. Esse “vou ficando” soa como desculpa por ainda estar vivo O cronista melancólico diante da ausência de um ardoroso posta amigo, que tanto soube amar à vida.
Quem conheceu o velho Braga admitirá que o tempo dele foi sempre marcado por uma nostalgia profunda, dessas que existem garantindo que não tem cura. Esse “vou ficando” soa, assim, como uma espécie de resignação final de quem não alcançou o teto das expectativas e aguarda agora os protocolos do tempo implacável.
Admiro muito essas frases sintéticas, supostamente simples, mas de muitas camadas, ressonâncias e projeções A gente se abeira delas e elas vão minando água fresca, para saciar nossa sede de consolos. Agora mesmo tive vontade de dizer a todos os parentes e amigos que já partiram:
— Vou ficando mais um pouco...
Como nada mais tenho que possa lhes oferecer, fico recitando essa frase, com esse gerúndio expressivo, essa indiscrição de um vivo, essa penitência de quem fica à espera da curva depois da qual não se pode mais ficar nem um pouquinho.
(Almeida Tibinçã, a editar)
Rubem Braga endereçou ao amigo Vinícius de Moraes uma frase que encantou o autor do texto porque ela
Antes de um paciente dar início ao tratamento de radioterapia, é realizado o seu planejamento em uma sala de simulação, ou programação. Com relação ao simulador, é correto afirmar:
Sob uma aproximação razoável, a radiação eletromagnética emitida pelo Sol pode ser considerada como a radiação de um corpo negro. Sendo a temperatura média da superfície do Sol igual a 5.500 °C e a constante de Stefan-Boltzmann igual a 5,67 x 10 -8 m 2 k 4 w , a intensidade total irradiada pelo Sol, em m 2 M W , é aproximadamente:
Para a fixação da esquadria ou do contramarco do vão, são necessárias peças acopladas ao marco ou contramarco. Tais peças são denominadas
Para uma gleba destinada à implantação de um espaço permeável municipal com área de 20 000 m 2 , o projeto de terraplenagem solicita uma cota final de 12 m para o terrapleno. Sabendo que para a gleba a cota final para um plano horizontal, com volumes iguais de corte e aterro, é 15 m, a diferença entre os volumes de corte e aterro, para a cota final de 12 m imposta no projeto de terraplenagem, é
No projeto de edificações de alvenaria estrutural com mais de dois pavimentos, a espessura efetiva mínima permitida das paredes ou pilares estruturais é
Texto associado
Atenção: Leia o trecho inicial do conto “O escrivão Coimbra”, de Machado de Assis, para responder às questões de números 1 a 8.
Aparentemente há poucos espetáculos tão melancólicos como um ancião comprando um bilhete de loteria. Bem considerado, é alegre; essa persistência em crer, quando tudo se ajusta ao descrer, mostra que a pessoa é ainda forte e moça. Que os dias passem & com eles os bilhetes brancos, pouco importa; o ancião estende os dedos para escolher O número que há de dar a sorte grande amanhã, — ou depois, — um dia, enfim, porque todas as coisas podem falhar neste mundo, menos a sorte grande a quem compra um bilhete com fe.
Não era a fé que faltava ao escrivão Coimbra. Também não era a esperança. Lima coisa não vai sem outra. Não confundas a fé na Fortuna com a fé religiosa. Também tivera esta em anos verdes e maduros, chegando a fundar uma irmandade, a irmandade de 5. Bernardo, que era o santo de seu nome; mas aos cinquenta, por efeito do tempo ou de leituras, achou-se incrédulo.
Não deixou logo a irmandade; a esposa pôde conté-lo no exercício do cargo de mesário e levava-o às festas do santo: ela, porém, morreu, & o viúvo rompeu de vez com o santo e o culto. Resignou o cargo da mesa e fez-se irmão remido para não tornar lá. Não buscou arrastar oufros nem obstruir O caminho da oração; ele é que já não rezava por si nem por ninguém. Com amigos, se eram do mesmo estado de alma, confessava o mal que sentia da religião. Com familiares, gostava de dizer pilhérias sobre devotas e padres.
Aos sessenta anos, já não cria em nada, fosse do céu ou da terra, exceto a loteria. A loteria sim, tinha toda a sua fé e esperança. Poucos bilhetes comprava a princípio, mas a idade e depois a solidão visram apurando aquele costume e o levaram a não deixar passar loteria sem bilhete.
Nos primeiros tempos, não vindo a sorte grande, prometia não comprar mais bilhetes, e curante algumas loterias cumpria a promessas. Mas lã aparecia alguém que o convidava a ficar com um bonito número, comprava O número e esperava. Assim veio andando pelo tempo fora até chegar aquele em que loterias rimaram com dias, e passou a comprar seis bilhetes por semana; repousava aos domingos.
(Adaptado de: ASS15, Machado de. Contos: uma antologia, volume 11. São Paulo: Companhia das Letras, 1008)
Aparentemente há poucos espetáculos tão melancólicos como um ancião comprando um bilhete de loteria. Bem considerado, é alegre; essa persistência em crer, quando tudo se ajusta ao descrer, mostra que a pessoa é ainda forte e moça. Que os dias passem & com eles os bilhetes brancos, pouco importa; o ancião estende os dedos para escolher O número que há de dar a sorte grande amanhã, — ou depois, — um dia, enfim, porque todas as coisas podem falhar neste mundo, menos a sorte grande a quem compra um bilhete com fe.
Não era a fé que faltava ao escrivão Coimbra. Também não era a esperança. Lima coisa não vai sem outra. Não confundas a fé na Fortuna com a fé religiosa. Também tivera esta em anos verdes e maduros, chegando a fundar uma irmandade, a irmandade de 5. Bernardo, que era o santo de seu nome; mas aos cinquenta, por efeito do tempo ou de leituras, achou-se incrédulo.
Não deixou logo a irmandade; a esposa pôde conté-lo no exercício do cargo de mesário e levava-o às festas do santo: ela, porém, morreu, & o viúvo rompeu de vez com o santo e o culto. Resignou o cargo da mesa e fez-se irmão remido para não tornar lá. Não buscou arrastar oufros nem obstruir O caminho da oração; ele é que já não rezava por si nem por ninguém. Com amigos, se eram do mesmo estado de alma, confessava o mal que sentia da religião. Com familiares, gostava de dizer pilhérias sobre devotas e padres.
Aos sessenta anos, já não cria em nada, fosse do céu ou da terra, exceto a loteria. A loteria sim, tinha toda a sua fé e esperança. Poucos bilhetes comprava a princípio, mas a idade e depois a solidão visram apurando aquele costume e o levaram a não deixar passar loteria sem bilhete.
Nos primeiros tempos, não vindo a sorte grande, prometia não comprar mais bilhetes, e curante algumas loterias cumpria a promessas. Mas lã aparecia alguém que o convidava a ficar com um bonito número, comprava O número e esperava. Assim veio andando pelo tempo fora até chegar aquele em que loterias rimaram com dias, e passou a comprar seis bilhetes por semana; repousava aos domingos.
(Adaptado de: ASS15, Machado de. Contos: uma antologia, volume 11. São Paulo: Companhia das Letras, 1008)
O narrador recorre a uma antítese em:
Texto associado
Atenção: Leia o trecho inicial do conto “O escrivão Coimbra”, de Machado de Assis, para responder às questões de números 1 a 8.
Aparentemente há poucos espetáculos tão melancólicos como um ancião comprando um bilhete de loteria. Bem considerado, é alegre; essa persistência em crer, quando tudo se ajusta ao descrer, mostra que a pessoa é ainda forte e moça. Que os dias passem & com eles os bilhetes brancos, pouco importa; o ancião estende os dedos para escolher O número que há de dar a sorte grande amanhã, — ou depois, — um dia, enfim, porque todas as coisas podem falhar neste mundo, menos a sorte grande a quem compra um bilhete com fe.
Não era a fé que faltava ao escrivão Coimbra. Também não era a esperança. Lima coisa não vai sem outra. Não confundas a fé na Fortuna com a fé religiosa. Também tivera esta em anos verdes e maduros, chegando a fundar uma irmandade, a irmandade de 5. Bernardo, que era o santo de seu nome; mas aos cinquenta, por efeito do tempo ou de leituras, achou-se incrédulo.
Não deixou logo a irmandade; a esposa pôde conté-lo no exercício do cargo de mesário e levava-o às festas do santo: ela, porém, morreu, & o viúvo rompeu de vez com o santo e o culto. Resignou o cargo da mesa e fez-se irmão remido para não tornar lá. Não buscou arrastar oufros nem obstruir O caminho da oração; ele é que já não rezava por si nem por ninguém. Com amigos, se eram do mesmo estado de alma, confessava o mal que sentia da religião. Com familiares, gostava de dizer pilhérias sobre devotas e padres.
Aos sessenta anos, já não cria em nada, fosse do céu ou da terra, exceto a loteria. A loteria sim, tinha toda a sua fé e esperança. Poucos bilhetes comprava a princípio, mas a idade e depois a solidão visram apurando aquele costume e o levaram a não deixar passar loteria sem bilhete.
Nos primeiros tempos, não vindo a sorte grande, prometia não comprar mais bilhetes, e curante algumas loterias cumpria a promessas. Mas lã aparecia alguém que o convidava a ficar com um bonito número, comprava O número e esperava. Assim veio andando pelo tempo fora até chegar aquele em que loterias rimaram com dias, e passou a comprar seis bilhetes por semana; repousava aos domingos.
(Adaptado de: ASS15, Machado de. Contos: uma antologia, volume 11. São Paulo: Companhia das Letras, 1008)
Aparentemente há poucos espetáculos tão melancólicos como um ancião comprando um bilhete de loteria. Bem considerado, é alegre; essa persistência em crer, quando tudo se ajusta ao descrer, mostra que a pessoa é ainda forte e moça. Que os dias passem & com eles os bilhetes brancos, pouco importa; o ancião estende os dedos para escolher O número que há de dar a sorte grande amanhã, — ou depois, — um dia, enfim, porque todas as coisas podem falhar neste mundo, menos a sorte grande a quem compra um bilhete com fe.
Não era a fé que faltava ao escrivão Coimbra. Também não era a esperança. Lima coisa não vai sem outra. Não confundas a fé na Fortuna com a fé religiosa. Também tivera esta em anos verdes e maduros, chegando a fundar uma irmandade, a irmandade de 5. Bernardo, que era o santo de seu nome; mas aos cinquenta, por efeito do tempo ou de leituras, achou-se incrédulo.
Não deixou logo a irmandade; a esposa pôde conté-lo no exercício do cargo de mesário e levava-o às festas do santo: ela, porém, morreu, & o viúvo rompeu de vez com o santo e o culto. Resignou o cargo da mesa e fez-se irmão remido para não tornar lá. Não buscou arrastar oufros nem obstruir O caminho da oração; ele é que já não rezava por si nem por ninguém. Com amigos, se eram do mesmo estado de alma, confessava o mal que sentia da religião. Com familiares, gostava de dizer pilhérias sobre devotas e padres.
Aos sessenta anos, já não cria em nada, fosse do céu ou da terra, exceto a loteria. A loteria sim, tinha toda a sua fé e esperança. Poucos bilhetes comprava a princípio, mas a idade e depois a solidão visram apurando aquele costume e o levaram a não deixar passar loteria sem bilhete.
Nos primeiros tempos, não vindo a sorte grande, prometia não comprar mais bilhetes, e curante algumas loterias cumpria a promessas. Mas lã aparecia alguém que o convidava a ficar com um bonito número, comprava O número e esperava. Assim veio andando pelo tempo fora até chegar aquele em que loterias rimaram com dias, e passou a comprar seis bilhetes por semana; repousava aos domingos.
(Adaptado de: ASS15, Machado de. Contos: uma antologia, volume 11. São Paulo: Companhia das Letras, 1008)