MUITOS DADOS, POSSÍVEIS LEITURAS
Carla Madureira Cruz (Instituo de Geociência - UFRJ)
Estamos cada vez mais exigentes aos detalhes do mundo que nos rodeia, seja espacial ou temporalmente. Ainda que não saibamos o limite de onde podemos chegar, seguramente romperemos as dificuldades de forma cada vez mais rápida. Vejamos a questão da escala...
Não faz muito tempo que observar o mundo através de manchas indicativas do tipo de ocupação (como é o caso das áreas urbanas e dos fragmentos florestais) era o que havia de melhor para fazer medições, monitoramentos e diagnósticos. Isso tudo a intervalos de anos, às vezes, décadas. Afinal, a produção cartográfica sempre foi, historicamente, um desafio complexo, exigindo tempo, métodos e recursos pouco triviais. Não é à toa que era restrita a poucos.
Atualmente, e cada vez mais rapidamente, temos sido capazes de romper muitas dessas fronteiras. E por que isto é importante? Porque a representação de dados depende da escala e esta, por sua vez, depende do conjunto de dados primários utilizados. Assim, se quisermos analisar um território de modo mais detalhado, precisaremos de dados suficientemente ajustados ao nível de escala exigido para cada demanda. Hoje, tornou-se comum trocarmos manchas por indivíduos (como casas e árvores) em algumas aplicações como as voltadas aos estudos urbanos.
As formas de levantamentos de dados são variáveis e podem ser do tipo in situ (no campo) ou remoto. Com o avanço tecnológico, cresce em qualidade e diversidade as opções remotas de obtenção de dados, como é o caso do sensoriamento remoto com suas múltiplas facetas. Ele nos permite acesso, cada vez mais amplo, a um parque de imagens muito variadas, que buscam atender a estudos e aplicações diversas. Afinal, a leitura espacial é um quesito fundamental para a quantificação e compreensão da evolução da paisagem, podendo considerar aspectos antrópicos ou naturais.
Com a facilidade tecnológica de acesso, produção e disponibilização de dados espaciais, as pressões por soluções que passam por essas representações espaciais só crescem. Ampliam-se os dados, expressos na maioria das vezes por imagens e mapas, mas também há um aumento, e aprofundamento, do conhecimento sobre as dinâmicas de eventos - informações consideradas cruciais para lidar com as complexidades do mundo atual.
Não devemos esquecer que o que existe e o que representamos nunca é a mesma coisa. Toda representação em escala carrega em si alguma perda, que denominamos generalização. E isso é importante, porque possibilita a análise de áreas maiores. O desafio, portanto, é saber escolher a escala adequada ao estudo: aquela que não invisibiliza o que precisamos observar e medir.
Adaptado de: https://cienciahoje.org.br/artigo/muitos-dadospossiveis-leituras/. Acesso em: 05 abr. 2023.
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IDECAN
1.907 questões
MS CONCURSOS
1.485 questões
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1.281 questões
FAFIPA
1.161 questões
FUMARC
842 questões
ACAFE
551 questões
INSTITUTO AOCP
430 questões
NUCEPE
378 questões
FUNIVERSA
348 questões
FAURGS
203 questões
FIOCRUZ
48 questões
MACKENZIE
48 questões
CETRO
17 questões
8 questões encontradas
Texto associado
O texto a seguir refere-se às questões 1 a 12.
COMO O DOUTOR GOOGLE ESTÁ CRIANDO UMA LEGIÃO DE CIBERCONDRÍACOS
Thiago Tanji – 18 SET 2015
“Sintomas”, “dor de cabeça”, “sonolência”, “estou com sorte”. Uma busca despretensiosa usando essas palavras-chave leva a um endereço que indica os sinais e sintomas de um tumor cerebral. Definitivamente, não era um dia de sorte. Mas é possível encontrar outros diagnósticos virtuais para essa busca, como anemia, distúrbios do sono, meningite e virose, é claro. Já escolheu a doença que mais se encaixa no seu caso? Provavelmente, você decidirá pela pior dessa lista. “Depois de checar os sintomas no Google, a maior parte das pessoas tende a associar sua situação a doenças sérias e raras”, diz Dengfeng Yan, professor do departamento de marketing da Universidade do Texas em San Antonio, Estados Unidos. É verdade que o dr. Google é prático e pode ajudar em alguns casos, mas seu curso de medicina é baseado em algoritmos que podem te transformar em um cibercondríaco (é sério, essa palavra já é utilizada por cientistas).
Em 2012, quando era pesquisador na Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, na China, Yan realizou um trabalho para estudar as escolhas irracionais de consumidores com base na ideia de que as pessoas tendem a superestimar seus problemas de saúde. Em uma entrevista, ele perguntava a um grupo sobre a possibilidade de contrair doenças como gripe aviária, câncer de mama e AIDS. “As pessoas costumam ignorar a chance real de ocorrências de uma doença e acabam confiando demais apenas nos sintomas que estão sentindo”, afirma. O problema é que, ao buscar os sintomas pela internet, nosso medo de contrair doenças graves é potencializado, já que essas enfermidades rendem um maior número de discussões e tendem a aparecer com maior frequência no resultado das buscas. “As informações mostradas no Google não são uma representação da realidade, já que a maior parte das pessoas não costuma discutir a ocorrência de doenças normais”, diz Yan.
De acordo com um relatório do Google, uma em cada 20 pesquisas do serviço de buscas está relacionada a questões ligadas à saúde. Mas o problema é que quantidade não representa qualidade. “Há um conteúdo muito bom que é cuidadosamente checado e publicado por especialistas. No entanto, também há um conteúdo extremamente pobre, com informações incorretas”, afirma Guido Zuccon, pesquisador de sistemas de informação da Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália. “Também observamos que há conteúdo de alta qualidade, como pesquisas divulgadas pela comunidade médica, mas que os usuários em geral têm muita dificuldade de entender”. Em março deste ano, a equipe do pesquisador conduziu um estudo para avaliar a qualidade das informações médicas disponíveis nas buscas do Google, a partir da experiência de um grupo de entrevistados. No relatório, Zuccon indica que as ferramentas virtuais melhoraram sua engenharia de busca nos últimos anos, mas a pesquisa por termos abrangentes – como os sintomas descritos no início da matéria – ainda não consegue retornar resultados satisfatórios para os usuários.
Adaptado de: https://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2015/09/como-odoutor-google-esta-criando-uma-legiao-de-cibercondriacos.html. Acesso em: 10 jun. 2022.
COMO O DOUTOR GOOGLE ESTÁ CRIANDO UMA LEGIÃO DE CIBERCONDRÍACOS
Thiago Tanji – 18 SET 2015
“Sintomas”, “dor de cabeça”, “sonolência”, “estou com sorte”. Uma busca despretensiosa usando essas palavras-chave leva a um endereço que indica os sinais e sintomas de um tumor cerebral. Definitivamente, não era um dia de sorte. Mas é possível encontrar outros diagnósticos virtuais para essa busca, como anemia, distúrbios do sono, meningite e virose, é claro. Já escolheu a doença que mais se encaixa no seu caso? Provavelmente, você decidirá pela pior dessa lista. “Depois de checar os sintomas no Google, a maior parte das pessoas tende a associar sua situação a doenças sérias e raras”, diz Dengfeng Yan, professor do departamento de marketing da Universidade do Texas em San Antonio, Estados Unidos. É verdade que o dr. Google é prático e pode ajudar em alguns casos, mas seu curso de medicina é baseado em algoritmos que podem te transformar em um cibercondríaco (é sério, essa palavra já é utilizada por cientistas).
Em 2012, quando era pesquisador na Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, na China, Yan realizou um trabalho para estudar as escolhas irracionais de consumidores com base na ideia de que as pessoas tendem a superestimar seus problemas de saúde. Em uma entrevista, ele perguntava a um grupo sobre a possibilidade de contrair doenças como gripe aviária, câncer de mama e AIDS. “As pessoas costumam ignorar a chance real de ocorrências de uma doença e acabam confiando demais apenas nos sintomas que estão sentindo”, afirma. O problema é que, ao buscar os sintomas pela internet, nosso medo de contrair doenças graves é potencializado, já que essas enfermidades rendem um maior número de discussões e tendem a aparecer com maior frequência no resultado das buscas. “As informações mostradas no Google não são uma representação da realidade, já que a maior parte das pessoas não costuma discutir a ocorrência de doenças normais”, diz Yan.
De acordo com um relatório do Google, uma em cada 20 pesquisas do serviço de buscas está relacionada a questões ligadas à saúde. Mas o problema é que quantidade não representa qualidade. “Há um conteúdo muito bom que é cuidadosamente checado e publicado por especialistas. No entanto, também há um conteúdo extremamente pobre, com informações incorretas”, afirma Guido Zuccon, pesquisador de sistemas de informação da Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália. “Também observamos que há conteúdo de alta qualidade, como pesquisas divulgadas pela comunidade médica, mas que os usuários em geral têm muita dificuldade de entender”. Em março deste ano, a equipe do pesquisador conduziu um estudo para avaliar a qualidade das informações médicas disponíveis nas buscas do Google, a partir da experiência de um grupo de entrevistados. No relatório, Zuccon indica que as ferramentas virtuais melhoraram sua engenharia de busca nos últimos anos, mas a pesquisa por termos abrangentes – como os sintomas descritos no início da matéria – ainda não consegue retornar resultados satisfatórios para os usuários.
Adaptado de: https://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2015/09/como-odoutor-google-esta-criando-uma-legiao-de-cibercondriacos.html. Acesso em: 10 jun. 2022.
Assinale a alternativa em que o advérbio destacado incide sobre um adjetivo.
Texto associado
Texto I
Comportamento Geral
Gonzaguinha (1972)
Você deve notar que não tem mais tutu
e dizer que não está preocupado
Você deve lutar pela xepa da feira
e dizer que está recompensado
Você deve estampar sempre um ar de alegria
e dizer: tudo tem melhorado
Você deve rezar pelo bem do patrão
e esquecer que está desempregado
Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabarem com o teu Carnaval?
Você deve aprender a baixar a cabeça
E dizer sempre: "Muito obrigado"
São palavras que ainda te deixam dizer
Por ser homem bem disciplinado
Deve, pois, só fazer pelo bem da Nação
Tudo aquilo que for ordenado
Pra ganhar um Fuscão no juízo final
E diploma de bem comportado (...)
Disponível em: https://www.letras.mus.br/gonzaguinha/330922/ Acesso de: 12 dez. 2021.
Texto II
Declaração do forró como patrimônio cultural
e imaterial do Brasil legitima a diversidade
musical do país
Mauro Ferreira
Reprodução / Capa de disco de 1988
♪ ANÁLISE – A declaração do forró como patrimônio cultural e imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) fez justiça na quinta-feira, 9 de dezembro de 2021, a um universo musical tão importante quanto o samba para a construção da identidade sonora do Brasil.
Por visão etnocêntrica carioca, o samba sempre foi apresentado como o “ritmo nacional”, porque a cidade do Rio de Janeiro (RJ) é percebida como a capital cultural do Brasil.
É assim que o mundo vê a música do Brasil, embora a recente visibilidade planetária do funk esteja reconstruindo essa identidade musical que foi criada nos anos 1940 – com a ascensão nos Estados Unidos da cantora Carmen Miranda (1909 – 1955), voz do samba que acabou propagando a rumba no mercado norte-americano – e alicerçada com a explosão da Bossa Nova nos EUA a partir de 1962.
Só que, dentro das fronteiras do Brasil, o forró sempre foi tão importante quanto o samba. Com a diferença de que, a rigor, forró nunca foi um gênero musical como o samba. Forró é rótulo genérico que designa diversos gêneros musicais nordestinos, como baião, xaxado, xote e quadrilha – ritmos recorrentes na obra de Luiz Gonzaga (1912 – 1989), grande pilar da música da nação nordestina.
Forró também pode ser o coco ou o rojão cantado por Jackson do Pandeiro (1919 – 1982), rei do ritmo, também dono de obra referencial na música do nordeste do Brasil.
Contudo, forró é festa regada à alegria, dança e sensualidade em que se canta e toca até samba. Sacramentada dez anos após ter sido apresentada em 2011 pela Associação Balaio do Nordeste e pelo Fórum Forró de Raiz da Paraíba, com apoio de mais de 400 artistas que se manifestaram através de abaixo-assinado, a declaração do forró como patrimônio cultural e imaterial do Brasil faz jus à diversidade cultural desse país de dimensão continental.
A música do Brasil precisa ser compreendida a partir dessa imensa riqueza e variedade. Artistas nordestinos não são artistas “regionais”. São artistas do Brasil, porque o forró – tanto a música quanto a festa – anima todo o país e é e sempre foi de fato e de direito um patrimônio nacional.
Disponível em: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauroferreira/post/2021/12/10/declaracao-do-forro-como-patrimoniocultural-e-imaterial-do-brasil-legitima-a-diversidade-musical-dopais.ghtml Acesso de: 12 dez. 2021.
Comportamento Geral
Gonzaguinha (1972)
Você deve notar que não tem mais tutu
e dizer que não está preocupado
Você deve lutar pela xepa da feira
e dizer que está recompensado
Você deve estampar sempre um ar de alegria
e dizer: tudo tem melhorado
Você deve rezar pelo bem do patrão
e esquecer que está desempregado
Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabarem com o teu Carnaval?
Você deve aprender a baixar a cabeça
E dizer sempre: "Muito obrigado"
São palavras que ainda te deixam dizer
Por ser homem bem disciplinado
Deve, pois, só fazer pelo bem da Nação
Tudo aquilo que for ordenado
Pra ganhar um Fuscão no juízo final
E diploma de bem comportado (...)
Disponível em: https://www.letras.mus.br/gonzaguinha/330922/ Acesso de: 12 dez. 2021.
Texto II
Declaração do forró como patrimônio cultural
e imaterial do Brasil legitima a diversidade
musical do país
Mauro Ferreira
Reprodução / Capa de disco de 1988
♪ ANÁLISE – A declaração do forró como patrimônio cultural e imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) fez justiça na quinta-feira, 9 de dezembro de 2021, a um universo musical tão importante quanto o samba para a construção da identidade sonora do Brasil.
Por visão etnocêntrica carioca, o samba sempre foi apresentado como o “ritmo nacional”, porque a cidade do Rio de Janeiro (RJ) é percebida como a capital cultural do Brasil.
É assim que o mundo vê a música do Brasil, embora a recente visibilidade planetária do funk esteja reconstruindo essa identidade musical que foi criada nos anos 1940 – com a ascensão nos Estados Unidos da cantora Carmen Miranda (1909 – 1955), voz do samba que acabou propagando a rumba no mercado norte-americano – e alicerçada com a explosão da Bossa Nova nos EUA a partir de 1962.
Só que, dentro das fronteiras do Brasil, o forró sempre foi tão importante quanto o samba. Com a diferença de que, a rigor, forró nunca foi um gênero musical como o samba. Forró é rótulo genérico que designa diversos gêneros musicais nordestinos, como baião, xaxado, xote e quadrilha – ritmos recorrentes na obra de Luiz Gonzaga (1912 – 1989), grande pilar da música da nação nordestina.
Forró também pode ser o coco ou o rojão cantado por Jackson do Pandeiro (1919 – 1982), rei do ritmo, também dono de obra referencial na música do nordeste do Brasil.
Contudo, forró é festa regada à alegria, dança e sensualidade em que se canta e toca até samba. Sacramentada dez anos após ter sido apresentada em 2011 pela Associação Balaio do Nordeste e pelo Fórum Forró de Raiz da Paraíba, com apoio de mais de 400 artistas que se manifestaram através de abaixo-assinado, a declaração do forró como patrimônio cultural e imaterial do Brasil faz jus à diversidade cultural desse país de dimensão continental.
A música do Brasil precisa ser compreendida a partir dessa imensa riqueza e variedade. Artistas nordestinos não são artistas “regionais”. São artistas do Brasil, porque o forró – tanto a música quanto a festa – anima todo o país e é e sempre foi de fato e de direito um patrimônio nacional.
Disponível em: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauroferreira/post/2021/12/10/declaracao-do-forro-como-patrimoniocultural-e-imaterial-do-brasil-legitima-a-diversidade-musical-dopais.ghtml Acesso de: 12 dez. 2021.
Considerando aspectos linguísticos e gramaticais presentes no Texto I, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta.
( ) Nos versos “Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé/ Se acabarem com o teu Carnaval?”, o emprego da conjunção “se” expressa condição e se une ao verbo “acabarem” – no futuro do presente do indicativo – para indicar incerteza.
( ) O verbo “dever”, empregado em várias passagens do Texto I, bem como em “Você deve estampar sempre um ar de alegria/ e dizer: tudo tem melhorado” funciona, nesse caso, como um auxiliar modalizador que exprime noção de obrigatoriedade.
( ) Em “São palavras que ainda te deixam dizer”, o pronome “te”, em se tratando de colocação, por ter sido usado diante de uma locução verbal com infinitivo – “deixam dizer” – , também poderia assumir as formas enclíticas “deixam-te dizer” ou “deixam dizer-te”.
( ) Nos versos “Deve, pois, só fazer pelo bem da Nação” e “E diploma de bem comportado (...)”, o vocábulo “bem” foi empregado com a mesma função adverbial.
( ) Em “Tudo aquilo que for ordenado/ Pra ganhar um Fuscão no juízo final (...)”, a expressão em destaque indica causa.
Texto associado
O texto a seguir refere-se às questões de 1 a 10.
MOTIVAÇÃO: UM MECANISMO BIOLÓGICO QUE IMPACTA NOSSAS VIDAS
Um tema muito presente em discussões e estudos recentes é a produtividade e a motivação. É fácil entender que, culturalmente, associa-se produtividade com a quantidade de atividades que alguém produz. E, quando estamos motivados, certamente nosso engajamento em certa atividade e produtividade aumentam.
Daniel M. Cable, em seu livro “Vivo no trabalho”, explora o conceito de motivação para além de variáveis físicas e emocionais conectadas a ela. Segundo o autor, a motivação não se restringe apenas aos nossos interesses. Há um mecanismo biológico conectado a ela, que quando compreendido e bem trabalhado pode potencializar a motivação e os resultados.
O ser humano tem um mecanismo natural, chamado “seeking system”, ou em tradução livre “sistema de busca”. Esse modelo de comportamento e de reação neurológica faz com que sejamos motivados a explorar novos territórios para extrair significado deles e, com isso, aprendizado. Quando o sistema é ativado e a curiosidade despertada, o sistema neurológico libera um neurotransmissor em nosso corpo e células, chamado dopamina, responsável pela sensação de prazer e regulação de humor. A dopamina em conjunto com outros neurotransmissores, como a adrenalina e noradrenalina, alimenta um sistema de recompensas no corpo, como, por exemplo, o sono, a fome e o humor.
Isso significa na prática que quando temos algo que desperta nossa atenção e curiosidade, somos impulsionados a responder a esse estímulo, ressignificando o que nos é apresentado e, com isso, aumentando nosso interesse e motivação para encontrar novos estímulos que despertam novamente nossa curiosidade e liberem, novamente, as sensações de prazer em nosso corpo.
Adaptado de: https://spsicologos.com/2021/07/10/motivacao-um-mecanismo-biologico-que-impacta-nossas-vidas/. Acesso em: 15 ago. 2022.
MOTIVAÇÃO: UM MECANISMO BIOLÓGICO QUE IMPACTA NOSSAS VIDAS
Um tema muito presente em discussões e estudos recentes é a produtividade e a motivação. É fácil entender que, culturalmente, associa-se produtividade com a quantidade de atividades que alguém produz. E, quando estamos motivados, certamente nosso engajamento em certa atividade e produtividade aumentam.
Daniel M. Cable, em seu livro “Vivo no trabalho”, explora o conceito de motivação para além de variáveis físicas e emocionais conectadas a ela. Segundo o autor, a motivação não se restringe apenas aos nossos interesses. Há um mecanismo biológico conectado a ela, que quando compreendido e bem trabalhado pode potencializar a motivação e os resultados.
O ser humano tem um mecanismo natural, chamado “seeking system”, ou em tradução livre “sistema de busca”. Esse modelo de comportamento e de reação neurológica faz com que sejamos motivados a explorar novos territórios para extrair significado deles e, com isso, aprendizado. Quando o sistema é ativado e a curiosidade despertada, o sistema neurológico libera um neurotransmissor em nosso corpo e células, chamado dopamina, responsável pela sensação de prazer e regulação de humor. A dopamina em conjunto com outros neurotransmissores, como a adrenalina e noradrenalina, alimenta um sistema de recompensas no corpo, como, por exemplo, o sono, a fome e o humor.
Isso significa na prática que quando temos algo que desperta nossa atenção e curiosidade, somos impulsionados a responder a esse estímulo, ressignificando o que nos é apresentado e, com isso, aumentando nosso interesse e motivação para encontrar novos estímulos que despertam novamente nossa curiosidade e liberem, novamente, as sensações de prazer em nosso corpo.
Adaptado de: https://spsicologos.com/2021/07/10/motivacao-um-mecanismo-biologico-que-impacta-nossas-vidas/. Acesso em: 15 ago. 2022.
Assinale a alternativa em que o termo destacado NÃO é um advérbio.
Texto associado
Acerca das ideias e dos sentidos do texto CB1A1-II, julgue os itens
a seguir.
a seguir.
Na linha 13, o advérbio “inextricavelmente” tem o significado
de inexoravelmente .
Texto associado
Dados de 92 milhões de brasileiros podem
estar à venda na internet
Arquivo contém 16 GB de informações pessoais
que incluem nomes, datas de nascimento e
números de CPF
Por Rodrigo Loureiro
9 out. 2019
São Paulo – Um banco de dados que teria
informações de mais de 92 milhões de brasileiros
está sendo leiloado na internet. De acordo com
a empresa de segurança digital Eset, que está
analisando o caso, o conjunto de dados pessoais
inclui nomes dos usuários e de seus familiares,
datas de nascimento e CPFs. O lance inicial é de
15 mil dólares.
Realizado em diversos fóruns clandestinos e
de acesso restrito, o leilão, que só recebe lances
a partir de 1.000 dólares, só pode ser acessado
por membros dessas plataformas. O arquivo de
16 GB de tamanho e em formato SQL está sendo
leiloado por um hacker sob o codinome X4Crow.
De acordo com o portal Bleeping Computer,
que obteve uma amostra dos dados, as
informações coletadas são verdadeiras e batem
com registros da Receita Federal.
Como o vazamento afeta também pessoas
jurídicas, já que informações do CNPJ de
empresas também foram coletadas, é provável
que nem todos os dados sejam únicos. Ou seja,
uma mesma pessoa pode estar listada mais de
uma vez no arquivo.
Para piorar, o invasor ainda afirma que pode
obter números de telefone, endereços físicos,
e-mails, placas de carros, histórico profissional e
educacional e até mesmo o nome de vizinhos da
vítima. Esses dados adicionais, contudo, estão
sendo vendidos separadamente. Custam cerca
de 150 dólares por pesquisa.
Seus dados estão seguros?
Infelizmente, não é possível saber quem
foi vítima deste novo ataque digital. Contudo
usuários mais preocupados com a segurança de
suas informações pessoais disponibilizadas na
internet podem verificar se já foram vítimas de
outros vazamentos de dados no ambiente virtual.
Para fazer isso, é preciso acessar o site Have I
Been Pwned. A página informa se o endereço de
e-mail do internauta já foi listado em algum caso
de vazamento de informações.
Em todos os casos, vale sempre a dica de
manter suas senhas seguras, evitar usar a mesma
combinação para todos os serviços e ativar um
sistema de autenticação em dois fatores em
plataformas que oferecem o recurso.
Adaptado de: . Acesso em: 10 out.
2019.
estar à venda na internet
Arquivo contém 16 GB de informações pessoais
que incluem nomes, datas de nascimento e
números de CPF
Por Rodrigo Loureiro
9 out. 2019
São Paulo – Um banco de dados que teria
informações de mais de 92 milhões de brasileiros
está sendo leiloado na internet. De acordo com
a empresa de segurança digital Eset, que está
analisando o caso, o conjunto de dados pessoais
inclui nomes dos usuários e de seus familiares,
datas de nascimento e CPFs. O lance inicial é de
15 mil dólares.
Realizado em diversos fóruns clandestinos e
de acesso restrito, o leilão, que só recebe lances
a partir de 1.000 dólares, só pode ser acessado
por membros dessas plataformas. O arquivo de
16 GB de tamanho e em formato SQL está sendo
leiloado por um hacker sob o codinome X4Crow.
De acordo com o portal Bleeping Computer,
que obteve uma amostra dos dados, as
informações coletadas são verdadeiras e batem
com registros da Receita Federal.
Como o vazamento afeta também pessoas
jurídicas, já que informações do CNPJ de
empresas também foram coletadas, é provável
que nem todos os dados sejam únicos. Ou seja,
uma mesma pessoa pode estar listada mais de
uma vez no arquivo.
Para piorar, o invasor ainda afirma que pode
obter números de telefone, endereços físicos,
e-mails, placas de carros, histórico profissional e
educacional e até mesmo o nome de vizinhos da
vítima. Esses dados adicionais, contudo, estão
sendo vendidos separadamente. Custam cerca
de 150 dólares por pesquisa.
Seus dados estão seguros?
Infelizmente, não é possível saber quem
foi vítima deste novo ataque digital. Contudo
usuários mais preocupados com a segurança de
suas informações pessoais disponibilizadas na
internet podem verificar se já foram vítimas de
outros vazamentos de dados no ambiente virtual.
Para fazer isso, é preciso acessar o site Have I
Been Pwned. A página informa se o endereço de
e-mail do internauta já foi listado em algum caso
de vazamento de informações.
Em todos os casos, vale sempre a dica de
manter suas senhas seguras, evitar usar a mesma
combinação para todos os serviços e ativar um
sistema de autenticação em dois fatores em
plataformas que oferecem o recurso.
Adaptado de: . Acesso em: 10 out.
2019.
Considerando os vocábulos em
destaque no seguinte período, assinale a
alternativa correta: “Realizado em
diversos fóruns clandestinos e de
acesso restrito, o leilão, que só recebe
lances a partir de 1.000 dólares, só pode
ser acessado por membros dessas
plataformas.”.
Texto associado
A arte perdida de ler um texto até o fim
A internet é um banquete de informações, mas só aguentamos as primeiras garfadas
Danilo Venticinque
Abandonar um texto logo nas primeiras linhas é um direito inalienável de qualquer leitor. Talvez você nem esteja lendo esta linha: ao ver que a primeira frase deste texto era uma obviedade, nada mais natural do que clicar em outra aba do navegador e conferir a tabela da copa. Ou talvez você tenha perseverado e seguido até aqui. Mesmo assim eu não comemoraria. É muito provável que você desista agora. A passagem para o segundo parágrafo é o que separa os fortes dos fracos.
A internet é um enorme banquete de informações, mas estamos todos fartos. Não aguentamos mais do que as duas ou três primeiras garfadas de cada prato. Ler um texto até as últimas linhas é uma arte perdida. No passado, quem desejasse esconder um segredo num texto precisava criar códigos sofisticados de linguagem para que só os iniciados decifrassem o enigma. Hoje a vida ficou mais fácil. Quer preservar um segredo? Esconda-o na última frase de um texto – esse território selvagem, raramente explorado.
Lembro-me que, no Enem do ano retrasado, um aluno escreveu um trecho do hino de seu time favorito no meio da redação. Tirou a nota 500 (de 1000), foi descoberto pela imprensa e virou motivo de chacota nacional. Era um mau aluno, claro. Se fosse mais estudioso, teria aprendido que o fim da redação é o melhor lugar para escrever impunemente uma frase de um hino de futebol. Se fizesse isso, provavelmente tiraria a nota máxima e jamais seria descoberto.
Agora que perdi a atenção da enorme maioria dos leitores à exceção de amigos muito próximos e parentes de primeiro grau, posso ir direto ao que interessa. Quem acompanhou as redes sociais na semana passada deve ter notado uma enorme confusão causada pelo hábito de abandonar um texto antes do fim. Resumindo a história: um jornalista publicou uma coluna em que narrava uma longa entrevista com Felipão num avião. A notícia repercutiu e virou manchete em outros sites, até que alguém notou que o entrevistado não era Felipão, mas sim um sósia dele. Os sites divulgaram erratas e a história virou piada. No meio de todo o barulho, porém, alguns abnegados decidiram ler o texto com atenção até o fim. Encontraram lá um parágrafo enigmático. Ao final da entrevista, o suposto Felipão entregava ao jornalista um cartão de visitas. No cartão estavam os dizeres “Vladimir Palomo – Sósia de Felipão – Eventos”. A multidão que ria do engano do jornalista o fazia sem ler esse trecho.
Teria sido tudo uma sacada genial do jornalista, que conseguiu pregar uma peça em seus colegas e em milhares de leitores que não leram seu texto até o fim? Estaria ele rindo sozinho, em silêncio, de todos aqueles que não entenderam sua piada?
A explicação, infelizmente, era mais simples. Numa entrevista, o jornalista confirmou que acreditava mesmo ter entrevistado o verdadeiro Felipão, e que o cartão de visitas do sósia tinha sido apenas uma brincadeira do original.
A polêmica estava resolvida. Mas, se eu pudesse escolher, preferiria não ler essa história até o fim. Inventaria outro desenlace para ela. Trocaria o inexplicável mal-entendido da realidade por uma ficção em que um autor maquiavélico consegue enganar uma multidão de leitores desatentos. Ou por outra ficção, ainda mais insólita, em que o texto revelava que o entrevistado era um sósia, mas o autor não saberia disso porque não teria lido a própria obra até o final. Seria um obituário perfeito para a leitura em tempos de déficit de atenção.
Se você chegou ao último parágrafo deste texto, você é uma aberração estatística. Estudos sobre hábitos de leitura demonstram claramente que até meus pais teriam desistido de ler há pelo menos dois parágrafos. Estamos sozinhos agora, eu e você. Talvez você se considere um ser fora de moda. Na era de distração generalizada, é preciso ser um pouco antiquado para perseverar na leitura. Imagino que você já tenha pensado em desistir desse estranho hábito e começar a ler apenas as primeiras linhas, como fazem as pessoas ao seu redor. O tempo economizado seria devidamente investido em atividades mais saudáveis, como o Facebook ou games para celular. Aproveito estas últimas linhas, que só você está lendo, para tentar te convencer do contrário. Esqueça a modernidade. Quando o assunto é leitura, não há nada melhor do que estar fora de moda. A história está repleta de textos cheios de sabedoria, que merecem ser lidos do começo ao fim. Este, evidentemente, não é um deles. Mas seu esforço um dia será recompensado. Não desanime, leitor. As tuas glórias vêm do passado.
(http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/danilo-venticinque/noticia/ 2014/06/arte-perdida-de-bler-um-texto-ate-o-fimb.html)
A internet é um banquete de informações, mas só aguentamos as primeiras garfadas
Danilo Venticinque
Abandonar um texto logo nas primeiras linhas é um direito inalienável de qualquer leitor. Talvez você nem esteja lendo esta linha: ao ver que a primeira frase deste texto era uma obviedade, nada mais natural do que clicar em outra aba do navegador e conferir a tabela da copa. Ou talvez você tenha perseverado e seguido até aqui. Mesmo assim eu não comemoraria. É muito provável que você desista agora. A passagem para o segundo parágrafo é o que separa os fortes dos fracos.
A internet é um enorme banquete de informações, mas estamos todos fartos. Não aguentamos mais do que as duas ou três primeiras garfadas de cada prato. Ler um texto até as últimas linhas é uma arte perdida. No passado, quem desejasse esconder um segredo num texto precisava criar códigos sofisticados de linguagem para que só os iniciados decifrassem o enigma. Hoje a vida ficou mais fácil. Quer preservar um segredo? Esconda-o na última frase de um texto – esse território selvagem, raramente explorado.
Lembro-me que, no Enem do ano retrasado, um aluno escreveu um trecho do hino de seu time favorito no meio da redação. Tirou a nota 500 (de 1000), foi descoberto pela imprensa e virou motivo de chacota nacional. Era um mau aluno, claro. Se fosse mais estudioso, teria aprendido que o fim da redação é o melhor lugar para escrever impunemente uma frase de um hino de futebol. Se fizesse isso, provavelmente tiraria a nota máxima e jamais seria descoberto.
Agora que perdi a atenção da enorme maioria dos leitores à exceção de amigos muito próximos e parentes de primeiro grau, posso ir direto ao que interessa. Quem acompanhou as redes sociais na semana passada deve ter notado uma enorme confusão causada pelo hábito de abandonar um texto antes do fim. Resumindo a história: um jornalista publicou uma coluna em que narrava uma longa entrevista com Felipão num avião. A notícia repercutiu e virou manchete em outros sites, até que alguém notou que o entrevistado não era Felipão, mas sim um sósia dele. Os sites divulgaram erratas e a história virou piada. No meio de todo o barulho, porém, alguns abnegados decidiram ler o texto com atenção até o fim. Encontraram lá um parágrafo enigmático. Ao final da entrevista, o suposto Felipão entregava ao jornalista um cartão de visitas. No cartão estavam os dizeres “Vladimir Palomo – Sósia de Felipão – Eventos”. A multidão que ria do engano do jornalista o fazia sem ler esse trecho.
Teria sido tudo uma sacada genial do jornalista, que conseguiu pregar uma peça em seus colegas e em milhares de leitores que não leram seu texto até o fim? Estaria ele rindo sozinho, em silêncio, de todos aqueles que não entenderam sua piada?
A explicação, infelizmente, era mais simples. Numa entrevista, o jornalista confirmou que acreditava mesmo ter entrevistado o verdadeiro Felipão, e que o cartão de visitas do sósia tinha sido apenas uma brincadeira do original.
A polêmica estava resolvida. Mas, se eu pudesse escolher, preferiria não ler essa história até o fim. Inventaria outro desenlace para ela. Trocaria o inexplicável mal-entendido da realidade por uma ficção em que um autor maquiavélico consegue enganar uma multidão de leitores desatentos. Ou por outra ficção, ainda mais insólita, em que o texto revelava que o entrevistado era um sósia, mas o autor não saberia disso porque não teria lido a própria obra até o final. Seria um obituário perfeito para a leitura em tempos de déficit de atenção.
Se você chegou ao último parágrafo deste texto, você é uma aberração estatística. Estudos sobre hábitos de leitura demonstram claramente que até meus pais teriam desistido de ler há pelo menos dois parágrafos. Estamos sozinhos agora, eu e você. Talvez você se considere um ser fora de moda. Na era de distração generalizada, é preciso ser um pouco antiquado para perseverar na leitura. Imagino que você já tenha pensado em desistir desse estranho hábito e começar a ler apenas as primeiras linhas, como fazem as pessoas ao seu redor. O tempo economizado seria devidamente investido em atividades mais saudáveis, como o Facebook ou games para celular. Aproveito estas últimas linhas, que só você está lendo, para tentar te convencer do contrário. Esqueça a modernidade. Quando o assunto é leitura, não há nada melhor do que estar fora de moda. A história está repleta de textos cheios de sabedoria, que merecem ser lidos do começo ao fim. Este, evidentemente, não é um deles. Mas seu esforço um dia será recompensado. Não desanime, leitor. As tuas glórias vêm do passado.
(http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/danilo-venticinque/noticia/ 2014/06/arte-perdida-de-bler-um-texto-ate-o-fimb.html)