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Um paciente de 8 anos apresenta seis episódios de sinusite bacteriana e duas pneumonias no último ano. A investigação laboratorial inicial revelou IgG, IgA e IgM séricos totais dentro dos valores de referência para a idade. Qual é o próximo exame indispensável para avaliar a competência funcional do sistema imune humoral?

A Dosagem de subclasses de IgG (IgG1, IgG2, IgG3, IgG4).
B Contagem de linfócitos T (CD3+, CD4+, CD8+) por citometria de fluxo.
C Avaliação da resposta de anticorpos específicos pós-vacinação.
D Avaliação da atividade hemolítica total do complemento (CH50).
E Teste de Ativação de Basófilos (BAT).

Homem de 60 anos, com diagnóstico de urticária crônica espontânea (UCE) há 8 meses, apresenta escore UAS7 = 25 após 4 semanas de tratamento contínuo com bilastina 20 mg/dia, com adesão adequada. Refere doença renal crônica (DRC) estágio 3a, com TFGe = 55 mL/min/1,73 m², função hepática normal e ausência de outras comorbidades. De acordo com as diretrizes internacionais EAACI/GA²LEN/WAO (2022) e considerando a farmacocinética dos anti-histamínicos H1 de segunda geração, o próximo passo terapêutico mais apropriado para controle da urticária desse paciente é

A aumentar a dose da bilastina para até 80 mg/dia.
B suspender a bilastina e iniciar omalizumabe 300 mg SC a cada 4 semanas.
C manter a bilastina 20 mg/dia e associar hidroxizina 25 mg à noite.
D substituir a bilastina por fexofenadina 180 mg duas vezes ao dia.
E iniciar prednisona 20 mg/dia por 5 dias para controle do prurido.

Uma adolescente de 16 anos, portadora de asma alérgica desde a infância, apresenta piora progressiva da tosse e sibilância nos últimos meses, com muita tosse e eliminação ocasional de tampões mucosos. Ao exame, há sibilos e roncos difusos. Hemograma mostra eosinofilia de 1200/mm³ e a IgE total é de 2200 UI/mL. Foi realizada tomografia de tórax com presença de bronquiectasias centrais. O teste cutâneo realizado novamente veio fortemente positivo para Dermatophagoides pteronyssius e Aspergillus fumigatus. Com base nesses dados, assinale o diagnóstico mais provável.

A Asma grave de difícil controle.
B Aspergilose broncopulmonar alérgica.
C Pneumonite de hipersensibilidade.
D Aspergilose invasiva crônica.
E Síndrome hipereosinofílica idiopática.

No processo de sensibilização alérgica primária (“skew” Th2), as células dendríticas condicionadas por alarminas epiteliais (ex: TSLP, IL-33, IL-25) apresentam o antígeno ao linfócito T naïve (Th0) no linfonodo. O comprometimento do Th0 com o fenótipo Th2 depende da ativação do fator de transcrição mestre GATA-3. Assinale a alternativa que descreve o evento canônico e determinante (Sinal 3) responsável por essa ativação.

A A secreção de IL-5 pela célula dendrítica, que ativa a via STAT5 no Th0 e induz GATA-3.
B A presença de IL-4 no microambiente da sinapse imunológica, que ativa STAT6 no Th0, promovendo a expressão de GATA-3 e o comprometimento Th2.
C A expressão de OX40L pela célula dendrítica, que reforça a proliferação e a manutenção do fenótipo Th2 já estabelecido, independentemente de IL-4.
D A secreção de IL-12 pela célula dendrítica, que ativa T-bet e desvia o Th0 para o fenótipo Th1.
E A liberação de IL-33 pelas células epiteliais, que atua indiretamente na DC, potencializando a indução de IL-4, mas sem substituir o sinal citocínico necessário para GATA-3.

Um paciente de 25 anos, sabidamente alérgico à camarão, chega à emergência 15 minutos após ter ingerido acidentalmente camarão em um restaurante. Ele relata sensação de “garganta fechando”, apresenta tosse seca, chiado no peito, urticária generalizada e tontura. Ao exame, está dispneico, com PA 85x55 mmHg e FC 120 bpm. Assinale a conduta terapêutica imediata e prioritária que define o melhor prognóstico para esse paciente.

A Administrar Difenidramina (anti-H1) 50 mg por via intravenosa (IV) para tratar a urticária.
B Administrar Hidrocortisona 200 mg por via intravenosa (IV) para prevenir a reação bifásica.
C Iniciar Salbutamol (beta-2 agonista) inalatório para tratar a broncoconstrição.
D Administrar Adrenalina (Epinefrina) 1:1000, 0.5 mg, por via intramuscular (IM) no vasto lateral da coxa.
E Puncionar acesso venoso calibroso e iniciar infusão rápida de 1000 mL de Soro Fisiológico 0,9%.

Um alergista avalia dois pacientes de 4 anos, ambos com diagnóstico prévio de alergia ao ovo (IgE mediada) e com Testes Cutâneos positivos para clara de ovo:

Criança A: Apresenta história de urticária imediata ao ingerir ovo mexido. Contudo, a mãe relata, com segurança, que a criança consome regularmente (2-3 vezes/semana) pães e bolos feitos em casa (que contêm um ovo inteiro na receita e são assados a 180°C por pelo menos 30 minutos), sem apresentar quaisquer sintomas.
Criança B: Apresenta história de urticária imediata ao ingerir ovo mexido. A mãe também tentou oferecer um pedaço de bolo caseiro (com as mesmas características), e a criança desenvolveu urticária perioral, coriza e tosse seca 10 minutos após a ingestão.

Com base na correta interpretação desses dois fenótipos (“assado-tolerante” vs. “assado-reativo”), qual é a conduta e o prognóstico mais adequados para cada paciente?

A Ambas as crianças devem manter restrição total a todas as formas de ovo. A Criança A está em risco de anafilaxia pela exposição repetida ao bolo, e a Criança B apenas confirma a gravidade da alergia.
B A Criança A (assado-tolerante) deve ser liberada para consumir ovo mexido ou frito, pois a tolerância ao bolo indica resolução da alergia. A Criança B (assado-reativo) deve manter restrição total.
C A Criança A (assado-tolerante) deve ser incentivada a manter a ingestão regular de ovo extensamente cozido, pois isso acelera a aquisição de tolerância ao ovo cru/pouco cozido. A Criança B (assado-reativo) deve manter restrição de todas as formas de ovo por hora e planejar imunoterapia oral.
D Ambas as crianças devem iniciar Imunoterapia Oral (OIT) com clara de ovo em pó. A Criança A já demonstrou tolerância parcial, e a Criança B demonstrou alergia persistente, sendo ambas candidatas ideais para OIT.
E A Criança A (assado-tolerante) deve parar de comer bolo, pois a exposição contínua a baixas doses de alérgeno pode induzir esofagite eosinofílica (EoE). A Criança B (assado-reativo) deve ser submetida a um teste de provocação hospitalar com bolo para confirmar a reatividade.

No sistema de classificação de Gell e Coombs, as reações de hipersensibilidade são categorizadas com base em seus mecanismos imunopatológicos. Assinale a alternativa que descreve corretamente a diferença fundamental entre os mecanismos efetores de uma reação de hipersensibilidade Tipo I e uma reação de hipersensibilidade Tipo IVb.

A A Tipo I é mediada por IgG e ativação do complemento, enquanto a Tipo IVb é mediada por IgM e fagocitose.
B A Tipo I é uma reação citotóxica direta mediada por células T CD8+, enquanto a Tipo IVb é mediada por deposição de imunocomplexos.
C A Tipo I é mediada por IgE e degranulação de mastócitos, enquanto a Tipo IVb é uma reação celular tardia, mediada por linfócitos Th2 e caracterizada por um influxo de eosinófilos.
D A Tipo I é uma reação tardia mediada por macrófagos ativados (via Th1), enquanto a Tipo IVb é uma reação imediata dependente de neutrófilos.
E A Tipo I e a Tipo IVb são ambas mediadas por IgE; a diferença reside apenas no tempo de resposta (imediata vs. tardia).

Um paciente de 35 anos, com rinoconjuntivite moderada-grave persistente (classificação ARIA), está em uso regular de Furoato de Mometasona nasal (200 mcg/dia) e Bilastina 20 mg/dia. Ele retorna queixando-se de persistência de obstrução nasal noturna, prurido ocular e impacto significativo na qualidade de vida (RQLQ > 3.0), sendo considerado refratário ao tratamento farmacológico inicial. Os sintomas são perenes, com piora nítida em casa, principalmente no quarto, ao acordar e ao manusear roupas de cama. Refere sintomas agudos (espirros, rinorreia) quando visita a casa de alguém com cão. Ele não possui animais. Nega sintomas em ambientes úmidos ou ao ar livre. Resultados do teste cutâneo alérgico (pápula em mm): D. pteronyssinus: 10 mm, Blomia tropicalis: 8 mm, Canis familiaris (Cão): 6 mm, Felis domesticus (Gato): 2 mm, Alternaria alternata : 3 mm, Aspergillus fumigatus : 3 mm, Controle Negativo: 0 mm, Controle Positivo (Histamina): 7 mm. Assinale a alternativa que apresenta a conduta terapêutica mais adequada e baseada em evidências para esse paciente.

A Iniciar Imunoterapia com Alérgenos (ITA) contendo extratos de D. pteronyssinus, B. tropicalis e Canis familiaris , pois todos apresentaram testes positivos e correlação clínica.
B Não indicar ITA devido ao risco de reações em paciente polissensibilizado. Associar Montelucaste 10 mg/noite e realizar um ciclo curto de corticoide oral.
C Iniciar Imunoterapia com Alérgenos (ITA) apenas com Canis familiaris, pois é o gatilho que induz os sintomas agudos, e manter o corticoide nasal para os ácaros.
D Iniciar Imunoterapia com Alérgenos (ITA) com todos os extratos positivos (ácaros, cão e fungos), ajustando a dose para evitar reações sistêmicas.
E Iniciar Imunoterapia com Alérgenos (ITA) com extrato padronizado de ácaros ( D. pteronyssinus e B. tropicalis ). Orientar que evite contato com cães e que faça uso de anti-histamínico de resgate em caso de exposições inevitáveis.

No manejo de um paciente com asma grave, estabilizado na atenção especializada, qual conduta do alergista melhor reflete a integração efetiva com a Atenção Primária à Saúde (APS)?

A Elaborar relatório detalhado e encaminhar cópia do prontuário à APS, para que esta realize o seguimento.
B Manter o acompanhamento somente no serviço especializado, considerando que a APS não dispõe de estrutura para manejo de casos graves.
C Estabelecer plano de cuidado conjunto com a APS, descrevendo condutas de manutenção, critérios de reavaliação e canais de comunicação entre os serviços.
D Reduzir a frequência das consultas no ambulatório de alergia e orientar o paciente a procurar a APS em casos de intercorrência.
E Encaminhar o paciente para o pneumologista da rede, sem necessidade de comunicação formal com a equipe da APS, visto que o caso é especializado.

45 Paciente de 25 anos, com história de rinite alérgica perene grave e bem documentada por sensibilização a ácaros (Dermatophagoides pteronyssinus), realiza exames sorológicos solicitados por outro profissional. O paciente nega sintomas à ingestão de frutos do mar, incluindo camarão. Os resultados das IgEs específicas (sIgE) foram:

IgE específica D. pteronyssinus (extrato total): 45,0 kU/L;
IgE específica Camarão (extrato total): 18,0 kU/L;
Componente Der p 1: 30,0 kU/L;
Componente Der p 10: 15,0 kU/L;
Componente Pen a 1: 16,5 kU/L.

Com base neste perfil sorológico e na história clínica desse paciente, qual é a interpretação correta?

A O paciente tem dupla alergia primária, ao ácaro e ao camarão, e deve iniciar dieta de exclusão imediata de camarão pelo alto risco de anafilaxia.
B O paciente tem sensibilização primária ao ácaro com reatividade cruzada ao camarão, mediada pela tropomiosina, o que explica a sIgE elevada para camarão em um paciente tolerante.
C O resultado positivo para Pen a 1 (principal alérgeno do camarão) confirma alergia clínica ao camarão, e a ausência de sintomas indica que o paciente é "paucissintomático", mas em risco.
D Os resultados são provavelmente falsos-positivos devido à reatividade cruzada com CCDs (Determinantes de Carboidratos), não tendo relevância clínica.
E O paciente tem sensibilização primária ao camarão (via Pen a 1) e reatividade cruzada ao ácaro (via Der p 10), sendo a rinite uma manifestação dessa alergia alimentar.