Texto para as próximas quatro questões
1 Por todos os ângulos que se contemple, parece inexistente a possibilidade de o chamado distritão conduzir a democracia brasileira a um patamar superior. Ao contrário,
4 segundo estudiosos do tema, o mais provável é que piore, sob diversos aspectos, nosso sistema eleitoral. Ainda assim, trata-se do item da reforma política que reúne mais apoiadores entre os
7 congressistas.
O que talvez atraia seja a simplicidade do modelo — sem contar, naturalmente, o fato de que a alteração tende a
10 beneficiar os grandes partidos. Hoje, o número de cadeiras a que uma agremiação tem direito na Câmara dos Deputados guarda relação com o total de sufrágios recebidos pela sigla (ou
13 coligação). Figuras desconhecidas podem obter uma vaga no Poder Legislativo graças ao voto de legenda e ao desempenho de seus aliados, célebres ou não.
16 Nada disso ocorre sob o distritão. Funcionando como um pleito majoritário, o formato premia os candidatos mais populares de uma circunscrição. Como consequência, votos
19 dados a um determinado postulante são pessoais e intransferíveis. Simples e fácil de entender, sem dúvida; mas daí não decorre que seja um bom modelo.
22 De saída, na contramão do que se procura nas democracias modernas, o formato enfraquece os partidos e fortalece o personalismo, já que os votos são do candidato e de
25 ninguém mais. Não chega a ser improvável que personagens folclóricos dominem a Câmara. Como se não bastasse, o distritão ainda não aproveita os votos dados aos não eleitos,
28 privando da representação parlamentar em geral metade da população. Legendas que tenham agenda autêntica (uma bandeira ambiental, ou liberal, ou socialista, por exemplo)
31 podem terminar sem nenhum deputado, mesmo que passem de um milhão de votos. Basta que os sufrágios se fragmentem entre seus nomes, deixando todos aquém dos mais populares.
34 Problema semelhante ameaça programas voltados às minorias. No sistema proporcional, isso não acontece, pois todo sufrágio ajuda os demais postulantes da sigla ou aliança.
37 Se é possível e desejável aprimorar o sistema eleitoral brasileiro, não faz sentido que, em nome desse intento, produzam-se retrocessos.
Retrocesso democrático. In: Folha de S.Paulo , 18/5/2015 (com adaptações)
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O vocábulo “Portanto” (l.21) introduz no texto a efetividade do
Texto associado
A respeito das construções linguísticas do texto Retrocesso democrático , assinale a opção correta.
Texto associado
Para responder às questões de 6 a 10 , leia a tirinha abaixo.
(Disponível em www.livrosepessoas.com)
(Disponível em www.livrosepessoas.com)
Em "É um livro que prende o leitor ", a oração em destaque exerce determinada função sintática em relação à principal. Assinale a alternativa em que o termo em destaque exerça essa mesma função sintática. Trata-se de um trecho da letra da canção "Livros", de Caetano Veloso.
Texto associado
Atenção : Leia o texto abaixo para responder às questões de números 7 a 10.
[Civilização e sofrimento]
É uma afirmação corrente que boa parte da culpa dos sofrimentos humanos vem do que é chamado de nossa civilização. Seríamos bem mais felizes se a abandonássemos e retrocedêssemos a condições primitivas, satisfazendo nossos instintos básicos. Tal asserção me parece espantosa, porque é fato estabelecido – como quer que se defina o conceito de civilização – que tudo aquilo com que nos protegemos da ameaça das fontes do sofrer é parte da civilização.
Como é que tantas pessoas chegaram a partilhar esse ponto de vista de surpreendente hostilidade à civilização? Acho que uma profunda insatisfação com o estado civilizacional existente preparou o solo no qual, em determinadas ocasiões históricas, formou-se essa condenação .
(Adaptado de: FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização . Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Penguin & Companhia das Letras, 2011, p. 31)
[Civilização e sofrimento]
É uma afirmação corrente que boa parte da culpa dos sofrimentos humanos vem do que é chamado de nossa civilização. Seríamos bem mais felizes se a abandonássemos e retrocedêssemos a condições primitivas, satisfazendo nossos instintos básicos. Tal asserção me parece espantosa, porque é fato estabelecido – como quer que se defina o conceito de civilização – que tudo aquilo com que nos protegemos da ameaça das fontes do sofrer é parte da civilização.
Como é que tantas pessoas chegaram a partilhar esse ponto de vista de surpreendente hostilidade à civilização? Acho que uma profunda insatisfação com o estado civilizacional existente preparou o solo no qual, em determinadas ocasiões históricas, formou-se essa condenação .
(Adaptado de: FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização . Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Penguin & Companhia das Letras, 2011, p. 31)
Por apresentar deficiência em sua estrutura, é preciso CORRIGIR a redação da seguinte frase
Texto associado
Entrevista com Frédéric Martel
Uma guerra mundial pelo conteúdo dos meios
de comunicação se trava pela conquista do público
dentro e fora dos países criadores. Batalhas se
desenrolam pelo domínio da notícia, do formato de
5 programas de TV e pela exibição de filmes, vídeos,
música, livros. Nesse processo, um gigante domina:
os Estados Unidos, com sua capacidade de produzir
cultura de massas que agrada ao grande público
em todos os continentes. Essa penetração cultural
10 americana, que muitos críticos preferem chamar de
imperialismo, leva os filmes, a música e a televisão
americana para o mundo. Sua arma é o inverso
da alta cultura, da contracultura, da subcultura, de
nichos especializados. Visa o público em geral,
15 cultura de massa, de milhões. Tornou-se a cultura
internacional dominante, principal, a chamada
mainstream, conforme o título do livro escrito pelo
sociólogo francês Frédéric Martel. Para escrever
Mainst ream , ele percorreu 30 países durante cinco
20 anos, entrevistou mais de 1.200 pessoas em todas
as capitais do entertainment , analisou a ação dos
protagonistas, a lógica dos grupos e acompanhou a
circulação internacional de conteúdo.
É um imperialismo diferente daquele político e
militar. É uma espécie de imperialismo cultural que
é bem recebido no mundo. A esse respeito, afirma
Frédéric Martel: “É o que basicamente chamamos
de soft power. Soft power significa influenciar as
pessoas com coisas legais. Você é amigável,
30 não é contundente. Você tem as forças armadas,
tem a diplomacia tradicional e grandes empresas
econômicas, que formam o hard power , e tem o soft
power, que influencia as pessoas através de filmes,
de livros, da internet e de valores.”
35 “A língua é importante. Eu acredito — e essa é
a principal conclusão do meu livro — que, no mundo
em que estamos entrando, que reúne globalização e
digitalização, a língua é importante. E eu acredito que
a batalha, a luta, mesmo a guerra de conteúdo, será
40 uma batalha a respeito da cultura nacional. Você pode
ouvir Lady Gaga, gostar de Avatar e ler O Código
Da Vinci, mas, no final das contas, a maior parte
da cultura que você consome e ama geralmente é
nacional, local, regional, e não global. A cultura global
45 é apenas uma pequena parte do que você gosta.
Então, no final das contas, os americanos são os
únicos a poder prover essa cultura dominante global,
mas essa cultura dominante global continua pequena.
Por quê? Porque a língua é muito importante,
50 porque a identidade é muito importante. Quando
você compra um livro de não ficção, quer saber o
que acontece aqui, no seu país, e não na Coreia do
Sul, por exemplo. Na Coreia do Sul você quer ouvir
K-pop, que é a música pop coreana, e ver um drama
55 coreano, e não ouvir uma música brasileira. Portanto,
nós estamos em um mundo cada vez mais global,
mas, ao mesmo tempo, a cultura ainda é e será muito
nacional. Para resumir as coisas, eu diria que todos
temos duas culturas: a nossa e a americana.”
60 “Nós, como europeus, temos o mesmo tipo de
relação que você, como brasileiro, tem com os EUA.
Nós os amamos e odiamos. É uma complicada relação
de amor e ódio. Nós esperamos que eles sejam
como são; nós queremos criticá-los, mas, ao mesmo
65 tempo, nós protestamos contra eles com tênis Nike
nos pés. Nós trabalhamos para ser um pouco como
eles, muito embora nós queiramos manter nossa
identidade e cultura. E, a propósito, a boa notícia é
que o debate no mundo hoje e no futuro não será
70 entre nós — brasileiros, franceses, europeus — e os
americanos. Será entre todos nós. O que eu quero
dizer é que hoje não há apenas dois povos: nós e os
EUA. O mundo é muito mais complicado, com países
emergentes, que serão fundamentais nesse novo
75 jogo.”
“Para resumir, afirma Martel, eu diria que os
EUA continuarão sendo peça importante da guerra
de conteúdo, podemos dizer, nos próximos anos e
décadas. Eu não acredito e não compro a ideia do
80 declínio da cultura americana. Eu acho que eles são
fortes e continuarão sendo fortes. Mas eles não são os
únicos no jogo. Agora temos os países emergentes,
que estão emergindo não só demográfica e
economicamente, como pensávamos. E eu fui um
85 dos primeiros a mostrar que eles estão emergindo
com sua cultura, sua mídia e com a internet.”
“Nesse mundo, a internet pode ser uma peça
importante. O Brasil, por exemplo, vai crescer com
a internet, com certeza. Criam-se ferramentas
90 inovadoras de alfabetização, por exemplo, em
comunidades, em favelas, em lugares onde os
moradores não têm acesso a uma livraria ou
biblioteca. Mas eles terão acesso à internet em lan
houses , por exemplo, e mesmo no telefone. Hoje,
95 todo mundo tem um telefone celular barato. Mesmo
na África, todos têm celulares com funções básicas.
Em cinco anos, todos terão um smartphone, pois os
preços estão caindo muito. Assim, todos poderão
acessar a internet pelo smartphone. Se você tem
100 acesso à internet, pode baixar livros, acessar a rede,
pode ver filmes e daí por diante.”
“A questão não é se essa tecnologia é boa,
conclui Martel. A questão é: ela não será boa ou
ruim sozinha. Ela será o que você, o povo, o governo
100 deste país e nós formos capazes de fazer com ela,
criando uma boa internet e uma maneira melhor de
ter acesso ao conteúdo através da internet.”
BOCCANERA, S. Entrevista concedida pelo sociólogo Frédéric Martel, Programa Milênio, Globo News . Disponível em: . Acesso em: 10 nov. 2015. Adaptado.
Uma guerra mundial pelo conteúdo dos meios
de comunicação se trava pela conquista do público
dentro e fora dos países criadores. Batalhas se
desenrolam pelo domínio da notícia, do formato de
5 programas de TV e pela exibição de filmes, vídeos,
música, livros. Nesse processo, um gigante domina:
os Estados Unidos, com sua capacidade de produzir
cultura de massas que agrada ao grande público
em todos os continentes. Essa penetração cultural
10 americana, que muitos críticos preferem chamar de
imperialismo, leva os filmes, a música e a televisão
americana para o mundo. Sua arma é o inverso
da alta cultura, da contracultura, da subcultura, de
nichos especializados. Visa o público em geral,
15 cultura de massa, de milhões. Tornou-se a cultura
internacional dominante, principal, a chamada
mainstream, conforme o título do livro escrito pelo
sociólogo francês Frédéric Martel. Para escrever
Mainst ream , ele percorreu 30 países durante cinco
20 anos, entrevistou mais de 1.200 pessoas em todas
as capitais do entertainment , analisou a ação dos
protagonistas, a lógica dos grupos e acompanhou a
circulação internacional de conteúdo.
É um imperialismo diferente daquele político e
militar. É uma espécie de imperialismo cultural que
é bem recebido no mundo. A esse respeito, afirma
Frédéric Martel: “É o que basicamente chamamos
de soft power. Soft power significa influenciar as
pessoas com coisas legais. Você é amigável,
30 não é contundente. Você tem as forças armadas,
tem a diplomacia tradicional e grandes empresas
econômicas, que formam o hard power , e tem o soft
power, que influencia as pessoas através de filmes,
de livros, da internet e de valores.”
35 “A língua é importante. Eu acredito — e essa é
a principal conclusão do meu livro — que, no mundo
em que estamos entrando, que reúne globalização e
digitalização, a língua é importante. E eu acredito que
a batalha, a luta, mesmo a guerra de conteúdo, será
40 uma batalha a respeito da cultura nacional. Você pode
ouvir Lady Gaga, gostar de Avatar e ler O Código
Da Vinci, mas, no final das contas, a maior parte
da cultura que você consome e ama geralmente é
nacional, local, regional, e não global. A cultura global
45 é apenas uma pequena parte do que você gosta.
Então, no final das contas, os americanos são os
únicos a poder prover essa cultura dominante global,
mas essa cultura dominante global continua pequena.
Por quê? Porque a língua é muito importante,
50 porque a identidade é muito importante. Quando
você compra um livro de não ficção, quer saber o
que acontece aqui, no seu país, e não na Coreia do
Sul, por exemplo. Na Coreia do Sul você quer ouvir
K-pop, que é a música pop coreana, e ver um drama
55 coreano, e não ouvir uma música brasileira. Portanto,
nós estamos em um mundo cada vez mais global,
mas, ao mesmo tempo, a cultura ainda é e será muito
nacional. Para resumir as coisas, eu diria que todos
temos duas culturas: a nossa e a americana.”
60 “Nós, como europeus, temos o mesmo tipo de
relação que você, como brasileiro, tem com os EUA.
Nós os amamos e odiamos. É uma complicada relação
de amor e ódio. Nós esperamos que eles sejam
como são; nós queremos criticá-los, mas, ao mesmo
65 tempo, nós protestamos contra eles com tênis Nike
nos pés. Nós trabalhamos para ser um pouco como
eles, muito embora nós queiramos manter nossa
identidade e cultura. E, a propósito, a boa notícia é
que o debate no mundo hoje e no futuro não será
70 entre nós — brasileiros, franceses, europeus — e os
americanos. Será entre todos nós. O que eu quero
dizer é que hoje não há apenas dois povos: nós e os
EUA. O mundo é muito mais complicado, com países
emergentes, que serão fundamentais nesse novo
75 jogo.”
“Para resumir, afirma Martel, eu diria que os
EUA continuarão sendo peça importante da guerra
de conteúdo, podemos dizer, nos próximos anos e
décadas. Eu não acredito e não compro a ideia do
80 declínio da cultura americana. Eu acho que eles são
fortes e continuarão sendo fortes. Mas eles não são os
únicos no jogo. Agora temos os países emergentes,
que estão emergindo não só demográfica e
economicamente, como pensávamos. E eu fui um
85 dos primeiros a mostrar que eles estão emergindo
com sua cultura, sua mídia e com a internet.”
“Nesse mundo, a internet pode ser uma peça
importante. O Brasil, por exemplo, vai crescer com
a internet, com certeza. Criam-se ferramentas
90 inovadoras de alfabetização, por exemplo, em
comunidades, em favelas, em lugares onde os
moradores não têm acesso a uma livraria ou
biblioteca. Mas eles terão acesso à internet em lan
houses , por exemplo, e mesmo no telefone. Hoje,
95 todo mundo tem um telefone celular barato. Mesmo
na África, todos têm celulares com funções básicas.
Em cinco anos, todos terão um smartphone, pois os
preços estão caindo muito. Assim, todos poderão
acessar a internet pelo smartphone. Se você tem
100 acesso à internet, pode baixar livros, acessar a rede,
pode ver filmes e daí por diante.”
“A questão não é se essa tecnologia é boa,
conclui Martel. A questão é: ela não será boa ou
ruim sozinha. Ela será o que você, o povo, o governo
100 deste país e nós formos capazes de fazer com ela,
criando uma boa internet e uma maneira melhor de
ter acesso ao conteúdo através da internet.”
BOCCANERA, S. Entrevista concedida pelo sociólogo Frédéric Martel, Programa Milênio, Globo News . Disponível em: . Acesso em: 10 nov. 2015. Adaptado.
O 6 o parágrafo do texto pode ser sintetizado em:
Texto associado
Pressionar crianças para que sejam bons alunos
resulta em desânimo
Rosely Sayão
Pesquisas apontam aumento na taxa de
suicídio entre os jovens brasileiros, e o fenômeno
é mundial. Por esse motivo, alguns países têm
se preocupado com a depressão em crianças e
jovens. A Academia Americana de Pediatria, por
exemplo, recomendou que os médicos devem
sempre procurar sinais dessa doença nos mais
novos. Sinal amarelo piscando.
Precisamos pensar com atenção na saúde
mental de nossas crianças e de nossos jovens.
Mas parece que nem as famílias e nem as escolas
têm essa questão como importante: ambas são
criadoras de muitas causas que podem afetar
negativamente a qualidade de vida emocional de
quem elas deveriam cuidar. Vamos levantar alguns
pontos que podem provocar pressão em demasia,
ansiedade e medos de fracasso nas crianças e nos
jovens.
Primeiramente, a pressão sobre a vida escolar.
Nunca, nunca antes tivemos famílias e escolas
tão empenhadas em fazer com que filhos e alunos
tenham alta performance escolar, o que significa,
é claro, boas notas, aprovação com destaque em
exames e provas etc. Mas por quê?
Porque, de repente, decidimos que o bom
rendimento escolar da criança é pré-requisito
fundamental para um futuro profissional promissor.
Posso assegurar-lhe que não é, por dois motivos
bem simples. Primeiro: bom rendimento escolar
não significa, necessariamente, bom aprendizado.
Segundo: estamos um pouco atrasados
nessa premissa, já que, hoje, ter estudos não
garante nada, absolutamente nada em termos
profissionais, e não apenas em nosso país. Agora,
imagine crianças - inclusive as mais novas - e
jovens pressionados até o limite para que sejam
bons alunos. Só pode resultar em ansiedade,
desânimo, receios etc. Junte a isso as acirradas
competições às quais eles são submetidos, o
bullying - que eu reputo à ausência de adultos na
tutela dos mais novos -, as agendas lotadas de
compromissos, as intermináveis lições de casa
(muitas vezes motivos para brigas entre pais e
filhos), a erotização precoce que promove busca
infantil por um determinado tipo de beleza etc.
Uau! Se para um adulto essa mistura já pode
ser explosiva para a sanidade mental, imagine,
caro leitor, para crianças e adolescentes! E o que
podemos fazer? Muita coisa! Deixar de confundir
cobrança com pressão já pode ser um grande passo. Nossos filhos e alunos precisam ser
cobrados a levar sempre adiante sua vida escolar.
Mas precisamos ser mais compreensivos quando
eles não conseguem, e ajudá-los no esforço
que precisam investir para aprender, em vez de
pressioná-los mais ainda.
As famílias podem e devem também ensinar
os filhos a lidar com suas emoções. Sabe quando
uma criança pequena pega algum objeto de vidro e
os pais o ensinam a tomar cuidado porque é frágil
e ela pode quebrar, mesmo sem querer? Podemos
fazer a mesma coisa com os sentimentos que
ela experimenta. Posso ilustrar isso que acabei
de dizer com o seguinte exemplo: quando uma
criança manifesta raiva, devemos ensiná-la que
essa emoção e suas manifestações podem machucá-
la e também os outros.
E a escola precisa se dar conta de que o
ambiente escolar pode ser - e em geral é -
neurotizante para muitas crianças! E não é por
falta de conhecimento que não mudamos esse
panorama.
Vamos cuidar da saúde mental de nossas
crianças e jovens tanto quanto cuidamos de sua
saúde física!
Adaptado de:
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/roselysayao/
2016/03/1747467-pressionar-criancas-ate-o-limite-
para-que-sejam-bons-alunos-so-pode-resultar-em-ansiedade-edesanimo.
shtml
Acesso em 10 de março de 2016.
resulta em desânimo
Rosely Sayão
Pesquisas apontam aumento na taxa de
suicídio entre os jovens brasileiros, e o fenômeno
é mundial. Por esse motivo, alguns países têm
se preocupado com a depressão em crianças e
jovens. A Academia Americana de Pediatria, por
exemplo, recomendou que os médicos devem
sempre procurar sinais dessa doença nos mais
novos. Sinal amarelo piscando.
Precisamos pensar com atenção na saúde
mental de nossas crianças e de nossos jovens.
Mas parece que nem as famílias e nem as escolas
têm essa questão como importante: ambas são
criadoras de muitas causas que podem afetar
negativamente a qualidade de vida emocional de
quem elas deveriam cuidar. Vamos levantar alguns
pontos que podem provocar pressão em demasia,
ansiedade e medos de fracasso nas crianças e nos
jovens.
Primeiramente, a pressão sobre a vida escolar.
Nunca, nunca antes tivemos famílias e escolas
tão empenhadas em fazer com que filhos e alunos
tenham alta performance escolar, o que significa,
é claro, boas notas, aprovação com destaque em
exames e provas etc. Mas por quê?
Porque, de repente, decidimos que o bom
rendimento escolar da criança é pré-requisito
fundamental para um futuro profissional promissor.
Posso assegurar-lhe que não é, por dois motivos
bem simples. Primeiro: bom rendimento escolar
não significa, necessariamente, bom aprendizado.
Segundo: estamos um pouco atrasados
nessa premissa, já que, hoje, ter estudos não
garante nada, absolutamente nada em termos
profissionais, e não apenas em nosso país. Agora,
imagine crianças - inclusive as mais novas - e
jovens pressionados até o limite para que sejam
bons alunos. Só pode resultar em ansiedade,
desânimo, receios etc. Junte a isso as acirradas
competições às quais eles são submetidos, o
bullying - que eu reputo à ausência de adultos na
tutela dos mais novos -, as agendas lotadas de
compromissos, as intermináveis lições de casa
(muitas vezes motivos para brigas entre pais e
filhos), a erotização precoce que promove busca
infantil por um determinado tipo de beleza etc.
Uau! Se para um adulto essa mistura já pode
ser explosiva para a sanidade mental, imagine,
caro leitor, para crianças e adolescentes! E o que
podemos fazer? Muita coisa! Deixar de confundir
cobrança com pressão já pode ser um grande passo. Nossos filhos e alunos precisam ser
cobrados a levar sempre adiante sua vida escolar.
Mas precisamos ser mais compreensivos quando
eles não conseguem, e ajudá-los no esforço
que precisam investir para aprender, em vez de
pressioná-los mais ainda.
As famílias podem e devem também ensinar
os filhos a lidar com suas emoções. Sabe quando
uma criança pequena pega algum objeto de vidro e
os pais o ensinam a tomar cuidado porque é frágil
e ela pode quebrar, mesmo sem querer? Podemos
fazer a mesma coisa com os sentimentos que
ela experimenta. Posso ilustrar isso que acabei
de dizer com o seguinte exemplo: quando uma
criança manifesta raiva, devemos ensiná-la que
essa emoção e suas manifestações podem machucá-
la e também os outros.
E a escola precisa se dar conta de que o
ambiente escolar pode ser - e em geral é -
neurotizante para muitas crianças! E não é por
falta de conhecimento que não mudamos esse
panorama.
Vamos cuidar da saúde mental de nossas
crianças e jovens tanto quanto cuidamos de sua
saúde física!
Adaptado de:
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/roselysayao/
2016/03/1747467-pressionar-criancas-ate-o-limite-
para-que-sejam-bons-alunos-so-pode-resultar-em-ansiedade-edesanimo.
shtml
Acesso em 10 de março de 2016.
No período “Pressionar crianças para que
sejam bons alunos resulta em desânimo”, a
expressão destacada introduz uma
Texto associado
Pressionar crianças para que sejam bons alunos
resulta em desânimo
Rosely Sayão
Pesquisas apontam aumento na taxa de
suicídio entre os jovens brasileiros, e o fenômeno
é mundial. Por esse motivo, alguns países têm
se preocupado com a depressão em crianças e
jovens. A Academia Americana de Pediatria, por
exemplo, recomendou que os médicos devem
sempre procurar sinais dessa doença nos mais
novos. Sinal amarelo piscando.
Precisamos pensar com atenção na saúde
mental de nossas crianças e de nossos jovens.
Mas parece que nem as famílias e nem as escolas
têm essa questão como importante: ambas são
criadoras de muitas causas que podem afetar
negativamente a qualidade de vida emocional de
quem elas deveriam cuidar. Vamos levantar alguns
pontos que podem provocar pressão em demasia,
ansiedade e medos de fracasso nas crianças e nos
jovens.
Primeiramente, a pressão sobre a vida escolar.
Nunca, nunca antes tivemos famílias e escolas
tão empenhadas em fazer com que filhos e alunos
tenham alta performance escolar, o que significa,
é claro, boas notas, aprovação com destaque em
exames e provas etc. Mas por quê?
Porque, de repente, decidimos que o bom
rendimento escolar da criança é pré-requisito
fundamental para um futuro profissional promissor.
Posso assegurar-lhe que não é, por dois motivos
bem simples. Primeiro: bom rendimento escolar
não significa, necessariamente, bom aprendizado.
Segundo: estamos um pouco atrasados
nessa premissa, já que, hoje, ter estudos não
garante nada, absolutamente nada em termos
profissionais, e não apenas em nosso país. Agora,
imagine crianças - inclusive as mais novas - e
jovens pressionados até o limite para que sejam
bons alunos. Só pode resultar em ansiedade,
desânimo, receios etc. Junte a isso as acirradas
competições às quais eles são submetidos, o
bullying - que eu reputo à ausência de adultos na
tutela dos mais novos -, as agendas lotadas de
compromissos, as intermináveis lições de casa
(muitas vezes motivos para brigas entre pais e
filhos), a erotização precoce que promove busca
infantil por um determinado tipo de beleza etc.
Uau! Se para um adulto essa mistura já pode
ser explosiva para a sanidade mental, imagine,
caro leitor, para crianças e adolescentes! E o que
podemos fazer? Muita coisa! Deixar de confundir
cobrança com pressão já pode ser um grande passo. Nossos filhos e alunos precisam ser
cobrados a levar sempre adiante sua vida escolar.
Mas precisamos ser mais compreensivos quando
eles não conseguem, e ajudá-los no esforço
que precisam investir para aprender, em vez de
pressioná-los mais ainda.
As famílias podem e devem também ensinar
os filhos a lidar com suas emoções. Sabe quando
uma criança pequena pega algum objeto de vidro e
os pais o ensinam a tomar cuidado porque é frágil
e ela pode quebrar, mesmo sem querer? Podemos
fazer a mesma coisa com os sentimentos que
ela experimenta. Posso ilustrar isso que acabei
de dizer com o seguinte exemplo: quando uma
criança manifesta raiva, devemos ensiná-la que
essa emoção e suas manifestações podem machucá-
la e também os outros.
E a escola precisa se dar conta de que o
ambiente escolar pode ser - e em geral é -
neurotizante para muitas crianças! E não é por
falta de conhecimento que não mudamos esse
panorama.
Vamos cuidar da saúde mental de nossas
crianças e jovens tanto quanto cuidamos de sua
saúde física!
Adaptado de:
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/roselysayao/
2016/03/1747467-pressionar-criancas-ate-o-limite-
para-que-sejam-bons-alunos-so-pode-resultar-em-ansiedade-edesanimo.
shtml
Acesso em 10 de março de 2016.
resulta em desânimo
Rosely Sayão
Pesquisas apontam aumento na taxa de
suicídio entre os jovens brasileiros, e o fenômeno
é mundial. Por esse motivo, alguns países têm
se preocupado com a depressão em crianças e
jovens. A Academia Americana de Pediatria, por
exemplo, recomendou que os médicos devem
sempre procurar sinais dessa doença nos mais
novos. Sinal amarelo piscando.
Precisamos pensar com atenção na saúde
mental de nossas crianças e de nossos jovens.
Mas parece que nem as famílias e nem as escolas
têm essa questão como importante: ambas são
criadoras de muitas causas que podem afetar
negativamente a qualidade de vida emocional de
quem elas deveriam cuidar. Vamos levantar alguns
pontos que podem provocar pressão em demasia,
ansiedade e medos de fracasso nas crianças e nos
jovens.
Primeiramente, a pressão sobre a vida escolar.
Nunca, nunca antes tivemos famílias e escolas
tão empenhadas em fazer com que filhos e alunos
tenham alta performance escolar, o que significa,
é claro, boas notas, aprovação com destaque em
exames e provas etc. Mas por quê?
Porque, de repente, decidimos que o bom
rendimento escolar da criança é pré-requisito
fundamental para um futuro profissional promissor.
Posso assegurar-lhe que não é, por dois motivos
bem simples. Primeiro: bom rendimento escolar
não significa, necessariamente, bom aprendizado.
Segundo: estamos um pouco atrasados
nessa premissa, já que, hoje, ter estudos não
garante nada, absolutamente nada em termos
profissionais, e não apenas em nosso país. Agora,
imagine crianças - inclusive as mais novas - e
jovens pressionados até o limite para que sejam
bons alunos. Só pode resultar em ansiedade,
desânimo, receios etc. Junte a isso as acirradas
competições às quais eles são submetidos, o
bullying - que eu reputo à ausência de adultos na
tutela dos mais novos -, as agendas lotadas de
compromissos, as intermináveis lições de casa
(muitas vezes motivos para brigas entre pais e
filhos), a erotização precoce que promove busca
infantil por um determinado tipo de beleza etc.
Uau! Se para um adulto essa mistura já pode
ser explosiva para a sanidade mental, imagine,
caro leitor, para crianças e adolescentes! E o que
podemos fazer? Muita coisa! Deixar de confundir
cobrança com pressão já pode ser um grande passo. Nossos filhos e alunos precisam ser
cobrados a levar sempre adiante sua vida escolar.
Mas precisamos ser mais compreensivos quando
eles não conseguem, e ajudá-los no esforço
que precisam investir para aprender, em vez de
pressioná-los mais ainda.
As famílias podem e devem também ensinar
os filhos a lidar com suas emoções. Sabe quando
uma criança pequena pega algum objeto de vidro e
os pais o ensinam a tomar cuidado porque é frágil
e ela pode quebrar, mesmo sem querer? Podemos
fazer a mesma coisa com os sentimentos que
ela experimenta. Posso ilustrar isso que acabei
de dizer com o seguinte exemplo: quando uma
criança manifesta raiva, devemos ensiná-la que
essa emoção e suas manifestações podem machucá-
la e também os outros.
E a escola precisa se dar conta de que o
ambiente escolar pode ser - e em geral é -
neurotizante para muitas crianças! E não é por
falta de conhecimento que não mudamos esse
panorama.
Vamos cuidar da saúde mental de nossas
crianças e jovens tanto quanto cuidamos de sua
saúde física!
Adaptado de:
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/roselysayao/
2016/03/1747467-pressionar-criancas-ate-o-limite-
para-que-sejam-bons-alunos-so-pode-resultar-em-ansiedade-edesanimo.
shtml
Acesso em 10 de março de 2016.