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Considerando a análise de Souza e Gediel

( 2017 ) sobre a constituição fonológica dos sinais próprios, observa-se uma assimetria na forma como a iconicidade se manifesta nas nomeações de indivíduos do sexo feminino e do sexo masculino. À luz do estudo desenvolvido, esse contraste fundamenta-se no fato de que:

A A representação icônica masculina exige o emprego contínuo de classificadores para identificar o sujeito, enquanto a feminina afasta elementos de ordem visual em favor de configurações de mão estritamente arbitrárias.
B Os sinais masculinos recorrem sistematicamente ao empréstimo do alfabeto datilológico para denotar prestígio, ao passo que os femininos priorizam o uso das expressões não manuais para refletir nuances comportamentais.
C A distinção anatômica determina a estabilidade do batismo linguístico, sendo os marcadores masculinos suscetíveis a atualizações fonológicas ao longo do tempo, enquanto os femininos permanecem inalteráveis.
D Os marcadores femininos mobilizam parâmetros específicos para refletir construções associadas a um papel social de gênero, enquanto as designações masculinas restringem sua iconicidade à demarcação de particularidades físicas individuais.

Karnopp e Quadros

( 2001 ) discutem o processo de aquisição da linguagem por crianças surdas, detalhando as etapas de desenvolvimento linguístico nas línguas de sinais. Em relação às ideias apresentadas pelas autoras, analise as assertivas abaixo, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.

( ) Durante o período pré-linguístico, bebês surdos apresentam o balbucio manual silábico, fenômeno que apresenta combinações do sistema linguístico e sugere a existência de uma capacidade inata para a aquisição da linguagem na modalidade espaço-visual.

( ) O balbucio oral não se manifesta em bebês surdos desde o nascimento, uma vez que o input exclusivo em língua de sinais inibe precocemente qualquer tentativa de produção vocal ou sonora.

( ) No estágio das primeiras combinações, é observada a ocorrência de “erros” de reversão pronominal, caracterizados pelo momento em que as crianças utilizam a apontação direcionada ao receptor para referirem-se a si mesmas.

( ) A aquisição da concordância verbal e do sistema pronominal em referentes ausentes é facilitada pela iconicidade da modalidade espacial, sendo dominada sem erros a partir dos 3 anos de idade. A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

A V – V – F – F.
B F – V – F – F.
C F – F – V – V.
D V – F – V – F.

Considerando a discussão apresentada pelas autoras Souza e Gediel

( 2017 ) sobre os critérios adotados pelos líderes surdos na elaboração de “sinais próprios”, é correto inferir que a seleção dos parâmetros fonológicos (como a configuração de mão, o movimento e a locação):

A Transcende a mera descrição física ou comportamental do indivíduo, operando também como um instrumento de demarcação ideológica que afirma a autonomia da língua de sinais em face das línguas orais.
B Reflete uma tendência de padronização baseada em critérios icônicos universais, os quais asseguram que as distinções de gênero e os traços físicos sejam codificados de maneira invariável no grupo.
C Fundamenta-se no emprego prioritário de empréstimos do alfabeto datilológico, uma vez que essa estratégia pedagógica atua como o principal catalisador para a fluência de novos integrantes da comunidade.
D Desconsidera a possibilidade de arbitrariedade na formação dos nomes, estabelecendo que a legitimidade do ritual de batismo depende de uma correspondência mimética estrita com o referente humano.

Considerando os estudos de Karnopp e Quadros

( 2001 ) sobre a aquisição das línguas de sinais, constata-se que crianças surdas com menos de 1 ano utilizam a apontação de forma frequente, mas apresentam uma descontinuidade desse uso ao entrarem no estágio de um sinal. Essa supressão temporária do ato de apontar é desencadeada pela:

A Interferência do desenvolvimento motor das mãos, que leva a criança a priorizar a articulação de novas configurações convencionais em detrimento da gestualidade indicativa espontânea do estágio anterior.
B Interpretação restrita desse recurso como um item lexical não dêitico, o que inviabiliza provisoriamente sua aplicação ampla para indicar múltiplos objetos e sujeitos no contexto imediato.
C Transparência icônica da relação entre a forma e o significado desse gesto, que induz a criança a abandoná-lo de imediato para assimilar de maneira exclusiva a natureza puramente arbitrária das línguas naturais.
D Reorganização conceitual interna vivenciada pela criança, que desloca esse mecanismo de uma dimensão pragmática pré-linguística para compreendê-lo e integrá-lo como um recurso próprio da estrutura gramatical.

Considerando a análise de Souza e Gediel

( 2017 ) sobre o léxico das línguas espaciais-visuais, os classificadores desempenham um papel singular na motivação de determinados sinais próprios. À luz da articulação teórica proposta no texto e ilustrada pelo processo de criação do “sinal 2”, a relação entre o uso de classificadores e a constituição fonológica do sinal de batismo revela que:

A A incorporação sistêmica de classificadores aos verbos de movimento garante que o sinal próprio resultante seja universalmente compreendido, suprimindo a necessidade de convivência prévia para a sua formulação.
B A intensidade comunicativa mediada por classificadores condiciona o líder surdo a empregar a datilologia, evidenciando uma correspondência obrigatória entre a fluência sinalizada e a apropriação de empréstimos do português.
C A expressividade corporal inerente aos classificadores, ainda que dotada de iconicidade variável culturalmente, atua como traço identitário capaz de motivar um sinal estruturado de modo fonologicamente arbitrário.
D A mobilização espacial e visual dos referentes consolida uma padronização normativa na comunidade, determinando que todo sinal originado do uso de classificadores descreva a aparência anatômica do sujeito.

Considerando a argumentação de Karnopp e Quadros

( 2001 ) a respeito do reconhecimento das línguas de sinais e de suas propriedades linguísticas universais, assinale a alternativa correta.

A O reconhecimento das línguas de sinais como sistemas detentores de propriedades universais, a exemplo da produtividade infinita de frases e da estruturação abstrata, refuta frontalmente a concepção discursiva que as categoriza como recursos comunicativos primitivos ou patológicos.
B A característica de universalidade inerente ao vocabulário sinalizado decorre de sua constituição prioritariamente icônica, propriedade conceitual que anula a arbitrariedade do signo e promove a inteligibilidade mútua entre comunidades surdas de diferentes países.
C A delimitação formal de unidades fonológicas mínimas, circunscritas a um inventário de traços visuais como configurações de mão e movimento, atua como uma restrição estrutural que impossibilita o alargamento lexical para a expressão de ideias abstratas inéditas.
D A universalidade do inatismo linguístico assegura que a progressão temporal das etapas de aquisição se concretize de forma endógena nas crianças surdas, prescindindo da intervenção e do contato externo frequente com usuários fluentes do idioma espacial.

Com relação à construção dos sinais e sua mobilidade específica, a autora Neiva de Aquino Albres (em Lacerda e Santos, Tenho um aluno surdo, e agora? Introdução à Libras e educação de surdos, 2014) afirma que, na língua de sinais, existe um conceito que parte da propriedade dos sinais de tomar, como base para a sua criação, as características físicas do referente, parte deste com o todo ou mesmo a relação cultural que as pessoas têm com esse referente. Como exemplo desse conceito, tem-se, na Libras, o sinal de árvore, que tem o tronco, a copa e a base como motivação. Com base na autora, esse conceito é denominado de

A iconicidade.
B linearidade.
C arbitrariedade.
D sequencialidade.
E opacidade.

Na publicação de Lacerda e Santos ( Tenho um aluno surdo, e agora? Introdução à Libras e educação de surdos, 2014), a autora Neiva de Aquino Albres exemplifica que, na Libras, a frase “O menino subiu na árvore” pode ser expressa por /PESSOA-SUBIR-ÁRVORE/, pois o sinal /ÁRVORE/ é realizado com uma das mãos, e os sinais /MENINO-SUBIR/ são feitos com a outra mão; pela configuração da mão, expressam-se as pernas do menino agarrado ao tronco da árvore, enquanto o movimento para cima expressa a subida na árvore. Esse exemplo demonstra uma das peculiaridades no nível sintático das línguas de sinais, bastante comum em gêneros narrativos e descritivos, denominada de

A espaço mental real.
B simultaneidade.
C polissemia.
D arcadismo.
E campo de articulação.

De acordo com Tanya Felipe ( Libras em contexto: curso básico, livro do estudante cursista, 2007), as línguas de sinais utilizam as expressões faciais e corporais para estabelecer tipos de frases como as entonações na Língua Portuguesa, por isso é necessário estar atento às expressões facial e corporal feitas simultaneamente com certos sinais ou com toda a frase – por exemplo: sobrancelhas levantadas e um ligeiro movimento da cabeça inclinando-se para cima e para baixo, que pode ainda vir também com um intensificador representado pela boca fechada com um movimento para baixo. As expressões faciais exemplificadas referem-se às frases

A afirmativas.
B interrogativas.
C exclamativas.
D negativas.
E neutras.

Considere a afirmação a seguir: Na Libras, os pronomes demonstrativos e os advérbios de lugar estão relacionados às pessoas do discurso e representam, na perspectiva do emissor, o que está bem próximo, perto ou distante; a sinalização dos pronomes demonstrativos e dos advérbios de lugar mantém a configuração de mãos dos pronomes pessoais, mas os pontos de articulação e as orientações do olhar são diferentes. Além disso, os pronomes demonstrativos não possuem marca para gênero masculino e feminino. (Tanya Felipe, Libras em contexto: curso básico, livro do estudante cursista, 2007. Adaptado) Com base na afirmação, é correto afirmar que a representação correta de ESS@/AÍ seria apontar para o lugar

A perto e em frente do receptor, acrescido de um olhar direcionado não para o receptor, mas para o ponto sinalizado com relação à coisa/pessoa que está perto da segunda pessoa do discurso.
B mais distante, apontar o lugar da segunda pessoa e, ao apontar para este ponto, há um olhar direcionado para a coisa/pessoa ou lugar.
C mais distante e apontar o lugar da terceira pessoa, mas, diferentemente da representação do pronome pessoal, ao apontar para este ponto, há um olhar direcionado para a coisa/pessoa ou lugar.
D perto e em frente do emissor, acompanhado de um olhar para este ponto, sem desviar o olhar.
E perto e em frente do emissor, acompanhado de um olhar para este ponto, fixando o olhar.