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No contexto de procedimentos cirúrgicos pediátricos realizados na atenção básica e em ambiente ambulatorial, considerando assepsia, anestesia local, suturas e drenagens, assinale a alternativa correta.

A Procedimentos ambulatoriais em crianças devem evitar anestesia local, priorizando sempre anestesia geral para melhor controle da dor.
B Procedimentos como drenagem de abscesso simples exigem obrigatoriamente internação hospitalar para redução de complicações.
C O uso de epinefrina associada a anestésicos locais é indicado de rotina em bloqueios digitais pediátricos
D A anestesia tópica e a infiltração local podem ser utilizadas com segurança, desde que respeitados limites de dose, idade e monitorização apropriada.
E A assepsia em procedimentos ambulatoriais pode ser simplificada, desde que a intervenção seja de pequeno porte.

Recém-nascido prematuro extremo, egresso de unidade de terapia intensiva neonatal, recebe alta hospitalar após estabilização clínica. A família reside em município distante da maternidade de referência. A equipe busca garantir continuidade do cuidado e reduzir o risco de morbimortalidade no primeiro ano de vida. À luz da Rede Alyne e dos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), qual estratégia é a mais adequada para assegurar atenção integral e cuidado contínuo a essa criança?

A Encaminhar o recém-nascido apenas para acompanhamento na atenção primária, sem articulação com serviços especializados.
B Manter o seguimento restrito ao hospital de origem, independentemente da distância geográfica.
C Articular o cuidado entre atenção primária e ambulatório de seguimento neonatal, com compartilhamento de informações e corresponsabilização.
D Priorizar exclusivamente consultas especializadas, adiando o acompanhamento na atenção primária.
E Limitar o seguimento aos primeiros 30 dias após a alta hospitalar, na ausência de intercorrências clínicas.

Menino de 3 anos é levado à unidade básica de saúde após derramar líquido quente sobre o antebraço. Apresenta lesão dolorosa, com bolhas íntegras e área eritematosa, correspondendo a aproximadamente 3% da superfície corporal. Não há acometimento de face, mãos, pés, genitália ou grandes articulações, e a criança encontra-se hemodinamicamente estável. Considerando os princípios de atendimento ambulatorial a queimaduras pediátricas, qual é a conduta mais adequada?

A Encaminhar imediatamente para centro de referência em queimados, independentemente da profundidade e da extensão.
B Tratar ambulatorialmente com limpeza adequada, manutenção de ambiente úmido da ferida, analgesia e acompanhamento clínico seriado.
C Indicar antibioticoterapia sistêmica profilática para prevenir infecção secundária.
D Realizar desbridamento completo das bolhas íntegras na avaliação inicial.
E Aplicar gelo diretamente sobre a lesão por tempo prolongado para controle da dor e progressão da queimadura.

Criança de 8 anos é trazida ao pronto atendimento após atropelamento. Está agitada, pele fria, taquicardia importante, tempo de enchimento capilar prolongado e extremidades hipoperfundidas. A pressão arterial está dentro do esperado para idade. Há suspeita de sangramento interno e necessidade de controle rápido de hemorragia. A equipe iniciou acesso venoso periférico, aquecimento ativo e avaliação pelo protocolo ultrassom (USG) focado (FAST). Considerando princípios atuais de ressuscitação de controle de danos em trauma pediátrico, qual conduta é a mais adequada na fase inicial, antes do controle definitivo do sangramento?

A Administrar repetidos bólus de cristaloide até normalizar a frequência cardíaca antes de considerar transfusão.
B Priorizar estratégia de ressuscitação hemostática, com ativação de protocolo de transfusão maciça e redução de hemodiluição, além de prevenir hipotermia.
C Aguardar queda da pressão arterial para iniciar medidas hemostáticas, pois a normotensão sugere ausência de choque hemorrágico.
D Iniciar antifibrinolítico rotineiramente em todos os traumas pediátricos, independente de gravidade ou tempo de trauma.
E Postergar transfusão até confirmação tomográfica de sangramento, para evitar exposição desnecessária a hemocomponentes.

No trauma pediátrico, o reconhecimento precoce do choque hemorrágico pode ser desafiador. Considerando os conceitos atuais de avaliação hemodinâmica e ressuscitação inicial em crianças, assinale a alternativa correta.

A A hipotensão é um sinal precoce e sensível de choque hemorrágico em crianças e deve guiar a decisão inicial de transfusão.
B A pressão arterial isolada é um indicador confiável de perfusão tecidual na fase inicial do choque hemorrágico pediátrico.
C Em crianças, sinais precoces de choque podem ocorrer antes de queda da pressão arterial, exigindo atenção a parâmetros clínicos e resposta fisiológica.
D A ressuscitação com cristaloides em grandes volumes é recomendada para estabilização inicial, antes de considerar hemocomponentes.
E A ressuscitação hemostática não tem papel definido em pediatria, pois as condutas são substancialmente diferentes das aplicadas em adultos.

Recém-nascido com malformação congênita grave e prognóstico reservado evolui com complicações clínicas progressivas. A equipe cirúrgica identifica uma intervenção tecnicamente possível, porém de alto risco, com benefício incerto em termos de sobrevida e impacto relevante na qualidade de vida. A família demonstra ambivalência, alternando esperança de prolongamento da vida e preocupação com sofrimento. Considerando os princípios dos cuidados paliativos no contexto cirúrgico, assinale a alternativa correta quanto à abordagem mais adequada diante desse caso.

A Indicar a cirurgia imediatamente, priorizando a possibilidade de prolongar a vida, apesar das incertezas prognósticas.
B Evitar qualquer intervenção cirúrgica e focar exclusivamente em medidas de conforto.
C Postergar indefinidamente a decisão cirúrgica até que a família manifeste preferência inequívoca.
D Transferir integralmente a decisão à família, sem oferecer recomendações médicas.
E Promover discussão estruturada com a família, explorando valores, objetivos de cuidado e cenários possíveis, com apoio da equipe de cuidados paliativos.

Lactente de 9 meses é levado à emergência com história de episódios intermitentes de choro intenso, palidez súbita e vômitos. A mãe relata fezes com muco e estrias de sangue. Ao exame físico, o paciente encontra-se hemodinamicamente estável, sem sinais de peritonite. Ultrassonografia abdominal evidencia imagem em “alvo” compatível com invaginação ileocólica. Diante desse cenário, qual é a conduta inicial mais adequada?

A Laparotomia imediata para redução manual da invaginação.
B Antibioticoterapia profilática seguida de observação clínica.
C Administração de laxativos para facilitar a redução espontânea.
D Apendicectomia laparoscópica devido à sobreposição clínica com apendicite.
E Redução não cirúrgica guiada por imagem, após adequada ressuscitação volêmica.

Uma criança de 6 anos é submetida, em hospital público, à apendicectomia por apendicite complicada. No pós-operatório imediato, ocorre troca de plantão da equipe cirúrgica e transferência do paciente da sala de recuperação para a enfermaria pediátrica. Os pais relatam insegurança por receberem informações divergentes de diferentes profissionais sobre dieta, analgesia e previsão de alta. Considerando os princípios de segurança do paciente e humanização da assistência cirúrgica infantil, qual conduta é a mais adequada para reduzir riscos assistenciais nesse contexto?

A Centralizar a comunicação apenas no cirurgião responsável, restringindo a participação de outros membros da equipe.
B Permitir que cada profissional forneça orientações de forma independente, conforme sua experiência individual.
C Evitar a participação dos familiares durante os momentos de transição de cuidado, para reduzir interferências no fluxo assistencial.
D Orientar os familiares a esclarecer dúvidas exclusivamente durante a visita médica diária.
E Implementar transferência de cuidado estruturada entre as equipes, com alinhamento multiprofissional das condutas e comunicação clara e consistente com os familiares.

A respeito da resposta endócrino-metabólica ao trauma em crianças, que apresenta características próprias quando comparada à em adultos, assinale a alternativa correta.

A Crianças apresentam menor turnover proteico que adultos durante o trauma, devido ao maior percentual de massa magra.
B A gliconeogênese tende a ser facilmente suprimida pela oferta de glicose intravenosa, reduzindo a proteólise.
C O pico de interleucina-6 (IL-6) ocorre tardiamente (após 48h) e não se correlaciona com gravidade.
D Catecolaminas e cortisol aumentam rapidamente após o trauma, contribuindo para hiperglicemia e catabolismo proteico.
E O gasto energético de repouso (GER) permanece persistentemente baixo nas primeiras 24 horas após trauma significativo.

Uma criança de 8 anos é submetida à herniorrafia inguinal eletiva, sem intercorrências intraoperatórias, em hospital público. Recebe dose adequada de antibiótico profilático antes da incisão, com ajuste correto ao peso corporal. No pós-operatório imediato, o residente sugere manter antibiótico intravenoso por 48 horas, com o objetivo de reduzir o risco de infecção, apesar de ferida cirúrgica limpa e boa evolução clínica. À luz das evidências atuais e dos princípios de prevenção de infecção em cirurgia pediátrica, qual é a conduta mais adequada?

A Manter antibioticoprofilaxia por 48 horas, considerando o risco infeccioso em procedimentos pediátricos.
B Manter antibiótico intravenoso até a alta hospitalar, como medida preventiva adicional.
C Suspender a antibioticoprofilaxia após o fechamento da incisão, na ausência de sinais de infecção ou contaminação.
D Substituir o antibiótico profilático por esquema oral de amplo espectro no pós-operatório.
E Prolongar a antibioticoprofilaxia conforme decisão individual da equipe cirúrgica, independentemente de critérios clínicos.