Considerando o texto e seus aspectos linguísticos, julgue os
itens de 1 a 8.
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FIOCRUZ
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MACKENZIE
48 questões
CETRO
17 questões
88 questões encontradas
Estariam mantidas a correção gramatical e a coerência
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 7 a 11, baseie-se no texto abaixo.
Sobre a amizade
O clássico pensador romano Cícero dizia que nada é mais difícil do que conservar intacta uma amizade até o último dia da vida. Para ele, os interesses e mesmo o caráter dos homens costumam variar com o tempo, por conta dos reveses ou dos sucessos por que passamos. As mais vivas amizades da infância podem não resistir aos anos da adolescência, quando grandes transformações nos atingem.
Mesmo para aqueles cuja amizade resiste por muito tempo, há a possibilidade de desavenças políticas porem tudo a perder. Outras violentas dissensões surgem quando se exige de um amigo algo de inconveniente, como se tornar cúmplice de uma fraqueza nossa, ou quando se lhe pede uma providência que esteja acima de suas forças. Mas essas ameaças à amizade não devem enfraquecer a potência desse sentimento; devem nos lembrar o quanto um amigo é precioso, e quão preciosa será a conservação de sua leal companhia.
(Cláudio Augusto Catilino, inédito)
Sobre a amizade
O clássico pensador romano Cícero dizia que nada é mais difícil do que conservar intacta uma amizade até o último dia da vida. Para ele, os interesses e mesmo o caráter dos homens costumam variar com o tempo, por conta dos reveses ou dos sucessos por que passamos. As mais vivas amizades da infância podem não resistir aos anos da adolescência, quando grandes transformações nos atingem.
Mesmo para aqueles cuja amizade resiste por muito tempo, há a possibilidade de desavenças políticas porem tudo a perder. Outras violentas dissensões surgem quando se exige de um amigo algo de inconveniente, como se tornar cúmplice de uma fraqueza nossa, ou quando se lhe pede uma providência que esteja acima de suas forças. Mas essas ameaças à amizade não devem enfraquecer a potência desse sentimento; devem nos lembrar o quanto um amigo é precioso, e quão preciosa será a conservação de sua leal companhia.
(Cláudio Augusto Catilino, inédito)
Mesmo para aqueles cuja amizade resiste por muito tempo, há a possibilidade de desavenças políticas porem tudo a perder.
Uma nova redação mantém a clareza, a correção e a coerência básica da frase acima na forma seguinte:
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 7 a 12, baseie-se no texto abaixo
O inexpugnável mistério
Aceitemos de bom grado a tese formulada pelo físico nuclear dinamarquês Niel Bohr, segundo a qual “a tarefa da ciência é
reduzir todos os mistérios a simples trivialidades”. Aceitemos também a conjectura de que, com o tempo e com um trabalho sem
tréguas, os cientistas tenham conseguido levar a cabo essa tarefa da ciência, e todos os mistérios do mundo – da origem da vida à
relação entre a mente e o cérebro – tenham afinal rendido os seus segredos e se revelado ao olhar humano naquilo que são:
trivialidades perfeitamente inteligíveis na ordem natural das coisas.
Pois bem. Terminada a tarefa da ciência, restará ainda um derradeiro enigma diante do qual ela não tem, nem poderá vir a ter,
o que dizer: o mistério da trivialidade de tudo. Em outras palavras: a ciência não saberá explicar a razão de ser de todas as
trivialidades que compõem o nosso misterioso mundo.
(Adaptado de: GIANETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 27)
O inexpugnável mistério
Aceitemos de bom grado a tese formulada pelo físico nuclear dinamarquês Niel Bohr, segundo a qual “a tarefa da ciência é
reduzir todos os mistérios a simples trivialidades”. Aceitemos também a conjectura de que, com o tempo e com um trabalho sem
tréguas, os cientistas tenham conseguido levar a cabo essa tarefa da ciência, e todos os mistérios do mundo – da origem da vida à
relação entre a mente e o cérebro – tenham afinal rendido os seus segredos e se revelado ao olhar humano naquilo que são:
trivialidades perfeitamente inteligíveis na ordem natural das coisas.
Pois bem. Terminada a tarefa da ciência, restará ainda um derradeiro enigma diante do qual ela não tem, nem poderá vir a ter,
o que dizer: o mistério da trivialidade de tudo. Em outras palavras: a ciência não saberá explicar a razão de ser de todas as
trivialidades que compõem o nosso misterioso mundo.
(Adaptado de: GIANETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 27)
Considere as seguintes afirmações:
I. O físico nuclear expôs sua tese.
II. Sua tese confia no poder da ciência.
III. O autor questiona esse poder.
Essas três afirmações integram-se com clareza, correção e coerência neste período único:
Texto associado
1 Uma pessoa azulada veio a mim e disse que não
estava bem. Eu mentiria se falasse que me senti
incomodado por se tratar de um completo desconhecido.
4 Pois foi justamente daí que tirei o ânimo para sustentar o
encontro. Poderia escolher, tranquilo, entre o sim e o não.
Se virasse a cara e apressasse o passo, não me sentiria em
7 desconforto por fugir de um inoportuno em desamparo.
Folgadamente livre para decidir, como se essa condição
fosse o meu conteúdo suficiente para aquele dia. Então
10 fiquei e perguntei a razão de sua cor azulada, seu olhar
mortificado, sua púrpura imaginação engalfinhando-se
com céleres fantasmas. Tudo assim, duvidosamente antigo.
13 A pessoa então tocou-me no braço. Era fria, de uma mudez
marmórea. Então postei-me como uma estátua. E assim
fiquei.
João Gilberto Noll. Mínimos, múltiplos, comuns. São Paulo: Francis, 2003, p. 67.
Com relação às ideias e às estruturas linguísticas do texto apresentado, julgue os itens a seguir.
estava bem. Eu mentiria se falasse que me senti
incomodado por se tratar de um completo desconhecido.
4 Pois foi justamente daí que tirei o ânimo para sustentar o
encontro. Poderia escolher, tranquilo, entre o sim e o não.
Se virasse a cara e apressasse o passo, não me sentiria em
7 desconforto por fugir de um inoportuno em desamparo.
Folgadamente livre para decidir, como se essa condição
fosse o meu conteúdo suficiente para aquele dia. Então
10 fiquei e perguntei a razão de sua cor azulada, seu olhar
mortificado, sua púrpura imaginação engalfinhando-se
com céleres fantasmas. Tudo assim, duvidosamente antigo.
13 A pessoa então tocou-me no braço. Era fria, de uma mudez
marmórea. Então postei-me como uma estátua. E assim
fiquei.
João Gilberto Noll. Mínimos, múltiplos, comuns. São Paulo: Francis, 2003, p. 67.
Com relação às ideias e às estruturas linguísticas do texto apresentado, julgue os itens a seguir.
A coesão e a correção gramatical do texto seriam mantidas se o trecho “tocou-me no braço” (ℓ.13) fosse assim reescrito: tocou-me o braço.
Texto associado
A cultura somática de nosso tempo esvazia
a moralidade dos sentimentos em favor da moralidade do
corpo. O interesse por si mesmo, monopolizado pelos
4 cuidados com o corpo, vem desgastando, de forma
progressiva, a importância emocional do outro humano
próximo ou distante. Mas como continuamos a precisar do
7 outro para legitimar nossos ideais de eu, criamos um
impasse: menosprezamos o outro próximo, em seu papel de
avalista do que somos, e idealizamos o outro anônimo, cuja
10 preocupação emocional conosco é igual a zero.
Hoje, nem pai, nem padre, nem médico, nem
psicanalista funcionam como autoridade simbolicamente
13 legítima para corrigir ou ratificar os rumos tomados pelas
práticas bioascéticas individuais. O que nos inspira são os
modelos impessoais dos artistas de sucesso ou das figuras
16 de outdoors . Só que tais modelos são mudos e se
manifestam, apenas, quando se trata de nos convidar para
comprar mais um produto comercial ou industrial.
19 O corpo da publicidade não nos fala diretamente. Não
nos solicita sensorial ou emocionalmente, nem considera as
peculiaridades de nosso caráter ou de nossas histórias de vida
22 ao provocar nosso desejo de imitá-lo. A publicidade não nos
acusa nem elogia, apenas seduz, em sua opacidade e
permanente mudança, como um ideal que devemos
25 perseguir, independentemente das consequências
físico-emocionais que venhamos a sofrer. Não há, por
conseguinte, como saber qual o caminho certo da “virtude
28 bioascética”, exceto se continuarmos a perseguir, de forma
maquinal, exaustiva, torturante, o corpo da moda. Até, é
claro, chegar a velhice e nada restar, salvo os grupos de
31 terceira idade, última tentativa bioascética de “ser jovem,
vital, por dentro da moda!”.
A cultura somática fez do corpo o espelho da alma. O
34 corpo se tornou a vitrine compulsória, permanentemente
devassada pelo olhar do outro anônimo, de nossos vícios e
virtudes, fraquezas e forças.
37 Hoje somos o que aparentamos ser, pois a identidade
pessoal e o semblante corporal tendem a ser uma só e mesma
coisa. Quanto mais a personalidade somática se impõe como
40 norma do ideal do eu, mais revelamos nossa alma ao outro,
sem chances da defesa pela ocultação.
O efeito dessa identificação pessoal pela banalização
43 do eu corporal é o sentimento de que o gigantesco esforço
despendido na prática da bioascese é inútil, pois sempre
passa ao lado do alvo. Todas as privações sofridas em nome
46 da boa forma, em última instância, convergem para as
experiências de irrelevância e futilidade do eu. O sujeito
superficial e uniforme sente que luta para sobreviver e se
49 afirmar como bioidentidade singular. Mas, logo, logo, sente
que precisa desaparecer do campo do olhar do outro, se
quiser experimentar, por alguns momentos, a tranquilidade
52 de estar consigo sem a invasão persecutória do ideal da
fitness .
Jurandir F. Costa. A externalização da subjetividade. Internet:
(com adaptações).
Julgue os próximos itens, no que diz respeito à correção gramatical e à coerência da proposta de reescrita para cada um dos trechos destacados do texto.
a moralidade dos sentimentos em favor da moralidade do
corpo. O interesse por si mesmo, monopolizado pelos
4 cuidados com o corpo, vem desgastando, de forma
progressiva, a importância emocional do outro humano
próximo ou distante. Mas como continuamos a precisar do
7 outro para legitimar nossos ideais de eu, criamos um
impasse: menosprezamos o outro próximo, em seu papel de
avalista do que somos, e idealizamos o outro anônimo, cuja
10 preocupação emocional conosco é igual a zero.
Hoje, nem pai, nem padre, nem médico, nem
psicanalista funcionam como autoridade simbolicamente
13 legítima para corrigir ou ratificar os rumos tomados pelas
práticas bioascéticas individuais. O que nos inspira são os
modelos impessoais dos artistas de sucesso ou das figuras
16 de outdoors . Só que tais modelos são mudos e se
manifestam, apenas, quando se trata de nos convidar para
comprar mais um produto comercial ou industrial.
19 O corpo da publicidade não nos fala diretamente. Não
nos solicita sensorial ou emocionalmente, nem considera as
peculiaridades de nosso caráter ou de nossas histórias de vida
22 ao provocar nosso desejo de imitá-lo. A publicidade não nos
acusa nem elogia, apenas seduz, em sua opacidade e
permanente mudança, como um ideal que devemos
25 perseguir, independentemente das consequências
físico-emocionais que venhamos a sofrer. Não há, por
conseguinte, como saber qual o caminho certo da “virtude
28 bioascética”, exceto se continuarmos a perseguir, de forma
maquinal, exaustiva, torturante, o corpo da moda. Até, é
claro, chegar a velhice e nada restar, salvo os grupos de
31 terceira idade, última tentativa bioascética de “ser jovem,
vital, por dentro da moda!”.
A cultura somática fez do corpo o espelho da alma. O
34 corpo se tornou a vitrine compulsória, permanentemente
devassada pelo olhar do outro anônimo, de nossos vícios e
virtudes, fraquezas e forças.
37 Hoje somos o que aparentamos ser, pois a identidade
pessoal e o semblante corporal tendem a ser uma só e mesma
coisa. Quanto mais a personalidade somática se impõe como
40 norma do ideal do eu, mais revelamos nossa alma ao outro,
sem chances da defesa pela ocultação.
O efeito dessa identificação pessoal pela banalização
43 do eu corporal é o sentimento de que o gigantesco esforço
despendido na prática da bioascese é inútil, pois sempre
passa ao lado do alvo. Todas as privações sofridas em nome
46 da boa forma, em última instância, convergem para as
experiências de irrelevância e futilidade do eu. O sujeito
superficial e uniforme sente que luta para sobreviver e se
49 afirmar como bioidentidade singular. Mas, logo, logo, sente
que precisa desaparecer do campo do olhar do outro, se
quiser experimentar, por alguns momentos, a tranquilidade
52 de estar consigo sem a invasão persecutória do ideal da
fitness .
Jurandir F. Costa. A externalização da subjetividade. Internet:
(com adaptações).
Julgue os próximos itens, no que diz respeito à correção gramatical e à coerência da proposta de reescrita para cada um dos trechos destacados do texto.
“Mas como continuamos a precisar do outro para legitimar nossos ideais de eu” (linhas 6 e 7): Entretanto, por que continuamos a necessitar do outro para legitimar nossos ideais de eu
Texto associado
1 Desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento
capaz de suprir as necessidades da geração atual,
garantindo a capacidade de atender às necessidades das
4 futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os
recursos para o futuro.
Essa definição surgiu na Comissão Mundial sobre
7 Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pelas Nações
Unidas para discutir e propor meios de harmonizar dois
objetivos: o desenvolvimento econômico e a conservação
10 ambiental.
Nos últimos anos, práticas de responsabilidade social
corporativa tornaram‐se parte da estratégia de um número
13 crescente de empresas, cientes da necessária relação entre
retorno econômico, ações sociais e conservação da
natureza e, portanto, do claro vínculo que une a própria
16 prosperidade com o estado da saúde ambiental e o
bem‐ estar coletivo da sociedade.
É cada vez mais importante que as empresas tenham
19 consciência de que são parte integrante do mundo e não
consumidoras do mundo. O reconhecimento de que os
recursos naturais são finitos e de que deles dependem a
22 sobrevivência humana, a conservação da diversidade
biológica e o próprio crescimento econômico é fundamental
para o desenvolvimento sustentável, conceito segundo o
25 qual a utilização dos recursos naturais deve ser feita com
responsabilidade.
O consumidor é cada vez mais consciente do peso
28 ecológico e social de suas próprias escolhas. Assim, para a
empresa garantir a satisfação dos consumidores, ela terá,
cada vez mais, de fornecer respostas coerentes a esses
31 assuntos, reconhecendo a crescente sensibilidade do
mercado a temáticas como a sustentabilidade e
empenhando‐se em atingir resultados positivos a favor do
meio ambiente.
Internet: (com adaptações).
capaz de suprir as necessidades da geração atual,
garantindo a capacidade de atender às necessidades das
4 futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os
recursos para o futuro.
Essa definição surgiu na Comissão Mundial sobre
7 Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pelas Nações
Unidas para discutir e propor meios de harmonizar dois
objetivos: o desenvolvimento econômico e a conservação
10 ambiental.
Nos últimos anos, práticas de responsabilidade social
corporativa tornaram‐se parte da estratégia de um número
13 crescente de empresas, cientes da necessária relação entre
retorno econômico, ações sociais e conservação da
natureza e, portanto, do claro vínculo que une a própria
16 prosperidade com o estado da saúde ambiental e o
bem‐ estar coletivo da sociedade.
É cada vez mais importante que as empresas tenham
19 consciência de que são parte integrante do mundo e não
consumidoras do mundo. O reconhecimento de que os
recursos naturais são finitos e de que deles dependem a
22 sobrevivência humana, a conservação da diversidade
biológica e o próprio crescimento econômico é fundamental
para o desenvolvimento sustentável, conceito segundo o
25 qual a utilização dos recursos naturais deve ser feita com
responsabilidade.
O consumidor é cada vez mais consciente do peso
28 ecológico e social de suas próprias escolhas. Assim, para a
empresa garantir a satisfação dos consumidores, ela terá,
cada vez mais, de fornecer respostas coerentes a esses
31 assuntos, reconhecendo a crescente sensibilidade do
mercado a temáticas como a sustentabilidade e
empenhando‐se em atingir resultados positivos a favor do
meio ambiente.
Internet: (com adaptações).
Considerando os mecanismos de coesão no texto, assinale a alternativa em que há correta correspondência entre o termo ou a expressão destacados e o respectivo elemento de referência.
Texto associado
1 Quem é autônomo é livre, capaz e competente para
realizar alguma atividade. Costuma-se dizer que o indivíduo
ganha autonomia quando consegue cumprir certas tarefas
4 sem a ajuda do outro. Talvez, por isso, uma palavra de
imediato relacionada ao conceito seja independência.
Contudo, a ideia de independência expressa apenas
7 um dos lados da questão. O outro se refere à necessidade de
pertencer, de saber conviver e compartilhar. Assim, a pessoa
autônoma é livre por ser capaz de agir por si mesma e, ao
10 mesmo tempo, responsável porque age como parte de um
grupo.
Por exemplo, um indivíduo que não sabe ler depende
13 de um outro letrado para ter contato com o conteúdo dos
livros ou de qualquer material escrito. Na medida em que ele
se alfabetiza, adquire conhecimentos suficientes para ler e
16 torna-se independente de um leitor externo.
Ser autônomo se torna possível por um jogo de
interdependências, ou interacionismo, segundo Piaget. De
19 um lado, existem aspectos externos ao sujeito: o ambiente,
as pessoas, o livro. De outro, aspectos internos, como as
ferramentas que o habilitam: os conhecimentos prévios, as
22 condições orgânicas. Um terceiro ponto é o comportamento:
aquilo que o indivíduo realiza ou pensa e que ninguém pode
fazer por ele. Vale dizer que cada pessoa reage de forma
25 diferente a um mesmo objeto ou situação. Em inglês, existe
o termo self government (autogoverno), que indica que não
é o estímulo o elemento determinante dessa reação, e sim o
28 que o sujeito faz ou compreende em função do estímulo. Por
isso a interação é um elemento tão primordial para a
construção da autonomia.
31 Na vida contemporânea, todos querem ser livres ou
independentes. Querem compartilhar, fazer parte de algo
que julgam significativo para si e para os outros. Um dos
34 problemas para alcançar essas realizações é justamente o de
enfrentar e superar dois obstáculos internos muito
desafiadores. Um deles é o modo como a pessoa interage
37 com as coisas e como expressa suas reações emocionais ou
afetivas. Entre elas figura o medo da mudança. O outro
refere-se à necessidade de aperfeiçoamento, ao
40 compromisso de aprender algo que o capacita a ser incluído
no grupo daqueles que já sabem.
É, na prática, tornar-se outro , superando todo tipo de
43 reações negativas e resistências. E é também tornar-se como
o outro , aprendendo habilidades e conhecimentos. Um
sujeito duplamente passivo ― por estar subordinado a
46 padrões de medo ou raiva, e de ignorância ou desatenção ―
dá lugar a um sujeito ativo e responsável por suas ações e
independente, sem deixar de ser interdependente. Dizendo
49 assim, parece uma tarefa quase impossível, mas é esse
impossível que hoje embala os sonhos de um século que
necessita de pessoas que sejam, ao mesmo tempo, livres e
52 solidárias, ou seja, autônomas.
Lino de Macedo. Ser autônomo é vencer resistências e transformar-se .
Internet: (com adaptações).
Em relação à tipologia do texto e às ideias nele expressas, julgue os itens a seguir.
realizar alguma atividade. Costuma-se dizer que o indivíduo
ganha autonomia quando consegue cumprir certas tarefas
4 sem a ajuda do outro. Talvez, por isso, uma palavra de
imediato relacionada ao conceito seja independência.
Contudo, a ideia de independência expressa apenas
7 um dos lados da questão. O outro se refere à necessidade de
pertencer, de saber conviver e compartilhar. Assim, a pessoa
autônoma é livre por ser capaz de agir por si mesma e, ao
10 mesmo tempo, responsável porque age como parte de um
grupo.
Por exemplo, um indivíduo que não sabe ler depende
13 de um outro letrado para ter contato com o conteúdo dos
livros ou de qualquer material escrito. Na medida em que ele
se alfabetiza, adquire conhecimentos suficientes para ler e
16 torna-se independente de um leitor externo.
Ser autônomo se torna possível por um jogo de
interdependências, ou interacionismo, segundo Piaget. De
19 um lado, existem aspectos externos ao sujeito: o ambiente,
as pessoas, o livro. De outro, aspectos internos, como as
ferramentas que o habilitam: os conhecimentos prévios, as
22 condições orgânicas. Um terceiro ponto é o comportamento:
aquilo que o indivíduo realiza ou pensa e que ninguém pode
fazer por ele. Vale dizer que cada pessoa reage de forma
25 diferente a um mesmo objeto ou situação. Em inglês, existe
o termo self government (autogoverno), que indica que não
é o estímulo o elemento determinante dessa reação, e sim o
28 que o sujeito faz ou compreende em função do estímulo. Por
isso a interação é um elemento tão primordial para a
construção da autonomia.
31 Na vida contemporânea, todos querem ser livres ou
independentes. Querem compartilhar, fazer parte de algo
que julgam significativo para si e para os outros. Um dos
34 problemas para alcançar essas realizações é justamente o de
enfrentar e superar dois obstáculos internos muito
desafiadores. Um deles é o modo como a pessoa interage
37 com as coisas e como expressa suas reações emocionais ou
afetivas. Entre elas figura o medo da mudança. O outro
refere-se à necessidade de aperfeiçoamento, ao
40 compromisso de aprender algo que o capacita a ser incluído
no grupo daqueles que já sabem.
É, na prática, tornar-se outro , superando todo tipo de
43 reações negativas e resistências. E é também tornar-se como
o outro , aprendendo habilidades e conhecimentos. Um
sujeito duplamente passivo ― por estar subordinado a
46 padrões de medo ou raiva, e de ignorância ou desatenção ―
dá lugar a um sujeito ativo e responsável por suas ações e
independente, sem deixar de ser interdependente. Dizendo
49 assim, parece uma tarefa quase impossível, mas é esse
impossível que hoje embala os sonhos de um século que
necessita de pessoas que sejam, ao mesmo tempo, livres e
52 solidárias, ou seja, autônomas.
Lino de Macedo. Ser autônomo é vencer resistências e transformar-se .
Internet: (com adaptações).
Em relação à tipologia do texto e às ideias nele expressas, julgue os itens a seguir.
Pelas relações de coesão estabelecidas no texto, percebe-se que o segmento “O outro” (linha 7) retoma, por repetição, o termo “outro” (linha 4).
Texto associado
Texto para as questões de 1 a 9.
1 Desde a Renascença, o fenômeno da individualização
vem se delineando de forma cada vez mais incisiva. A falência
do Feudalismo e a ascensão do Capitalismo foram
4 preponderantes nesse processo, levando o ser humano a
migrar da vida pública para a privada, primeiro se refugiando
no núcleo familiar e tendo‐o como referência identitária,
7 posteriormente, estabelecendo sua identidade a partir do
trabalho. Atualmente, diante da liquefação das relações de
trabalho e de sua reverberação para o núcleo familiar, o
10 indivíduo se vê órfão de uma referência identitária
consistente. A presente reflexão resvala no fenômeno de
liquefação social descrito pelo sociólogo polonês Zigmunt
13 Bauman e em suas implicações para a vida humana nas suas
diferentes esferas: vida pública; privada; relacionamentos
humanos; mundo do trabalho; Estado; e instituições sociais.
16 Segundo Bauman, a solidez das instituições sociais (do
estado de bem‐estar, da família, das relações de trabalho,
entre outras) perde espaço, de modo cada vez mais fugaz,
19 para o fenômeno da liquefação. Consequentemente vivemos
um tempo de transformações sociais aceleradas, nas quais as
dissoluções dos laços afetivos e sociais são o centro da
22 questão. Relacionamentos voláteis e fluidos remetem a uma
sensação de leveza, descompromisso e liberdade. A outra
face dessa suposta liberdade surge com a descoberta de que
25 a completa individualização é um mito moderno e com a
emergência de sofrimentos advindos, por um lado, das
tensões e frustrações dessa descoberta, por outro, da criação
28 de estratégias de sobrevivência próprias da modernidade
líquida que perpassam por uma aparente cortesia e que
redundam em sintomas como depressão, angústia, solidão,
31 desamparo e desterritorialização. Diante disso, mostra‐se
pertinente analisar o uso de estratégias de cortesia a que
recorrem os sujeitos, particularmente, no ambiente de
34 trabalho e o sentimento de solidão oriundo dessas relações
pessoais de polidez e do esgarçamento do tecido social, que
produz sofrimento e adoecimento, tornando‐se, portanto,
37 um problema de saúde pública.
Internet: (com adaptações).
1 Desde a Renascença, o fenômeno da individualização
vem se delineando de forma cada vez mais incisiva. A falência
do Feudalismo e a ascensão do Capitalismo foram
4 preponderantes nesse processo, levando o ser humano a
migrar da vida pública para a privada, primeiro se refugiando
no núcleo familiar e tendo‐o como referência identitária,
7 posteriormente, estabelecendo sua identidade a partir do
trabalho. Atualmente, diante da liquefação das relações de
trabalho e de sua reverberação para o núcleo familiar, o
10 indivíduo se vê órfão de uma referência identitária
consistente. A presente reflexão resvala no fenômeno de
liquefação social descrito pelo sociólogo polonês Zigmunt
13 Bauman e em suas implicações para a vida humana nas suas
diferentes esferas: vida pública; privada; relacionamentos
humanos; mundo do trabalho; Estado; e instituições sociais.
16 Segundo Bauman, a solidez das instituições sociais (do
estado de bem‐estar, da família, das relações de trabalho,
entre outras) perde espaço, de modo cada vez mais fugaz,
19 para o fenômeno da liquefação. Consequentemente vivemos
um tempo de transformações sociais aceleradas, nas quais as
dissoluções dos laços afetivos e sociais são o centro da
22 questão. Relacionamentos voláteis e fluidos remetem a uma
sensação de leveza, descompromisso e liberdade. A outra
face dessa suposta liberdade surge com a descoberta de que
25 a completa individualização é um mito moderno e com a
emergência de sofrimentos advindos, por um lado, das
tensões e frustrações dessa descoberta, por outro, da criação
28 de estratégias de sobrevivência próprias da modernidade
líquida que perpassam por uma aparente cortesia e que
redundam em sintomas como depressão, angústia, solidão,
31 desamparo e desterritorialização. Diante disso, mostra‐se
pertinente analisar o uso de estratégias de cortesia a que
recorrem os sujeitos, particularmente, no ambiente de
34 trabalho e o sentimento de solidão oriundo dessas relações
pessoais de polidez e do esgarçamento do tecido social, que
produz sofrimento e adoecimento, tornando‐se, portanto,
37 um problema de saúde pública.
Internet: (com adaptações).
Assinale a alternativa que apresenta proposta de reescrita gramaticalmente correta e coerente para o primeiro período do texto.
As formas verbais estão empregadas de modo a garantir a correção e a coesão da frase em:
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 1 a 6, baseie-se no texto abaixo.
O tempo nos nossos tempos
O espaço e o tempo são categorias básicas da existência humana. E, no entanto, raramente discutimos o seu sentido; tendemos a tê-los por certos e lhes damos atribuições do senso comum ou autoevidentes. Registramos a passagem do tempo em segundos, minutos, horas, dias, meses, anos, décadas, séculos e eras, como se tudo tivesse o seu lugar numa única escala temporal objetiva. Embora o tempo na física seja um conceito difícil e objeto de contendas, não costumamos deixar que isso interfira no nosso sentido comum do tempo, em torno do qual organizamos nossa rotina diária. Reconhecemos, é verdade, que os nossos processos e percepções mentais podem nos pregar peças, fazer segundos parecerem anos-luz ou horas agradáveis passarem com tanta rapidez que mal nos damos conta. Também podemos reconhecer o fato de diferentes sociedades (ou mesmo diferentes subgrupos) cultivarem sentidos de tempo bem distintos.
Na sociedade moderna, muitos sentidos distintos de tempo se entrecruzam. Os movimentos cíclicos e repetitivos (do café da manhã e da ida ao trabalho a rituais sazonais como festas populares e aberturas de temporadas esportivas) oferecem sensação de segurança num mundo em que o impulso geral do progresso parece ser sempre para frente e para o alto – na direção do firmamento do desconhecido.
Quando o sentido do tempo como progresso é ameaçado pela depressão ou pela recessão, pela guerra ou pelo caos social, podemos nos reassegurar (em parte) com a ideia do tempo cíclico como um fenômeno natural a que devemos forçosamente nos adaptar ou recorrer a uma imagem ainda mais forte de alguma propensão universal estável, como contraponto perpétuo do progresso. E, em momentos de desespero ou de exaltação, quem entre nós consegue impedir-se de invocar o tempo do destino, do mito, dos deuses?
(HARVEY, David. Condição pós-moderna . Trad. Adail Ubirajara Sobral e Maria Stela Gonçalves. São Paulo: Loyola, 1993, p. 187-188)
O tempo nos nossos tempos
O espaço e o tempo são categorias básicas da existência humana. E, no entanto, raramente discutimos o seu sentido; tendemos a tê-los por certos e lhes damos atribuições do senso comum ou autoevidentes. Registramos a passagem do tempo em segundos, minutos, horas, dias, meses, anos, décadas, séculos e eras, como se tudo tivesse o seu lugar numa única escala temporal objetiva. Embora o tempo na física seja um conceito difícil e objeto de contendas, não costumamos deixar que isso interfira no nosso sentido comum do tempo, em torno do qual organizamos nossa rotina diária. Reconhecemos, é verdade, que os nossos processos e percepções mentais podem nos pregar peças, fazer segundos parecerem anos-luz ou horas agradáveis passarem com tanta rapidez que mal nos damos conta. Também podemos reconhecer o fato de diferentes sociedades (ou mesmo diferentes subgrupos) cultivarem sentidos de tempo bem distintos.
Na sociedade moderna, muitos sentidos distintos de tempo se entrecruzam. Os movimentos cíclicos e repetitivos (do café da manhã e da ida ao trabalho a rituais sazonais como festas populares e aberturas de temporadas esportivas) oferecem sensação de segurança num mundo em que o impulso geral do progresso parece ser sempre para frente e para o alto – na direção do firmamento do desconhecido.
Quando o sentido do tempo como progresso é ameaçado pela depressão ou pela recessão, pela guerra ou pelo caos social, podemos nos reassegurar (em parte) com a ideia do tempo cíclico como um fenômeno natural a que devemos forçosamente nos adaptar ou recorrer a uma imagem ainda mais forte de alguma propensão universal estável, como contraponto perpétuo do progresso. E, em momentos de desespero ou de exaltação, quem entre nós consegue impedir-se de invocar o tempo do destino, do mito, dos deuses?
(HARVEY, David. Condição pós-moderna . Trad. Adail Ubirajara Sobral e Maria Stela Gonçalves. São Paulo: Loyola, 1993, p. 187-188)