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Como já observaram os antropólogos, um dos acidentes mentais mais comuns entre os povos primitivos é o que eles chamam de “a perda da alma” — que significa, como bem indica o nome, uma ruptura (ou, mais tecnicamente, uma dissociação) da consciência. Entre esses povos, para quem a consciência tem um nível de desenvolvimento diverso do nosso, a “alma” (ou psique) não é compreendida como uma unidade. Muitos deles supõem que o homem tenha uma “alma do mato” ( bush soul ) além da sua própria, alma que se encarna num animal selvagem ou numa árvore com os quais o indivíduo possua alguma identidade psíquica. É a isto que o ilustre etnólogo francês Lucien Lévy-Bruhl chamou “participação mística”. JUNG, Carl Gustav. O homem e seus símbolos. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1964 (com adaptações).

Considerando o texto, o atual Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V-TR) e a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), que inclui diversas observações culturais nos seus capítulos, julgue o item que se segue. A prevalência média do suicídio indígena no Brasil é maior que o dobro da média brasileira e pesquisas qualitativas para compreender a motivação desse comportamento podem prover recursos para intervenções psicoterápicas específicas bem como guiar políticas públicas direcionadas a essas comunidades.

A Certo
B Errado
Texto associado
Uma mulher de 32 anos de idade, sem histórico psiquiátrico prévio e sem histórico de uso de substâncias, funcionária pública, vem passando por uma série de mudanças em seu setor de trabalho nos últimos 3 meses, o que tem promovido um aumento significativo de conflitos interpessoais entre os colegas. Há duas semanas, após uma conversa com seu chefe, ela recebeu a notícia de que seria redirecionada para outra área, pois estavam realinhando os processos de trabalho. Essa notícia foi recebida com muita angústia e desespero, pois ela não esperava e não desejava essa mudança. Ficou se sentindo preterida e desvalorizada com a decisão de seu chefe. Desde o ocorrido, passou a apresentar um humor deprimido, choro fácil e sentimentos de desesperança em relação ao seu trabalho e seu futuro. Mesmo insatisfeita, seguiu comparecendo ao trabalho, sem alterações no sono, na alimentação ou na concentração. Porém, dado o sentimento de revolta, começou a chegar atrasada, sair mais cedo e protelar entregas de demandas a ela destinadas. Começou ainda a ter problemas em casa, com muitas brigas com seu marido e filhos, por sua irritabilidade acentuada. Nesse contexto, passou a dirigir em alta velocidade e a colocar o carro na contramão, embora negue ter vontade de morrer ou de se matar. Diante dessa situação, foi levada a atendimento especializado contra sua vontade.

Julgue o item subsecutivo, considerando o caso clínico hipotético apresentado. Embora nessa situação apresentada a paciente não demonstre um comportamento suicida evidente, situações como a dela estão associadas a maior risco de tentativas e consumação de suicídio.

A Certo
B Errado

Paciente chega à emergência psiquiátrica com história de ter tomado vários medicamentos para tentar o suicídio. Ele apresentava tremores, boca seca, taquicardia, hipertensão, febre, euforia, agitação, paranoia, alucinações e irritabilidade. É mais provável que ele tenha ingerido:

A opioides;
B anfetaminas;
C antidepressivos tricíclicos;
D barbitúricos;
E benzodiazepínicos.

Paciente de 42 anos apresenta um quadro clínico caracterizado por tristeza profunda. Não tem vontade de sair do quarto nem tomar banho, quase não se alimenta devido a falta de apetite, acredita que tem pouco tempo de vida pela frente, apesar de seus exames clínicos estarem normais, e escuta vozes que dizem que ele não serve para nada e deve se matar. Dentre as alternativas terapêuticas abaixo, a mais indicada é:

A imipramina 150mg + haloperidol 10mg;
B fluvoxamina 50mg;
C risperidona 2mg;
D nefazodona 50mg;
E fluoxetina 20mg.