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Texto associado
Nestes 500 anos de história, quais são as figuras que personificam o nosso país, que sintetizam, por suas qualidades e seus defeitos, suas grandezas e suas misérias, a trajetória do Brasil? Nomes não nos faltam: Tiradentes, o Aleijadinho, Pelé, Chiquinha Gonzaga, Lampião, Antônio Conselheiro, Oswaldo Cruz, Villa Lobos, Gilberto Freyre, Monteiro Lobato, Getúlio Vargas, Henfil... A vida de cada um deles contém, em miniatura, aqueles traços que, no dizer do antropólogo Roberto da Matta, fazem do Brasil o Brasil: o talento, a astúcia, a violência, a ternura, o humor, a imaginação, a vocação trágica. Mas eu, particularmente, quando penso em Brasil, penso numa outra pessoa. Uma mulher de quem nem sei o nome e que vi uma única vez.
Eu era responsável pelo posto de saúde da prefeitura na Lomba do Pinheiro numa época em que aquela era uma região isolada da cidade, de difícil acesso. Uma tarde, eu já estava saindo, quando de repente me surge essa mulher, moça ainda, mas de face devastada pela miséria, pelo sofrimento. Trazia nos braços o filho, para consultar. E, para trazer este filho, ela tinha caminhado doze quilômetros. Doze quilômetros com uma criança nos braços.
O que faz do Brasil o Brasil? Pernas como as daquela mulher, pernas que caminham incansáveis. Braços como os daquela mulher, que seguram, sem se fatigar, um filho, dois filhos, muitos filhos. O que faz do Brasil o Brasil é a coragem, a determinação, a resignação. Cada vez que alguém (em geral uma pessoa de classe média, a quem nada falta) me diz que o Brasil não tem jeito, que o Brasil é uma esculhambação, eu penso naquela mulher. E penso nela com profundo respeito. O que ela carrega nos braços é, ao fim e ao cabo, o Brasil. E vem fazendo isso há 500 anos.
Moacyr Scliar. A imagem viva do Brasil. In: Zero Hora, 16 de abril de 2000. Internet: (com adaptações).

No texto 1A1, o emprego repetido da expressão O que faz do Brasil o Brasil consiste em uma estratégia empregada pelo autor para

A reiterar o tema central do texto, encaminhando o leitor para uma resposta sobre o que caracteriza o Brasil na visão do autor.
B reforçar a noção de que é praticamente impossível atribuir uma identidade ao Brasil.
C intensificar a ideia de que certos personagens célebres são os melhores representantes do país.
D evidenciar que a busca pela identidade nacional é o foco principal da história do Brasil.
E convencer o leitor da necessidade de se definir o brasileiro.
Texto associado
Leia o texto, para responder às questões de números 11 a 15.
Um dia na vida de Adão e Eva
Para entender nossa natureza, nossa história e nossa
psicologia, devemos entrar na cabeça dos nossos ancestrais
caçadores-coletores.
O campo próspero da psicologia evolutiva afirma que
muitas de nossas características psicológicas e sociais do
presente foram moldadas durante essa longa era pré-agríco-
la. Ainda hoje, afirmam especialistas da área, nosso cérebro
e nossa mente são adaptados para uma vida de caça e cole-
ta. Nossos hábitos alimentares e nossos conflitos são todos
consequência do modo como nossa mente de caçadores-
-coletores interage com o ambiente pós-industrial de nossos
dias, com megacidades, aviões, telefones e computadores.
Esse ambiente nos dá mais recursos materiais e vida mais
longa do que a desfrutada por qualquer geração anterior, mas
também nos faz sentir alienados, deprimidos e pressionados.
Para entender por quê, apontam os psicólogos evoluti-
vos, precisamos nos aprofundar no mundo de caçadores-co-
letores que nos moldou, o mundo que, subconscientemente,
ainda habitamos.
Por que, por exemplo, as pessoas se regalam com ali-
mentos altamente calóricos que tão pouco bem fazem a seus
corpos? Nas savanas e florestas que caçadores-coletores
habitavam, alimentos doces e calóricos eram extremamente
raros, e a comida em geral era escassa. Se uma mulher da
Idade da Pedra se deparasse com uma árvore repleta de fi-
gos, a coisa mais razoável a fazer era ingerir o máximo que
pudesse imediatamente, antes que um bando de babuínos
comesse tudo. Hoje, podemos morar em apartamentos com
geladeiras abarrotadas, mas nosso DNA ainda pensa que es-
tamos em uma savana. É o que nos motiva a comer um pote
inteiro de sorvete.
(Yuval Noah Harari. Sapiens: uma breve história da humanidade.
34ª ed. - Porto Alegre, RS: L&PM, 2018. Excerto adaptado)

Conforme apontado no texto,

A o fato de termos sido moldados para sobreviver emum ambiente sem provisões facilitou nossa adapta-ção aos desafios do mundo atual.
B as nossas características psicológicas e sociais evi-denciam o quanto evoluímos em relação a nossosantepassados caçadores-coletores.
C a vida em um ambiente urbano pós-industrial temsidodeterminante para fazer evoluir nossa naturezaprimitiva de caçadores-coletores.
D a nossa adaptação para a caça e coleta faz com quevivamos em conflito com um ambiente em que já nãohá escassez de recursos materiais.
E a superação de nossa natureza de caçadores-co-letores só se tornou possível com a abundância dealimentos do período pós-industrial.
Texto associado
Leia o texto, para responder às questões de números 06 a 10.
Especialistas deveriam se impor pela competência,
não pelo lobby*
Nesta semana eu quase recobrei minha fé na huma-
nidade.
Com a retomada das aulas presenciais, perguntei a meu
filho David, que cursa duas faculdades, como ele faria com a
educação física. O menino me olhou como se eu viesse de
Saturno e me explicou, para minha surpresa, que a educação
física não é mais disciplina obrigatória no ensino superior. Ao
contrário do que acontecia no meu tempo, a molecada não
precisa mais submeter-se às aulas de Educação Física para
obter seu diploma.
Não me entendam mal. Sou um entusiasta da atividade
física. Há mais de 20 anos corro quase que diariamente. E
recomendo a todos que se mexam, se possível sob a orienta-
ção de um profissional. Mas sou veementemente contrário ao
hábito corporativista, tão disseminado por aqui, de sequestrar
o poder do Estado para criar reservas de mercado.
Acredito em ciência e estudo. Vale a pena procurar um
especialista. Mas fazê-lo deve ser uma escolha, não uma
obrigatoriedade. Numa sociedade funcional, você recorre aos
serviços de um profissional, seja o educador físico, o advo-
gado ou qualquer outro, porque ele oferece um saber e uma
experiência que lhe interessam, não porque a lei o obriga a
fazê-lo. Em outras palavras, os especialistas deveriam se im-
por por sua competência, não por seus lobbies.
O leitor atento deve ter percebido que enfiei um “quase”
ali no começo do texto. Embora tenha ficado feliz ao desco-
brir que a educação física não é mais requisito para um diplo-
ma universitário, ao investigar melhor como isso aconteceu,
fiquei com a impressão de que a desobrigatoriedade não veio
porque legisladores e conselheiros ficaram mais sábios, mas
porque o lobby dos donos de faculdade é mais forte que o
dos professores de educação física.
*Lobby: atividade de pressão de um grupo organizado sobre polí-
ticos e poderes públicos, que visa exercer sobre estes qualquer
influência ao seu alcance.
(Hélio Schwartsman. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/
helioschwartsman/2022/03/especialistas-deveriam-se-impor-pela-
competencia-nao-pelo-lobby.shtml. 18.03.2022. Adaptado)

O autor do texto manifesta oposição à

A extinção da educação física como requisito para aobtenção do diploma de ensino superior.
B liberdade dada às universidades para decidir pelacontratação ou não de serviços especializados.
C influência de interesses externos em decisões quedevem caber apenas ao poder público.
D cultura educacional que condena jovens a uma roti-na estafante de dedicação aos estudos.
E necessidade de formação de nível superior para ocu-pações práticas como a educação física.
Texto associado
Leia o texto, para responder às questões de números 01 a 05.
Ir ao mesmo lugar
Como sempre dizemos, estamos vivendo amplamente
realidades virtuais. Conhecemos o mundo através da tele-
visão, que muitas vezes não o retrata tal como é, mas trata
de reconstruí-lo ou até de construí-lo novamente. Cada vez
mais, vemos apenas simulacros da realidade.
Contudo, hoje as pessoas começaram a viajar como nun-
ca antes. Cada vez mais gente, cujos pais foram no máximo a
uma cidade vizinha, declara que visitou lugares com os quais
eu, viajante compulsivo, ou melhor, profissional, ainda me li-
mito a sonhar. Não deveríamos, portanto, ver esta paixão tu-
rística como uma forma de fugir da realidade virtual para ver
"a própria coisa"? O turismo representa para muitos um modo
de se reapropriar do mundo. Só que antes a experiência da
viagem era decisiva, voltávamos diferentes do que éramos
ao partir, enquanto agora só se encontra gente que volta sem
ter sido tocada minimamente pela fascinação do Outro Lugar.
Talvez isso aconteça porque hoje os locais de peregrina-
ção real fazem o possível para ficarem parecidos com os lo-
cais de peregrinação virtual. Tudo que o local turístico deseja
é ficar igual à sua própria imagem glamorizada pela mídia.
Ocorre também que todos os lugares tendem a se pare-
cer e dessa vez a globalização tem tudo a ver com a história.
Penso em alguns lugares mágicos de Paris, onde pouco a
pouco estão desaparecendo os velhos restaurantes, as livra-
rias à meia-luz, as lojinhas dos velhos artesãos, substituídos
por lojas de estilistas internacionais, que por sua vez são as
mesmas que podemos encontrar na em Nova York, em Lon-
dres, em Milão. As principais ruas das grandes cidades se pa-
recem cada vez mais umas com as outras, além de exibirem
as mesmas lojas.
Quando tudo for igual a tudo, ninguém mais fará turis-
mo para descobrir o mundo verdadeiro, mas para encontrar
sempre, onde quer que esteja, aquilo que já conhece e que
poderia ver perfeitamente ficando em casa diante da TV.
(Umberto Eco. Pape satàn aleppe: Crônicas de uma sociedade líquida.
Editora Record, Rio de Janeiro: 2017. Adaptado)

A frase do primeiro parágrafo "Cada vez mais, vemosapenas simulacros da realidade" refere-se à ideia pre-sente no texto segundo a qual

A as novas mídias de comunicação potencializam asensibilidade para apreender a realidade.
B a imersão em diferentes culturas é imprescindívelpara a compreensão de fato do mundo.
C o conhecimento do significado real de um localrequer muito mais que meras viagens casuais.
D o mundo que nos chega por meio da televisão resul-ta de uma reorganização da realidade.
E a afinidade com a cultura local determina o quanto aexperiência turística será significativa.
Texto associado
Leia o texto, para responder às questões de números 01 a 05.
Ir ao mesmo lugar
Como sempre dizemos, estamos vivendo amplamente
realidades virtuais. Conhecemos o mundo através da tele-
visão, que muitas vezes não o retrata tal como é, mas trata
de reconstruí-lo ou até de construí-lo novamente. Cada vez
mais, vemos apenas simulacros da realidade.
Contudo, hoje as pessoas começaram a viajar como nun-
ca antes. Cada vez mais gente, cujos pais foram no máximo a
uma cidade vizinha, declara que visitou lugares com os quais
eu, viajante compulsivo, ou melhor, profissional, ainda me li-
mito a sonhar. Não deveríamos, portanto, ver esta paixão tu-
rística como uma forma de fugir da realidade virtual para ver
"a própria coisa"? O turismo representa para muitos um modo
de se reapropriar do mundo. Só que antes a experiência da
viagem era decisiva, voltávamos diferentes do que éramos
ao partir, enquanto agora só se encontra gente que volta sem
ter sido tocada minimamente pela fascinação do Outro Lugar.
Talvez isso aconteça porque hoje os locais de peregrina-
ção real fazem o possível para ficarem parecidos com os lo-
cais de peregrinação virtual. Tudo que o local turístico deseja
é ficar igual à sua própria imagem glamorizada pela mídia.
Ocorre também que todos os lugares tendem a se pare-
cer e dessa vez a globalização tem tudo a ver com a história.
Penso em alguns lugares mágicos de Paris, onde pouco a
pouco estão desaparecendo os velhos restaurantes, as livra-
rias à meia-luz, as lojinhas dos velhos artesãos, substituídos
por lojas de estilistas internacionais, que por sua vez são as
mesmas que podemos encontrar na em Nova York, em Lon-
dres, em Milão. As principais ruas das grandes cidades se pa-
recem cada vez mais umas com as outras, além de exibirem
as mesmas lojas.
Quando tudo for igual a tudo, ninguém mais fará turis-
mo para descobrir o mundo verdadeiro, mas para encontrar
sempre, onde quer que esteja, aquilo que já conhece e que
poderia ver perfeitamente ficando em casa diante da TV.
(Umberto Eco. Pape satàn aleppe: Crônicas de uma sociedade líquida.
Editora Record, Rio de Janeiro: 2017. Adaptado)

Para o autor, a experiência de viajar

A revela-se em geral frustrante, já que é comum depa-rar-se com uma realidade muito aquém daquilo queé alardeado na televisão.
B é muito mais completa atualmente, em vista do po-der da televisão para aumentar o fascínio por lugarescomo Londres e Nova York.
C é mais completa em destinos como as ruas de Paris,onde se misturam antigos cafés e lojas de grife reco-nhecidas internacionalmente.
D esvaziou-se, visto que o esforço para dar aos locaisturísticos a aparência divulgada na mídia priva-osdaquilo que outrora os particularizava.
E melhorou, pois o conhecimento virtual prévio dos lo-cais cria condições para que os turistas estabeleçamcom eles uma forte conexão.
Texto associado
Em relação a aspectos estruturais do texto CB1A1 e às informações por ele veiculadas, julgue os itens subsequentes.

Ao confirmarem a forte dimensão emocional do trabalho de cuidados, os estudos relatados no texto recomendam que esse setor da economia não seja assumido pelo Estado nem seja objeto de mercantilização.

A Certo
B Errado
Texto associado
Em relação a aspectos estruturais do texto CB1A1 e às informações por ele veiculadas, julgue os itens subsequentes.

A profissionalização do trabalho de cuidados nos últimos anos remodelou a essência do conceito de cuidado.

A Certo
B Errado
Texto associado
Em relação a aspectos estruturais do texto CB1A1 e às informações por ele veiculadas, julgue os itens subsequentes.

Os serviços de cuidados fornecidos na América Latina diferenciam-se dos providos em países do hemisfério norte.

A Certo
B Errado
Texto associado
Em relação a aspectos estruturais do texto CB1A1 e às informações por ele veiculadas, julgue os itens subsequentes.

O envelhecimento da população mundial é um dos fatores que explicam a ampliação da presença de mulheres no mercado de trabalho.

A Certo
B Errado
Texto associado
Rejeito as doutrinas do arbítrio; abomino as ditaduras de todo gênero, militares, ou científicas, coroadas, ou populares; detesto os estados de sítio, as suspensões de garantias, as razões de estado, as leis de salvação pública; odeio as combinações hipócritas do absolutismo dissimulado sob as formas democráticas e republicanas; oponho-me aos governos de seitas, aos governos de facção, aos governos de ignorância; e, quando esta se traduz pela abolição geral das grandes instituições docentes, isto é, pela hostilidade radical à inteligência do país nos focos mais altos de sua cultura, a estúpida selvageria dessa fórmula administrativa impressiona-me como o bramir de um oceano de barbaria ameaçando as fronteiras de nossa nacionalidade.

Rui Barbosa. Discursos, Orações e Conferências.
Livraria e Editora Iracema: São Paulo, p. 95-96.

Do trecho "e, quando esta se traduz pela abolição geral das grandes instituições docentes, isto é, pela hostilidade radical à inteligência do país nos focos mais altos de sua cultura, a estúpida selvageria dessa fórmula administrativa impressiona-me como o bramir de um oceano de barbaria ameaçando as fronteiras de nossa nacionalidade", do texto CG1A1-II, infere-se que

A os bárbaros atravessam os oceanos para bramir suas ameaças às fronteiras da nacionalidade.
B a selvageria da fórmula administrativa que hostiliza as instituições docentes é uma barbaridade que ameaça as fronteiras da nacionalidade.
C o bramir do oceano ameaça as fronteiras nacionais tanto quanto a selvageria estúpida das fórmulas administrativas que hostilizam a cultura nacional.
D as instituições docentes são ameaçadas quando a selvageria da fórmula administrativa hostiliza as fronteiras da nacionalidade, admitindo a invasão estrangeira.
E a hostilidade da fórmula administrativa aos focos mais elevados da cultura nacional é uma selvageria que ameaça a inteligência dos docentes do país, tal como a ameaça às fronteiras da nacionalidade.