Atenção : Para responder às questões de números 1 a 7, considere o texto abaixo.
A coletânea de aforismos que constituem os dois volumes de Humano, demasiado humano , considerado o marco inicial do segundo período da produção de Nietzsche, é um ajuste de contas definitivo com as ideias fundamentais do sistema filosófico de Schopenhauer.
Dedicando o livro à memória do filósofo francês Voltaire e escolhendo como epígrafe uma citação de René Descartes, Nietzsche já o insere simbolicamente na tradição da filosofia das Luzes, caracterizada pela confiança no poder emancipatório da ciência, em seu triunfo contra as trevas da ignorância e da superstição. Não por acaso, portanto, a obra tem como subtítulo Um livro para espíritos livres.
Se, para o jovem Nietzsche, era a arte – e não a ciência – o que constituía a atividade metafísica do homem, em Humano, demasiado humano ela é destituída desse privilégio. Fazendo uma referência velada a pressupostos fundamentais da filosofia de Schopenhauer, dos quais partilhara, Nietzsche toma agora o cuidado de se afastar criticamente deles. “Que lugar ainda resta à arte? Antes de tudo, ela ensinou, através de milênios, a olhar com interesse e prazer a vida, em todas as suas formas. Essa doutrina foi implantada em nós; ela vem à luz novamente agora como irresistível necessidade de conhecer. O homem científico é o desenvolvimento do homem artístico”.
Se, para o jovem Nietzsche, o aprofundamento do conhecimento científico conduzia à proliferação de um saber erudito e estéril, que sufocava a vida, para o Nietzsche do período intermediário o conhecimento científico torna livre o espírito.
Pouco mais tarde, Nietzsche aprofundaria seu novo entendimento relativo ao papel da ciência e à oposição entre esta e a arte. Contrapondo-se àqueles que valorizam apenas a imaginação e as obras-primas do disfarce estético, o filósofo afirma: “eles pensam que a realidade é horrível; contudo, não pensam que o conhecimento até da mais horrível realidade é belo, do mesmo modo que aquele que conhece bastante e amiúde está, por fim, muito longe de considerar horrível o grande todo da realidade, cuja descoberta lhe proporciona sempre felicidade. A felicidade do homem do conhecimento aumenta a beleza do mundo”.
(Adaptado de: GIACOIA JUNIOR, Oswaldo. Nietzsche. São Paulo, Publifolha , 2000, p. 42-46)
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... o que constituía a atividade metafísica do homem... (3 o parágrafo)
As regras de concordância estão plenamente respeitadas na frase:
Texto associado
Leia o texto a seguir e responda às questões
de
8 a 10.
“OS DESAFIOS DA VIDA EM SOCIEDADE”.
Crônica do Major Irlando.
O instinto
gregário naturalmente nos
impulsiona
a viver em grupo. Ninguém há que consiga viver tal
qual um ermitão, um eremita, insulado de tudo e de
todos. Afinal, precisamos uns dos outros! Mas…
como viver em grupo sem conflitos?
A
vida em sociedade impõe condutas que vão
desde o respeito ao próximo, até o cumprimento de
todas as regras e normas que nos são apresentadas,
como forma de fruirmos uma convivência pacífica
e harmoniosa. Desta forma, não cabem atitudes
individualistas, egoísticas, as quais apenas
atendem aos anseios próprios. Assim, a vontade
individual jamais poderá se sobrepujar à coletiva.
Infelizmente, nem todos são dotados desse nível
de entendimento e consciência, e disso resultam
os problemas, as intrigas, os conflitos, enfim.
A grande maioria de nós ainda precisa de
polícia, a fim de fiscalizar as nossas atitudes. A
sós, tendemos a infringir, a violar! Obviamente, não
podemos generalizar, mas o nosso nível evolutivo
ainda não está suficientemente avançado de modo
a possibilitar-nos condutas retas, probas e dignas,
em todos os aspectos.
Como o nosso orbe
está sempre apresentando
uma densidade demográfica exorbitante, pois
atualmente já somamos mais de sete bilhões
de seres humanos, urge a necessidade de uma
mudança de atitude comportamental, de todos nós,
a qual nos levará a uma convivência agradável,
minimizando os inúmeros conflitos sociais.
Sócrates (370 a. C.), o eminente filósofo grego,
já nos convidava à viagem interior, através da
qual analisaríamos não os fatores externos que
permeiam nossas vidas, mas a nossa essência
espiritual, possibilitando o descobrimento das
nossas mazelas morais para as trabalharmos,
num eterno processo de burilamento do nosso
caráter, da nossa personalidade. Diante do Oráculo
de Delfos, o referido filósofo se deparou com
uma frase inquietadora: “Homem, conhece-te a ti
mesmo!” Isso nos levaria a essa autoanálise, ao
autodescobrimento para, a partir daí, buscarmos
seguir o valioso ensinamento de Santo Agostinho:
sermos hoje melhores do que fomos ontem, e
amanhã melhores do que estamos sendo hoje!
Sabemos que
qualquer mudança no campo
social se dá a longo prazo, porque envolve hábitos
e costumes, os quais, via de regra, necessitam
de tempo para serem alterados. Contudo, que
possamos encetar os primeiros passos, buscando
fazer a nossa parte, acreditando que estaremos
semeando não para nós, mas, quiçá, para nossos
descendentes, a fim de contribuirmos para um
mundo melhor.
Texto adaptado. Fonte:
http://macaubasonoff.com.br/os-desafios-davida-
em-sociedade-cronica-do-major-irlando/
de
8 a 10.
“OS DESAFIOS DA VIDA EM SOCIEDADE”.
Crônica do Major Irlando.
O instinto
gregário naturalmente nos
impulsiona
a viver em grupo. Ninguém há que consiga viver tal
qual um ermitão, um eremita, insulado de tudo e de
todos. Afinal, precisamos uns dos outros! Mas…
como viver em grupo sem conflitos?
A
vida em sociedade impõe condutas que vão
desde o respeito ao próximo, até o cumprimento de
todas as regras e normas que nos são apresentadas,
como forma de fruirmos uma convivência pacífica
e harmoniosa. Desta forma, não cabem atitudes
individualistas, egoísticas, as quais apenas
atendem aos anseios próprios. Assim, a vontade
individual jamais poderá se sobrepujar à coletiva.
Infelizmente, nem todos são dotados desse nível
de entendimento e consciência, e disso resultam
os problemas, as intrigas, os conflitos, enfim.
A grande maioria de nós ainda precisa de
polícia, a fim de fiscalizar as nossas atitudes. A
sós, tendemos a infringir, a violar! Obviamente, não
podemos generalizar, mas o nosso nível evolutivo
ainda não está suficientemente avançado de modo
a possibilitar-nos condutas retas, probas e dignas,
em todos os aspectos.
Como o nosso orbe
está sempre apresentando
uma densidade demográfica exorbitante, pois
atualmente já somamos mais de sete bilhões
de seres humanos, urge a necessidade de uma
mudança de atitude comportamental, de todos nós,
a qual nos levará a uma convivência agradável,
minimizando os inúmeros conflitos sociais.
Sócrates (370 a. C.), o eminente filósofo grego,
já nos convidava à viagem interior, através da
qual analisaríamos não os fatores externos que
permeiam nossas vidas, mas a nossa essência
espiritual, possibilitando o descobrimento das
nossas mazelas morais para as trabalharmos,
num eterno processo de burilamento do nosso
caráter, da nossa personalidade. Diante do Oráculo
de Delfos, o referido filósofo se deparou com
uma frase inquietadora: “Homem, conhece-te a ti
mesmo!” Isso nos levaria a essa autoanálise, ao
autodescobrimento para, a partir daí, buscarmos
seguir o valioso ensinamento de Santo Agostinho:
sermos hoje melhores do que fomos ontem, e
amanhã melhores do que estamos sendo hoje!
Sabemos que
qualquer mudança no campo
social se dá a longo prazo, porque envolve hábitos
e costumes, os quais, via de regra, necessitam
de tempo para serem alterados. Contudo, que
possamos encetar os primeiros passos, buscando
fazer a nossa parte, acreditando que estaremos
semeando não para nós, mas, quiçá, para nossos
descendentes, a fim de contribuirmos para um
mundo melhor.
Texto adaptado. Fonte:
http://macaubasonoff.com.br/os-desafios-davida-
em-sociedade-cronica-do-major-irlando/
Assinale a alternativa cuja estrutura sintática
aceita outra concordância verbal.
Texto associado
Acerca dos sentidos e de aspectos linguísticos do texto, julgue os
itens que se seguem.
itens que se seguem.
A forma verbal “acreditava” (l.3) está flexionada no singular
para concordar com a palavra “parte” (l.2), mas poderia ser
substituída sem prejuízo à correção gramatical pela forma
verbal acreditavam, que estabeleceria concordância com o
termo composto “dos médicos e da população” (l.2).
Texto associado
Para responder às questões de 1 a 5 , leia o texto abaixo.
Campanha contra tabagismo no AM conscientiza sobre riscos à saúde
A Campanha Municipal Sem Tabaco tem como objetivo sensibilizar e mobilizar a população sobre os riscos à saúde decorrentes do uso do tabaco. Além de ações de orientações, está prevista a inauguração de mais um Ambulatório de Tratamento e Controle do Tabagismo na capital.
A Gerência de Promoção da Saúde da Secretaria de Saúde de Manaus (Semsa) desenvolverá várias ações nos ambulatórios da rede de saúde do município, promovendo o início do tratamento ao fumante e atividades de conscientização a serem desenvolvidas por especialistas e técnicos em diferentes locais da cidade.
Nas atividades programadas estão previstas a realização de palestras, apresentações de vídeos, avaliação do dióxido de carbono, Teste de Fagerstron, rodas de conversa para gestantes, puérperas e nutrizes fumantes, além da entrega de material informativo e inscrição no Programa Municipal de Controle do Tabaco para usuários que desejam parar de fumar.
Segundo o secretário municipal de Saúde, Homero de Miranda Leão Neto, o tratamento aos fumantes é oferecido gratuitamente pela rede municipal de saúde, por meio dos 19 ambulatórios. “Eles foram implantados nas Unidades Básicas de Saúde da Semsa e contam com equipes multidisciplinares compostas de psicólogos, nutricionistas, assistentes sociais, médicos, enfermeiros e fisioterapeutas”, destacou.
A Gerência de Promoção à Saúde da Semsa, anunciou que, dentre as atividades programadas na Campanha Municipal Sem Tabaco 2016, está prevista a inauguração, com data a ser confirmada, de mais um Ambulatório de Tratamento e Controle do Tabagismo, desta vez na Policlínica Anna Barreto Pereira.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera o tabagismo a principal causa de morte evitável. O hábito de fumar mata mais de seis milhões de pessoas por ano em todo o mundo. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, o número de fumantes com mais de 18 anos alcança 11,3% da população total.
São mais de 40 doenças relacionadas ao tabagismo, que diminuem o tempo de vida dos homens em dez anos e o das mulheres em 14 anos.
(www.g1.globo.com)
Campanha contra tabagismo no AM conscientiza sobre riscos à saúde
A Campanha Municipal Sem Tabaco tem como objetivo sensibilizar e mobilizar a população sobre os riscos à saúde decorrentes do uso do tabaco. Além de ações de orientações, está prevista a inauguração de mais um Ambulatório de Tratamento e Controle do Tabagismo na capital.
A Gerência de Promoção da Saúde da Secretaria de Saúde de Manaus (Semsa) desenvolverá várias ações nos ambulatórios da rede de saúde do município, promovendo o início do tratamento ao fumante e atividades de conscientização a serem desenvolvidas por especialistas e técnicos em diferentes locais da cidade.
Nas atividades programadas estão previstas a realização de palestras, apresentações de vídeos, avaliação do dióxido de carbono, Teste de Fagerstron, rodas de conversa para gestantes, puérperas e nutrizes fumantes, além da entrega de material informativo e inscrição no Programa Municipal de Controle do Tabaco para usuários que desejam parar de fumar.
Segundo o secretário municipal de Saúde, Homero de Miranda Leão Neto, o tratamento aos fumantes é oferecido gratuitamente pela rede municipal de saúde, por meio dos 19 ambulatórios. “Eles foram implantados nas Unidades Básicas de Saúde da Semsa e contam com equipes multidisciplinares compostas de psicólogos, nutricionistas, assistentes sociais, médicos, enfermeiros e fisioterapeutas”, destacou.
A Gerência de Promoção à Saúde da Semsa, anunciou que, dentre as atividades programadas na Campanha Municipal Sem Tabaco 2016, está prevista a inauguração, com data a ser confirmada, de mais um Ambulatório de Tratamento e Controle do Tabagismo, desta vez na Policlínica Anna Barreto Pereira.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera o tabagismo a principal causa de morte evitável. O hábito de fumar mata mais de seis milhões de pessoas por ano em todo o mundo. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, o número de fumantes com mais de 18 anos alcança 11,3% da população total.
São mais de 40 doenças relacionadas ao tabagismo, que diminuem o tempo de vida dos homens em dez anos e o das mulheres em 14 anos.
(www.g1.globo.com)
Em “o hábito de fumar mata mais de seis milhões de pessoas por ano em todo o mundo”:
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 1 a 11, leia o texto abaixo.
Nasci na Rua Faro, a poucos metros do Bar Joia, e, muito antes de ir morar no Leblon, o Jardim Botânico foi meu quintal. Era ali, por suas aleias de areia cor de creme, que eu caminhava todas as manhãs de mãos dadas com minha avó. Entrávamos pelo portão principal e seguíamos primeiro pela aleia imponente que vai dar no chafariz. Depois, íamos passear à beira do lago, ver as vitórias-régias, subir as escadarias de pedra, observar o relógio de sol. Mas íamos, sobretudo, catar mulungu.
Mulungu é uma semente vermelha com a pontinha preta, bem pequena, menor do que um grão de ervilha. Tem a casca lisa, encerada, e em contraste com a pontinha preta seu vermelho é um vermelho vivo, tão vivo que parece quase estranho à natureza. É bonita. Era um verdadeiro prêmio conseguir encontrar um mulungu em meio à vegetação, descobrir de repente a casca vermelha e viva cintilando por entre as lâminas de grama ou no seio úmido de uma bromélia. Lembro bem com que alegria eu me abaixava e estendia a mão para tocar o pequeno grão, que por causa da ponta preta tinha uma aparência que a mim lembrava vagamente um olho.
Disse isso à minha avó e ela riu, comentando que eu era como meu pai, sempre prestava atenção nos detalhes das coisas. Acho que já nessa época eu olhava em torno com olhos mínimos. Mas a grandeza das manhãs se media pela quantidade de mulungus que me restava na palma da mão na hora de ir para casa. Conseguia às vezes juntar um punhado, outras vezes apenas dois ou três. E é curioso que nunca tenha sabido ao certo de onde eles vinham, de que árvore ou arbusto caíam aquelas sementes vermelhas. Apenas sabíamos que surgiam no chão ou por entre as folhas e sempre numa determinada região do Jardim Botânico.
Mas eu jamais seria capaz de reconhecer uma árvore de mulungu. Um dia, procurei no dicionário e descobri que mulungu é o mesmo que corticeira e que também é conhecido pelo nome de flor-de-coral. ''Árvore regular, ornamental, da família das leguminosas, originária da Amazônia e de Mato Grosso, de flores vermelhas, dispostas em racimos multifloros, sendo as sementes do fruto do tamanho de um feijão (mentira!), e vermelhas com mácula preta (isto, sim)'', dizia.
Mas há ainda um outro detalhe estranho – é que não me lembro de jamais ter visto uma dessas sementes lá em casa. De algum modo, depois de catadas elas desapareciam e hoje me pergunto se não era minha avó que as guardava e tornava a despejá-las nas folhagens todas as manhãs, sempre que não estávamos olhando, só para que tivéssemos o prazer de encontrá-las. O fato é que não me sobrou nenhuma e elas ganharam, talvez por isso, uma aura de magia, uma natureza impalpável. Dos mulungus, só me ficou a memória − essa memória mínima.
(Adaptado de: SEIXAS, Heloísa. Semente da Memória . Disponível em: http://heloisaseixas.com.br)
Nasci na Rua Faro, a poucos metros do Bar Joia, e, muito antes de ir morar no Leblon, o Jardim Botânico foi meu quintal. Era ali, por suas aleias de areia cor de creme, que eu caminhava todas as manhãs de mãos dadas com minha avó. Entrávamos pelo portão principal e seguíamos primeiro pela aleia imponente que vai dar no chafariz. Depois, íamos passear à beira do lago, ver as vitórias-régias, subir as escadarias de pedra, observar o relógio de sol. Mas íamos, sobretudo, catar mulungu.
Mulungu é uma semente vermelha com a pontinha preta, bem pequena, menor do que um grão de ervilha. Tem a casca lisa, encerada, e em contraste com a pontinha preta seu vermelho é um vermelho vivo, tão vivo que parece quase estranho à natureza. É bonita. Era um verdadeiro prêmio conseguir encontrar um mulungu em meio à vegetação, descobrir de repente a casca vermelha e viva cintilando por entre as lâminas de grama ou no seio úmido de uma bromélia. Lembro bem com que alegria eu me abaixava e estendia a mão para tocar o pequeno grão, que por causa da ponta preta tinha uma aparência que a mim lembrava vagamente um olho.
Disse isso à minha avó e ela riu, comentando que eu era como meu pai, sempre prestava atenção nos detalhes das coisas. Acho que já nessa época eu olhava em torno com olhos mínimos. Mas a grandeza das manhãs se media pela quantidade de mulungus que me restava na palma da mão na hora de ir para casa. Conseguia às vezes juntar um punhado, outras vezes apenas dois ou três. E é curioso que nunca tenha sabido ao certo de onde eles vinham, de que árvore ou arbusto caíam aquelas sementes vermelhas. Apenas sabíamos que surgiam no chão ou por entre as folhas e sempre numa determinada região do Jardim Botânico.
Mas eu jamais seria capaz de reconhecer uma árvore de mulungu. Um dia, procurei no dicionário e descobri que mulungu é o mesmo que corticeira e que também é conhecido pelo nome de flor-de-coral. ''Árvore regular, ornamental, da família das leguminosas, originária da Amazônia e de Mato Grosso, de flores vermelhas, dispostas em racimos multifloros, sendo as sementes do fruto do tamanho de um feijão (mentira!), e vermelhas com mácula preta (isto, sim)'', dizia.
Mas há ainda um outro detalhe estranho – é que não me lembro de jamais ter visto uma dessas sementes lá em casa. De algum modo, depois de catadas elas desapareciam e hoje me pergunto se não era minha avó que as guardava e tornava a despejá-las nas folhagens todas as manhãs, sempre que não estávamos olhando, só para que tivéssemos o prazer de encontrá-las. O fato é que não me sobrou nenhuma e elas ganharam, talvez por isso, uma aura de magia, uma natureza impalpável. Dos mulungus, só me ficou a memória − essa memória mínima.
(Adaptado de: SEIXAS, Heloísa. Semente da Memória . Disponível em: http://heloisaseixas.com.br)
Atribuindo-se sentido hipotético para o segmento E é curioso que nunca tenha sabido ao certo de onde eles vinham... (3° parágrafo), os verbos devem assumir as seguintes formas:
As exigências quanto à concordância verbal estão plenamente atendidas na frase:
Texto associado
Atenção : Leia o texto abaixo para responder às questões de números 6 a 9.
O conceito de infância, como o conhecemos, consolidou-se no Ocidente a partir do século XVIII. Até o século XVI, pelo menos, assim que conseguissem se virar sem as mães ou as amas, as crianças eram integradas ao mundo dos adultos. A infância, como idade da brincadeira e da formação escolar, ao mesmo tempo com direito à proteção dos pais e depois à do Estado, é algo relativamente novo.
A infância não é um conceito determinado apenas pela biologia. Como tudo, é também um fenômeno histórico implicado nas transformações econômicas e sociais do mundo, em permanente mudança e construção. Hoje há algo novo nesse cenário. Vivemos a era dos adultos infantilizados. Não é por acaso que proliferaram os coaches. Coach, em inglês, significa treinador. Originalmente, treinador de esportistas. Nesse conceito importado dos Estados Unidos, país que transformou a infância numa bilionária indústria de consumo, a ideia é a de que, embora estejamos na idade adulta, não sabemos lidar com a vida sozinhos. Precisamos de um treinador que nos ajude a comer, conseguir amigos e emprego, lidar com conflitos matrimoniais e profissionais, arrumar as finanças e até mesmo organizar os armários. Uma espécie de infância permanente do indivíduo.
Os adultos infantilizados desse início de milênio encarnam a geração do “eu mereço”. Alcançar sonhos, ideais ou mesmo objetivos parece ser compreendido como uma consequência natural do próprio existir, de preferência imediata. Quando essa crença fracassa, é hora de buscar o treinador de felicidade, o treinador de saúde. É estarrecedor verificar como as gerações que estão aí parecem não perceber que dá trabalho conquistar o que se deseja. E, mesmo que se esforcem muito, haverá sempre o que não foi possível alcançar.
(Adaptado de: BRUM, ELIANE. Disponível em: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca)
O conceito de infância, como o conhecemos, consolidou-se no Ocidente a partir do século XVIII. Até o século XVI, pelo menos, assim que conseguissem se virar sem as mães ou as amas, as crianças eram integradas ao mundo dos adultos. A infância, como idade da brincadeira e da formação escolar, ao mesmo tempo com direito à proteção dos pais e depois à do Estado, é algo relativamente novo.
A infância não é um conceito determinado apenas pela biologia. Como tudo, é também um fenômeno histórico implicado nas transformações econômicas e sociais do mundo, em permanente mudança e construção. Hoje há algo novo nesse cenário. Vivemos a era dos adultos infantilizados. Não é por acaso que proliferaram os coaches. Coach, em inglês, significa treinador. Originalmente, treinador de esportistas. Nesse conceito importado dos Estados Unidos, país que transformou a infância numa bilionária indústria de consumo, a ideia é a de que, embora estejamos na idade adulta, não sabemos lidar com a vida sozinhos. Precisamos de um treinador que nos ajude a comer, conseguir amigos e emprego, lidar com conflitos matrimoniais e profissionais, arrumar as finanças e até mesmo organizar os armários. Uma espécie de infância permanente do indivíduo.
Os adultos infantilizados desse início de milênio encarnam a geração do “eu mereço”. Alcançar sonhos, ideais ou mesmo objetivos parece ser compreendido como uma consequência natural do próprio existir, de preferência imediata. Quando essa crença fracassa, é hora de buscar o treinador de felicidade, o treinador de saúde. É estarrecedor verificar como as gerações que estão aí parecem não perceber que dá trabalho conquistar o que se deseja. E, mesmo que se esforcem muito, haverá sempre o que não foi possível alcançar.
(Adaptado de: BRUM, ELIANE. Disponível em: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca)
Precisamos de um treinador que nos ajude a comer...
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o sublinhado acima está também sublinhado em:
A concordância da palavra destacada foi realizada de
acordo com as exigências da norma-padrão da língua
portuguesa em:
Texto associado
Texto III
Quando eu for bem velhinho — continuação 2
O tempo do carnaval era obrigatório. A despeito
de todas as mudanças, ele continua sendo a pausa
que dá sentido e razão ao tempo como uma majes-
tade humana. Este imperador sem rivais que diz que
5 passa quando, de fato, quem passa somos nós.
Uma lenda escandinava, traduzida à luz da
análise pelo sábio das línguas e costumes euro-
-europeus Georges Dumézil, conta a história de um
camponês que, sem querer, libertou o diabo de um
10 caixote que ele transportava para um padre na sua
carroça. Livre e solto, o diabo — que está sempre
fazendo alguma coisa — começou a surrar o seu
involuntário libertador, perguntando ansiosamente:
“O que devo fazer?” O camponês mandou que ele
15 construísse uma ponte de pedra e, em instantes, ela
ficou pronta. E logo o diabo perguntou novamente:
“O que devo fazer?” O camponês mandou que o
diabo juntasse todos os excrementos de cavalo do
reino da Dinamarca e, num instante, a tarefa estava
20 cumprida. Aterrorizado porque ia apanhar novamen-
te, o camponês teve a feliz ideia de mandar que o
diabo recuperasse o tempo. Sabendo que o tempo
era precioso, o diabo saiu em sua busca, mas não
conseguia alcançá-lo. Trouxe dele pedaços, mas
25 não o tempo inteiro como ordenara o camponês.
Não tendo observado a tarefa, o diabo voltou para
a caixa.
O tempo como potência impossível de ser apa-
nhada foi brilhantemente descrito por Frei Antônio
30 das Chagas num poema escrito nos mil seiscentos
e tanto:
Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou do meu tempo dar-lhe conta.
Mas como dar, sem tempo, tanta conta
35 ___ Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?
Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado e não fiz conta,
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero acertar conta, e não há tempo.
_
40 ___ Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta!
_
Pois aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar de prestar conta,
45 ___ Chorarão, como eu, o não ter tempo...
Afinal, somos nós que brincamos o carnaval ou
é o carnaval que brinca conosco o tempo todo?
DAMATTA, R. O Globo, Rio de Janeiro, 10 fev. 2016. Primeiro
Caderno, p. 13. Adaptado.
Quando eu for bem velhinho — continuação 2
O tempo do carnaval era obrigatório. A despeito
de todas as mudanças, ele continua sendo a pausa
que dá sentido e razão ao tempo como uma majes-
tade humana. Este imperador sem rivais que diz que
5 passa quando, de fato, quem passa somos nós.
Uma lenda escandinava, traduzida à luz da
análise pelo sábio das línguas e costumes euro-
-europeus Georges Dumézil, conta a história de um
camponês que, sem querer, libertou o diabo de um
10 caixote que ele transportava para um padre na sua
carroça. Livre e solto, o diabo — que está sempre
fazendo alguma coisa — começou a surrar o seu
involuntário libertador, perguntando ansiosamente:
“O que devo fazer?” O camponês mandou que ele
15 construísse uma ponte de pedra e, em instantes, ela
ficou pronta. E logo o diabo perguntou novamente:
“O que devo fazer?” O camponês mandou que o
diabo juntasse todos os excrementos de cavalo do
reino da Dinamarca e, num instante, a tarefa estava
20 cumprida. Aterrorizado porque ia apanhar novamen-
te, o camponês teve a feliz ideia de mandar que o
diabo recuperasse o tempo. Sabendo que o tempo
era precioso, o diabo saiu em sua busca, mas não
conseguia alcançá-lo. Trouxe dele pedaços, mas
25 não o tempo inteiro como ordenara o camponês.
Não tendo observado a tarefa, o diabo voltou para
a caixa.
O tempo como potência impossível de ser apa-
nhada foi brilhantemente descrito por Frei Antônio
30 das Chagas num poema escrito nos mil seiscentos
e tanto:
Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou do meu tempo dar-lhe conta.
Mas como dar, sem tempo, tanta conta
35 ___ Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?
Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado e não fiz conta,
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero acertar conta, e não há tempo.
_
40 ___ Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta!
_
Pois aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar de prestar conta,
45 ___ Chorarão, como eu, o não ter tempo...
Afinal, somos nós que brincamos o carnaval ou
é o carnaval que brinca conosco o tempo todo?
DAMATTA, R. O Globo, Rio de Janeiro, 10 fev. 2016. Primeiro
Caderno, p. 13. Adaptado.