Com esta frota partimos pelo rio Tocantins, aproveitando-nos da enchente da maré, que só até aqui nos acompanhou, prometendo-nos muita felicidade na jornada. (...) À meia noite fizemos pabóca, que é a frase com que cá se chama o partir, corrompendo a palavra da terra, e nos dias seguintes passamos às praias da viração. Parecerá que se chamam assim por correr nelas vento fresco; mas a razão por que os portugueses lhe deram este nome é a que direi a V. Rev.ma. Nos meses de outubro e novembro, saem do mar e do rio do Pará grande quantidade de tartarugas, que vêm criar nos areais de algumas ilhas que pelo meio deste Tocantins estão lançadas. (...) A estas mesmas praias vem, no seu tempo, quase todo o Pará a fazer a pesca das tartarugas. (...) A carne é como a de carneiro, e se fazem dela os mesmos guisados, que mais parecem de carne que de pescado. Os ovos são como os de galinha na cor, e quase no sabor, a casca, mais branca, e de figura diferente, porque são redondos (...); e o modo como se faz esta pesca requer mais notícia que indústria, pela muita cautela e pouca resistência das tartarugas. Quando vêm a desembarcar nestas praias, trazem diante duas, como sentinelas, que vêm a espiar com muita pausa; logo depois destas, com bom espaço vêm oito ou dez, como descobridores do campo, e depois delas, em maior distância, vem todo o exército das tartarugas, que consta de muito milhares. Se as primeiras e as segundas sentem algum rumor, voltam para trás, e todas se somem num momento: por isso os que vêm à pesca se escondem todos atrás dos matos e esperam de emboscada com grande quietação e silêncio. Saem, pois, as duas primeiras espias, passeiam de alto a baixo toda a praia, e como estas acham o campo livre, saem também as da vanguarda, e fazem muito devagar a mesma vigia e, como dão a campanha por segura, entram à água e voltam, e depois dela sai toda a multidão do exército com os escudos às costas, e começam a cobrir as praias e correr em grande tropel para o mais alto delas. Aplica-se cada uma a fazer sua cova, e, quando já não saem mais e estão entretidas umas no trabalho, outras já na dor daquela ocupação, rebentam então os pescadores da emboscada, tomam a parte da praia e, remetendo as tartarugas, não fazem mais que ir virando e deixando, porque em estando viradas de costas não se podem mais bulir, e por isso estas praias e estas tartarugas se chamam de viração (...).
Antônio Vieira. Cartas. V. 1, São Paulo: Globo, p. 277-279.
A respeito do texto precedente e de seus aspectos linguísticos e literários, julgue os itens a seguir.
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Texto associado
Ao reconhecer aos povos indígenas o direito às terras que habitam, a Constituição Federal de 1988 favoreceu processos de demarcação de territórios, que continuam a ser feitos até hoje. Em todas as regiões do Brasil, as reivindicações geraram uma profusão de relatórios, laudos e pareceres, produzidos por grupos técnicos, que realizam os estudos etno-históricos, antropológicos, ambientais e cartográficos exigidos pela legislação. Em cada uma dessas iniciativas, consta um elemento em comum: os mapas. Há representações oficiais, feitas no período colonial, no Império e na República. Há desenhos feitos à mão pelos moradores ou produzidos com a ajuda de sistemas de navegação por satélite, como o GPS, e aplicativos. Por conseguinte, a cartografia vem ganhando importância na área da antropologia, em contextos como a formação de professores indígenas, a demarcação e a gestão ambiental de suas terras, a produção de laudos para a regularização fundiária.
Nas demarcações, tem sido fundamental a cartografia histórica, sobretudo para a análise de mapas produzidos na segunda metade do século XVIII, após a assinatura do Tratado de Madrid, que delimitou os territórios pertencentes a Portugal e Espanha na América do Sul, em 1750, afirma a historiadora Íris Kantor. "Nesse período, os mapas foram confeccionados por expedições militares e científicas que visavam urbanizar os indígenas, além de terem facilitado a construção de fortalezas, a instalação de registros fiscais e o reconhecimento das vias de comunicação terrestres e fluviais. Hoje, a disponibilização da cartografia digital em alta resolução e a catalogação dos espécimes cartográficos permitem fazer um uso 'contracolonial' desses suportes de informação geográfica bidimensionais", afirma. Além disso, o uso dos mapas históricos exige conhecimentos variados. Eles são classificados segundo critérios como o suporte material, a linguagem gráfica e o público destinatário. Na elaboração dos laudos técnicos, a presença ou ausência de topônimos nos mapas possibilita a reconstituição das sucessivas formas de ocupação de uma área geográfica, considerando-se ainda as famílias de mapas da região. Esse método requer o conhecimento da história das línguas indígenas e suas interações com as línguas dos colonizadores.
Diego Viana. Quando o mapa é o território.
In: Pesquisa FAPESP, maio 2023, ano 24, n. 327, p. 74-79 (com adaptações).
Em relação às ideias e a aspectos linguísticos e textuais do texto precedente, julgue os itens seguintes.
Nas demarcações, tem sido fundamental a cartografia histórica, sobretudo para a análise de mapas produzidos na segunda metade do século XVIII, após a assinatura do Tratado de Madrid, que delimitou os territórios pertencentes a Portugal e Espanha na América do Sul, em 1750, afirma a historiadora Íris Kantor. "Nesse período, os mapas foram confeccionados por expedições militares e científicas que visavam urbanizar os indígenas, além de terem facilitado a construção de fortalezas, a instalação de registros fiscais e o reconhecimento das vias de comunicação terrestres e fluviais. Hoje, a disponibilização da cartografia digital em alta resolução e a catalogação dos espécimes cartográficos permitem fazer um uso 'contracolonial' desses suportes de informação geográfica bidimensionais", afirma. Além disso, o uso dos mapas históricos exige conhecimentos variados. Eles são classificados segundo critérios como o suporte material, a linguagem gráfica e o público destinatário. Na elaboração dos laudos técnicos, a presença ou ausência de topônimos nos mapas possibilita a reconstituição das sucessivas formas de ocupação de uma área geográfica, considerando-se ainda as famílias de mapas da região. Esse método requer o conhecimento da história das línguas indígenas e suas interações com as línguas dos colonizadores.
Diego Viana. Quando o mapa é o território.
In: Pesquisa FAPESP, maio 2023, ano 24, n. 327, p. 74-79 (com adaptações).
Em relação às ideias e a aspectos linguísticos e textuais do texto precedente, julgue os itens seguintes.
A concordância verbal na primeira oração do penúltimo período do texto se justifica pelo fato de o sujeito estar estruturado por coordenação alternativa.
Texto associado
Esporte ajuda a formar jovens mais seguros e preparados para o futuro
Por Fernanda Bertin Quinta
Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2024, 8,7 milhões de jovens entre 14 e 29 anos não completaram o Ensino Médio por terem abandonado a escola ou nunca a terem frequentado. Ainda, o órgão aponta que cerca de 84% dos jovens no país são inativos fisicamente. Esse cenário acende um alerta sobre temas como ______ escolar, insegurança emocional e exposição a comportamentos de risco.
Mesmo em meio a tantos desafios, o esporte surge como uma ferramenta acessível e eficiente para fortalecer crianças e adolescentes. Mais do que movimentar o corpo, ele ajuda a criar vínculos, organizar a rotina e desenvolver habilidades ____________. O esporte ensina disciplina, foco, tomada de decisão e convivência coletiva — pilares essenciais na formação de jovens.
Mario Sérgio Andrade Silva, consultor da AES Impulso, explica que a prática vai além da competição: “O esporte desperta ____________ e ensina virtudes para a vida, como respeito e resiliência. Os jovens aprendem a lidar com frustrações e a superar obstáculos internos e externos”.
Benefícios comprovados para famílias e jovens
O relatório “The generational ROI of youth sports” da First Tee e da Harris Poll, com pesquisa realizada com responsáveis por crianças e adolescentes, aponta que:
• 92% ............. que o esporte ajuda a desenvolver ________;
• 90% ............. que ele ensina habilidades para a vida;
• 88% ............. a prática esportiva no orçamento familiar, mesmo em momentos desafiadores;
• Mais de 90% dos pais de adultos reconhecem impactos positivos anos depois da infância.
Esses dados reforçam a ideia de que a atividade física regular contribui para o bem-estar emocional, melhora a autoestima e cria hábitos que acompanham o jovem até a vida adulta.
Por Fernanda Bertin Quinta
Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2024, 8,7 milhões de jovens entre 14 e 29 anos não completaram o Ensino Médio por terem abandonado a escola ou nunca a terem frequentado. Ainda, o órgão aponta que cerca de 84% dos jovens no país são inativos fisicamente. Esse cenário acende um alerta sobre temas como ______ escolar, insegurança emocional e exposição a comportamentos de risco.
Mesmo em meio a tantos desafios, o esporte surge como uma ferramenta acessível e eficiente para fortalecer crianças e adolescentes. Mais do que movimentar o corpo, ele ajuda a criar vínculos, organizar a rotina e desenvolver habilidades ____________. O esporte ensina disciplina, foco, tomada de decisão e convivência coletiva — pilares essenciais na formação de jovens.
Mario Sérgio Andrade Silva, consultor da AES Impulso, explica que a prática vai além da competição: “O esporte desperta ____________ e ensina virtudes para a vida, como respeito e resiliência. Os jovens aprendem a lidar com frustrações e a superar obstáculos internos e externos”.
Benefícios comprovados para famílias e jovens
O relatório “The generational ROI of youth sports” da First Tee e da Harris Poll, com pesquisa realizada com responsáveis por crianças e adolescentes, aponta que:
• 92% ............. que o esporte ajuda a desenvolver ________;
• 90% ............. que ele ensina habilidades para a vida;
• 88% ............. a prática esportiva no orçamento familiar, mesmo em momentos desafiadores;
• Mais de 90% dos pais de adultos reconhecem impactos positivos anos depois da infância.
Esses dados reforçam a ideia de que a atividade física regular contribui para o bem-estar emocional, melhora a autoestima e cria hábitos que acompanham o jovem até a vida adulta.
Sobre o completamento das lacunas pontilhadas do fragmento de texto abaixo pelos verbos “acreditar”, “afirmar” e “manter”, respectivamente, analise as assertivas abaixo:
• 92% ............. que o esporte ajuda a desenvolver ________;
• 90% ............. que ele ensina habilidades para a vida;
• 88% ............. a prática esportiva no orçamento familiar, mesmo em momentos desafiadores;
I. Devido à ocorrência de sujeito representado por porcentagem, os verbos devem ser flexionados na 3ª pessoa do plural.
II. Apenas o verbo “manter”, ao ser flexionado, deverá receber acento circunflexo.
III. Os três verbos, considerando o contexto, devem ser flexionados na 3ª pessoa do plural do pretérito imperfeito do subjuntivo.
Quais estão corretas?
Texto associado
Esporte ajuda a formar jovens mais seguros e preparados para o futuro
Por Fernanda Bertin Quinta
Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2024, 8,7 milhões de jovens entre 14 e 29 anos não completaram o Ensino Médio por terem abandonado a escola ou nunca a terem frequentado. Ainda, o órgão aponta que cerca de 84% dos jovens no país são inativos fisicamente. Esse cenário acende um alerta sobre temas como ______ escolar, insegurança emocional e exposição a comportamentos de risco.
Mesmo em meio a tantos desafios, o esporte surge como uma ferramenta acessível e eficiente para fortalecer crianças e adolescentes. Mais do que movimentar o corpo, ele ajuda a criar vínculos, organizar a rotina e desenvolver habilidades ____________. O esporte ensina disciplina, foco, tomada de decisão e convivência coletiva — pilares essenciais na formação de jovens.
Mario Sérgio Andrade Silva, consultor da AES Impulso, explica que a prática vai além da competição: “O esporte desperta ____________ e ensina virtudes para a vida, como respeito e resiliência. Os jovens aprendem a lidar com frustrações e a superar obstáculos internos e externos”.
Benefícios comprovados para famílias e jovens
O relatório “The generational ROI of youth sports” da First Tee e da Harris Poll, com pesquisa realizada com responsáveis por crianças e adolescentes, aponta que:
• 92% ............. que o esporte ajuda a desenvolver ________;
• 90% ............. que ele ensina habilidades para a vida;
• 88% ............. a prática esportiva no orçamento familiar, mesmo em momentos desafiadores;
• Mais de 90% dos pais de adultos reconhecem impactos positivos anos depois da infância.
Esses dados reforçam a ideia de que a atividade física regular contribui para o bem-estar emocional, melhora a autoestima e cria hábitos que acompanham o jovem até a vida adulta.
Por Fernanda Bertin Quinta
Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2024, 8,7 milhões de jovens entre 14 e 29 anos não completaram o Ensino Médio por terem abandonado a escola ou nunca a terem frequentado. Ainda, o órgão aponta que cerca de 84% dos jovens no país são inativos fisicamente. Esse cenário acende um alerta sobre temas como ______ escolar, insegurança emocional e exposição a comportamentos de risco.
Mesmo em meio a tantos desafios, o esporte surge como uma ferramenta acessível e eficiente para fortalecer crianças e adolescentes. Mais do que movimentar o corpo, ele ajuda a criar vínculos, organizar a rotina e desenvolver habilidades ____________. O esporte ensina disciplina, foco, tomada de decisão e convivência coletiva — pilares essenciais na formação de jovens.
Mario Sérgio Andrade Silva, consultor da AES Impulso, explica que a prática vai além da competição: “O esporte desperta ____________ e ensina virtudes para a vida, como respeito e resiliência. Os jovens aprendem a lidar com frustrações e a superar obstáculos internos e externos”.
Benefícios comprovados para famílias e jovens
O relatório “The generational ROI of youth sports” da First Tee e da Harris Poll, com pesquisa realizada com responsáveis por crianças e adolescentes, aponta que:
• 92% ............. que o esporte ajuda a desenvolver ________;
• 90% ............. que ele ensina habilidades para a vida;
• 88% ............. a prática esportiva no orçamento familiar, mesmo em momentos desafiadores;
• Mais de 90% dos pais de adultos reconhecem impactos positivos anos depois da infância.
Esses dados reforçam a ideia de que a atividade física regular contribui para o bem-estar emocional, melhora a autoestima e cria hábitos que acompanham o jovem até a vida adulta.
Sobre o completamento das lacunas pontilhadas do fragmento de texto abaixo pelos verbos “acreditar”, “afirmar” e “manter”, respectivamente, analise as assertivas abaixo:
• 92% ............. que o esporte ajuda a desenvolver ________;
• 90% ............. que ele ensina habilidades para a vida;
• 88% ............. a prática esportiva no orçamento familiar, mesmo em momentos desafiadores;
I. Devido à ocorrência de sujeito representado por porcentagem, os verbos devem ser flexionados na 3ª pessoa do plural.
II. Apenas o verbo “manter”, ao ser flexionado, deverá receber acento circunflexo.
III. Os três verbos, considerando o contexto, devem ser flexionados na 3ª pessoa do plural do pretérito imperfeito do subjuntivo.
Quais estão corretas?
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 1 a 5, baseie-se no texto seguinte.
[Permanência dos dramas humanos]
Cerca de dois mil e quinhentos anos atrás, eram escritos na Grécia poemas muito belos. Hoje, eles não são mais lidos, a não ser pelos especialistas nesse estudo, o que é uma grande pena. Pois esses velhos poemas são de tal forma humanos que ainda estão muito próximos de nós, e podem interessar a muita gente.
Seriam até muito mais comoventes para o comum dos homens, ou seja, para aqueles que sabem o que é lutar e sofrer, muito mais do que para os que passaram a vida entre as quatro paredes de uma escola.
Sófocles é um dos maiores dentre esses velhos poetas. Escreveu peças de teatro, dramas e comédias; só ficaram alguns dos seus dramas, vez ou outra encenados nos palcos de teatro. Em cada um deles a personagem principal é uma pessoa corajosa e orgulhosa que luta sozinha contra uma situação intoleravelmente dolorosa; ela se curva sob o peso da injustiça; há momentos em que a coragem desfalece; mas ela resiste e não se deixa nunca degradar pela infelicidade. Assim, esses dramas, embora dolorosos, nunca deixam uma impressão de tristeza. O que fica é antes uma impressão de serenidade. Está visto que o legado essencial desses dramas é reforçar no homem o combate sem rendição contra o que o atormenta, ainda quando seja essa uma luta contra forças muito maiores do que as dele.
(Adaptado de: WEIL, Simone. Outros estudos sobre a opressão. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979, p. 313)
[Permanência dos dramas humanos]
Cerca de dois mil e quinhentos anos atrás, eram escritos na Grécia poemas muito belos. Hoje, eles não são mais lidos, a não ser pelos especialistas nesse estudo, o que é uma grande pena. Pois esses velhos poemas são de tal forma humanos que ainda estão muito próximos de nós, e podem interessar a muita gente.
Seriam até muito mais comoventes para o comum dos homens, ou seja, para aqueles que sabem o que é lutar e sofrer, muito mais do que para os que passaram a vida entre as quatro paredes de uma escola.
Sófocles é um dos maiores dentre esses velhos poetas. Escreveu peças de teatro, dramas e comédias; só ficaram alguns dos seus dramas, vez ou outra encenados nos palcos de teatro. Em cada um deles a personagem principal é uma pessoa corajosa e orgulhosa que luta sozinha contra uma situação intoleravelmente dolorosa; ela se curva sob o peso da injustiça; há momentos em que a coragem desfalece; mas ela resiste e não se deixa nunca degradar pela infelicidade. Assim, esses dramas, embora dolorosos, nunca deixam uma impressão de tristeza. O que fica é antes uma impressão de serenidade. Está visto que o legado essencial desses dramas é reforçar no homem o combate sem rendição contra o que o atormenta, ainda quando seja essa uma luta contra forças muito maiores do que as dele.
(Adaptado de: WEIL, Simone. Outros estudos sobre a opressão. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979, p. 313)
As normas de concordância verbal encontram-se plenamente respeitadas na frase:
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 1 a 5, baseie-se no texto abaixo uma apresentação ao livro Mar sem fim , de Amyr Klink.
O moço e o mar
Poucas pessoas poderão ter gozado da solidão como uma alternativa, ou seja, do convívio exclusivo consigo mesmo, com o usufruto de um prazer tão completo como faz Amyr Klink em suas longas viagens a bordo do barco Paratii. Este livro - Mar sem fim - descreve a viagem que começou em 31 de outubro de 1998 e durou cinco meses.
Nela, ele deu a volta ao mundo mais curta, mais rápida e mais difícil que poderia ser feita, circunavegando a Antártica muitas vezes tentada, nunca conseguida. Foi conviva das estrelas, cruzou neblinas, nevascas e geleiras, e desafiou mares temperamentais.
Nada do que tiver contemplado nas breves paradas na Geórgia do Sul, ou do que possa ter restado de exótico na ilha de Bouvetoya, a mais isolada do planeta, será suficientemente inédito para ter impressionado o argonauta, muito mais ilhado ele mesmo do que aquele território ignoto e inóspito. Por mais surpreendentes que possam ser a flora e a fauna marinhas, que o marinheiro encontrou protegidas da loucura furiosa da humanidade predadora de pés firmes no chão, nada terá superado a graça que ele achou nos porões da própria alma, ao atravessar com destemor, mas com respeito, as fronteiras da vida.
Quem concorde com a dura frase em que Sartre afirma que "o inferno são os outros está convidado a visitar o céu que cada um contém em si mesmo e que Amyr Klink se dispôs a nos revelar em mais este fascinante relato de seu caso de amor com o mar. A saga desse brasileiro transporta a mitologia grega para nossos dias, nos induzindo a crer com sua viagem que o fardo de viver pode ser mais leve, intrépido e digno de ser carregado.
(Adaptado de: NEUMANE, José. In: KLINK, Amyr. Mar sem fim. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, orelha)
O moço e o mar
Poucas pessoas poderão ter gozado da solidão como uma alternativa, ou seja, do convívio exclusivo consigo mesmo, com o usufruto de um prazer tão completo como faz Amyr Klink em suas longas viagens a bordo do barco Paratii. Este livro - Mar sem fim - descreve a viagem que começou em 31 de outubro de 1998 e durou cinco meses.
Nela, ele deu a volta ao mundo mais curta, mais rápida e mais difícil que poderia ser feita, circunavegando a Antártica muitas vezes tentada, nunca conseguida. Foi conviva das estrelas, cruzou neblinas, nevascas e geleiras, e desafiou mares temperamentais.
Nada do que tiver contemplado nas breves paradas na Geórgia do Sul, ou do que possa ter restado de exótico na ilha de Bouvetoya, a mais isolada do planeta, será suficientemente inédito para ter impressionado o argonauta, muito mais ilhado ele mesmo do que aquele território ignoto e inóspito. Por mais surpreendentes que possam ser a flora e a fauna marinhas, que o marinheiro encontrou protegidas da loucura furiosa da humanidade predadora de pés firmes no chão, nada terá superado a graça que ele achou nos porões da própria alma, ao atravessar com destemor, mas com respeito, as fronteiras da vida.
Quem concorde com a dura frase em que Sartre afirma que "o inferno são os outros está convidado a visitar o céu que cada um contém em si mesmo e que Amyr Klink se dispôs a nos revelar em mais este fascinante relato de seu caso de amor com o mar. A saga desse brasileiro transporta a mitologia grega para nossos dias, nos induzindo a crer com sua viagem que o fardo de viver pode ser mais leve, intrépido e digno de ser carregado.
(Adaptado de: NEUMANE, José. In: KLINK, Amyr. Mar sem fim. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, orelha)
As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase:
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 1 a 5, baseie-se no texto seguinte.
"Na medida do possível"
Nada mais elegante que dizer "na medida do possível". Que sería de nós sem a medida do possível? Sem a sensatez do senso de medida? Nada melhor do que viver - viver na medida do possível. "Você me ama?" "Na medida do possível". "Você é honesto?" "Na medida do possível." "Você quer viver eternamente?" "Na medida do possível". "Você está me dando o fora?" "Na medida do possível".
Falando agora mais a sério, essa expressão é também um Indice da maturidade modesta: pode indicar o cuidado realista de quem prefere não exagerar em nada e contar com os imprevistos, com os grandes obstáculos que surgem inopinadamente. Ela será mais comumente utilizada por adultos, por pessoas já experientes; dificil imaginar jovens dizendo "na medida do possível", quando a tendência deles é contar com medidas radicais.
Entre as correntes filosóficas, talvez a do estoicismo seja a que melhor absorva a força dessa expressão. Um estoico não desafia as forças do destino: ele as respeita e conta sempre com a possibilidade de deparar com um desafio invencível, diante do qual ele manterá uma reação sóbria de quem resiste, sim, mas na medida do possível. Na linguagem comum, um estoico seria aquele que se recusa a dar murro em ponta de faca. Ele buscará se conter, na medida do possível.
(Alcino Martinez, a editar)
"Na medida do possível"
Nada mais elegante que dizer "na medida do possível". Que sería de nós sem a medida do possível? Sem a sensatez do senso de medida? Nada melhor do que viver - viver na medida do possível. "Você me ama?" "Na medida do possível". "Você é honesto?" "Na medida do possível." "Você quer viver eternamente?" "Na medida do possível". "Você está me dando o fora?" "Na medida do possível".
Falando agora mais a sério, essa expressão é também um Indice da maturidade modesta: pode indicar o cuidado realista de quem prefere não exagerar em nada e contar com os imprevistos, com os grandes obstáculos que surgem inopinadamente. Ela será mais comumente utilizada por adultos, por pessoas já experientes; dificil imaginar jovens dizendo "na medida do possível", quando a tendência deles é contar com medidas radicais.
Entre as correntes filosóficas, talvez a do estoicismo seja a que melhor absorva a força dessa expressão. Um estoico não desafia as forças do destino: ele as respeita e conta sempre com a possibilidade de deparar com um desafio invencível, diante do qual ele manterá uma reação sóbria de quem resiste, sim, mas na medida do possível. Na linguagem comum, um estoico seria aquele que se recusa a dar murro em ponta de faca. Ele buscará se conter, na medida do possível.
(Alcino Martinez, a editar)
O verbo indicado entre parenteses deverá flexionar-se no plural para integrar corretamente a frase:
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 6 a 10, baseie-se no texto abaixo.
Sobre a brevidade da vida
A maior parte dos mortais queixa-se da malevolência da Natureza, porque estamos destinados a um breve momento da eternidade, e, segundo eles, o espaço de tempo que nos foi dado corre tão veloz que, por consequência, e à exceção de muito poucos, a vida abandonaria a todos ainda em meio aos preparativos para bem vivê-la.
Vejam: não é somente a multidão e a turba insensata que se lamenta desse mal considerado universal: a mesma impressão provocou queixas inconformadas também de homens ilustres e pessoas de excelente formação. Anote-se, por exemplo, o protesto de Hipócrates, o maior dos médicos, quando diz “A vida é breve, longa, a arte”.
Pela mesma razão nasce o litígio (de nenhuma forma apropriado a um homem sábio) que Aristóteles teve com a Natureza: “Aos animais, ela concedeu tanto tempo de vida que muitos deles sobrevivem por cinco ou dez gerações da nossa espécie; ao homem, nascido para tantos e tão grandes feitos, está estabelecido um tempo exíguo.”
Não, não é curto o tempo que temos, mas dele muito perdemos. A vida é suficientemente longa, e com generosidade nos foi dada para a realização das maiores coisas, se a empregamos bem. Mas quando ela se esvai no culto do supérfluo e na indiferença, quando não a empregamos em nada de positivo, somos constrangidos pela fatalidade do tempo, e sentimos que ela passou sem que tivéssemos percebido.
O fato é este: não recebemos uma vida breve, mas assim a fazemos, nem somos dela carentes, seus esbanjadores. Tal como se dissipam rapidamente os abundantes recursos que caem nas mãos de um gastador, assim também nossa vida se perde, quando do tempo dela não sabemos dispor.
(Adaptado de: SÊNECA. Sobre a brevidade da vida. Trad. William Li. São Paulo: Nova Alexandria, p. 25-26)
Sobre a brevidade da vida
A maior parte dos mortais queixa-se da malevolência da Natureza, porque estamos destinados a um breve momento da eternidade, e, segundo eles, o espaço de tempo que nos foi dado corre tão veloz que, por consequência, e à exceção de muito poucos, a vida abandonaria a todos ainda em meio aos preparativos para bem vivê-la.
Vejam: não é somente a multidão e a turba insensata que se lamenta desse mal considerado universal: a mesma impressão provocou queixas inconformadas também de homens ilustres e pessoas de excelente formação. Anote-se, por exemplo, o protesto de Hipócrates, o maior dos médicos, quando diz “A vida é breve, longa, a arte”.
Pela mesma razão nasce o litígio (de nenhuma forma apropriado a um homem sábio) que Aristóteles teve com a Natureza: “Aos animais, ela concedeu tanto tempo de vida que muitos deles sobrevivem por cinco ou dez gerações da nossa espécie; ao homem, nascido para tantos e tão grandes feitos, está estabelecido um tempo exíguo.”
Não, não é curto o tempo que temos, mas dele muito perdemos. A vida é suficientemente longa, e com generosidade nos foi dada para a realização das maiores coisas, se a empregamos bem. Mas quando ela se esvai no culto do supérfluo e na indiferença, quando não a empregamos em nada de positivo, somos constrangidos pela fatalidade do tempo, e sentimos que ela passou sem que tivéssemos percebido.
O fato é este: não recebemos uma vida breve, mas assim a fazemos, nem somos dela carentes, seus esbanjadores. Tal como se dissipam rapidamente os abundantes recursos que caem nas mãos de um gastador, assim também nossa vida se perde, quando do tempo dela não sabemos dispor.
(Adaptado de: SÊNECA. Sobre a brevidade da vida. Trad. William Li. São Paulo: Nova Alexandria, p. 25-26)
As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase:
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 1 a 5, baseie-se no texto abaixo.
Nosso cérebro e os sistemas digitais
O cérebro humano não opera computador digital, mas isso não impede que esses nossos computadores orgânicos sejam programados por sinais externos. Muito pelo contrário! É preciso considerar os graves riscos que a humanidade enfrentará nos próximos anos, em decorrência da nossa interação e da nossa dependência cada vez maior em relação aos sistemas digitais, estabelecendo uma verdadeira simbiose que pode afetar profundamente o cérebro, por meio do fenômeno da plasticidade neural.
Basicamente, a convivência contínua com computadores pode afetar a forma como o cérebro funciona e, no limite, nos transformar em meros zumbis orgânicos. De acordo com a minha estimativa, essa transformação pode ocorrer muito mais depressa do que imaginamos. Esse cenário se manifestará quão mais rapidamente o nosso cérebro for ludibriado, convencendo-se de que recompensas maiores seriam auferidas se ele cessasse de expressar os atributos mais celebrados e únicos da condição humana.
Que atributos seriam esses? Eles incluem a imensa criatividade e a intuição, a inteligência bem como a compaixão, a empatia pelo próximo e a busca de um fim benéfico comum. Em troca, o cérebro optaria pela produção de comportamentos mais eficientes e produtivos, seguindo as rígidas normas impostas pela modernidade, que nos condenariam a uma existência primordialmente virtual onde - de acordo com a falsa utopia dominante dos nossos tempos - poderíamos nos defender melhor das frustrações e das dores cotidianas advindas do mundo real.
Na verdade, esse seria o caminho mais rápido para nos transformarmos em simples autômatos controlados por um sistema ditatorial e por um tipo de economia divorciada da promoção do bem-estar geral.
(Adaptado de: NICOLELIS, Miguel. O verdadeiro criador de tudo. São Paulo: Planeta, 2020, р. 21)
Nosso cérebro e os sistemas digitais
O cérebro humano não opera computador digital, mas isso não impede que esses nossos computadores orgânicos sejam programados por sinais externos. Muito pelo contrário! É preciso considerar os graves riscos que a humanidade enfrentará nos próximos anos, em decorrência da nossa interação e da nossa dependência cada vez maior em relação aos sistemas digitais, estabelecendo uma verdadeira simbiose que pode afetar profundamente o cérebro, por meio do fenômeno da plasticidade neural.
Basicamente, a convivência contínua com computadores pode afetar a forma como o cérebro funciona e, no limite, nos transformar em meros zumbis orgânicos. De acordo com a minha estimativa, essa transformação pode ocorrer muito mais depressa do que imaginamos. Esse cenário se manifestará quão mais rapidamente o nosso cérebro for ludibriado, convencendo-se de que recompensas maiores seriam auferidas se ele cessasse de expressar os atributos mais celebrados e únicos da condição humana.
Que atributos seriam esses? Eles incluem a imensa criatividade e a intuição, a inteligência bem como a compaixão, a empatia pelo próximo e a busca de um fim benéfico comum. Em troca, o cérebro optaria pela produção de comportamentos mais eficientes e produtivos, seguindo as rígidas normas impostas pela modernidade, que nos condenariam a uma existência primordialmente virtual onde - de acordo com a falsa utopia dominante dos nossos tempos - poderíamos nos defender melhor das frustrações e das dores cotidianas advindas do mundo real.
Na verdade, esse seria o caminho mais rápido para nos transformarmos em simples autômatos controlados por um sistema ditatorial e por um tipo de economia divorciada da promoção do bem-estar geral.
(Adaptado de: NICOLELIS, Miguel. O verdadeiro criador de tudo. São Paulo: Planeta, 2020, р. 21)
As normas de concordância verbal encontram-se bem observadas na frase:
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 1 a 7, baseie-se no texto abaixo.
[A máquina funcional e a arte literária]
O homem está começando a entender como se desmonta e como se torna a montar a mais complicada e imprevisível de todas as suas máquinas: a linguagem. O mundo de hoje, em relação àquele que cercava o homem primitivo, é muito mais rico de palavras, de conceitos e de signos. Mas é sobretudo mais rico em operações computacionais.
Entregue-se a um computador a tarefa de realizar operações de fato criativas: será a máquina capaz de substituir o poeta e o escritor? Assim como já temos máquinas que leem, máquinas que executam análises linguísticas de textos literários, máquinas que traduzem, máquinas que resumem, teríamos, então, máquinas capazes de criar e compor poemas e romances?
O que interessa nem tanto é essa pergunta especifica, mas sua viabilidade teórica, que poderia abrir uma série de conjecturas insólitas. Nesse momento, não estou pensando numa máquina capaz apenas de uma produção literária em série, estou pensando numa máquina que escreva e ponha em jogo, na página, todos aqueles elementos que costumamos considerar como os mais ciosos atributos da intimidade psicológica, da experiência, da imprevisibilidade das mudanças de humor, os sobressaltos, as aflições e as iluminações interiores. E o que seriam eles, senão um número correspondente de campos linguísticos, dos quais podemos tranquilamente chegar a estabelecer léxico, gramática, sintaxe e propriedades permutativas?
Com efeito, já que os desenvolvimentos da cibernética têm por alvo máquinas capazes de aprender, de mudar o próprio programa, de desenvolver suas próprias necessidades, nada nos impede da prever uma máquina literária que, a certa altura, sinta-se insatisfeita com o próprio tradicionalismo de suas funções e comece a propor novas maneiras de entender a escritura e a desorganizar completamente os próprios códigos, na busca não apenas de uma nova linguagem, mas de novas percepções do mundo.
(Adaptado de: CALVINO, Italo. Assunto encerrado. Trad. Roberta Bari. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 203-204)
[A máquina funcional e a arte literária]
O homem está começando a entender como se desmonta e como se torna a montar a mais complicada e imprevisível de todas as suas máquinas: a linguagem. O mundo de hoje, em relação àquele que cercava o homem primitivo, é muito mais rico de palavras, de conceitos e de signos. Mas é sobretudo mais rico em operações computacionais.
Entregue-se a um computador a tarefa de realizar operações de fato criativas: será a máquina capaz de substituir o poeta e o escritor? Assim como já temos máquinas que leem, máquinas que executam análises linguísticas de textos literários, máquinas que traduzem, máquinas que resumem, teríamos, então, máquinas capazes de criar e compor poemas e romances?
O que interessa nem tanto é essa pergunta especifica, mas sua viabilidade teórica, que poderia abrir uma série de conjecturas insólitas. Nesse momento, não estou pensando numa máquina capaz apenas de uma produção literária em série, estou pensando numa máquina que escreva e ponha em jogo, na página, todos aqueles elementos que costumamos considerar como os mais ciosos atributos da intimidade psicológica, da experiência, da imprevisibilidade das mudanças de humor, os sobressaltos, as aflições e as iluminações interiores. E o que seriam eles, senão um número correspondente de campos linguísticos, dos quais podemos tranquilamente chegar a estabelecer léxico, gramática, sintaxe e propriedades permutativas?
Com efeito, já que os desenvolvimentos da cibernética têm por alvo máquinas capazes de aprender, de mudar o próprio programa, de desenvolver suas próprias necessidades, nada nos impede da prever uma máquina literária que, a certa altura, sinta-se insatisfeita com o próprio tradicionalismo de suas funções e comece a propor novas maneiras de entender a escritura e a desorganizar completamente os próprios códigos, na busca não apenas de uma nova linguagem, mas de novas percepções do mundo.
(Adaptado de: CALVINO, Italo. Assunto encerrado. Trad. Roberta Bari. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 203-204)