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Texto associado
Leia o texto, para responder às questões de números 11 a 15.
Um dia na vida de Adão e Eva
Para entender nossa natureza, nossa história e nossa
psicologia, devemos entrar na cabeça dos nossos ancestrais
caçadores-coletores.
O campo próspero da psicologia evolutiva afirma que
muitas de nossas características psicológicas e sociais do
presente foram moldadas durante essa longa era pré-agríco-
la. Ainda hoje, afirmam especialistas da área, nosso cérebro
e nossa mente são adaptados para uma vida de caça e cole-
ta. Nossos hábitos alimentares e nossos conflitos são todos
consequência do modo como nossa mente de caçadores-
-coletores interage com o ambiente pós-industrial de nossos
dias, com megacidades, aviões, telefones e computadores.
Esse ambiente nos dá mais recursos materiais e vida mais
longa do que a desfrutada por qualquer geração anterior, mas
também nos faz sentir alienados, deprimidos e pressionados.
Para entender por quê, apontam os psicólogos evoluti-
vos, precisamos nos aprofundar no mundo de caçadores-co-
letores que nos moldou, o mundo que, subconscientemente,
ainda habitamos.
Por que, por exemplo, as pessoas se regalam com ali-
mentos altamente calóricos que tão pouco bem fazem a seus
corpos? Nas savanas e florestas que caçadores-coletores
habitavam, alimentos doces e calóricos eram extremamente
raros, e a comida em geral era escassa. Se uma mulher da
Idade da Pedra se deparasse com uma árvore repleta de fi-
gos, a coisa mais razoável a fazer era ingerir o máximo que
pudesse imediatamente, antes que um bando de babuínos
comesse tudo. Hoje, podemos morar em apartamentos com
geladeiras abarrotadas, mas nosso DNA ainda pensa que es-
tamos em uma savana. É o que nos motiva a comer um pote
inteiro de sorvete.
(Yuval Noah Harari. Sapiens: uma breve história da humanidade.
34ª ed. - Porto Alegre, RS: L&PM, 2018. Excerto adaptado)

No trecho – Esse ambiente nos dá mais recursos mate-riais e vida mais longa do que a desfrutada por qualquergeração anterior... –, estabelece-se uma relação por

A subordinação, cujo sentido é de proporção.
B subordinação, cujo sentido é de comparação.
C coordenação, cujo sentido é de conclusão.
D coordenação, cujo sentido é de explicação.
E subordinação, cujo sentido é de consequência.
Texto associado
Leia o texto, para responder às questões de números 01 a 05.
Ir ao mesmo lugar
Como sempre dizemos, estamos vivendo amplamente
realidades virtuais. Conhecemos o mundo através da tele-
visão, que muitas vezes não o retrata tal como é, mas trata
de reconstruí-lo ou até de construí-lo novamente. Cada vez
mais, vemos apenas simulacros da realidade.
Contudo, hoje as pessoas começaram a viajar como nun-
ca antes. Cada vez mais gente, cujos pais foram no máximo a
uma cidade vizinha, declara que visitou lugares com os quais
eu, viajante compulsivo, ou melhor, profissional, ainda me li-
mito a sonhar. Não deveríamos, portanto, ver esta paixão tu-
rística como uma forma de fugir da realidade virtual para ver
"a própria coisa"? O turismo representa para muitos um modo
de se reapropriar do mundo. Só que antes a experiência da
viagem era decisiva, voltávamos diferentes do que éramos
ao partir, enquanto agora só se encontra gente que volta sem
ter sido tocada minimamente pela fascinação do Outro Lugar.
Talvez isso aconteça porque hoje os locais de peregrina-
ção real fazem o possível para ficarem parecidos com os lo-
cais de peregrinação virtual. Tudo que o local turístico deseja
é ficar igual à sua própria imagem glamorizada pela mídia.
Ocorre também que todos os lugares tendem a se pare-
cer e dessa vez a globalização tem tudo a ver com a história.
Penso em alguns lugares mágicos de Paris, onde pouco a
pouco estão desaparecendo os velhos restaurantes, as livra-
rias à meia-luz, as lojinhas dos velhos artesãos, substituídos
por lojas de estilistas internacionais, que por sua vez são as
mesmas que podemos encontrar na em Nova York, em Lon-
dres, em Milão. As principais ruas das grandes cidades se pa-
recem cada vez mais umas com as outras, além de exibirem
as mesmas lojas.
Quando tudo for igual a tudo, ninguém mais fará turis-
mo para descobrir o mundo verdadeiro, mas para encontrar
sempre, onde quer que esteja, aquilo que já conhece e que
poderia ver perfeitamente ficando em casa diante da TV.
(Umberto Eco. Pape satàn aleppe: Crônicas de uma sociedade líquida.
Editora Record, Rio de Janeiro: 2017. Adaptado)

Considere a passagem do segundo parágrafo:
O turismo representa para muitos um modo de sereapropriar do mundo. Só que antes a experiência daviajem era decisiva, voltávamos diferentes do que éra-mos ao partir...
No contexto, a expressão destacada introduz uma oraçãoque estabelece com a anterior relação cujo sentido é de

A tempo, e pode ser corretamente substituída por"Enquanto".
B contraste, e pode ser corretamente substituída por"No entanto".
C causa, e pode ser corretamente substituída por "Umavez que".
D consequência, e pode ser corretamente substituídapor "De modo que".
E condição, e pode ser corretamente substituída por"A menos que".
Texto associado
Julgue os itens a seguir, relativos a aspectos estruturais e gramaticais do texto CB1A1.

No início do último parágrafo, o emprego da conjunção "entretanto" objetiva evidenciar uma contraposição com o que se afirma no parágrafo anterior; por isso, essa conjunção poderia ser substituída, sem prejuízo dos sentidos e da coerência do texto, por *conquanto*.

A Certo
B Errado