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Atenção : Considere a crônica “Tartaruga de arrastão”, de Rachel de Queiroz, para responder às questões de números 9 a 20.

O caso deu-se aqui na ilha, numa pescaria de arrastão. Da primeira redada veio um tal peixe que causou espanto: ninguém podia crer que naquele côncavo de mar morasse tanto peixe assim. Havia de ser alguma piracema que ia passando; para lá de trés toneladas de pescado foram apanhadas de uma só vez. Na segunda redada nada veio, ou quase nada — fugira a piracema ou fora toda colhida pela rede. Entretanto, no meio daquele quase nada apareceu um bicho estranho: uma tartaruga do mar. Tartaruga diferente daquelas fluviais que a gente conhece, tartaruga das profundezas salinas, meio peixe, porque em vez de pernas tem nadadeiras.
Primeiro ela se debateu e tentou de todas as maneiras furar a malha. Depois foi agarrada e atirada ignominiosamente na areia, de barriga para cima. Por fim puseram-na em posição normal; e ela, recuperando imediatamente a compostura, estirou o pescoço enrugado e correu em torno de si um olho temeroso. Não sei se os presentes compreenderam quanto havia de surpresa, terror e pasmo nos olhos da tartaruga. Muito pior que um bicho da terra pego numa rede: este pode estranhar a prisão, mas afinal continua dentro de um elemento conhecido, pisando chão, vendo árvores familiares, sentindo o cheiro da terra. A tartaruga não: para ela, nascida e vivida no mar, aquela era a mais estranha, a mais inacreditável e terrível das aventuras. Para aquela tartaruga era o mesmo que seria para um de nós vermo-nos transportados subitamente, sem dano físico, até o fundo do mar. Imagine que estranho, que portentoso e medonho não parece. As caras desconhecidas de ignorados animais - no caso, homens. E todos, todos, canibais ou pior que isso — pois bem sentia ela sobre o seu casco grosso, sobre a carapaça encaracada, o olhar doce e atento e cobiçoso dos comedores de carne.
A sorte da coitada foi ninguém chegar a um acordo sobre a forma de abatê-la. E sorte maior o fato de ninguém, pessoalmente, querer se responsabilizar pela carnificina naquela quinta-feira santa. Mas levaram-na para o galinheiro - que ignominia, uma veterana dos sete mares a ser atirada entre as galinhas, na noite que deveria ser a última da sua vida; ela que decerto esperava sepultar-se entre areias claras, nalgum maciço colorido de anêmonas do mar. Mas felizmente para a tartaruga, incerto é o coração do homem, incertos, os seus impulsos. Tanto val para um lado como para o outro, tanto procura devorar hoje o seu irmão bicho, como amanhã o festeja e liberta. O fato é que um coração se apiedou da tragédia e houve mão que abriu a porta da capoeira e encaminhou a marcha rampante do bicho marinho em direção da prala, em direção do mar, sua pátria. Ela também não esperou arrependimento, não hesitou, não agradeceu. Cortou a areia deixando um rastro longo, penetrou na água como um barco a deslizar do estaleiro, mergulhou, emergiu, voltou a cabeça ainda assustada para aquele mundo sujo, escuro, inimigo, onde viviam os homens, onde esperava nunca mais voltar; e mergulhou de novo, abraçando toda a água que podia entre as nadadeiras abertas.
(Adaptado de: QUEIROZ, Rachel de. 100 crônicas escolhidas: um alpendre, uma rede, um açude . Rio de Janeiro: José Olympio, 2021)

Entretanto , no melo daquele quase nada apareceu um bicho estranho: uma tartaruga do mar. (1º parágrafo)

O termo sublinhado pode ser substituído, sem prejuízo para o sentido do texto, por:

A Afinal
B Portanto
C Então
D Assim
E Contudo
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Texto CG101-I

Alguns idiomas fictícios foram criados especialmente para a série Game of Thrones . Daí surgiram palavras e expressões bem conhecidas pelos fãs, como “dracarys” – palavra que a personagem Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) usa para mandar seus dragões cuspirem fogo. A palavra faz parte do alto valiriano, uma língua muito presente no decorrer da trama dos Targaryen e que apareceu de novo em House of the Dragon , spin-off de Game of Thrones .
A Antiga Valíria era um antigo império localizado em Essos, continente a leste de Westeros. Ela é pouco mencionada na série, pois não existe mais, mas sua língua (o alto valiriano) ainda é usada por uma elite seleta. Seria como falar latim clássico na Europa medieval.
Segundo As Crônicas de Gelo e Fogo , livros escritos por George R. R. Martin que inspiraram a série, o alto valiriano não seria uma linguagem de comunicação cotidiana, mas utilizada pela nobreza na literatura e na música. Ao longo do tempo, o idioma originou dialetos simplificados, falados em várias regiões, como o baixo valiriano, sendo possível traçar um paralelo com o latim clássico e o latim vulgar. Daenerys, inclusive, domina e usa estrategicamente ambas as variações.
No alto valiriano, idioma do mundo de GOT, diferentemente do português, há quatro gêneros gramaticais, divididos entre lunares, solares, terrestres ou aquáticos. Nomes que se referem a humanos são geralmente lunares; profissões e partes do corpo, solares; alimentos e plantas são terrestres; e os líquidos são aquáticos.

Internet: (com adaptações).

Com base nas ideias e construções linguísticas do texto CG101-I, julgue os itens a seguir.

No segundo período do segundo parágrafo, os vocábulos “pois” e “mas” introduzem, respectivamente, orações com sentido explicativo e adversativo.

C Certo
E Errado
Órgão: Secretaria de Educação e Esportes de Pernambuco Cargo: Analista - Área: Gestão Educacional Prova: CESPE/CEBRASPE - Secretaria de Educação e Esportes de Pernambuco - Analista - Área: Gestão Educacional - 2022
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As questões de 5 a 9 referem-se ao Texto II.

TEXTO II

Em relação ao seguinte período composto por coordenação: “Amor é muito importante, filho… mas o essencial à vida dos seres vivos é mesmo a água”, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta.

( ) A segunda oração é classificada como oração coordenada sindética adversativa.
( ) O termo “mas” exerce a função de conjunção coordenativa adversativa.
( ) A primeira oração é classificada como oração coordenada assindética.
( ) O sujeito da segunda oração é um sujeito indeterminado.
( ) O sujeito da primeira oração é o termo “amor”.

A F – V – V – F – V.
B V – V – V – F – V.
C V – V – V – V – V.
D F – F – F – F – F.
E V – V – F – F – V.
Órgão: Empresa Baiana de Águas e Saneamento Cargo: Técnico Operacional - Área: Automação e Controle Prova: Instituto AOCP - EMBASA - Técnico Operacional - Área: Automação e Controle - 2022
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Voto? Nos EUA de 100 anos atrás, dava para
enviar até crianças pelo correio

Por Rafael Battaglia 4 nov 2020, 16h39

As eleições dos Estados Unidos deste ano terminaram na última terça (3/11). A apuração, contudo, ainda não. Motivo: parte dos votos foi enviada pelo correio, o que atrasou o resultado pela disputa da presidência entre o republicano Donald Trump e o democrata Joe Biden.
Para nós, brasileiros, acostumados com a urna eletrônica, isso pode soar estranho. Acontece que, por lá, é possível votar antecipadamente, e não apenas no dia da eleição. Em 2020, por conta da pandemia, o número de votos pelo correio bateu recorde.
[...] Os americanos costumam usar bastante os correios para receber e enviar encomendas – e até cheques, usados para pagar contas e serviços, são enviados dessa forma.
Mas, 100 anos atrás, os correios da terra do Tio Sam entregavam coisas inusitadas: bebês e crianças.
Querida, enviei as crianças
Em janeiro de 1913, o governo anunciou a criação do Parcel Post, um serviço que permitiria às pessoas enviar e receber correspondências mais pesadas. Até então, os correios só trabalhavam com cartas e pacotes de até quatro libras (1,8 kg). Foi revolucionário – mas não demorou até que algumas pessoas tentassem tirar proveito da nova medida.
Poucas semanas após o começo do Parcel Post, um casal de Ohio chamado Jesse e Mathilda Beagle decidiu enviar o filho James, de apenas oito meses, até a casa de sua avó, a alguns quilômetros dali.
Esse foi o primeiro registro de uma criança enviada pelos correios – e custou a família Beagle apenas 15 centavos (US$ 4, em valores atuais). Os pais inclusive colocaram o bebê no seguro, para o caso dos correios o perderem. Se isso acontecesse, receberiam US$ 50, o que corresponde a US$ 1,3 mil hoje em dia.
Depois disso, outras histórias similares começaram a pipocar nos jornais do país. Mas o caso mais famoso talvez seja o da garota Charlotte May Pierstorff, em fevereiro de 1914. A menina, de apenas quatro anos, viajou 117 quilômetros de trem da sua casa em Grangeville, Idaho (noroeste dos EUA) até a cidade de seus avós.
“O serviço postal era mais barato do que comprar uma passagem de trem”, explicou Jenny Lynch, historiadora do USPS, à revista Smithsonian . Mas pode ficar tranquilo: a pequena Charlotte não foi empacotada como um saco de batatas. Na verdade, o primo de sua mãe trabalhava como balconista no serviço de correio ferroviário. Bastou apenas conversar com asa autoridades locais para acompanhá-la na viagem.
Com o passar dos anos, a história ganhou detalhes cada vez mais bizarros: os selos postais teriam sido colados no casaco de Charlotte, e há relatos, inclusive, de que ela havia sido taxada como carga animal, custando o mesmo que um frango.
Não é verdade: naquela época, apenas bichos como abelhas e insetos podiam ser transportados. O correio só passou a aceitar frangos em 1918. Seja como for, o caso da menina ficou tão conhecido que inspirou até um livro infantil, Mailing May , em 1997.
Ao todo, há registros de pelo menos sete crianças enviadas pelo correio nos EUA – uma dela, inclusive, teria viajado mais de 1.150 quilômetros. A prática só terminou de vez no final dos anos 1910, quando grandes jornais do país, como Washington Post, New York Times e Los Angeles Times publicaram reportagens nas quais o chefe dos correios reiterava que isso não poderia acontecer mais.
Adaptado de: . Acesso em: 16 nov. 2020.

Em “A apuração, contudo , ainda não.”, o termo em destaque é sinônimo de

A “portanto”.
B “então”.
C “porquanto”.
D “porém”.
E “logo”.
Texto associado
ENTENDENDO DIALETOS

Clara Braga

Quem já teve a oportunidade de conviver minimamente com uma criança, sabe que o processo de aprender a falar pode render boas histórias.
As crianças, antes de desenvolverem 100% dessa habilidade, parece que criam um dialeto. E engana-se quem acha que o dialeto de todas as crianças é igual e que, se você entende o que seu sobrinho ou priminho fala, vai entender todas as crianças.
O dialeto da criança é tão complexo que, com exceção de poucas palavras que todas parecem falar de uma forma igual, só aquela criança fala aquela língua e só uma pessoa entende 100% do que está sendo dito: o ser que eu chamo de “pãe”.
“Pãe” seria a mistura do pai e da mãe, pois raramente um dos dois entende tudo o que o filho está dizendo, eles podem entender a frase toda pelo contexto, mas decifrar e compreender palavrinha por palavrinha, é um trabalho de grupo.
Às vezes pode parecer complicada essa coisa de não entender o que a criança está querendo dizer, mas confiem, em alguns momentos isso pode ser bom.
Outro dia estava em um restaurante com meu filho e, como toda criança, ele ficou um tempo sentado e depois foi explorar a redondeza. Fui acompanhando e, no caminho, encontramos uma avó que estava acompanhando a neta enquanto a mãe jantava no mesmo restaurante onde estávamos.
A senhora começou a puxar assunto com meu filho, na tentativa de aproximar a neta. Meu filho se mostrou aberto à aproximação e ia respondendo tudo que a senhora perguntava. Lá pelas tantas, quando eu já estava surpreendida com a quantidade de palavras que a senhora estava entendendo do dialeto do meu filho, ele decidiu pegar algo com a mão e mostrar para a senhora e para a pequena netinha o quão forte ele era. Foi então que a senhora soltou a frase: uau, como você é forte!
Ele respondeu com uma de suas frases prediletas, aprendida por causa de seu interesse e do vício do pai pelo universo dos heróis: Hulk esmagaaaaaa! Mas ele não disse com um ar doce, ele disse como se estivesse com raiva e de fato esmagando o que estava na sua mão, tudo isso enquanto olhava bem nos olhos na netinha da senhora.
Eu fiquei um pouco assustada e com receio do que viria depois, já dei um riso meio sem graça e estava procurando uma desculpa para aquela frase nada acolhedora. Porém, os santos do dialeto me salvaram. Quando ouviu a frase a senhora logo respondeu para meu filho: ah sim, você é forte porque come manga! Vou dar muita manga para minha netinha, assim ela fica forte como você!
Fiquei aliviada com a interpretação que ela fez da frase que, para mim, ele tinha dito com muita clareza. Muito melhor uma neta comendo muita manga do que traumatizada com um bebê que estava prestes a ficar verde e esmagar as coisas ao redor. Acho que vou optar por mostrar para ele desenhos com frases mais amigáveis, ele está indo bem no processo da fala, mas talvez algo mais dócil ajude no processo de socialização.

Disponível em:
< http://www.cronicadodia.com.br/2020/ 01/entendendo-dialetos-clara-braga.html >. Acesso em: 04 fev. 2020.

A conjunção destacada em: “Eu fiquei um pouco assustada e com receio do que viria depois, já dei um riso meio sem graça e estava procurando uma desculpa para aquela frase nada acolhedora. Porém , os santos do dialeto me salvaram.” indica que a oração seguinte apresenta

A algo contrário ao esperado para a situação.
B uma explicação para o que aconteceu anteriormente.
C uma conclusão para o fato expresso anteriormente.
D uma comparação em relação à frase anterior.
E a condição que potencializou o fato anterior.
Texto associado
Texto para os itens de 1 a 20.
Pesquisas indicam que humanos estão ingerindo microplásticos
No ritmo atual, se nada for feito, as projeções da Organização da Nações Unidas (ONU) apontam que os oceanos terão mais plástico do que peixes em 2050
1 Aquele canudinho ou copo plástico descartado
incorretamente no ambiente pode acabar sendo ingerido
por uma pessoa em fragmentos imperceptíveis no copo de
4 água e até no alimento.
Os chamados microplásticos vêm gerando
preocupações na comunidade científica, em parte porque
7 pouco se sabe acerca dos possíveis impactos na saúde
humana.
Este é um dos assuntos presentes em discussões
10 propostas por instituições ambientalistas de diversos
países, que realizaram, no dia 21 de setembro de 2019, o
World Cleanup Day ou, simplesmente, Dia Mundial da
13 Limpeza, como o evento é chamado em português.
“Tivemos neste dia, em todo o mundo, mutirões para
limpeza, por exemplo, do lixo local gerado na praia: bituca
16 de cigarro; tampa de garrafa; canudos; copos; garrafas; e
sacolas plásticas”, diz Jonas Leite, doutor em oceanografia
e gerente, no Rio de Janeiro, do Projeto Meros do Brasil,
19 uma das iniciativas responsáveis por organizar as ações em
cidades brasileiras.
Leite considera que as atividades na praia fomentam
22 a conscientização, mas alerta que, em qualquer lugar do
País, quando o lixo é jogado no chão ou levado para um lixão
que não faz o tratamento correto, o resíduo vai acabar indo
25 para os rios e pode percorrer milhares de quilômetros até o
oceano.
“É o destino de praticamente todo o lixo que não é
28 gerido da forma correta. Você pode nunca ter pisado na
praia, mas o seu lixo, se não for bem gerido, vai chegar lá”,
disse.
31 O Dia Mundial da Limpeza busca chamar a atenção e
oferecer atividades de combate ao problema global de
resíduos sólidos. O impulsionamento mundial é liderado
34 pela LDIW ( Let’s Do It World ), um movimento cívico global
sediado na Estônia e com alcance em 157 países.
Eles criaram um mapa on‐line que traz informações
37 das iniciativas espalhadas pelo mundo. A proposta do
evento teve como base experiências que vinham sendo
realizadas desde 2008, quando 50 mil pessoas se uniram na
40 Estônia para recolher lixo em todo o país.
O movimento decidiu fixar o Dia Mundial da Limpeza
sempre no terceiro sábado de setembro. No ano passado, o
43 Brasil registrou ações em 363 cidades.
Internet: (com adaptações).

No que se refere aos aspectos linguísticos e gramaticais do texto, julgue os itens de 7 a 20 .

No trecho “mas o seu lixo, se não for bem gerido, vai
chegar lá” (linha 29), “mas” é uma conjunção que traduz
sentido de oposição.

C Certo
E Errado

Constata-se oposição entre as ideias dos seguintes enunciados, separados por barras:

A A organização desenvolveu uma tecnologia para erradicar os plásticos // que poluem os mares do planeta... (2 o parágrafo)
B A organização holandesa The Ocean Cleanup resolveu dar um passo à frente // e assumir a missão de combater a
poluição oceânica nos próximos anos. (1 o parágrafo)
C Diversos países estão propondo alternativas para enfrentar o problema da poluição oceânica, // mas, até o momento, não
tomaram quaisquer medidas concretas. (1 o parágrafo)
D Uma rede de telas em forma de “U” coletaria o plástico flutuante // até um ponto central. (3 o parágrafo)
E O plástico concentrado poderia, então, ser extraído e enviado à costa marítima // para fins de reciclagem. (3 o parágrafo)
Órgão: Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento - Campinas Cargo: Agente Técnico de Hidromecânica -Área- Mecânico Prova: FCC - SANASA - Agente Técnico de Hidromecânica - Área- Mecânico - 2019

Em “[...] O secretário de Recursos Hídricos
garante, no entanto , que todas as medidas
necessárias para essa situação já foram
tomadas [...]”, a expressão em destaque pode
ser substituída, permanecendo no mesmo
lugar, sem alteração de sentido, por

A assim.
B por isso.
C entretanto.
D desse modo.
E mas.