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Atenção : Considere o texto de Sérgio Rodrigues para responder às questões de números 11 a 20.

Para a maioria dos brasileiros a pronúncia é "récorde", proparoxítona, e não, como recomendam dez entre dez sábios, "recórde", paroxitona. Estamos diante de um caso clássico de desobediéncia civil, em que a língua da vida real vai para um lado e a dos sábios, para o outro.
Recorde, termo adaptado do inglês record, pode ser substantivo - significando a melhor marca esportiva, o desempenho a ser superado -ou adjetivo - com sentido equivalente: "tempo recorde", "velocidade recorde". Quanto a isso, estamos todos de acordo. A divergência começa na hora de definir a prosódia da palavra. Em seu Dicionário de palavras & expressões estrangeiras, Luís Augusto Fischer observa com irreverência que há "duas pronúncias: a que os gramáticos preferem, 'recórde', oua do resto da humanidade, 'récorde". É mais ou menos isso. Basta trocar, na frase de Fischer, "o resto da humanidade" por "a maioria dos brasileiros" que ela fica perfeita. Em Portugal, a inclinação por "recórde" parece inquestionável. Aqui, ocorre o inverso.
Sempre pronunciei "récorde". Puxando pela memória, não consigo pensar em ninguém que não o faça. Se, como em tantos casos, nossos dicionários e gramáticas ainda se aferram de maneira um tanto acrítica à preferência lusitana, isso é um probleта deles, que precisa ser -e certamente será -corrigido um dia. O Houaiss foi o primeiro a abrira porta. Veja a timida mas significativa nota que constava ao pé do verbete recorde na edição de 2001: "Pelo menos no Brasil, ocorre também como palavra proparoxítona: récorde." Mais tarde, o dicionário suprimiu a nota, mas passou a trazer o verbete récorde como variação de recorde.
Uma explicação provável para o descompasso: os portugueses tendem a manter a pronúncia que record ganhou na França, de onde importaram o anglicismo por tabela, enquanto os falantes brasileiros estabeleceram ligação direta com o idioma de origeт, пo qual o acento (no caso em que record é substantivo, e não verbo) recai na primeira sílaba. No dia em que a lingua brasileira dissolver mais este preconceito, é evidente que a grafia será forçada a seguir atrás: escreveremos récorde, com acento. E tudo ficará mais harmônico entre som e traço, como deve ser.

(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Viva a língua brasileira! São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 73-75)

Em Sempre pronunciei "récorde". Puxando pela memória, não consigo pensar em ninguém que não o faça . (3° parágrafo), o segmento sublinhado pode ser substituído, sem prejuízo para o sentido do texto, por:

A pense em alguém
B pronuncie "récorde"
C faça nada
D puxe pela memória
E consiga pensar
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Atenção : Considere o conto "A velha contrabandista", de Stanislaw Ponte Preta, para responder às questões de números 1 a 10.

Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta. Todo dia, imaginem, ela passava na fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta. O pessoal da alfândega - tudo malandro velho - começou a desconfiar da velhinha. Um dia, quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal da alfândega mandou ela parar. A velhinha parou e então o fiscal perguntou assim pra ela:
-Escuta aqui, vovozinha, a senhora passa por aqui todo dia, com esse saco aí atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco?
A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais os outros, que ela adquirira no odontólogo, e respondeu:
-É areia!
Aí quem sorriu foi o fiscal. Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco. A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia. Muito encabulado, ordenou à velhinha que fosse em frente. Ela montou na lambreta e foi embora, com o saco de areia atrás. Mas o fiscal ficou desconfiado ainda. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com muamba, dentro daquele maldito saco. No dia seguinte, quando ela passou na lambreta com o saco atrás, O fiscal mandou parar outra vez. Perguntou o que é que ela levava no saco e ela respondeu que era areia, uai! O fiscal examinou e era mesmo. Durante um mês seguido o fiscal interceptoua velhinha e, todas as vezes, o que ela levava no saco era areia.
Diz que foi al que o fiscal se chateou:
-Olha, vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com quarenta anos de serviço. Manjo essa coisa de contrabando pra burro.
Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista.
-Mas no saco só tem areia! -insistiu a velhinha. E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs:
-Eu prometo à senhora que deixo a senhora passar. Não dou parte, não apreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias?
-O senhor promete que não "espaia"? -quis saber a velhinha.
-Juro -respondeu o fiscal.
-É lambreta

(Adaptado de: RAMOS, Graciliano et al. Para gostar de ler: contos, v. 8. São Paulo: Ática, 1985, р. 17-18)

É invariável quanto a gênero e a número a palavra sublinhada no seguinte trecho:

A o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia.
B Muito encabulado , ordenou à velhinha que fosse em frente.
C ela passava na fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta.
D Mas o fiscal ficou desconfiado ainda .
E a senhora passa por aqui todo dia, com esse saco al atrás.

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