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Em relação à aquisição da língua de sinais, segundo Domínguez (In: Bernardino, 2000), os pais deveriam expor o bebê surdo desde muito cedo à língua de sinais, pois isso permitirá

A simbolizar o mundo e desenvolver através da linguagem funções emocionais e intelectuais.
B comunicar, desde a mais tenra infância, os desejos e o sentimento em relação ao seu contexto.
C estruturar a língua materna em situações naturais de comunicação e interação com os pares.
D desenvolver pensamento e linguagem de acordo com o nível lexical de cada faixa do desenvolvimento.
E organizar repertório linguístico para as habilidades comunicativas ao longo do desenvolvimento cognitivo da criança.

Apesar de a língua de sinais ser considerada a língua natural dos surdos, não basta ser surdo para adquiri-la, ou seja, sua apropriação não é inerente à condição de surdez (Almeida, Santos e Lacerda, 2015). Para o surdo se tornar usuário da Libras, é necessário que

A aprenda a língua de sinais concomitantemente com a língua portuguesa na fase de alfabetização.
B seja incluído em comunidades de surdos oralizados para o contato com a Libras e a língua portuguesa.
C tenha contato com a língua de sinais em sala de recursos, desde a educação infantil e perpassando o ensino fundamental.
D esteja inserido em ambientes propícios à troca dialógica de experiências com outros falantes dessa língua.
E tenha acesso a aulas de Libras no contexto de escolas bilíngues para surdos, com professores ouvintes e fluentes na língua.
Texto associado
Leia o texto a seguir para responder à questão. O trabalho pedagógico com os alunos com surdez, nas escolas comuns, deve ser desenvolvido em um ambiente bilíngue, ou seja, em um espaço em que se utilize a Língua de Sinais e a Língua Portuguesa. Um período adicional de horas diárias de estudo é indicado para a execução do Atendimento Educacional Especializado. Nele destacam-se três momentos didático-pedagógicos: Atendimento Educacional Especializado em Libras na escola comum; Atendimento Educacional Especializado para o ensino de Libras na escola comum e Atendimento Educacional Especializado para o ensino da Língua Portuguesa .” (grifo nosso) (Damazio, 2007. Adaptado)

Conforme indica Damázio

( 2007 ), quem organiza o trabalho no momento didático-pedagógico do Atendimento Educacional Especializado para o ensino de Libras, respeitando as especificidades dessa língua, principalmente o estudo dos termos científicos a serem introduzidos pelo conteúdo curricular, é o

A educador polivalente da sala comum.
B professor especialista em deficiência auditiva e surdez.
C professor do Atendimento Educacional Especializado.
D professor e/ou instrutor de Libras.
E tradutor e intérprete de Libras.

Em relação à educação do aluno surdo, Kezio

( 2016 ) afirma que o Método Oral enfatizou

A as aulas da língua portuguesa escrita e sinalizada com o objetivo de comparar os códigos gestual e escrito para a apreensão das duas línguas pelo aluno surdo em fase de oralização.
B a escrita de forma mecânica, na qual havia o condicionamento à repetição sucessiva de textos, formando alunos com baixa compreensão na leitura e na escrita devido ao vocabulário reduzido.
C o contato com textos produzidos com vocabulário restrito e em combinação com a oralização realizada pelo professor e pelo aluno surdo em processo de alfabetização em língua portuguesa.
D a leitura e a escrita de forma contextualizada e com respeito ao direito da pessoa surda de utilizar o meio natural para comunicação em sua comunidade linguísticas.
E a produção de textos que tenham como base a oralidade, dificultando a compreensão global pelos alunos surdos, acarretando em avanços na aprendizagem ao longo de toda a vida escolar.

Em relação ao desenvolvimento da linguagem, Moura (in Lacerda e Santos, 2014) destaca que a criança surda precisa ver a língua de sinais circulando por diferentes “portadores”, com estilos e formas variadas de se comunicar, lembrando que usuários da língua de diferentes idades comunicam-se de formas diferentes e sobre assuntos distintos. Com base nisso, destaca ainda que a aquisição da linguagem precisa ser em

A condições elaboradas para a criança.
B circunstâncias artificiais.
C estruturas organizadas.
D oportunidades de expressão.
E situações espontâneas.

“A imposição das regras de normalização representou uma grande tensão entre surdos devido à violência contra a cultura surda, marcada até hoje na história da educação de surdos” (Campos in Lacerda e Santos, 2014). Segundo a autora, são formas de agressões aos surdos:

A a eliminação da diferença, a ridicularização da Libras, imposição da língua oral, a inclusão dos surdos entre os com deficiência e a inclusão do surdo entre ouvintes.
B a falta de acesso adequado à informação, o tratamento da Libras como mímica e gestos aleatórios e a consideração da Libras como língua natural pelos ouvintes.
C os recursos escolares sem acessibilidade, o uso da língua oral nos espaços públicos, a não comunicação em Libras nos diferentes espaços sociais e oferta de guias-intérpretes na escola.
D o tratamento diferenciado, a inclusão na escola comum, a definição da surdez como deficiência, as barreiras atitudinais e de comunicação.
E o sistema escolar bilíngue, a matrícula na escola comum, o respeito às diferenças linguísticas, a organização dos tempos e espaços escolares que visem à alfabetização dos ouvintes.

Quadros e Karnopp

( 2004 ) apresentam seis mitos sobre a língua de sinais, sendo o mito 4 a ideia de que “a língua de sinais seria um sistema de comunicação superficial, com conteúdo restrito, sendo esteticamente expressiva e linguisticamente inferior ao sistema de comunicação oral”. Esse mito reforça a ideia de que

A as línguas de sinais têm potencial para a expressão de diferentes ideias sobre os mais variados temas concretos e abstratos.
B os sinais não são símbolos arbitrários, carregando uma relação icônica ou representacional dos seus significados.
C faltam às línguas de sinais complexidade e poder expressivo, sendo consideradas empobrecidas lexical e gramaticalmente não expressando proposições abstratas.
D a Libras é considerada um sistema pantomímico com possibilidade de expressar simbolicamente a língua em complexidade.
E a língua de sinais, como língua natural, tem estrutura gramatical que necessita de suporte na língua oral.

À medida que a língua de sinais passou a ser reconhecida enquanto língua de fato, os surdos passaram a ter garantias de acesso a ela enquanto direito linguístico. Assinale a alternativa que apresenta um marco para a constituição do profissional intérprete de língua de sinais no Brasil.

A Presença de intérpretes de língua de sinais em trabalhos religiosos por volta dos anos 80.
B A fundação da primeira escola de surdos no Brasil, a FENEIS, em 1857.
C A fundação, em 1964, de uma organização nacional de intérpretes para surdos (atual RID).
D A realização do Congresso de Milão em 1880.
E A promulgação da Lei nº 10.436, que reconhece a Libras como a segunda língua dos surdos.

Laplane, em Lacerda

( 2006 ), afirma que “acreditar que valores e princípios da educação inclusiva sejam capazes de promover instituições mais justas do que aquelas que fundamentaram a segregação, compreender que o discurso em defesa da inclusão se constituiu historicamente como oposto ao da segregação e, nesse contexto, reconhecer a importância de destacar as vantagens da educação inclusiva não pode ocultar os problemas todos que esta mesma ‘educação inclusiva’ impõe”. De acordo com Lacerda, a fragilidade das propostas de inclusão, nesse sentido, residem no fato de que

A frequentemente o discurso contradiz a realidade educacional brasileira.
B a ideia de inclusão como política não propõe a inserção dos alunos nos contextos escolares.
C o discurso mais corrente da inclusão não a circunscreve ao âmbito da educação formal.
D as escolas se preocupam mais com seus conceitos do que com a aprendizagem em si.
E os alunos, principalmente os surdos, não se interessam em aderir a esta filosofia.

De acordo com Carneiro

( 2012 ), o carro-chefe da Política Nacional de Educação Especial é o investimento em salas multifuncionais, espaços equipados para atender a diferentes necessidades educacionais apresentadas por alunos com necessidades educacionais especiais. Segundo ela, o que tem sido observado no cotidiano das escolas de ensino regular é que o atendimento às necessidades específicas dos alunos, em tais salas, não garante necessariamente sua participação efetiva como aluno nem o êxito nos processos de ensino/aprendizagem. Mesmo em escolas onde há a presença de profissional da educação especial e serviço de AEE atuante, o cotidiano escolar tem revelado a existência de inúmeros desafios. Assinale a alternativa que corretamente descreve um dos desafios apontados pela autora.

A O atendimento educacional especializado focaliza o aluno, seu diagnóstico e suas necessidades e estabelece diálogos entre educação regular e educação especial.
B A ênfase da atual política de educação especial no Brasil está colocada sobre a criação de salas de recursos multifuncionais na educação superior e de núcleos de acessibilidade na educação básica.
C Os objetivos gerais das formulações curriculares não se identificam com os da educação regular, pois não se afastam da área acadêmica ou escolar.
D Tem-se dado muita ênfase aos aspectos como as estratégias pedagógicas e aos processos de ensino e de aprendizagem desses alunos nos programas de formação continuada.
E A avaliação da aprendizagem não tem aparecido como foco nos documentos orientadores nem nos programas de formação continuada propostos e implementados pelo MEC.