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Almeida, Santos e Lacerda

( 2015 ) afirmam que, embora a língua brasileira de sinais (Libras) seja considerada a língua natural das pessoas surdas, sua aquisição não é automática ou garantida apenas pela condição de surdez. Nesse sentido, para que uma pessoa surda torne-se usuária de Libras, é necessário que

A esteja inserida em ambientes propícios à troca dialógica de experiências com outros falantes dessa língua.
B conviva com familiares e comunidade que utilizam formas alternativas de comunicação, ampliando o repertório cultural.
C tenha acesso a materiais visuais e tecnológicos que estimulem a observação de sinais em situação de abstração.
D frequente instituições que priorizem métodos orais e visuais no processo de ensino e aprendizagem da língua.
E desenvolva estratégias próprias para compreender o mundo ao seu redor de maneira proprioceptiva e sensorial.

Jorge, um jovem surdo, aprendeu a língua de sinais desde cedo, mas ainda não se apropriou da segunda língua. Segundo Almeida, Santos e Lacerda

( 2015 ), o surdo, como um cidadão brasileiro, tem o direito de se apropriar

A de processos comunicativos que viabilizem a aprendizagem de outras línguas na modalidade oral.
B da língua de sinais em contextos comunicativos com ouvintes e surdos oralizados.
C da língua majoritária na modalidade escrita para garantia do direito de cidadania.
D da Libras em todos os ambientes sociais, devendo a língua portuguesa escrita ser de uso dos ouvintes.
E dos conteúdos curriculares ministrados em língua portuguesa na modalidade escrita e oral.

De acordo com Moura (em Lacerda e Santos, 2014) o desenvolvimento da linguagem deve acontecer em contextos significativos, de maneira natural e prazerosa. Portanto,

A leituras de textos prévios à alfabetização são importantes.
B repetições sem sentido não fazem parte do processo.
C treinos para fixação de frases isoladas são indicados.
D o uso de dicionários de língua portuguesa apoia a aprendizagem da língua de sinais.
E a reprodução de sinais isolados de Libras é importante.

Leia o texto a seguir: Geralmente, aqui no Brasil, quando as pessoas são apresentadas umas às outras, elas dizem seus primeiros nomes após os cumprimentos (...). No mundo dos Surdos, a pessoa, além de dizer o nome em datilologia, ela, primeiro, se apresenta pelo seu sinal (...). (Tanya A. Felipe, Libras em contexto: curso básico, livro do estudante cursista, 2007) De acordo com a autora, o sinal pessoal pode ser

A indicado por comunidade ouvinte ao surdo.
B determinado por ouvintes usuários da língua.
C uma representação visual de uma pessoa ou um atributo.
D escolhido pela própria pessoa que tem interesse na Libras.
E uma atribuição a partir dos gostos culturais.

Kezio

( 2016 ), em seus estudos sobre o aprendizado da escrita e leitura, destaca que muitos surdos enfrentam problemas devido à prática pedagógica que considera

A a língua de sinais como primeira língua, destacando a necessidade de comunicação e expressão pela língua natural da comunidade surda.
B a língua portuguesa, como segunda língua na modalidade escrita, e a Libras, como primeira língua para alunos surdos.
C a repetitividade como aspecto essencial no aprendizado de pessoas surdas, sendo essa prática a responsável por muitos dos fracassos educacionais.
D que surdos e ouvintes aprendem a língua portuguesa de modos diferentes, havendo recursos e estratégias para as especificidades de cada caso.
E a exclusão da cópia e dos ditados de palavras por meio de datilologia e sinais isolados de Libras para a decodificação e memorização das palavras.

Skliar

( 1998 ) explica, em seu texto, que é hábito definir a comunidade de surdos como uma minoria linguística. Segundo o autor, essa descrição baseia-se no fato de que a língua de sinais (o autor utilizou o termo linguagem) é utilizada por um grupo

A restrito de usuários que vivem uma situação de desvantagem social, de desigualdade, e que participam de modo limitado da vida da sociedade majoritária.
B reduzido de pessoas, que, por terem deficiência múltipla sensorial, utilizam a língua de sinais em contraponto à língua portuguesa do grupo majoritário.
C composto de pessoas com reduzido nível de perda auditiva e que se comunicam pela língua de sinais brasileira em contextos com seus pares.
D socialmente excluído devido a forma de comunicação não ser reconhecida pelo grupo majoritário de surdos e que utilizam a língua de seu país de origem.
E formado por sujeitos com deficiência sensorial e que utilizam a libras como meio de comunicação e expressão em reposta à língua oral do grupo minoritário.

Para Skliar

( 1998 ), citando (Johnson, Liddell & Erting, 1991), destaca que, quando se discute o fracasso escolar dos surdos, não se está diante de um único problema, mas de um duplo sistema de problemas, sendo o primeiro deles, e um dos mais destacados pelo autor ao longo do seu seguinte artigo:

A Os poderes e saberes dos ouvintes em torno das modalidades de comunicação e de linguagem adequadas para os surdos.
B O ensino da língua de sinais a partir do ensino fundamental, atrasando o processo de desenvolvimento da cognição das crianças.
C Os interesses de grupos de surdos e ouvintes em organizar o ensino da língua de sinais em torno de ideologias e práticas pedagógicas excludentes.
D O diagnóstico tardio da surdez e a insistência na oralização desde a primeira infância, com mais intensidade ao longo do percurso escolar.
E O ensino da língua portuguesa como primeira língua em escolas inclusivas em oposição às escolas bilíngues para surdos e ouvintes.

A Educação Bilíngue para Surdos traz a proposta de que esses alunos devem ser ensinados através de sua língua materna e que essa seria a base para o aprendizado da língua oral de seu país. (Kezio, 2016) O autor destaca que a Educação Bilíngue percebe a língua de sinais como sendo

A o modo de comunicação entre surdos e ouvintes na escola.
B a primeira língua de pessoas com deficiência auditiva moderada bilateral.
C uma linguagem estruturada para comunicação na Comunidade de Surdos.
D a língua utilizada para a comunicação na escola especial.
E a língua natural das Comunidades Surdas.

Campos

( 2014 ), In: Lacerda e Santos

( 2014 ), apresenta dois tipos de inclusão dos Surdos: a bilíngue/cultural e a bilíngue intercultural. De acordo com a autora, o modelo bilíngue/cultural é aquele em que

A os alunos surdos são matriculados em salas de ouvintes com a participação de intérprete de Libras, professores fluentes em Libras, materiais pedagógicos em língua portuguesa como primeira língua.
B os espaços pedagógicos são estruturados de modo a atender a cultura surda, em um ambiente que proporciona a troca entre diferentes saberes e identidades linguísticas e culturais dos surdos.
C os surdos são inseridos dentro da escola de ouvintes com colegas ouvintes, em espaço com a cultura surda como metodologias e currículos adaptados à experiência visual e professores surdos e professores bilíngues.
D a identidade cultural da comunidade surda determina o currículo escolar, de modo a incluir, no planejamento pedagógico e nas sequências didáticas, o ensino da Libras e elementos estruturantes da cultura surda para ouvintes.
E a cultura dominante, dos ouvintes, não se sobressai em relação a da comunidade surda, possibilitando aprendizagens para alunos surdos e ouvintes em um ambiente plural, heterogêneo e que promove o ensino da Libras para toda comunidade escolar.