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Atenção : Considere o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 9.

A Grécia clássica experimentou uma deificação da saúde: Higeia, filha de Asclépio, o deus da medicina, personificava a dádiva do pai, como deusa da saúde, limpeza e sanidade, e seu culto foi introduzido em Atenas por volta do ano 420 a.C.
Higeia sugeria misteriosamente a escolha dos alimentos necessários à existência e os remédios apropriados aos males. Ela também sustentava a força dos mortais, prevenindo as doenças. Não estamos propondo que a criação do mito de Higeia foi influenciada pela medicina dietética ou vice-versa. Para fazer tal afirmação, precisaríamos saber com certeza a data do surgimento de cada um deles. Mas parece que a Grécia dos séculos V e IV a.C. foi também a “Grécia da saúde”.
A medicina dietética, com suas técnicas de prevenção da saúde, estendeu seu poder de influência em diversas áreas da vida humana: alimentação, relações sexuais, banhos e exercícios. A dietética foi propícia para se construir uma medicina social que interagiu nos costumes com o pretexto de curar as enfermidades. No Corpus hippocraticum , a palavra diaita aparece com o sentido de “tratamento”, mas a dietética não possuiria somente fins terapêuticos: ela serviria para preservação e promoção da saúde, bem como a prevenção das doenças.
A vida do homem estava então “medicalizada”, a ponto de trocar a prática da virtude e da política pelo cuidado com a saúde. De acordo com Platão, o advento da medicina dietética fez o rico se tornar “nosotrófico”. Platão cunha a palavra “nosotrofia”, isto é, o ato de criar ou alimentar as doenças. Segundo ele, os ricos abandonaram suas obrigações com a pólis para cuidar de sua saúde, esquivando-se de responsabilidades: " [...] é o que se observa principalmente com esse cuidado excessivo do corpo, que vai muito além dos exercícios usuais de ginástica. Prejudica até mesmo os trabalhos de casa, o serviço nas campanhas militares e as obrigações civis em tempo de paz” (Platão, República , 407b).
Hoje, de formas diferentes, o culto à saúde continua. As estratégias de marketing das empresas farmacêuticas almejam as pessoas saudáveis. Qualquer queixa é transformada em sintoma. “O rolo compressor das campanhas publicitárias [...] transforma as pessoas saudáveis em doentes preocupados”, segundo Moynihan e Wasmes. Ainda hoje, a medicina busca certa primazia sobre a vida do ser humano, mesmo que ele não esteja doente. O pano de fundo é, de certo modo, semelhante ao da Grécia clássica.

(Adaptado de: MATSUI, Sussumo. “O mito de Higeia e a medicina dietética...". Revista Estética Semiótica , v. 6, n. 2, 2016)

O uso dos verbos “serviria” e “possuiria” (3º parágrafo) no futuro do pretérito indica

A uma opinião que não é a do autor, que se restringe ao sentido imediato das palavras, mas sim de Platão, como virá referenciada a seguir.
B uma diferença de ponto de vista, já que, para o autor, a dietética se destinava a “curar enfermidades" e não à “prevenção de doenças”.
C uma fala atribuída a outro pesquisador veiculando informação com a qual o autor do texto não está plenamente de acordo.
D uma ação inacabada no passado, que poderia ter se completado caso a medicina dietética não se desdobrasse em nosotrofia.
E uma informação não comprovada, ao contrário do verbo “aparece”, na mesma frase, que veicula um dado seguro.
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Atenção : Para responder às questões de números 6 a 10, baseie-se no texto abaixo.

[Autobiografia de um historiador]
Não escrevi esta minha biografia com o espírito de confissão tão vendável hoje em dia, em parte porque a única justificativa para essa viagem em torno do ego é a genialidade -não sou nem um santo Agostinho nem um Rousseau -e em parte porque nenhum autobiógrafo vivo seria capaz de contar sua verdade particular sobre as coisas que envolvem outras pessoas vivas sem ferir injustificavelmente os sentimentos de algumas delas.
Este livro também não é uma apologia da vida do autor. Se o leitor não quiser entender o século XX, deve ler as autobiografias daqueles que se justificam a si mesmos, advogados de sua própria defesa, e as de seu reverso, os pecadores arrependidos.
Estes escritos não são a história do mundo ilustrada pelas experiências de um indivíduo, mas a história do mundo dando forma às experiências de um indivíduo, ou melhor, oferecendo uma gama de escolhas sempre limitadas, com as quais os homens fazem suas vidas, não nas circunstâncias escolhidas por eles, e sim nas circunstâncias diretamente proporcionadas pelo mundo em volta deles.
Busquei juntar meus temas de modo coerente, com alguma racionalização histórica. Outros historiadores poderão interessar-se por esse aspecto mais profissional do meu livro. Espero, entretanto, que os demais o leiam como uma introdução ao extraordinário século por esse aspecto mais profissional do meu livro. Espero, entretanto, que os demais o leiam como uma introdução ao extraordinário século XX, como um relato que é também o itinerário de um ser humano cuja vida não poderia ter ocorrido em outro século.
(Adaptado de: HOBSBAWM, Eric. Tempos interessantes. Trad. S. Duarte. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p. 10-12)

Os tempos e os modos das formas verbais estão adequadamente articulados na frase:

A Não fosse pelo desejo de narrar um testemunho histórico, ele terá evitado se valer da primeira pessoa em seus relatos.
B Caso queira fazer justiça à sua carreira de historiador, esse autobiógrafo teria evitado confundir impressões com fatos.
C O autor não se proporia a escrever uma autobiografia caso seja necessário esquecer a sua condição de historiador.
D Para que algo do historiador se manifeste em seus escritos, o autor busca juntar seus temas de modo coerente.
E Um historiador que pretendesse confessar seus sentimentos haverá de se afastar de sua trajetória profissional.
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Atenção : Para responder às questões de números 6 a 10, baseie-se no texto abaixo.

Zero bala

A vida tem um vigor
que o corpo não comporta
por mais que se prepare
No mesmo passo, a natureza
caminha para o zero
como o seu fruto principal
que se gasta quanto mais
se apura na terra estreita
e por instinto busca no espaço
campo para se alçar, crescer
no sentimento e gesto
em uma nova combinação
de interferências e insumos
despoluídos até o impossível
com órgãos sem discrepância
que não contrariam as fontes
nem se desgastam em nenhum
desvio de doença ou perda
de força, suportando o sopro
o porte da pureza possível -
original - sem marca de pecado.

(FREITAS FILHO, Armando. Respiro - poemas .
Companhia das Letras, 2024)

Em relação ao emprego dos tempos verbais no poema, observa-se que o

A imperativo é empregado para sugerir ordens de transcendência espiritual.
B futuro do presente é usado de forma recorrente para marcar projeções utópicas.
C pretérito perfeito predomina para descrever fatos acabados e encerrados.
D futuro do pretérito é explorado para indicar possibilidades hipotéticas.
E presente indica simultaneidade entre o acontecer e a reflexão poética da vida.
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 7 a 11, leia o texto.

A primeira lembrança que tenho da cidade, do Recife, é de um Carnaval. Eu, muito menino, preso em um carro que corria pela praça Maciel Pinheiro desviando dos foliões, ia para o Hospital Português onde meu avó convalescia. Certamente que não foi nessa hora que compreendi, mas nesse momento passei a conviver com uma urbe de contradições, alegrias e tristezas, sonhos e desilusões.
Vivendo no interior, a cidade me chegava pelo relato dos cronistas, dos escritores. Um deles falava da Estrada dos Remédios cercada por mangueiras. E fui descobrindo os segredos vividos sob os telhados seculares dos sobrados, a miséria oculta pelas folhas dos mangues, pelas paredes precárias dos mocambos, a glória da piedade resvalando nas grossas paredes das Igrejas. Mecanismo vivo e contraditório, Recife tinha, e ainda tem, poesia.
Sempre que ali desembarcava -e até hoje isso acontece — batia-me a sensação de pertencimento. “Sou do Recife com orgulho e com saudade”, solfejava Antônio Maria em meus ouvidos. Quando, enfim, cheguei para viver na cidade, na Boa Vista, já conhecia a intimidade dos mistérios de suas ruas. Tudo me chegara pela literatura, pelos relatos históricos e ficcionais, mas caminhando por suas vielas e avenidas, atravessando os rios, as pontes, descobri que um mistério nunca se revela plenamente.
Foi tentando desvendar a esfinge que a cidade do Recife foi transformada em cenário por mim para o romance “Não me empurre para os perdidos". Um escritor estrangeiro, em junho de 1924, percorre as ruas da cidade procurando os sentidos da modernidade que os intelectuais tanto discutem no Café Continental, na esquina da Lafayete. Mesmo depois de todo trabalho, à Recife continua em mim como algo onírico. Sim, ele é coisa de se pegar, é concreto, mas para ser pleno é preciso vivê-lo.

(Adaptado de: MELO JÚNIOR, Maurício. Nexo Jornal. Disponível em: https:/wwnanexojornal.com.br )

Tudo me chegara pela literatura, pelos relatos históricos e ficcionais, mas caminhando por suas vielas e avenidas, atravessando os rios, as pontes, descobri que um mistério nunca se revela plenamente.
Alteradas para o presente, as formas verbais sublinhadas na frase acima se apresentam, respectivamente, como:

A chegara - descubro
B chega - descobrirá
C chega — descubro
D chegará - descobria
E chegou - descobri
Órgão: Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes Cargo: Assistente - Área: Suporte à Gestão Prova: FCC - Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes - Assistente - Área: Suporte à Gestão - 2024
Texto associado
Instituto-Geral de Perícias usa protocolo internacional para identificação de vítimas das enchentes no RS e para apoio a familiares
De 22 corpos que estão no Departamento Médico Legal, em Porto Alegre, 18 já foram identificados
O Instituto-Geral de Perícias (IGP) está atuando com uma força-tarefa para a identificação de vítimas da chuva e enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul.
O trabalho faz parte de um protocolo internacional que orienta as ações para casos de acidentes ou eventos climáticos com grande número de vítimas. Dos 22 corpos que chegaram ao Departamento Médico Legal (DML) de Porto Alegre na tarde de quarta-feira (6), 18 já foram identificados pelas impressões digitais. [...]
A decisão de centralizar o trabalho no DML da Capital foi justamente para uso da estrutura e da equipe multidisciplinar especializada em ações desse tipo, o que permite maior rapidez nas identificações. O grupo é composto por papiloscopistas, médicos legistas, peritos criminais, psiquiatras, técnicos em perícias, fotógrafos criminalísticos e assistentes sociais, entre outros profissionais. No prédio em que fica o DML, na Avenida Ipiranga, bairro Azenha, há salas destinadas ao atendimento psicossocial dos familiares.
Como muitas famílias perderam as casas ou todos os documentos, um sistema de identificação para estas pessoas também está em funcionamento. Para liberar um corpo de uma vítima, um familiar precisa se apresentar com identificação obrigatória. Se a pessoa está sem documentos, o IGP faz biometria na hora e já emite nova carteira de identidade. Também há trabalho integrado com cartórios para o registro do óbito.
— Temos todo suporte às famílias. Quem chega aqui recebe todas as orientações, inclusive, sobre o cartório em que deve ir, onde haverá atendimento em guichê específico. Também estamos em contato com a Defesa Civil em função das dificuldades das pessoas em virem até aqui. Elas poderão ser trazidas ou vamos organizar para fazer a liberação dos corpos em cidades mais próximas — explica a diretora-geral do IGP, a perita criminal Marguet Mittmann. [...]
Sobre a identificação das vítimas, Marguet destaca que é feita a partir de três etapas. A mais rápida é pelas impressões digitais. Se a pessoa tem carteira de identidade feita no Estado, a impressão consta no banco de dados. O sistema faz uma comparação inicial, e a identificação é finalizada a partir de análise técnica de um papiloscopista.
Das 22 vítimas, 18 tiveram impressões digitais localizadas no banco de dados. Para quem não tem, a etapa seguinte é o processo de odontologia forense. Nesse caso, familiares teriam de apresentar documentos de atendimentos odontológicos do falecido, o que também não é simples diante da tragédia que destruiu e arrastou casas, deixando famílias sem pertences. Então, por último, é o processo de DNA, em que o familiar precisa ceder uma amostra de saliva para que o exame comparativo seja feito.
De qualquer forma, explica Marguet, para uma margem de segurança do processo de identificação e até para garantir material genético para eventuais exames que sejam necessários no futuro, todos os familiares, mesmo os das vítimas identificadas por impressões digitais, têm material coletado para lançamento no banco de dados genéticos do IGP.
— Estamos trabalhando com todos os esforços e essas famílias não vão ficar desassistidas. Não haverá revitimização — garantiu a diretora-geral do IGP.
Adaptado de: https://gauchazh.clicrbs.com.br/geral/noticia/2023/09/instituto-geral-de-pericias-usa-protocolo-internacional-para-identificacao-de-vitimas-das-enchentes-no-rs-e-para-apoio-a-familiares-clm9ctldi001q015g62hda5yo.html. Acesso em: 10 maio 2024.

Assinale a alternativa cujo verbo destacado esteja empregado no mesmo tempo verbal em que está o verbo sublinhado em:

“A decisão de centralizar o trabalho no DML da Capital foi justamente para uso da estrutura e da equipe multidisciplinar especializada em ações desse tipo, o que permite maior rapidez nas identificações”.

A “Dos 22 corpos que chegaram ao Departamento Médico Legal (DML) de Porto Alegre na tarde de quarta-feira (6), 18 já foram identificados pelas impressões digitais.”
B “Também estamos em contato com a Defesa Civil em função das dificuldades das pessoas em virem até aqui.”
C “Elas poderão ser trazidas ou vamos organizar para fazer a liberação dos corpos em cidades mais próximas [...].”
D “Nesse caso, familiares teriam de apresentar documentos de atendimentos odontológicos do falecido [...].”
E “Então, por último, é o processo de DNA, em que o familiar precisa ceder uma amostra de saliva para que o exame comparativo seja feito.”
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Texto 1

Tolerância humana a ondas de calor pode estar próxima ao limite

Com um aumento superior a 2 ºC na média global, mais de 25% das estações meteorológicas da Europa vão registrar temperaturas letais para seres humanos jovens e saudáveis, no mínimo, uma vez nos próximos cem anos.

Um estudo publicado recentemente no periódico Science Advances revelou que, se a temperatura média da Terra aumentar mais de 1,5 ºC em relação ao patamar atual, as ondas de calor se tornarão intensas o suficiente para matar pessoas jovens e saudáveis em certas partes do planeta.
Mortes por calor (infelizmente) não são uma novidade. A diferença é que, hoje, idosos e pessoas com comorbidades são as vítimas mais comuns. No ano passado, o verão europeu já mostrou que não estava para brincadeira. Uma estimativa publicada na Nature fala em 60 mil mortes por calor no continente entre maio e setembro.
Para o pesquisador da Universidade de Oxford e líder do estudo, Carter Powis, essa situação vai variar de acordo com o local. Em regiões onde as construções e as pessoas não estão adaptadas ao calor, os efeitos podem ser mais expressivos.
“Poderíamos ter uma onda de calor muito extrema que se afasta substancialmente das normas históricas, ultrapassa esse limite e causa muito mais mortalidade do que se esperaria”, disse ele à New Scientist. “O que veremos, especialmente na Europa e na América do Norte, é um aumento na incidência dessas ondas de calor à medida que o mundo se aquece entre 1,5 e 2 ºC”.
O estudo abre espaço para uma questão ainda mais preocupante. Se ondas de calor extremas podem afetar cada vez mais a vida de pessoas na Europa, que tem médias de temperatura consideravelmente mais baixas que as brasileiras, é de se imaginar o impacto para nós e outros habitantes de regiões mais quentes.
(Aqui, vale uma digressão: essa é uma generalização. O aquecimento médio do globo é só um retrato simplificado de um processo de desequilíbrio climático bem mais confuso – que pode, de acordo com as particularidades de cada lugar do planeta, diminuir as temperaturas em vez de aumentá-las.) [...] Nos últimos anos, pesquisadores vêm tentando descobrir qual o limite de calor que o corpo humano consegue suportar sem a necessidade de nenhum tipo de resfriamento. [...]
Lá em 2010, pesquisadores da Universidade de Purdue, Indiana, chegaram a uma resposta possível. Para isso, eles utilizaram uma técnica chamada de bulbo úmido. Ela consiste em colocar um pano molhado em torno do bulbo de um termômetro analógico (a parte gordinha na ponta inferior, onde fica armazenado o mercúrio) – e ver, conforme a água evapora, o quanto o termômetro esfria.
Isso acontece porque a evaporação consome calor. [...] E, conforme a energia térmica vai escapando de carona no vapor, o termômetro esfria. Esse processo é conhecido como resfriamento evaporativo, e funciona de maneira semelhante ao nosso suor. [...]
Segundo o relatório da ONU, a previsão é de que, até 2100, o planeta aumente de temperatura em 2,6 ºC. Ou seja: não se engane com a cifra baixa. Esse aumento é o suficiente para estragos bastante consideráveis no mundo.

Adaptado de: https://super.abril.com.br/ciencia/tolerancia-humanaa-ondas-de-calor-pode-estar-proxima-ao-limite/. Acesso em: 20 de nov. 2023.

Assinale a alternativa cujo verbo destacado (Texto 1) esteja empregado no mesmo tempo verbal em que está a locução verbal sublinhada em:

“Para o pesquisador da Universidade de Oxford e líder do estudo, Carter Powis, essa situação vai variar de acordo com o local.”

A “[...] as ondas de calor se tornarão intensas o suficiente para matar pessoas jovens e saudáveis em certas partes do planeta.”.
B “Em regiões onde as construções e as pessoas não estão adaptadas ao calor, os efeitos podem ser mais expressivos.”.
C “ Poderíamos ter uma onda de calor muito extrema que se afasta substancialmente das normas históricas, [...]”.
D “Segundo o relatório da ONU, a previsão é de que, até 2100, o planeta aumente de temperatura em 2,6 ºC.”.
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As tecnologias de contar e escrever histórias não seguiram um caminho linear. A própria escrita foi inventada pelo menos duas vezes, primeiro na Mesopotâmia e depois nas Américas. Os sacerdotes indianos se recusavam a escrever as histórias sagradas por medo de perder o controle sobre elas. Professores carismáticos (como Sócrates) se recusaram a escrever. Algumas invenções posteriores foram adotadas somente de forma seletiva, como quando os eruditos árabes usaram o papel chinês, mas não demonstraram nenhum interesse por outra invenção chinesa, a impressão. As invenções relacionadas à escrita tinham muitas vezes efeitos colaterais inesperados. Preservar textos antigos significava manter vivas artificialmente as línguas. Desde então, passou-se a estudar línguas mortas e alguns textos acabaram sendo declarados sagrados.
-
Martin Puchner. O mundo da escrita: como a literatura transformou a civilização.
Pedro Maia Soares (Trad.). São Paulo: Companhia das Letras, 2019, p. 18 (com adaptações).
-
Julgue os itens seguintes, relativos à tipologia, aos sentidos e aspectos linguísticos do texto precedente.

O emprego predominante do pretérito perfeito no texto tem o propósito de apresentar fatos já ocorridos em determinado momento no passado e cujos efeitos, além de ainda serem sentidos no momento atual, afetam o tempo presente.

C Certo
E Errado
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O texto a seguir refere-se às questões 11 a 20.

NÃO SENTA LÁ, CLÁUDIA

A sua cadeira vai matar você. Isso porque muitos problemas estão associados a quem passa a vida sentado, como aumento de chances de diabetes, problemas urinários e lesões na coluna. E não adianta fazer academia. Uma pesquisa da Universidade de Queensland, na Austrália, concluiu que, a cada hora sentada, a pessoa reduz em 21 minutos sua expectativa de vida. Outro estudo comparou dois grupos de meninas. O primeiro, que ficou sentado por três horas consecutivas, apresentou uma redução das funções cardiovasculares, associadas a problemas como infarto.
Os fundadores da startup americana Jaswig questionam a cultura de produzir tudo sentado, e acham que a luta contra esse perigo tem de começar cedo. A empresa criou carteiras para que as crianças possam estudar em pé. A ideia é acostumar os pequenos para que não se tornem adultos dependentes de assentos.
A companhia diz ter analisado a maneira como as crianças levantam objetos para que a carteira pudesse facilmente ser ajustada entre os modos “em pé” e “sentado”. Embora venda os móveis para qualquer um que queira tê-los em casa, a Jaswig imagina que sua criação possa ser ainda mais importante na escola. [...]
Para quem passa muito tempo sentado, o ideal é se levantar por 10 ou 15 minutos a cada hora. A mudança de posição também vale para quem trabalha em pé. “A proposta da Jaswig pode estar relacionada à busca de maior produtividade no trabalho na vida adulta, o que é questionável”, diz Francisco Lacaz, professor do Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp.

(Adaptado de: ROMANI, Bruno. Não senta lá, Cláudia. Revista Galileu. Nov. 2015.)

Assinale a alternativa em que o verbo auxiliar em destaque expressa futuridade.

A “A sua cadeira vai matar você.”.
B “[...] a luta contra esse perigo tem de começar cedo.”.
C “A empresa criou carteiras para que as crianças possam estudar em pé.”.
D “[...] para que a carteira pudesse facilmente ser ajustada [...]”.
E “A proposta da Jaswig pode estar relacionada [...]”.
Órgão: Empresa de Saneamento do Estado de Mato Grosso do Sul Cargo: Técnico - Área Enfermagem do Trabalho Prova: Instituto AOCP - SANESUL - Técnico - Área Enfermagem do Trabalho - 2021
Texto associado
Atenção : As questões de números 56 a 59 referem-se ao texto que segue.

A sala do administrador ficava naquela casa para onde tinha sido levado. Sentiu medo. Ele nunca admitia que empregado tivesse razão... E reagia com porrada. Isso era certo. À porta encheu-se de coragem. Aquela seria a oportunidade de peitar o cão de guarda do usurpador da grana. Malditos, todos eles. Não iria se arrepender. Sua família apoiaria, já tinham dito. Por que não acreditar? Eles, sim, cumpriam o que prometiam.

(SILVIA, Maria, inédito )

São formas verbais que participam da construção do panorama de ações habituais − do qual emergem ações pontuais, realizadas em certo momento do passado − as seguintes:

A tinha sido levado; tivesse; era.
B encheu(-se); seria; tinham dito.
C ficava; admitia; reagia.
D Sentiu; peitar; iria se arrepender.
E acreditar; cumpriam; prometiam.
Órgão: Tribunal Superior do Trabalho Cargo: Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade: Taquigrafia Prova: FCC - TST - Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade: Taquigrafia - 2017