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Texto 1 Mudanças climáticas podem ampliar o risco da Doença de Chagas na Amazônia (trecho adaptado) Leandro Schlemmer Brasil, Divino Vicente Silvério, Filipe França, José Orlando de Almeida Silva, Leandro Juen, Leonardo Viana de Melo, Thiago Bernardi Vieira e Walter Souza Santos As mudanças climáticas estão alterando silenciosamente o cenário da saúde pública na Amazônia. As frequentes secas, enchentes, desmatamentos e demais problemas ambientais podem levar ao surgimento de novas doenças ou ao avanço de doenças já controladas. Um caso emblemático é o da Doença de Chagas, que mesmo com os avanços recentes nos estudos sobre sua biologia e controle de transmissão, pode representar novamente um desafio para nosso sistema de saúde em virtude das alterações que estão sendo realizadas nas paisagens. Um estudo publicado recentemente na revista Medical and Veterinary Entomology [...] deixa um alerta claro: o aquecimento global pode facilitar a expansão dos barbeiros, vetores da Doença de Chagas, para novas áreas da floresta. A doença de Chagas A doença, causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi , é transmitida principalmente por insetos conhecidos como barbeiros. A Doença de Chagas (DC) existe há milhões de anos como uma doença em animais silvestres, que passou a ser transmitida ao homem, de forma acidental, a partir da invasão dos ambientes silvestres por populações humanas. Projeções preocupantes Nosso estudo analisou mais de 11 mil registros de ocorrência de 55 espécies de barbeiros. Utilizamos uma técnica chamada modelagem de nicho ecológico, que cruza dados biológicos e ambientais, para prever como esses vetores podem se deslocar até 2080 sob diferentes cenários climáticos. Os resultados indicam uma tendência preocupante: os barbeiros devem expandir sua distribuição na Amazônia, especialmente em áreas já vulneráveis. Esse movimento pode surpreender os sistemas de saúde despreparados, afetando populações que já enfrentam desigualdades e condições precárias de moradia. Uma questão de saúde climática Um dos principais dados gerados pelo estudo é o mapeamento das áreas da Amazônia que podem ter aumento na presença de barbeiros vetores da Doença de Chagas até 2080, especialmente sob cenários de mudanças climáticas intensas. [...] Esses dados permitem direcionar ações preventivas, como o fortalecimento da vigilância entomológica, campanhas educativas em comunidades vulneráveis e melhorias nas condições habitacionais, antes que a transmissão da doença se intensifique nessas regiões. Trata-se de uma ferramenta estratégica para antecipar riscos e evitar surtos futuros. [...] A próxima Conferência do Clima da ONU (COP 30), marcada para ocorrer em Belém, traz uma oportunidade histórica. Precisamos colocar a saúde climática no centro das discussões. A crise ambiental também é uma crise de saúde e justiça social. E a ciência tem muito a contribuir com soluções baseadas em dados e equidade.

(Fonte: The Conversation. Disponível em: https://theconversation.com/mudancasclimaticas-podem-ampliar-o-risco-da-doenca-de-chagas-naamazonia-259641)

O texto 1 é um relato, em estilo jornalístico, dos resultados de uma pesquisa científica. De acordo com o texto 1, um benefício potencial da pesquisa relatada é a possibilidade de:

A refutar o negacionismo climático, ao discutir as origens do aquecimento global;
B orientar investimentos públicos, ao identificar áreas de risco para a Doença de Chagas;
C mapear áreas de possível infestação de barbeiros, ao realizar modelagem de nicho ecológico;
D ampliar a consciência ambiental, ao evidenciar os efeitos negativos das mudanças climáticas;
E incentivar o letramento científico, ao fornecer informações sobre as origens da Doença de Chagas.

A expectativa de vida no Brasil vem aumentando progressivamente, tendo alcançado 76,4 anos em 2023, segundo o IBGE. Transformações na área da saúde, da tecnologia e no âmbito socioeconômico contribuem para que as pessoas vivam mais, o que, por outro lado, traz novas preocupações, já que novos desafios se colocam no planejamento da vida. Em relação aos desafios enfrentados pelo Brasil em razão do aumento da expectativa de vida, é correto afirmar que:

A a elevação da idade média da população tem contribuído para o aumento da rotatividade no mercado de trabalho, dificultando a renovação de postos;
B o crescimento da população idosa tem contribuído para o colapso dos transportes públicos urbanos, sobrecarregando os sistemas viários nos horários de pico;
C o envelhecimento populacional tem gerado conflitos geracionais dentro dos núcleos familiares, especialmente relacionados à dependência financeira dos mais velhos;
D a falta de educação financeira desde a juventude compromete a segurança econômica dos idosos, dificultando o planejamento de longo prazo;
E o aumento do número de idosos tem levado à redução de oportunidades educacionais para jovens, à medida que os recursos públicos são redirecionados para a terceira idade.

Um profissional de saúde decide realizar pesquisa sobre a letalidade da toxoplasmose, tendo como campo de estudo o ambulatório de recém-nascidos de um hospital universitário. Para isso, será necessário comparar os dados obtidos nesse hospital com dados nacionais. Para obter os dados nacionais, com recortes por municípios e sexo, o pesquisador poderá acessar o:

A Sistema de Informação Hospitalar;
B Sistema de Informação Ambulatorial;
C Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos;
D Sistema de Informação sobre Mortalidade;
E Sistema de Informação de Agravos de Notificação.

Um determinado município iniciou uma ação integrada para realização de mamografia de rotina em mulheres na faixa etária recomendada. Considerando as orientações do Ministério da Saúde, o rastreamento do câncer de mama deve ser realizado:

A bienalmente em mulheres a partir dos 35 anos;
B anualmente em mulheres a partir dos 40 anos;
C bienalmente em mulheres a partir dos 45 anos;
D anualmente em mulheres de 49 a 70 anos;
E bienalmente em mulheres de 50 a 69 anos.

Uma equipe de saúde realizou ações voltadas para o rastreamento de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, e para o diagnóstico precoce de alguns tipos de cânceres. Essas atividades são classificadas como ações de:

A promoção da saúde;
B prevenção primária;
C prevenção secundária;
D prevenção terciária;
E prevenção quaternária.

Durante uma ação de saúde em uma determinada comunidade, a equipe multidisciplinar identificou alta incidência de infecções respiratórias em crianças menores de 5 anos. Ao analisar os dados coletados, foram observadas as seguintes condições: casas com ventilação inadequada, uso de fogão a lenha em ambiente fechado, baixa escolaridade das mães, ausência de coleta regular de lixo e dificuldade de acesso aos serviços de saúde. Considerando os determinantes e condicionantes do processo saúde-doença, é correto afirmar que:

A a baixa escolaridade das mães interfere na alfabetização das crianças, mas não tem impacto sobre os problemas de saúde;
B o acesso limitado aos serviços de saúde é um problema estrutural, que não faz parte dos determinantes sociais de saúde, apesar de influenciá-los;
C as condições descritas representam determinantes sociais e ambientais da saúde, que interagem entre si e impactam diretamente o processo saúde-doença;
D a ausência de coleta regular de lixo é um problema sanitário isolado, que não influencia na saúde respiratória das crianças nem se relaciona a outros determinantes sociais;
E os fatores observados configuram condições biológicas, individuais e comportamentais que atuam de maneira integrada na determinação do adoecimento infantil.

Um estudo hipotético de coorte com gestantes cadastradas em uma unidade básica de saúde da Zona Norte do Rio de Janeiro avaliou o risco de infecção do trato urinário (ITU) e parto prematuro (PP). Foram calculadas as taxas de incidência de parto prematuro nas gestantes com ITU (Iexp) e sem ITU (Inexp), bem como o risco relativo (RR) de parto prematuro, tendo sido obtidos os seguintes valores: Iexp = 0,625, Inexp = 0,058 e RR = 10,77. A partir dessas informações, é correto concluir que:

A não há associação entre ITU e PP;
B o RR indica o efeito absoluto da exposição à ITU;
C a probabilidade de PP em gestantes com ITU é 10,77 vezes maior;
D o RR = 10,77 representa o excesso de risco de PP em gestantes com ITU;
E não há diferença de magnitude de efeito no PP entre gestantes com ou sem ITU.

Em um hospital universitário, um grupo de pesquisa deseja desenvolver um estudo em uma amostra representativa de trabalhadores de Unidade de Terapia Intensiva para determinar a chance de acidentes com materiais perfurocortantes, tendo como exposições de interesse: turno de trabalho, tempo de experiência, ocupação, entre outras variáveis. Considerando os desenhos de estudo em epidemiologia e os determinantes de saúde, o estudo deverá ser:

A ecológico;
B transversal;
C caso-controle;
D coorte retrospectivo;
E ensaio clínico randomizado.

Quando se trata da análise sobre as relações entre determinantes sociais e saúde, um dos principais desafios é estabelecer uma hierarquia de determinações entre, de um lado, os fatores mais gerais de natureza social, econômica e política e, de outro, as mediações por meio das quais esses fatores incidem sobre a situação de saúde de grupos e pessoas, já que a relação de determinação não é uma simples relação direta de causa-efeito. Dentre os diversos enfoques adotados para esses estudos, o modelo de Dahlgren e Whitehead inclui os Determinantes Sociais da Saúde (DSS) dispostos em diferentes camadas, desde uma camada mais próxima dos determinantes individuais até uma camada distal, onde se situam os macrodeterminantes. Considerando a abordagem dos DSS para mudança de comportamentos de risco, é correto afirmar que:

A a mudança de comportamentos de risco independe de mudança nas normas culturais que os influenciam;
B a mudança de comportamentos individuais requer prioritariamente a atuação sobre os indivíduos;
C comportamento e estilo de vida são fatores individuais e não são considerados parte dos DSS;
D programas educativos e comunicação social para mudança de comportamentos de risco são secundários nos DSS;
E a atuação nos DSS para mudança de comportamentos individuais requer políticas de abrangência populacional.

Um grupo de pesquisa está em dúvida sobre adotar a pesquisa experimental ou quase experimental em um projeto sobre o impacto das políticas públicas de saúde na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis na população jovem. Nesse caso, é recomendável o desenho:

A quase experimental seguido de um survey;
B experimental, para garantir o rigor metodológico e obter dados confiáveis e qualitativos;
C quase experimental, porque a atribuição dos grupos é aleatória e garante o rigor metodológico;
D quase experimental, porque os grupos são predefinidos, o que é adequado para medir o impacto de políticas públicas específicas;
E experimental, porque os grupos são predefinidos, o que é adequado para medir o impacto de políticas públicas específicas.