Texto 6A4AAA
1 Todo escritor convive com um terror permanente: o do
erro de revisão. O revisor é a pessoa mais importante na vida
de quem escreve. Ele tem o poder de vida ou de morte
4 profissional sobre o autor. A inclusão ou a omissão de uma
letra ou de uma vírgula no que sai impresso pode decidir se o
autor vai ser entendido ou não, admirado ou ridicularizado,
7 consagrado ou processado. Todo texto tem, na verdade, dois
autores: quem o escreveu e quem o revisou. Toda vez que
manda um texto para ser publicado, o autor se coloca nas mãos
10 do revisor, esperando que seu parceiro não falhe.
Pode-se imaginar o que uma conspiração organizada,
internacional, de revisores significaria para a nossa
13 civilização. Os revisores só não dominam o mundo porque
ainda não se deram conta do poder que têm. Eles
desestabilizariam qualquer regime com acentos indevidos e
16 pontuações maliciosas, além de decretos oficiais ininteligíveis.
Grandes jornais seriam levados à falência por difamações
involuntárias, exércitos inteiros seriam imobilizados por
19 manuais de instrução militar sutilmente alterados, gerações de
estudantes seriam desencaminhadas por cartilhas ambíguas
e fórmulas de química incompletas. E os efeitos de uma
22 revisão subversiva na instrução médica são terríveis demais
para contemplar.
Luis Fernando Veríssimo. Cuidado com os revisores. In: VIP Exame, mar./1995, p. 36-7 (com adaptações).
Em relação às estruturas linguísticas e às ideias do texto 6A4AAA e aos múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue os itens seguintes.
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Texto associado
Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do
texto CB1A1AAA, julgue os próximos itens.
texto CB1A1AAA, julgue os próximos itens.
Seria mantida a coerência do texto se o trecho “a partir das” (l.8) fosse substituído ou por com base nas ou por desde as , embora essas duas expressões tenham sentidos distintos.
Texto associado
Texto 1A10BBB
1 ____ O Brasil sempre foi um país com grandes
desigualdades. Marcada por diferenças sociais, econômicas
e regionais, esta nação tem procurado, nos últimos anos,
4 promover a diminuição das desigualdades que sempre
a marcaram de forma profunda. A Constituição Federal
de 1988 traçou diversos objetivos, entre eles, a construção
7 de uma sociedade livre, justa e solidária; a erradicação
da pobreza e a redução das desigualdades sociais e regionais.
Embora, infelizmente, tais metas não tenham sido
10 atingidas, ocorreram diversos avanços, como, por exemplo,
a diminuição da mortalidade infantil e do analfabetismo;
a melhoria na expectativa de vida; o aumento do número
13 de jovens nas escolas, entre outros.
No mundo, a busca pelo tratamento igual já estava
presente desde antes da Revolução Francesa, mas, a partir
16 dela, a luta por um tratamento equânime entre as pessoas
não só se tornou sinônimo de aplicação de justiça,
como também passou a ser um dos aspectos de como
19 a dignidade da pessoa humana se revela, em especial,
no tratamento que o Estado reserva ao homem.
O direito à igualdade ou ao tratamento isonômico
22 está definido como um direito fundamental, assumindo posição
de destaque na sociedade moderna e invertendo a tradicional
relação entre o Estado e o indivíduo, ao reconhecer que
25 a pessoa humana tem, primeiro, direitos, e, depois,
deveres perante o Estado, e que os direitos que o Estado
tem em relação ao indivíduo se ordenam ao objetivo
28 de melhor cuidar das necessidades dos seus cidadãos.
Por meio de ações corretivas dos poderes públicos
e do estabelecimento de direitos relativos à assistência social,
31 à educação, ao trabalho, ao lazer, à saúde, à cultura e ao
esporte, por exemplo, procurou-se promover uma igualdade
material, ou seja, o tratamento equânime de todos os seres
34 humanos, bem como a sua equiparação no que diz respeito
às possibilidades de concessão de oportunidades.
Embora a tributação tenha um papel fundamental
37 como instrumento reformador e capaz de atuar na diminuição
das desigualdades, o modo como o sistema tributário está
estruturado não logra os objetivos estabelecidos pela
40 Constituição Federal de 1988. Há, portanto, necessidade
de uma reforma para que ele se adéque às exigências de um
sistema justo, com fundamento na igualdade e na capacidade
43 contributiva, em busca de uma maior justiça social e fiscal.
Nesse sentido, o imposto sobre a renda das pessoas físicas é o
maior responsável por fazer avançar ou retroceder a capacidade
46 econômica e, por consequência, a solidariedade social.
Élvio Gusmão Santos. Internet: (com adaptações).
1 ____ O Brasil sempre foi um país com grandes
desigualdades. Marcada por diferenças sociais, econômicas
e regionais, esta nação tem procurado, nos últimos anos,
4 promover a diminuição das desigualdades que sempre
a marcaram de forma profunda. A Constituição Federal
de 1988 traçou diversos objetivos, entre eles, a construção
7 de uma sociedade livre, justa e solidária; a erradicação
da pobreza e a redução das desigualdades sociais e regionais.
Embora, infelizmente, tais metas não tenham sido
10 atingidas, ocorreram diversos avanços, como, por exemplo,
a diminuição da mortalidade infantil e do analfabetismo;
a melhoria na expectativa de vida; o aumento do número
13 de jovens nas escolas, entre outros.
No mundo, a busca pelo tratamento igual já estava
presente desde antes da Revolução Francesa, mas, a partir
16 dela, a luta por um tratamento equânime entre as pessoas
não só se tornou sinônimo de aplicação de justiça,
como também passou a ser um dos aspectos de como
19 a dignidade da pessoa humana se revela, em especial,
no tratamento que o Estado reserva ao homem.
O direito à igualdade ou ao tratamento isonômico
22 está definido como um direito fundamental, assumindo posição
de destaque na sociedade moderna e invertendo a tradicional
relação entre o Estado e o indivíduo, ao reconhecer que
25 a pessoa humana tem, primeiro, direitos, e, depois,
deveres perante o Estado, e que os direitos que o Estado
tem em relação ao indivíduo se ordenam ao objetivo
28 de melhor cuidar das necessidades dos seus cidadãos.
Por meio de ações corretivas dos poderes públicos
e do estabelecimento de direitos relativos à assistência social,
31 à educação, ao trabalho, ao lazer, à saúde, à cultura e ao
esporte, por exemplo, procurou-se promover uma igualdade
material, ou seja, o tratamento equânime de todos os seres
34 humanos, bem como a sua equiparação no que diz respeito
às possibilidades de concessão de oportunidades.
Embora a tributação tenha um papel fundamental
37 como instrumento reformador e capaz de atuar na diminuição
das desigualdades, o modo como o sistema tributário está
estruturado não logra os objetivos estabelecidos pela
40 Constituição Federal de 1988. Há, portanto, necessidade
de uma reforma para que ele se adéque às exigências de um
sistema justo, com fundamento na igualdade e na capacidade
43 contributiva, em busca de uma maior justiça social e fiscal.
Nesse sentido, o imposto sobre a renda das pessoas físicas é o
maior responsável por fazer avançar ou retroceder a capacidade
46 econômica e, por consequência, a solidariedade social.
Élvio Gusmão Santos. Internet: (com adaptações).
Feitas as devidas alterações na pontuação e nas maiúsculas e minúsculas, a correção gramatical e o sentido original do texto 1A10BBB seriam preservados caso o vocábulo “infelizmente” (l.9) fosse deslocado para
Seriam mantidos o sentido e a correção gramatical do texto
1A1AAA, se o trecho “porque incomoda” (l.22) fosse substituído
por
Texto associado
1 Dá licença, dona Rachel, para eu contar o que sucedeu
depois daquele dia em que Conceição viu o Vicente “sumir-se
no nevoeiro dourado da noite, passando a galope, como um
4 fantasma, por entre o vulto sombrio dos serrotes”. A senhora
sabe que eles eram um do outro, desde o começo desta história
de ir embora e de ficar. Pois bem. Vicente voltou no mesmo
7 galope para o olhar de Conceição, já que pior do que a seca é
a solidão, essa sede que mata a alma da gente.
Os dois se casaram, como tinha de ser, em tempo de
10 chuva no Quixadá. E tiveram tantos filhos, seus e das secas, e
tantos netos, e tantos descendentes que povoaram o sertão de
bem-querer e de coragem.
13 Sim, foi vagaroso até que o “feijão grelasse,
enramasse, florasse, que o milho abrisse as palmas, estendesse
o pendão, bonecasse, e lentamente endurecesse o caroço; e que
16 ainda por muitos meses a mandioca aprofundasse na terra as
raízes negras...”. Foram cem anos, até que nascessem Marias
e Josés, rainhas do doce e reis da palma, e outras Inácias, entre
19 fé e semeadura. Foram cem anos até haver a sombra da
mandala, a multiplicação do gado, a terra de tudo.
Ainda não tem água e há o lamento, mas aconteceu
22 também de o sertanejo aprender a reinventar a lida e semear a
felicidade. Essas são as gentes da Conceição e do Vicente —
que não envergavam e permaneceram porque o sertão mesmo
25 diz: “Não me deixes”.
É assim, dona Rachel, a história que o jornal conta
neste quarto ano de “seca encarrilhada”, no dizer do povo. São
28 outros quinze.
Internet: (com adaptações).
A respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens que se seguem.
depois daquele dia em que Conceição viu o Vicente “sumir-se
no nevoeiro dourado da noite, passando a galope, como um
4 fantasma, por entre o vulto sombrio dos serrotes”. A senhora
sabe que eles eram um do outro, desde o começo desta história
de ir embora e de ficar. Pois bem. Vicente voltou no mesmo
7 galope para o olhar de Conceição, já que pior do que a seca é
a solidão, essa sede que mata a alma da gente.
Os dois se casaram, como tinha de ser, em tempo de
10 chuva no Quixadá. E tiveram tantos filhos, seus e das secas, e
tantos netos, e tantos descendentes que povoaram o sertão de
bem-querer e de coragem.
13 Sim, foi vagaroso até que o “feijão grelasse,
enramasse, florasse, que o milho abrisse as palmas, estendesse
o pendão, bonecasse, e lentamente endurecesse o caroço; e que
16 ainda por muitos meses a mandioca aprofundasse na terra as
raízes negras...”. Foram cem anos, até que nascessem Marias
e Josés, rainhas do doce e reis da palma, e outras Inácias, entre
19 fé e semeadura. Foram cem anos até haver a sombra da
mandala, a multiplicação do gado, a terra de tudo.
Ainda não tem água e há o lamento, mas aconteceu
22 também de o sertanejo aprender a reinventar a lida e semear a
felicidade. Essas são as gentes da Conceição e do Vicente —
que não envergavam e permaneceram porque o sertão mesmo
25 diz: “Não me deixes”.
É assim, dona Rachel, a história que o jornal conta
neste quarto ano de “seca encarrilhada”, no dizer do povo. São
28 outros quinze.
Internet: (com adaptações).
A respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens que se seguem.
Sem prejuízo para o sentido original e para a correção gramatical do texto, a forma verbal ‘grelasse’ (l.13) poderia ser substituída por germinasse.
Texto associado
Texto para as questões de 1 a 7.
1 Se a ciência está certa e nossa felicidade é
determinada por nosso sistema bioquímico, então a única
maneira de assegurar um contentamento duradouro é
4 equipar esse sistema. Esqueçamos o crescimento
econômico, as reformas sociais e as revoluções políticas:
para elevar os níveis globais de felicidade, precisamos
7 manipular a bioquímica humana. E foi exatamente isso que
começamos a fazer durante as últimas décadas. Cinquenta
anos atrás, as drogas psiquiátricas carregavam em seu bojo
10 um grave estigma. Hoje esse estigma foi quebrado. Para o
bem ou para o mal, uma porcentagem crescente da
população toma remédios psiquiátricos regularmente, não
13 apenas para curar doenças mentais debilitantes, mas
também para enfrentar depressões mais corriqueiras e
melancolias ocasionais.
16 Um número crescente de crianças em idade escolar
toma estimulantes neurológicos. Em 2011, 3,5 milhões de
crianças americanas tomaram medicamentos para o
19 transtorno de deficit de atenção e hiperatividade. No Reino
Unido, o número se elevou de 92 mil crianças em 1997 para
786 mil em 2012. O objetivo original consistia em tratar
22 distúrbios de atenção, mas hoje crianças totalmente
saudáveis ingerem esses remédios para melhorar o
desempenho e atender às crescentes expectativas de pais e
25 professores. Muitos se opõem a isso e alegam que o
problema está no sistema educacional, e não nas crianças.
Se existem alunos que sofrem de transtornos de atenção e
28 de estresse e tiram notas baixas, talvez o problema deva ser
atribuído aos métodos de ensino antiquados, às classes
lotadas e a um ritmo de vida que não é natural. Talvez
31 devamos modificar as escolas, e não as crianças. É
interessante observar como esses argumentos evoluíram.
Os métodos educacionais têm sido motivo de discussão há
34 milhares de anos. Tanto na China como na Grã‐Bretanha
vitoriana, cada um tinha um método de sua preferência e se
opunha veementemente às alternativas existentes. Mas há
37 um ponto com que todos sempre concordaram: para poder
melhorar a educação, era preciso mudar as escolas. Hoje,
pela primeira vez na história, algumas pessoas pensam que
40 seria mais eficaz mudar a bioquímica dos alunos.
Yuval Noah Harari (trad. Paulo Geiger). Homo Deus: uma
breve história do amanhã . São Paulo: Companhia
das Letras, 2016, p. 47‐8 (com adaptações).
1 Se a ciência está certa e nossa felicidade é
determinada por nosso sistema bioquímico, então a única
maneira de assegurar um contentamento duradouro é
4 equipar esse sistema. Esqueçamos o crescimento
econômico, as reformas sociais e as revoluções políticas:
para elevar os níveis globais de felicidade, precisamos
7 manipular a bioquímica humana. E foi exatamente isso que
começamos a fazer durante as últimas décadas. Cinquenta
anos atrás, as drogas psiquiátricas carregavam em seu bojo
10 um grave estigma. Hoje esse estigma foi quebrado. Para o
bem ou para o mal, uma porcentagem crescente da
população toma remédios psiquiátricos regularmente, não
13 apenas para curar doenças mentais debilitantes, mas
também para enfrentar depressões mais corriqueiras e
melancolias ocasionais.
16 Um número crescente de crianças em idade escolar
toma estimulantes neurológicos. Em 2011, 3,5 milhões de
crianças americanas tomaram medicamentos para o
19 transtorno de deficit de atenção e hiperatividade. No Reino
Unido, o número se elevou de 92 mil crianças em 1997 para
786 mil em 2012. O objetivo original consistia em tratar
22 distúrbios de atenção, mas hoje crianças totalmente
saudáveis ingerem esses remédios para melhorar o
desempenho e atender às crescentes expectativas de pais e
25 professores. Muitos se opõem a isso e alegam que o
problema está no sistema educacional, e não nas crianças.
Se existem alunos que sofrem de transtornos de atenção e
28 de estresse e tiram notas baixas, talvez o problema deva ser
atribuído aos métodos de ensino antiquados, às classes
lotadas e a um ritmo de vida que não é natural. Talvez
31 devamos modificar as escolas, e não as crianças. É
interessante observar como esses argumentos evoluíram.
Os métodos educacionais têm sido motivo de discussão há
34 milhares de anos. Tanto na China como na Grã‐Bretanha
vitoriana, cada um tinha um método de sua preferência e se
opunha veementemente às alternativas existentes. Mas há
37 um ponto com que todos sempre concordaram: para poder
melhorar a educação, era preciso mudar as escolas. Hoje,
pela primeira vez na história, algumas pessoas pensam que
40 seria mais eficaz mudar a bioquímica dos alunos.
Yuval Noah Harari (trad. Paulo Geiger). Homo Deus: uma
breve história do amanhã . São Paulo: Companhia
das Letras, 2016, p. 47‐8 (com adaptações).
Estariam mantidas a correção gramatical e a coerência do texto caso se substituísse
Texto associado
Para responder às questões de 6 a 10 , leia os quadrinhos a seguir.
(https://vitorvictor.files.wordpress.com/2015/01/10651_599216520123658 _557393730_n.png).
(https://vitorvictor.files.wordpress.com/2015/01/10651_599216520123658 _557393730_n.png).
Se o período "Depois a gente conversa" fosse reescrito, com a substituição da expressão "a gente" por um pronome pessoal, a forma verbal ficaria flexionada:
Texto associado
1 Quem é autônomo é livre, capaz e competente para
realizar alguma atividade. Costuma-se dizer que o indivíduo
ganha autonomia quando consegue cumprir certas tarefas
4 sem a ajuda do outro. Talvez, por isso, uma palavra de
imediato relacionada ao conceito seja independência.
Contudo, a ideia de independência expressa apenas
7 um dos lados da questão. O outro se refere à necessidade de
pertencer, de saber conviver e compartilhar. Assim, a pessoa
autônoma é livre por ser capaz de agir por si mesma e, ao
10 mesmo tempo, responsável porque age como parte de um
grupo.
Por exemplo, um indivíduo que não sabe ler depende
13 de um outro letrado para ter contato com o conteúdo dos
livros ou de qualquer material escrito. Na medida em que ele
se alfabetiza, adquire conhecimentos suficientes para ler e
16 torna-se independente de um leitor externo.
Ser autônomo se torna possível por um jogo de
interdependências, ou interacionismo, segundo Piaget. De
19 um lado, existem aspectos externos ao sujeito: o ambiente,
as pessoas, o livro. De outro, aspectos internos, como as
ferramentas que o habilitam: os conhecimentos prévios, as
22 condições orgânicas. Um terceiro ponto é o comportamento:
aquilo que o indivíduo realiza ou pensa e que ninguém pode
fazer por ele. Vale dizer que cada pessoa reage de forma
25 diferente a um mesmo objeto ou situação. Em inglês, existe
o termo self government (autogoverno), que indica que não
é o estímulo o elemento determinante dessa reação, e sim o
28 que o sujeito faz ou compreende em função do estímulo. Por
isso a interação é um elemento tão primordial para a
construção da autonomia.
31 Na vida contemporânea, todos querem ser livres ou
independentes. Querem compartilhar, fazer parte de algo
que julgam significativo para si e para os outros. Um dos
34 problemas para alcançar essas realizações é justamente o de
enfrentar e superar dois obstáculos internos muito
desafiadores. Um deles é o modo como a pessoa interage
37 com as coisas e como expressa suas reações emocionais ou
afetivas. Entre elas figura o medo da mudança. O outro
refere-se à necessidade de aperfeiçoamento, ao
40 compromisso de aprender algo que o capacita a ser incluído
no grupo daqueles que já sabem.
É, na prática, tornar-se outro , superando todo tipo de
43 reações negativas e resistências. E é também tornar-se como
o outro , aprendendo habilidades e conhecimentos. Um
sujeito duplamente passivo ― por estar subordinado a
46 padrões de medo ou raiva, e de ignorância ou desatenção ―
dá lugar a um sujeito ativo e responsável por suas ações e
independente, sem deixar de ser interdependente. Dizendo
49 assim, parece uma tarefa quase impossível, mas é esse
impossível que hoje embala os sonhos de um século que
necessita de pessoas que sejam, ao mesmo tempo, livres e
52 solidárias, ou seja, autônomas.
Lino de Macedo. Ser autônomo é vencer resistências e transformar-se .
Internet: (com adaptações).
Julgue os próximos itens no que se refere à correção gramatical e à coerência da proposta de reescrita para cada um dos trechos destacados do texto.
realizar alguma atividade. Costuma-se dizer que o indivíduo
ganha autonomia quando consegue cumprir certas tarefas
4 sem a ajuda do outro. Talvez, por isso, uma palavra de
imediato relacionada ao conceito seja independência.
Contudo, a ideia de independência expressa apenas
7 um dos lados da questão. O outro se refere à necessidade de
pertencer, de saber conviver e compartilhar. Assim, a pessoa
autônoma é livre por ser capaz de agir por si mesma e, ao
10 mesmo tempo, responsável porque age como parte de um
grupo.
Por exemplo, um indivíduo que não sabe ler depende
13 de um outro letrado para ter contato com o conteúdo dos
livros ou de qualquer material escrito. Na medida em que ele
se alfabetiza, adquire conhecimentos suficientes para ler e
16 torna-se independente de um leitor externo.
Ser autônomo se torna possível por um jogo de
interdependências, ou interacionismo, segundo Piaget. De
19 um lado, existem aspectos externos ao sujeito: o ambiente,
as pessoas, o livro. De outro, aspectos internos, como as
ferramentas que o habilitam: os conhecimentos prévios, as
22 condições orgânicas. Um terceiro ponto é o comportamento:
aquilo que o indivíduo realiza ou pensa e que ninguém pode
fazer por ele. Vale dizer que cada pessoa reage de forma
25 diferente a um mesmo objeto ou situação. Em inglês, existe
o termo self government (autogoverno), que indica que não
é o estímulo o elemento determinante dessa reação, e sim o
28 que o sujeito faz ou compreende em função do estímulo. Por
isso a interação é um elemento tão primordial para a
construção da autonomia.
31 Na vida contemporânea, todos querem ser livres ou
independentes. Querem compartilhar, fazer parte de algo
que julgam significativo para si e para os outros. Um dos
34 problemas para alcançar essas realizações é justamente o de
enfrentar e superar dois obstáculos internos muito
desafiadores. Um deles é o modo como a pessoa interage
37 com as coisas e como expressa suas reações emocionais ou
afetivas. Entre elas figura o medo da mudança. O outro
refere-se à necessidade de aperfeiçoamento, ao
40 compromisso de aprender algo que o capacita a ser incluído
no grupo daqueles que já sabem.
É, na prática, tornar-se outro , superando todo tipo de
43 reações negativas e resistências. E é também tornar-se como
o outro , aprendendo habilidades e conhecimentos. Um
sujeito duplamente passivo ― por estar subordinado a
46 padrões de medo ou raiva, e de ignorância ou desatenção ―
dá lugar a um sujeito ativo e responsável por suas ações e
independente, sem deixar de ser interdependente. Dizendo
49 assim, parece uma tarefa quase impossível, mas é esse
impossível que hoje embala os sonhos de um século que
necessita de pessoas que sejam, ao mesmo tempo, livres e
52 solidárias, ou seja, autônomas.
Lino de Macedo. Ser autônomo é vencer resistências e transformar-se .
Internet: (com adaptações).
Julgue os próximos itens no que se refere à correção gramatical e à coerência da proposta de reescrita para cada um dos trechos destacados do texto.
“O outro refere-se à necessidade de aperfeiçoamento, ao compromisso de aprender algo que o capacita a ser incluído no grupo daqueles que já sabem.” (linhas de 38 a 41): O outro problema diz respeito a necessidade de aperfeiçoamento, ao compromisso de aprender algo que lhe capacita para ser incluído no grupo dos que já sabem.
Dessa forma , as autoridades poderão não apenas confiscar equipamentos utilizados para piratear sinal de TV por assinatura,
mas também poderão prender os responsáveis e colocá-los no sistema sob legislação específica . (3º parágrafo)
O trecho acima fica corretamente reescrito com a mudança da expressão destacada, preservando-se seu significado original,
por:
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 7 a 11, baseie-se no texto abaixo.
O moderno pelo moderno
O escritor mexicano Octavio Paz, num de seus ensaios, lembrou que nós somos os integrantes de uma época que se chamam a si mesmos de modernos . Segundo ele, antes de nós as pessoas se identificavam como românticas, realistas, utópicas, revolucionárias, conservadoras etc. Nós nos chamamos de modernos, e ao nosso tempo de modernidade. Para Octavio Paz, isso significa que a qualidade de que nos valemos para nossa localização no tempo é o próprio tempo – razão, talvez, para se pensar que já não temos nenhuma qualidade própria, a não ser a de sermos contemporâneos de nós mesmos. E o que seria ser moderno?
Tudo indica que nosso tempo de aceleradíssimo desenvolvimento tecnológico e alucinante escalada de todos os meios de comunicação nos fez perder o sentido de qualquer outra coisa que não seja essa espécie de euforia por um presente permanente, vitorioso, que apaga toda a história passada e mira num futuro tão próximo que já parece estar sendo vivido. Teríamos perdido, portanto, um critério mais amplo para viver a fundo a nossa própria humanidade: seríamos produtos de um tempo que parece correr com velocidade própria e nos convida para pegar uma carona com ele, rumo à consumação de sabe-se lá qual projeto. Octavio Paz alerta-nos, pois, para alguma despersonalização coletiva que nos arrasta a todos, seduzidos pelos evidentes sucessos e fulminantes conquistas da ciência que já não sabemos se ainda estamos dominando ou apenas nos põe num caminho diferente do que até agora entendíamos como o rumo da civilização.
(Salvador Angusto, inédito )
O moderno pelo moderno
O escritor mexicano Octavio Paz, num de seus ensaios, lembrou que nós somos os integrantes de uma época que se chamam a si mesmos de modernos . Segundo ele, antes de nós as pessoas se identificavam como românticas, realistas, utópicas, revolucionárias, conservadoras etc. Nós nos chamamos de modernos, e ao nosso tempo de modernidade. Para Octavio Paz, isso significa que a qualidade de que nos valemos para nossa localização no tempo é o próprio tempo – razão, talvez, para se pensar que já não temos nenhuma qualidade própria, a não ser a de sermos contemporâneos de nós mesmos. E o que seria ser moderno?
Tudo indica que nosso tempo de aceleradíssimo desenvolvimento tecnológico e alucinante escalada de todos os meios de comunicação nos fez perder o sentido de qualquer outra coisa que não seja essa espécie de euforia por um presente permanente, vitorioso, que apaga toda a história passada e mira num futuro tão próximo que já parece estar sendo vivido. Teríamos perdido, portanto, um critério mais amplo para viver a fundo a nossa própria humanidade: seríamos produtos de um tempo que parece correr com velocidade própria e nos convida para pegar uma carona com ele, rumo à consumação de sabe-se lá qual projeto. Octavio Paz alerta-nos, pois, para alguma despersonalização coletiva que nos arrasta a todos, seduzidos pelos evidentes sucessos e fulminantes conquistas da ciência que já não sabemos se ainda estamos dominando ou apenas nos põe num caminho diferente do que até agora entendíamos como o rumo da civilização.
(Salvador Angusto, inédito )