O texto a seguir refere-se às questões de 1 a 11.
A MODA DA HONESTIDADE E MORALIDADE
Isnar Amaral
__ Cria-se tanta moda neste planeta, umas até bastante estranhas, mas acabam caindo no gosto das pessoas. Ora, segundo definição em estatística, moda é o valor, conjunto de dados ou comportamentos que ocorrem com maior frequência, o que é comum para a maioria.
__ Então, com base neste conceito, ocorreme uma inspiração que poderia mudar as atitudes deste país a partir das crianças. Sim, a partir delas já, pois a grande maioria já escolhe as marcas e os modelos do que quer usar ou ganhar, influenciada pela ação profissional dos marqueteiros. As mais diversas mídias criam e mudam conceitos a partir da insistência de divulgação, sendo, ao mesmo tempo, uma ferramenta e uma arma. Em dado período, a música sertaneja era coisa de “grosso”, porém bastou acrescentar a palavra “universitário” para cair no gosto da grande maioria, criando, assim, uma moda. __
Por que não criar a moda do honestamente correto, do moralmente correto, do humanamente correto e do saudável? Com certeza, o surgimento de um movimento neste sentido seria de eficácia extraordinária, pois a moda é uma onda que se alastra com velocidade extrema. Se esta iniciativa fosse implantada por meio da educação escolar, talvez provocasse algum efeito daqui a dezenas de anos. Se fosse lançada como moda, no mesmo ano a grande maioria das pessoas entraria em ressonância. Seria a arrancada para a criação de uma sociedade mais correta e justa, pelo simples fato de que todos querem andar na moda.
__ Os grandes criadores de moda e de comportamentos têm este poder, basta querer e colocar em prática. A questão toda é se isto interessa a alguém e de que modo pode gerar lucros.
__ A “nova moda” agregaria um aliado na nossa atividade profissional – que é criar ambientes propícios para a saúde física, mental e financeira às pessoas e empresas. A nossa atuação tem como mote eliminar nocividades dos ambientes residenciais visando à manutenção da saúde dos ocupantes e realinhar a energia dos ambientes empresariais em prol do pleno desenvolvimento do negócio, sempre considerando a honestidade, a moralidade e o ambientalmente correto. Pessoas saudáveis e empresas de sucesso são os nossos objetivos, a partir dos seus ambientes.
__ Pode ser um devaneio, mas como tudo o que se cria parte de um sonho, uma ideia ou pensamento, não seria esta a forma mais imediata para mudar o ambiente de um país de espertos em causa própria? [...]
Adaptado de: https://www.portaldenoticias.com.br/noticia/4761/opiniao-amoda-da-honestidade-e-moralidade.html. Acesso em: 24 fev. 2022.
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Texto associado
SAÚDE MENTAL NO TRABALHO
“Trabalhe enquanto eles dormem, estude enquanto eles se divertem”. Muito provavelmente você já ouviu essa e outras expressões semelhantes, indicando que, quanto mais trabalharmos, maior será nosso sucesso e nossa prosperidade na vida.
Porém, você já parou para pensar sobre as implicações de uma vida em que a centralidade está no trabalho? Já observou como muitas vezes as pessoas estão exaustas, sem energia para atividades de lazer ou mesmo para estar com amigos e família?
Essa lógica produtivista, em que as pessoas se tornam seus chefes (e, por vezes, seus piores carrascos), ignora que há sempre uma condição de possibilidade (social, material, cultural) para o alcance de certos objetivos e daquilo que a sociedade considera como sucesso. Além disso, produz, com frequência, adoecimento nos ambientes laborais, sem estimular que as pessoas questionem a que condições de trabalho estão submetidas e o quanto o estilo de vida laboral pode impactar em sua saúde de modo global.
Como cuidar da saúde mental no trabalho?
É importante que as empresas pensem em práticas que considerem, na medida do possível, a singularidade de cada sujeito, visando contemplar suas necessidades e características, tornando as condições de trabalho favoráveis ao bem-estar.
Entre essas práticas, estão, por exemplo, a flexibilização da jornada de trabalho, incluindo possibilidade de home office e de saídas para cuidados com a saúde, como consultas médicas e psicoterapia, ou até mesmo períodos para oferecer cuidados à família, quando necessário, sem que haja prejuízos ao trabalhador.
Também podem ser pensadas ações para o enfrentamento de dinâmicas negativas e punitivas no ambiente, estimulando que os trabalhadores se sintam confiantes em participar das decisões que impactam diretamente em suas atividades e também em seu bem-estar.
Por fim, é fundamental trabalhar as relações entre gestores e colegas, para que se crie um ambiente mais cooperativo e menos competitivo, incentivando que haja constituição, alinhamento e reforço constante de um projeto coletivo de trabalho.
Adaptado de: https://conscienciapsicologia.com.br/saude-mentalno-trabalho%ef%bf%bc/. Acesso em: 3 jun. 2022.
“Trabalhe enquanto eles dormem, estude enquanto eles se divertem”. Muito provavelmente você já ouviu essa e outras expressões semelhantes, indicando que, quanto mais trabalharmos, maior será nosso sucesso e nossa prosperidade na vida.
Porém, você já parou para pensar sobre as implicações de uma vida em que a centralidade está no trabalho? Já observou como muitas vezes as pessoas estão exaustas, sem energia para atividades de lazer ou mesmo para estar com amigos e família?
Essa lógica produtivista, em que as pessoas se tornam seus chefes (e, por vezes, seus piores carrascos), ignora que há sempre uma condição de possibilidade (social, material, cultural) para o alcance de certos objetivos e daquilo que a sociedade considera como sucesso. Além disso, produz, com frequência, adoecimento nos ambientes laborais, sem estimular que as pessoas questionem a que condições de trabalho estão submetidas e o quanto o estilo de vida laboral pode impactar em sua saúde de modo global.
Como cuidar da saúde mental no trabalho?
É importante que as empresas pensem em práticas que considerem, na medida do possível, a singularidade de cada sujeito, visando contemplar suas necessidades e características, tornando as condições de trabalho favoráveis ao bem-estar.
Entre essas práticas, estão, por exemplo, a flexibilização da jornada de trabalho, incluindo possibilidade de home office e de saídas para cuidados com a saúde, como consultas médicas e psicoterapia, ou até mesmo períodos para oferecer cuidados à família, quando necessário, sem que haja prejuízos ao trabalhador.
Também podem ser pensadas ações para o enfrentamento de dinâmicas negativas e punitivas no ambiente, estimulando que os trabalhadores se sintam confiantes em participar das decisões que impactam diretamente em suas atividades e também em seu bem-estar.
Por fim, é fundamental trabalhar as relações entre gestores e colegas, para que se crie um ambiente mais cooperativo e menos competitivo, incentivando que haja constituição, alinhamento e reforço constante de um projeto coletivo de trabalho.
Adaptado de: https://conscienciapsicologia.com.br/saude-mentalno-trabalho%ef%bf%bc/. Acesso em: 3 jun. 2022.
Assinale a alternativa que apresenta uma expressão que substitui corretamente a destacada em “[...] você já parou para pensar sobre as implicações [...]”.
Texto associado
O texto a seguir refere-se às questões 11 a 20.
NÃO SENTA LÁ, CLÁUDIA
A sua cadeira vai matar você. Isso porque muitos problemas estão associados a quem passa a vida sentado, como aumento de chances de diabetes, problemas urinários e lesões na coluna. E não adianta fazer academia. Uma pesquisa da Universidade de Queensland, na Austrália, concluiu que, a cada hora sentada, a pessoa reduz em 21 minutos sua expectativa de vida. Outro estudo comparou dois grupos de meninas. O primeiro, que ficou sentado por três horas consecutivas, apresentou uma redução das funções cardiovasculares, associadas a problemas como infarto.
Os fundadores da startup americana Jaswig questionam a cultura de produzir tudo sentado, e acham que a luta contra esse perigo tem de começar cedo. A empresa criou carteiras para que as crianças possam estudar em pé. A ideia é acostumar os pequenos para que não se tornem adultos dependentes de assentos.
A companhia diz ter analisado a maneira como as crianças levantam objetos para que a carteira pudesse facilmente ser ajustada entre os modos “em pé” e “sentado”. Embora venda os móveis para qualquer um que queira tê-los em casa, a Jaswig imagina que sua criação possa ser ainda mais importante na escola. [...]
Para quem passa muito tempo sentado, o ideal é se levantar por 10 ou 15 minutos a cada hora. A mudança de posição também vale para quem trabalha em pé. “A proposta da Jaswig pode estar relacionada à busca de maior produtividade no trabalho na vida adulta, o que é questionável”, diz Francisco Lacaz, professor do Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp.
(Adaptado de: ROMANI, Bruno. Não senta lá, Cláudia. Revista Galileu. Nov. 2015.)
NÃO SENTA LÁ, CLÁUDIA
A sua cadeira vai matar você. Isso porque muitos problemas estão associados a quem passa a vida sentado, como aumento de chances de diabetes, problemas urinários e lesões na coluna. E não adianta fazer academia. Uma pesquisa da Universidade de Queensland, na Austrália, concluiu que, a cada hora sentada, a pessoa reduz em 21 minutos sua expectativa de vida. Outro estudo comparou dois grupos de meninas. O primeiro, que ficou sentado por três horas consecutivas, apresentou uma redução das funções cardiovasculares, associadas a problemas como infarto.
Os fundadores da startup americana Jaswig questionam a cultura de produzir tudo sentado, e acham que a luta contra esse perigo tem de começar cedo. A empresa criou carteiras para que as crianças possam estudar em pé. A ideia é acostumar os pequenos para que não se tornem adultos dependentes de assentos.
A companhia diz ter analisado a maneira como as crianças levantam objetos para que a carteira pudesse facilmente ser ajustada entre os modos “em pé” e “sentado”. Embora venda os móveis para qualquer um que queira tê-los em casa, a Jaswig imagina que sua criação possa ser ainda mais importante na escola. [...]
Para quem passa muito tempo sentado, o ideal é se levantar por 10 ou 15 minutos a cada hora. A mudança de posição também vale para quem trabalha em pé. “A proposta da Jaswig pode estar relacionada à busca de maior produtividade no trabalho na vida adulta, o que é questionável”, diz Francisco Lacaz, professor do Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp.
(Adaptado de: ROMANI, Bruno. Não senta lá, Cláudia. Revista Galileu. Nov. 2015.)
Sobre os termos destacados em “[...] muitos problemas estão associados a quem passa a vida sentado [...]” e “A proposta da Jaswig pode estar relacionada à busca de maior produtividade [...]”, assinale a alternativa correta.
Texto associado
Texto CG3A2-I
1 Uma noite, há anos, acordei bruscamente e uma
estranha pergunta explodiu de minha boca. De que cor eram os
olhos de minha mãe? Atordoada, custei reconhecer o quarto da
4 nova casa em que estava morando e não conseguia me lembrar
de como havia chegado até ali. E a insistente pergunta,
martelando, martelando... De que cor eram os olhos de minha
7 mãe? Aquela indagação havia surgido há dias, há meses, posso
dizer. Entre um afazer e outro, eu me pegava pensando de que
cor seriam os olhos de minha mãe. E o que a princípio tinha
10 sido um mero pensamento interrogativo, naquela noite se
transformou em uma dolorosa pergunta carregada de um tom
acusativo. Então, eu não sabia de que cor eram os olhos de
13 minha mãe? (...)
E quando, após longos dias de viagem para chegar à
minha terra, pude contemplar extasiada os olhos de minha mãe,
16 sabem o que vi? Sabem o que vi?
Vi só lágrimas e lágrimas. Entretanto, ela sorria feliz.
Mas, eram tantas lágrimas, que eu me perguntei se minha mãe
19 tinha olhos ou rios caudalosos sobre a face. E só então
compreendi. Minha mãe trazia, serenamente em si, águas
correntezas. Por isso, prantos e prantos a enfeitar o seu rosto.
22 A cor dos olhos de minha mãe era cor de olhos d’água. Águas
de Mamãe Oxum! Rios calmos, mas profundos e enganosos
para quem contempla a vida apenas pela superfície. Sim, águas
25 de Mamãe Oxum.
Conceição Evaristo. Olhos D'água. Rio de Janeiro: Pallas, 2016, p.15-9.
1 Uma noite, há anos, acordei bruscamente e uma
estranha pergunta explodiu de minha boca. De que cor eram os
olhos de minha mãe? Atordoada, custei reconhecer o quarto da
4 nova casa em que estava morando e não conseguia me lembrar
de como havia chegado até ali. E a insistente pergunta,
martelando, martelando... De que cor eram os olhos de minha
7 mãe? Aquela indagação havia surgido há dias, há meses, posso
dizer. Entre um afazer e outro, eu me pegava pensando de que
cor seriam os olhos de minha mãe. E o que a princípio tinha
10 sido um mero pensamento interrogativo, naquela noite se
transformou em uma dolorosa pergunta carregada de um tom
acusativo. Então, eu não sabia de que cor eram os olhos de
13 minha mãe? (...)
E quando, após longos dias de viagem para chegar à
minha terra, pude contemplar extasiada os olhos de minha mãe,
16 sabem o que vi? Sabem o que vi?
Vi só lágrimas e lágrimas. Entretanto, ela sorria feliz.
Mas, eram tantas lágrimas, que eu me perguntei se minha mãe
19 tinha olhos ou rios caudalosos sobre a face. E só então
compreendi. Minha mãe trazia, serenamente em si, águas
correntezas. Por isso, prantos e prantos a enfeitar o seu rosto.
22 A cor dos olhos de minha mãe era cor de olhos d’água. Águas
de Mamãe Oxum! Rios calmos, mas profundos e enganosos
para quem contempla a vida apenas pela superfície. Sim, águas
25 de Mamãe Oxum.
Conceição Evaristo. Olhos D'água. Rio de Janeiro: Pallas, 2016, p.15-9.
No trecho "Atordoada, custei reconhecer o quarto da nova casa em que estava morando e não conseguia me lembrar de como havia chegado até ali" (ℓ. 3 a 5), do texto CG3A2-I, a palavra "Atordoada" poderia ser substituída, sem alterar os sentidos do texto, pela palavra
Texto associado
Texto CG2A2-I
1 Atribui-se ao filósofo Rousseau o uso originário da
expressão serviço público. Em um texto da obra O contrato
social , a expressão abrange qualquer atividade estatal. E o faz
4 com duas conotações: de um lado, trata-se de atividades
destinadas ao serviço do público, isto é, ações pelas quais se
assegura aos cidadãos a satisfação de uma necessidade sentida
7 coletivamente, sem que cada um tenha de atendê-la
pessoalmente; de outro, é concebida como uma atividade
estatal que sucede ao serviço do rei, porque se operou uma
10 substituição na titularidade da soberania.
Na França e nos países que sofreram sua influência,
esse conceito político de Rousseau vai extravasar para o plano
13 jurídico, com as duas mesmas notas entrelaçadas, que, por
sinal, permanecem válidas na configuração atual do conceito,
quais sejam: 1) trata-se de uma atividade estatal, não de uma
16 atividade privada; 2) trata-se de uma atuação a serviço do
público para satisfazer a uma necessidade sentida
coletivamente pela sociedade.
19 Ademais, para a captação do conceito de serviço
público, deve-se considerar ainda o fator histórico-político, o
seu surgimento em uma época presidida ideologicamente por
22 determinada concepção das relações entre Estado e sociedade
e pela separação de suas distintas esferas de atuação, que
apareceram com a Revolução Francesa.
25 A concepção predominante no século XIX, na fórmula
do Estado liberal ou Estado abstencionista, pretendia o
distanciamento do Estado em relação à vida social, econômica
28 e religiosa dos indivíduos.
Esse afastamento significava, em primeiro lugar, a não
interferência do Estado na sociedade; daí as reduzidas funções
31 que lhe cabiam e a inibição do Estado no âmbito econômico e
social. Em segundo lugar, importava no antagonismo à
existência de grupos intermediários que pudessem interpor-se
34 entre o indivíduo e o Estado, como associações políticas,
culturais, profissionais.
Ficando o indivíduo politicamente só diante do
37 Estado, este se viu progressivamente obrigado a assumir, como
próprias, algumas tarefas que, até então, não tinham sido
consideradas estatais, por serem desenvolvidas pela sociedade
40 organicamente estruturada, ou seja, eram assumidas pela Igreja
(em todas as suas múltiplas personificações), pelas fundações,
pelas corporações, pelas universidades e por outros entes
43 representativos do corpo social.
Assim aconteceu, até meados do século XIX, com os
hoje chamados serviços públicos assistenciais e sociais, aqueles
46 que garantiam o direito do administrado à conservação da vida
e da saúde e ao aprimoramento de sua personalidade, como
beneficência, saúde e educação, que eram atividades assumidas
49 pela sociedade, embora o Estado as regulasse.
Dinorá Adelaide Mussetti Grossi. Evolução da teoria do serviço público.
Internet: (com adaptações).
1 Atribui-se ao filósofo Rousseau o uso originário da
expressão serviço público. Em um texto da obra O contrato
social , a expressão abrange qualquer atividade estatal. E o faz
4 com duas conotações: de um lado, trata-se de atividades
destinadas ao serviço do público, isto é, ações pelas quais se
assegura aos cidadãos a satisfação de uma necessidade sentida
7 coletivamente, sem que cada um tenha de atendê-la
pessoalmente; de outro, é concebida como uma atividade
estatal que sucede ao serviço do rei, porque se operou uma
10 substituição na titularidade da soberania.
Na França e nos países que sofreram sua influência,
esse conceito político de Rousseau vai extravasar para o plano
13 jurídico, com as duas mesmas notas entrelaçadas, que, por
sinal, permanecem válidas na configuração atual do conceito,
quais sejam: 1) trata-se de uma atividade estatal, não de uma
16 atividade privada; 2) trata-se de uma atuação a serviço do
público para satisfazer a uma necessidade sentida
coletivamente pela sociedade.
19 Ademais, para a captação do conceito de serviço
público, deve-se considerar ainda o fator histórico-político, o
seu surgimento em uma época presidida ideologicamente por
22 determinada concepção das relações entre Estado e sociedade
e pela separação de suas distintas esferas de atuação, que
apareceram com a Revolução Francesa.
25 A concepção predominante no século XIX, na fórmula
do Estado liberal ou Estado abstencionista, pretendia o
distanciamento do Estado em relação à vida social, econômica
28 e religiosa dos indivíduos.
Esse afastamento significava, em primeiro lugar, a não
interferência do Estado na sociedade; daí as reduzidas funções
31 que lhe cabiam e a inibição do Estado no âmbito econômico e
social. Em segundo lugar, importava no antagonismo à
existência de grupos intermediários que pudessem interpor-se
34 entre o indivíduo e o Estado, como associações políticas,
culturais, profissionais.
Ficando o indivíduo politicamente só diante do
37 Estado, este se viu progressivamente obrigado a assumir, como
próprias, algumas tarefas que, até então, não tinham sido
consideradas estatais, por serem desenvolvidas pela sociedade
40 organicamente estruturada, ou seja, eram assumidas pela Igreja
(em todas as suas múltiplas personificações), pelas fundações,
pelas corporações, pelas universidades e por outros entes
43 representativos do corpo social.
Assim aconteceu, até meados do século XIX, com os
hoje chamados serviços públicos assistenciais e sociais, aqueles
46 que garantiam o direito do administrado à conservação da vida
e da saúde e ao aprimoramento de sua personalidade, como
beneficência, saúde e educação, que eram atividades assumidas
49 pela sociedade, embora o Estado as regulasse.
Dinorá Adelaide Mussetti Grossi. Evolução da teoria do serviço público.
Internet: (com adaptações).
Sem prejuízo dos sentidos e da correção gramatical do texto CG2A2-I, a forma verbal “importava” (ℓ.32) poderia ser substituída por
Texto associado
Texto CG1A1-II
1 A ideia de sujeito é um legado da filosofia moderna.
Trata-se de uma das noções fundadoras do humanismo e de
alguns dos principais valores do mundo ocidental. Embora
4 encontremos referências às faculdades e disposições da
subjetividade (razão, paixões, vontades, desejos) ao longo dos
pensamentos antigo e medieval, é somente com René Descartes
7 que a noção de sujeito é constituída sob a égide de sua filosofia
da consciência. O sujeito cartesiano emerge para a filosofia
como um composto de alma e corpo, cuja atividade
10 fundamental, o pensamento, edifica as bases de todo
conhecimento possível. Com Descartes surge, pois, o sujeito
cognoscente, cuja prerrogativa fundamental consiste no uso do
13 intelecto, que, enquanto faculdade da alma, se impõe como
única via de acesso à verdade. De posse desse atributo
superior, o ser humano torna-se capaz de compreender a
16 constituição do seu corpo e apreender a realidade do mundo. O
privilégio do pensamento tem como contraponto o menosprezo
das paixões que animam a vida do indivíduo.
19 A história do pensamento demonstra, porém, que, aos
poucos, a noção de sujeito ampliou seus horizontes de
revelação. A consciência cognoscente, que definia o sujeito
22 apenas com base em sua relação com o objeto (mundo), foi
enriquecida em suas funções a partir do momento em que a
subjetividade tornou-se também reconhecida como fluxo de
25 vivências corporais e mentais. À natureza do sujeito,
constituída até então por pensamentos e intuições, foram
acrescidos percepções, sentimentos e emoções. O sujeito, em
28 sua tessitura psicológica, passou a ser representado sob a forma
de eu. O eu define o modo como percebemos, sentimos,
intuímos, decidimos, escolhemos, imaginamos, tudo que se nos
31 refere e nos afeta em nossa dimensão existencial. Esta
consciência que vive sua interioridade (identidade do eu) e
interage com o mundo é também situada no espaço onde
34 convivem outras consciências. O eu encontra aqui o seu
correlato: o outro.
Marconi Pequeno. Sujeito, autonomia e moral . In: Rosa Maria Godoy Silveira et al. Educação em direitos humanos : fundamentos teórico-metodológicos. João Pessoa: Editora Universitária, 2007, p. 187-8 (com adaptações).
1 A ideia de sujeito é um legado da filosofia moderna.
Trata-se de uma das noções fundadoras do humanismo e de
alguns dos principais valores do mundo ocidental. Embora
4 encontremos referências às faculdades e disposições da
subjetividade (razão, paixões, vontades, desejos) ao longo dos
pensamentos antigo e medieval, é somente com René Descartes
7 que a noção de sujeito é constituída sob a égide de sua filosofia
da consciência. O sujeito cartesiano emerge para a filosofia
como um composto de alma e corpo, cuja atividade
10 fundamental, o pensamento, edifica as bases de todo
conhecimento possível. Com Descartes surge, pois, o sujeito
cognoscente, cuja prerrogativa fundamental consiste no uso do
13 intelecto, que, enquanto faculdade da alma, se impõe como
única via de acesso à verdade. De posse desse atributo
superior, o ser humano torna-se capaz de compreender a
16 constituição do seu corpo e apreender a realidade do mundo. O
privilégio do pensamento tem como contraponto o menosprezo
das paixões que animam a vida do indivíduo.
19 A história do pensamento demonstra, porém, que, aos
poucos, a noção de sujeito ampliou seus horizontes de
revelação. A consciência cognoscente, que definia o sujeito
22 apenas com base em sua relação com o objeto (mundo), foi
enriquecida em suas funções a partir do momento em que a
subjetividade tornou-se também reconhecida como fluxo de
25 vivências corporais e mentais. À natureza do sujeito,
constituída até então por pensamentos e intuições, foram
acrescidos percepções, sentimentos e emoções. O sujeito, em
28 sua tessitura psicológica, passou a ser representado sob a forma
de eu. O eu define o modo como percebemos, sentimos,
intuímos, decidimos, escolhemos, imaginamos, tudo que se nos
31 refere e nos afeta em nossa dimensão existencial. Esta
consciência que vive sua interioridade (identidade do eu) e
interage com o mundo é também situada no espaço onde
34 convivem outras consciências. O eu encontra aqui o seu
correlato: o outro.
Marconi Pequeno. Sujeito, autonomia e moral . In: Rosa Maria Godoy Silveira et al. Educação em direitos humanos : fundamentos teórico-metodológicos. João Pessoa: Editora Universitária, 2007, p. 187-8 (com adaptações).
Sem prejuízo para os sentidos do texto CG1A1-II, feitas as devidas alterações gramaticais nas orações em que se encontram, os conectores “Embora” ( ℓ .3), “pois” ( ℓ .11) e “porém” ( ℓ .19) poderiam ser substituídos, respectivamente, por
Texto associado
Atenção : Considere o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 8.
....
Todos já ouvimos falar de crianças hiperativas, que não conseguem ficar paradas; ou daquelas que sonham acordadas e se distraem ao menor dos estímulos. Da mesma forma, é comum ouvirmos histórias de adultos impacientes, que comumente iniciam projetos e os abandonam no meio do caminho. Apresentam altos e baixos, são impulsivos, esquecem compromissos, falam o que lhes dá na telha. Comportamentos como esses são característicos do transtorno do déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), classificado pela Associação de Psiquiatria Americana (APA).
Quando se pensa em TDAH, logo vêm à mente imagens de um cérebro em estado de caos. Diante dessa visão restrita, pode-se ter a ideia errônea de que pessoas com TDAH estariam fadadas ao fracasso; mas, ao contrário disso, grande parte delas atuam nas mais diversas áreas profissionais de forma brilhante.
Muitas teorias têm sido elaboradas para elucidar a origem do sucesso obtido por personalidades com comportamento TDAH nos mais diversos setores do conhecimento. Porém, a ciência não tem uma explicação exata para esse fato; até porque o funcionamento cerebral humano não segue nenhuma lógica aritmética previsível. Ideias, sensações e emoções não podem ser quantificadas; são características humanas imensuráveis. Nesse território empírico, uma coisa é certa: o funcionamento cerebral TDAH favorece o exercício da mais transcendente atividade humana: a criatividade.
Se entendermos criatividade como a capacidade de ver os mais diversos aspectos da vida através de um novo prisma e então dar forma a novas ideias, notaremos que a mente TDAH, em meio à confusão resultante do intenso bombardeio de pensamentos, é capaz de entender o mundo sob ângulos habitualmente não explorados.
A hiper-reatividade é responsável pela capacidade da mente TDAH de não parar nunca. Trata-se de uma hipersensibilidade que essa mente possui de se ligar a tudo ao mesmo tempo. Uma vez que está sempre reagindo a si mesma, essa mente pensa e repensa o tempo todo. Esse estado de inquietação mental permanente mantém toda uma rede de pensamentos e imagens em atividade intensa, proporcionando, assim, o terreno ideal para o exercício da criatividade.
....
(Adaptado de: SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Mentes Inquietas: TDAH − desatenção, hiperatividade e impulsividade . São Paulo: Globo, 2014, edição digital)
....
Todos já ouvimos falar de crianças hiperativas, que não conseguem ficar paradas; ou daquelas que sonham acordadas e se distraem ao menor dos estímulos. Da mesma forma, é comum ouvirmos histórias de adultos impacientes, que comumente iniciam projetos e os abandonam no meio do caminho. Apresentam altos e baixos, são impulsivos, esquecem compromissos, falam o que lhes dá na telha. Comportamentos como esses são característicos do transtorno do déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), classificado pela Associação de Psiquiatria Americana (APA).
Quando se pensa em TDAH, logo vêm à mente imagens de um cérebro em estado de caos. Diante dessa visão restrita, pode-se ter a ideia errônea de que pessoas com TDAH estariam fadadas ao fracasso; mas, ao contrário disso, grande parte delas atuam nas mais diversas áreas profissionais de forma brilhante.
Muitas teorias têm sido elaboradas para elucidar a origem do sucesso obtido por personalidades com comportamento TDAH nos mais diversos setores do conhecimento. Porém, a ciência não tem uma explicação exata para esse fato; até porque o funcionamento cerebral humano não segue nenhuma lógica aritmética previsível. Ideias, sensações e emoções não podem ser quantificadas; são características humanas imensuráveis. Nesse território empírico, uma coisa é certa: o funcionamento cerebral TDAH favorece o exercício da mais transcendente atividade humana: a criatividade.
Se entendermos criatividade como a capacidade de ver os mais diversos aspectos da vida através de um novo prisma e então dar forma a novas ideias, notaremos que a mente TDAH, em meio à confusão resultante do intenso bombardeio de pensamentos, é capaz de entender o mundo sob ângulos habitualmente não explorados.
A hiper-reatividade é responsável pela capacidade da mente TDAH de não parar nunca. Trata-se de uma hipersensibilidade que essa mente possui de se ligar a tudo ao mesmo tempo. Uma vez que está sempre reagindo a si mesma, essa mente pensa e repensa o tempo todo. Esse estado de inquietação mental permanente mantém toda uma rede de pensamentos e imagens em atividade intensa, proporcionando, assim, o terreno ideal para o exercício da criatividade.
....
(Adaptado de: SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Mentes Inquietas: TDAH − desatenção, hiperatividade e impulsividade . São Paulo: Globo, 2014, edição digital)
Uma vez que está sempre reagindo a si mesma, essa mente pensa e repensa o tempo todo . (último parágrafo)
Mantendo as relações de sentido, o trecho acima pode ser reescrito do seguinte modo:
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 12 a 15, baseie-se no texto abaixo.
Fiscalização de serviços públicos
Fiscalização de serviços públicos é a atividade prática de verificação e acompanhamento, por profissionais habilitados, do fiel cumprimento das normas legais e técnicas relativas aos contratos de concessão firmados com os prestadores dos serviços.
A necessidade de fiscalização das concessões de serviços públicos surge para a Administração porque, pela concessão, esta não transfere a titularidade do serviço, mas apenas sua execução. Por isso, a agência reguladora necessita zelar por uma prestação de serviço público adequado ao pleno atendimento dos usuários, observando as condições de regularidade, continuidade, eficiência, segurança, atualidade e cortesia.
(Disponível em: http://www.brasilia.df.gov.br)
Fiscalização de serviços públicos
Fiscalização de serviços públicos é a atividade prática de verificação e acompanhamento, por profissionais habilitados, do fiel cumprimento das normas legais e técnicas relativas aos contratos de concessão firmados com os prestadores dos serviços.
A necessidade de fiscalização das concessões de serviços públicos surge para a Administração porque, pela concessão, esta não transfere a titularidade do serviço, mas apenas sua execução. Por isso, a agência reguladora necessita zelar por uma prestação de serviço público adequado ao pleno atendimento dos usuários, observando as condições de regularidade, continuidade, eficiência, segurança, atualidade e cortesia.
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É adequada a seguinte ponderação sobre um aspecto redacional do segundo parágrafo do texto:
Texto associado
Atenção : Considere o poema abaixo para responder às questões de números 9 a 12.
A tarde cai, por demais
Erma, úmida e silente…
A chuva, em gotas glaciais,
Chora monotonamente.
....
E enquanto anoitece, vou
Lendo, sossegado e só,
As cartas que meu avô
Escrevia a minha avó.
...
Enternecido sorrio
Do fervor desses carinhos:
É que os conheci velhinhos,
Quando o fogo era já frio.
...
Cartas de antes do noivado…
Cartas de amor que começa,
Inquieto, maravilhado,
E sem saber o que peça.
....
Temendo a cada momento
Ofendê-la, desgostá-la,
Quer ler em seu pensamento
E balbucia, não fala…
...
A mão pálida tremia
Contando o seu grande bem.
Mas, como o dele, batia
Dela o coração também
...
(BANDEIRA, Manuel. Cartas de Meu Avô )
A tarde cai, por demais
Erma, úmida e silente…
A chuva, em gotas glaciais,
Chora monotonamente.
....
E enquanto anoitece, vou
Lendo, sossegado e só,
As cartas que meu avô
Escrevia a minha avó.
...
Enternecido sorrio
Do fervor desses carinhos:
É que os conheci velhinhos,
Quando o fogo era já frio.
...
Cartas de antes do noivado…
Cartas de amor que começa,
Inquieto, maravilhado,
E sem saber o que peça.
....
Temendo a cada momento
Ofendê-la, desgostá-la,
Quer ler em seu pensamento
E balbucia, não fala…
...
A mão pálida tremia
Contando o seu grande bem.
Mas, como o dele, batia
Dela o coração também
...
(BANDEIRA, Manuel. Cartas de Meu Avô )
Mas, como o dele , batia / Dela o coração também.
A frase acima se manterá correta, sem prejuízo para o sentido original, caso o trecho sublinhado seja substituído por:
Texto associado
1 Nunca os litígios estruturais estiveram tão em voga no
Brasil. Uma confluência de fatores contribui para tanto. Entre
eles, é possível mencionar o avanço na conscientização da luta
4 pela implementação de direitos — decorrente tanto da
amplitude do texto constitucional de 1988 quanto das
inovações tecnológicas de comunicação que estendem sua
7 divulgação —, o crescimento expressivo do número de
profissionais do direito dispostos a litigar essa espécie de
causas e o deslocamento do eixo de poder em favor do Poder
10 Judiciário. Garantida sua autonomia, era previsível que o Poder
Judiciário, elevado ao papel de guardião do texto
constitucional, expandisse sua atuação para searas antes inauditas.
13 Curiosamente, essa é uma revolução silenciosa, pelo
menos do ponto de vista prático: ressalvados casos específicos,
boa parte dos operadores envolvidos em um processo relativo
16 a um litígio estrutural sequer percebe, conscientemente, sua
posição. A teoria brasileira sobre o assunto, desenvolvida pelos
estudiosos, apesar de existente, ainda não se pode dizer
19 disseminada.
E. V. D. Lima. Litígios estruturais: decisão e implementação de mudanças socialmente relevantes pela via processual. In: Marco Félix Jobim e Sérgio Cruz Arenhart (Org.). Processos estruturais. 1.ª ed. Salvador: Editora Juspodivm, v. 1, 2017, p. 369-422 (com adaptações).
Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens a seguir.
Brasil. Uma confluência de fatores contribui para tanto. Entre
eles, é possível mencionar o avanço na conscientização da luta
4 pela implementação de direitos — decorrente tanto da
amplitude do texto constitucional de 1988 quanto das
inovações tecnológicas de comunicação que estendem sua
7 divulgação —, o crescimento expressivo do número de
profissionais do direito dispostos a litigar essa espécie de
causas e o deslocamento do eixo de poder em favor do Poder
10 Judiciário. Garantida sua autonomia, era previsível que o Poder
Judiciário, elevado ao papel de guardião do texto
constitucional, expandisse sua atuação para searas antes inauditas.
13 Curiosamente, essa é uma revolução silenciosa, pelo
menos do ponto de vista prático: ressalvados casos específicos,
boa parte dos operadores envolvidos em um processo relativo
16 a um litígio estrutural sequer percebe, conscientemente, sua
posição. A teoria brasileira sobre o assunto, desenvolvida pelos
estudiosos, apesar de existente, ainda não se pode dizer
19 disseminada.
E. V. D. Lima. Litígios estruturais: decisão e implementação de mudanças socialmente relevantes pela via processual. In: Marco Félix Jobim e Sérgio Cruz Arenhart (Org.). Processos estruturais. 1.ª ed. Salvador: Editora Juspodivm, v. 1, 2017, p. 369-422 (com adaptações).
Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens a seguir.