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Texto 20A2-I

Falar ou escrever sobre Antonio Candido é, para mim, extremamente difícil. A geração à qual pertenço não seria a mesma sem a sua presença e influência. Eu próprio não seria o mesmo se a vida não me pusesse em contato com Antonio Candido, com o seu carinho, a sua severidade íntegra, a sua modéstia e o seu orgulho intelectual — enfim, a sua personalidade de educador, que se irradia irresistível, como uma exigência de perfeição e de compromisso crítico. Uma existência fecunda, devotada ao estudo, ao cultivo do talento dos jovens, ao ensino, ao florescimento da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, à contestação socialista constante e à esperança de que o Brasil venceria, por meio dos mais humildes e dos trabalhadores, as tragédias de sua dependência e o subdesenvolvimento. Sem alarde, sempre esteve na vanguarda ousada, realizando tarefas simples e complexas, escondendo-se no anonimato, mas enfrentando, sem se perturbar, todos os riscos. Duas ditaduras e muitas incompreensões cercaram a sua atuação inconformista, pois escapava à sua posição na sociedade e ao controle das elites para servir às causas da justiça social, dos jovens e dos oprimidos.
Em sua carreira, percorreu três estações: a de agitador de ideias por meio dos ensaios jornalísticos; a de professor e pesquisador no campo da sociologia; a de professor de literatura comparada e do invento literário, na qual se notabilizou convertendo a crítica literária em forma de criação cultural e em ramo da literatura.
Escapou aos ismos, que circulavam nos ambientes acadêmicos, e forjou recursos complexos de explicação, integrativos e de síntese, que demarcam a obra da inteligência erudita e criadora, que, em outros tempos, se caracterizariam como a ciência da produção literária. Em nossos dias, de resistência ao positivismo e ao cientificismo, tal preocupação desvaneceu-se. O que não impede de trazê-la à baila, para que se possa conferir à razão como dar conta da categoria de saber a que chegou Antonio Candido, por seus méritos, sua capacidade de trabalho e seu espírito inventivo.

Florestan Fernandes. A contestação necessária . São Paulo: Expressão Popular, 2015, p. 107-108 (com adaptações).

Considerando aspectos estilísticos e coesivos do texto 20A2-I, bem como o atendimento à norma-padrão da língua portuguesa, julgue os itens a seguir.

A enumeração é um recurso estilístico dominante no primeiro parágrafo do texto e, nesse caso, cumpre a função textual de apresentar um perfil de Antonio Candido.

C Certo
E Errado
Órgão: Tribunal de Justiça do Espírito Santo Cargo: Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade: Taquigrafia Prova: CESPE/CEBRASPE - TJ ES - Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade: Taquigrafia - 2023
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Atenção : Considere o texto abaixo, para responder às questões de números 13 e 14.

Nos textos gregos e romanos, a injunção para conhecer-se a si mesmo está sempre associada àquele outro princípio que é o cuidado de si, e é essa necessidade de tomar conta de si que torna possível a aplicação da máxima délfica. Essa ideia, implícita em toda a cultura grega e romana, torna-se explícita a partir do Alcibíades I de Platão. Nos diálogos socráticos, em Xenofonte, Hipócrates, e em toda a tradição neoplatônica que começa com Albino, o indivíduo deve tomar conta de si mesmo. Deve ocupar-se de si antes de colocar em prática o princípio délfico. O segundo princípio se subordina ao primeiro.

(FOUCAULT, Michel. As técnicas de si. Traduzido por Karla Neves e Wanderson Flor do Nascimento a partir de FOUCAULT, Michel. Dits et écrits . Paris: Gallimard, 1994, v. IV, p. 783-813)

A referência ao diálogo Alcibíades I de Platão é um argumento

A histórico, porque especifica o modo como os gregos e romanos cuidavam de si cotidianamente.
B de exemplo, que se confirma na ilação sucedida na referência aos diálogos socráticos, a Xenofonte e a Hipócrates.
C sofístico, porque a estrutura de diálogo contribui para o efeito teatral e falso da injunção referida por Michel Foucault.
D de autoridade, confirmado pela existência de uma tradição neoplatônica, segundo Michel Foucault.
E silogístico, porque a lógica do raciocínio de Michel Foucault constrói-se por premissas e síntese conclusiva.
Texto associado
Atenção: Para responder às questões de números 6 a 10, baseie-se no texto abaixo.

O século XX, Era dos Extremos

O século XX deixou um legado inegável de questões e impasses. Para o grande historiador Eric Hobsbawm, neste livro Era
dos Extremos - o breve século XX - 1914-1991, esse século foi breve e extremado: sua história e suas possibilidades edificaram-se
sobre catástrofes, incertezas e crises, decompondo o que fora construído no longo século XIX.

Hobsbawm divide a história do século XX em três “eras”. A primeira, “da catástrofe”, é marcada pelas duas grandes guerras,
pelas ondas de revolução global em que o sistema político e econômico da URSS surgia como alternativa histórica para o capitalismo
e pela virulência da crise econômica de 1929. Também nesse período os fascismos e o descrédito das democracias liberais surgem
como proposta mundial.

A segunda “era” são os anos dourados das décadas de 1950 e 1960 que, em sua paz congelada, viram a viabilização e a
estabilização do capitalismo, responsável pela promoção de uma extraordinária expansão econômica e profundas transformações
sociais.

Por fim, entre 1970 e 1991, dá-se o “desmoronamento” final, em que caem por terra os sistemas institucionais que previnem e
limitam o barbarismo contemporâneo, dando lugar à brutalização da política e à irresponsabilidade teórica da ortodoxia econômica,
abrindo as portas para um futuro incerto.

(Adaptado da “orelha”, sem indicação autoral, do livro de Eric Hobsbawm acima referido, editado em São Paulo pela Companhia das Letras,
em 1995)

Estabelecem entre si uma relação de causa e efeito, nessa ordem, os seguintes segmentos:

A a segunda era são os anos dourados / paz congelada (3 o parágrafo).
B caem por terra os sistemas institucionais / barbárie da política (4 o parágrafo).
C deixou um legado inegável / decompondo o que fora construído (1 o parágrafo).
D alternativa histórica para o capitalismo / virulência da crise econômica (2 o parágrafo).
E ondas de revolução global / a história do século XX em três “eras” (2 o parágrafo).
Órgão: Assembléia Legislativa do Amapá Cargo: Analista Legislativo Atividade Legislativa Especialidade: Assessor Jurídico Legislativo Prova: FCC - ALE AP - Analista Legislativo Atividade Legislativa Especialidade: Assessor Jurídico Legislativo - 2020
Texto associado
Atenção : Para
responder às questões de
números 1 a 4, baseie-se no texto
abaixo.
Tempos da
arte

Os tempos mudam, os costumes
mudam, mudam
as pessoas – e tantas obras de arte ficam.
Elas não mudam? Certamente a
linguagem em que se plasmaram permanece a
mesma, mas os focos de leitura e a
recepção delas mudam, e fazem caminhar no
tempo o sentido delas. A principal
característica de um grande artista é a
atualização possível de sua obra. Mais do
que “resistir ao
tempo”, ela sabe se transformar com ele,
acionada pelas mudanças de perspectiva de
quem a contempla.

Artistas grandes produzem
objetos que são
capazes de refletir dinamicamente a
diversidade dos tempos históricos, das
culturas nacionais, dos avanços da
ciência. São obras por cuja maleabilidade
ameaçam eternizar-se, na medida mesma em
que
funcionam como espelhos possíveis de cada
momento. É um paradoxo, este, o de algo
permanecer vivo quando tudo que o produziu
já feneceu. Podemos contar com as artes
como testemunhas dinâmicas que são de seu
tempo, do nosso tempo e do que ainda
virá.


(Gaudêncio Firmino, inédito )

No primeiro parágrafo fundamenta-se a tese de que a longevidade de tantas obras de arte deve-se

A ao caráter de sua linguagem, que o artista prefere não determinar para que sua arte possa significar tudo o que cada um
pode achar dela.
B ao seu poder de resistência ao tempo, entendendo-se por isso a capacidade que ela tem de expressar ideias fortemente
contrárias às que dominam em cada época.
C aos misteriosos caprichos da linguagem artística, que por sua natureza resiste à proposição de algum sentido claramente
inteligível.
D à capacidade de renovação de seu sentido, o que ocorre em virtude de vir a atender expectativas de novos públicos, em
diferentes épocas.
E à possibilidade que a arte tem de satisfazer o gosto das elites culturais de cada época, responsáveis pela fixação de um
padrão estético permanente.
Órgão: Assembléia Legislativa do Amapá Cargo: Advogado Legislativo - Área: Atividade de Serviços Jurídicos Especialidade: Procurador Prova: FCC - ALE AP - Advogado Legislativo - Área: Atividade de Serviços Jurídicos Especialidade: Procurador - 2020
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 1 a 7, considere o texto abaixo.
O carnaval do Recife deve ao Galo da Madrugada sua repercussão nacional. O bloco foi num crescendo ano a ano e virou o espetáculo grandioso que é. Tem futuro promissor. Mas precisa ser encarado como um negócio a ser tocado cada vez mais profissionalmente.
O potencial do carnaval do Recife para crescer como um “negócio” poderá ser estimulado a beneficiar mais a cidade, gerando incremento de emprego, trabalho e renda nos hotéis, restaurantes, lanchonetes, oficinas de madeira e ferro, shoppings, meios de hospedagem em residências, segurança... entre outros segmentos ligados à cadeia produtiva do evento.
Para ampliar a dimensão desse carnaval, há que se explorar ainda mais o potencial do Recife Antigo e o de Olinda. Uma cidade que dispõe, a seu lado, de uma festa tão singular, alegre e irreverente como a da vizinha cidade já é por si só um produto comercializável e lucrativo. Nossa proposta pontual é fundir os dois carnavais e transformá-los na marca “Carnaval Recife-Olinda”. Isto vai “pegar” e potencializará uma maior atratividade nacional para a festa pernambucana. Que estado no Brasil dispõe de um conjunto de atrativos em uma única festa como o “Galo” estrondoso, o frevo, os blocos antigos, maracatus, bonecos gigantes, caboclinhos, tambores silenciosos, virgens de Olinda, escolas de samba, prévias tradicionais e até espaço poprock para os mais alternativos?
Qual caminho a seguir? Primeiro, institucionalizar a aliança entre Olinda e Recife. Em seguida, buscar os patrocínios e parcerias com as associações de bares e restaurantes, indústrias de bebidas, empresas de cartões de crédito, redes sociais e sites estratégicos. O estímulo para se conhecer o “Carnaval Recife-Olinda” já deverá estar em anúncios publicitários nesses sites ao menos três meses antes da festa. Isso despertará o interesse do público de diferentes localidades. É este o caminho para transformar Pernambuco num destino ainda mais procurado a partir de 2019.
(Adaptado de: LIMA, Mauro Ferreira. “Carnaval do Recife, proposta para crescer”. Disponível em: www.diariodepernambuco.com.br. 17.02.2018)

O autor organiza sua argumentação da seguinte maneira:

A apresentação de uma opinião polêmica, seguida de opiniões que a contrariam.
B lembrança de fatos passados, seguida de confissões de ordem pessoal e emotiva.
C exposição de projeto para o futuro, seguida de sugestões para viabilizá-lo.
D narração de fatos passados da vida do autor, seguida de hipótese não confirmada.
E comparação entre duas ideias contrárias, seguida de uma terceira ideia que as contesta.

No texto, o autor

A ilustra, a partir de seu conhecimento histórico, um costume satirizado por Horácio, que, sendo um poeta, criticava o caráter
beligerante dos estudantes de sua época, sempre prontos a se indispor em brigas.
B tece uma recomendação, mediante a menção a Horácio, aos estudantes que vê de sua janela, indisciplinados em
comparação ao poeta latino educado por um ex-soldado.
C cita um verso de Horácio para ratificar seu argumento de que a mudança de hábito por parte dos estudantes atuais se
deve ao fato de não mais viverem em uma cidade tumultuosa como Roma.
D descobre, em um costume cotidiano dos estudantes que vê de sua janela, uma antiga referência à disciplina militar de
Orbílio, professor de filhos de libertos como o poeta Horácio.
E traça a ancestralidade de um hábito que se manteve praticamente intacto até a geração de seus filhos e cuja atual
alteração não o impede de evocar uma referência poética da Antiguidade.
Texto associado
TEXTO 1 – Itens 01 a 11

Antigamente, o silêncio era dos imbecis; hoje, são os melhores que emudecem

A atitude intolerante extrapola a individualidade e liberdade de expressão das pessoas. A intolerância reflete o preconceito cultural em que somente um ponto de vista é aceito. No meio digital, torna-se muitas vezes revestida de diferentes formas, bastante perigosas e até criminosas. Principalmente nas redes sociais o sentimento de intransigência encontrou um campo fértil sem concorrente nas quatro estações do ano.
No Brasil, a política é o tipo de intolerância de maior audiência na internet. A conclusão é de uma pesquisa da agência de propaganda Nova/SB, realizada no ano passado, que mapeou os dez tipos mais recorrentes de extremismos nas redes sociais. Uma rápida navegação comprova esse resultado, que se agrava de forma cruel e pessimista, uma vez que são raras as vezes em que há um debate inteligente ou preocupado sobre questões sociais e coletivas. A discussão é feroz, infantil e cega, e não há vencedores ao final.
A intolerância das pessoas chega a ser mesquinha, pequena e imoral. Agem como se não houvesse impunidade, pois existe a ilusão de que o mundo digital é uma terra de ninguém, quando muitos casos poderiam ser enquadrados em crimes cibernéticos. De insultos a notícias falsas, as infrações no mundo digital também devem ser julgadas e punidas sem exceção.
Uma pesquisa da Quartz divulgada em janeiro deste ano constatou que 55% dos brasileiros consideram que não há nada na internet além do Facebook. Para boa parte dos entrevistados, o Facebook e a internet são a mesma coisa. Nos EUA, o índice foi de apenas 5%.
Isso reflete o conhecimento limitado e a falta de visão em relação ao mundo de possibilidades, oportunidades e alcance que a internet traz, e que poucos enxergam e se arriscam a viver e conhecer. Precisamos acordar e buscar o nosso lugar ao sol, pois a concorrência cresce todo dia. Antigamente, o silêncio era dos imbecis; hoje, são os melhores que emudecem. O grito, a ênfase, o gesto, o punho cerrado estão com os idiotas de ambos os sexos, dizia Nelson Rodrigues.

Eliane Dias. Texto adaptado de e disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/internet-nao-e-o-facebook/

Em relação ao Texto 1, julgue, como VERDADEIRO ou FALSO, os itens a seguir.

Os dados estatísticos e pesquisas apresentados no texto corroboram o ponto de vista da autora.

C Certo
E Errado
Texto associado
O suor e a lágrima

Fazia calor no Rio, 40 graus e qualquer coisa,
quase 41. No dia seguinte, os jornais diriam que fora
o mais quente deste verão que inaugura o século e
o milênio. Cheguei ao Santos Dumont, o vôo estava
5 atrasado, decidi engraxar os sapatos. Pelo menos
aqui no Rio, são raros esses engraxates, só existem
nos aeroportos e em poucos lugares avulsos.
Sentei-me naquela espécie de cadeira canônica,
de coro de abadia pobre, que também pode parecer
10 o trono de um rei desolado de um reino desolante.
O engraxate era gordo e estava com calor — o
que me pareceu óbvio. Elogiou meus sapatos, cromo
italiano, fabricante ilustre, os Rosseti. Uso-o pouco,
em parte para poupá-lo, em parte porque quando
15 posso estou sempre de tênis.
Ofereceu-me o jornal que eu já havia lido e co-
meçou seu ofício. Meio careca, o suor encharcou-lhe
a testa e a calva. Pegou aquele paninho que dá brilho
final nos sapatos e com ele enxugou o próprio suor,
20 que era abundante.
Com o mesmo pano, executou com maestria
aqueles movimentos rápidos em torno da biqueira,
mas a todo instante o usava para enxugar-se — caso
contrário, o suor inundaria o meu cromo italiano.
25 E foi assim que a testa e a calva do valente filho
do povo ficaram manchadas de graxa e o meu sapato
adquiriu um brilho de espelho à custa do suor alheio.
Nunca tive sapatos tão brilhantes, tão dignamente
suados.
30 Na hora de pagar, alegando não ter nota menor,
deixei-lhe um troco generoso. Ele me olhou espanta-
do, retribuiu a gorjeta me desejando em dobro tudo o
que eu viesse a precisar nos restos dos meus dias.
Saí daquela cadeira com um baita sentimento
35 de culpa. Que diabo, meus sapatos não estavam tão
sujos assim, por míseros tostões, fizera um filho do
povo suar para ganhar seu pão. Olhei meus sapa-
tos e tive vergonha daquele brilho humano, salgado
como lágrima.

CONY, C. H. In: NESTROVSKI, A. (Org.). Figuras do Brasil –
80 autores em 80 anos de Folha. São Paulo: Publifolha. 2001.
p. 319.

Com base na leitura integral do texto, constata-se que as palavras “suor” e “lágrima”, presentes no título, estabelecem entre si uma relação de

A contrariedade
B concessão
C alternância
D tempo e condição
E causa e efeito
Texto associado
Tomar remédio é fácil; difícil é tomar rumo
Remédios antidepressivos nem sempre funcionam. Sua eficácia pode depender de quão estressado você está.

Daniel Martins de Barros

A depressão caminha para se tornar uma das principais doenças da humanidade. Segundo a Organização Mundial da Saúde ela afeta 350 milhões de pessoas, e daqui quatro anos se tornará a principal causa de incapacidade no mundo. Parte desse aumento se deve ao melhor esclarecimento das pessoas e à maior taxa de diagnósticos, mas não é só isso. O suicídio também aumenta mundo afora, indicando que há crescimento real no número de casos. A pergunta principal é: por quê?
Como todos os transtornos mentais, a depressão não tem uma causa só, bem definida. Sua origem é “multifatorial”, ou seja, múltiplos fatores contribuem para que ela surja. E um dos personagens mais cotados para vilão principal no aumento dos casos é o estresse. Ele não é um problema exclusivo do nosso tempo, sempre existiu, mas hoje em dia, onde quer que procuremos, vamos achar fontes de estresse. Seja vinda do trabalho onde se exige sempre mais; seja do meio cultural, com o fluxo de informação ininterrupto sobrecarregando nossos cérebros; do ambiente doméstico, com relações e papeis sendo redefinidos, gerando insegurança; ou mesmo do simples fato de o mundo passar por uma urbanização crescente, levando para mais gente o bônus, mas também o ônus de se viver em cidades. Uma das maneiras de o estresse levar à depressão é por estimular a resposta inflamatória geral do nosso organismo, desgastando-o lentamente.
O pior é que esse estresse todo pode não só estar causando, mas também perpetuando a depressão. Um estudo acaba de ser publicado investigando porque os antidepressivos funcionam, mas não para todo mundo. Sabendo desse papel da resposta inflamatória na origem da depressão os cientistas estressaram um grupo de ratos, levando-os a ter alterações comportamentais semelhantes às que ocorrem nos deprimidos. Passaram então a tratá-los com placebo ou com o antidepressivo fluoxetina, mantendo metade no ambiente estressante original e metade num ambiente tranquilo. Resultado? Não só o comportamento desses últimos melhorou mais do que nos outros, como também os parâmetros biológicos de atividade inflamatória diminuíram, enquanto nos pobres ratos estressados a inflamação aumentou.
Os pesquisadores concluíram algo difícil de discordar: não adianta muito tomar remédio se nós não atuarmos também no ambiente. O que faz todo sentido: se a origem da depressão não é só química, apenas medicamentos dificilmente bastarão para curá-la.
E como se combate o estresse se ele vem de todos os lados? Pode ser difícil, mas não é impossível. Cuidando bem do sono, por exemplo: a maioria das pessoas que dorme menos do que gostaria tem falta de sono por sua própria culpa, por ficar na TV ou celular por mais tempo do que deveria. E o sedentarismo, então? Não é preciso ter dinheiro para personal trainer : meia hora de caminhada na rua, dia sim, dia não, já combate os sintomas do estresse. Isso para não falar de alimentação – dietas ricas em carboidratos simples (açúcar e farinha) contribuem para também ativar o estado inflamatório do organismo, enquanto dietas saudáveis fazem o oposto.
Talvez você não possa mudar de chefe, de cidade ou de família. Mas com certeza poderia mudar de vida. Só que, como sempre digo, tomar remédio é fácil. O difícil é tomar rumo.

Texto adaptado de: http://vida- estilo.estadao.com.br/blogs/daniel-martins- de-barros/tomar-remedio-e-facil-dificil-e- tomar-rumo/

Em relação ao conteúdo elaborado no texto,
sobre a expressão “tomar rumo”, evidenciada
tanto no título quanto no último parágrafo
em oposição a “tomar remédio”, é correto
afirmar que

A considerando que se registra,
contemporaneamente, um aumento significativo
tanto dos casos de depressão quanto dos casos
de suicídio e que, conforme bem exemplifica o
relato da experiência científica retomada pelo
texto, o ambiente inevitavelmente estressante
no qual vivemos neutraliza a eficácia dos
medicamentos, a expressão em questão
evidencia uma necessidade de enfrentar a
depressão totalmente sem a utilização de
medicamentos.
B considerando que a experiência científica
relatada no texto evidenciou que o tratamento
da depressão em ratos por meio de placebo
demonstrou ser tão eficaz quanto o tratamento
com o antidepressivo fluoxetina, a expressão
em questão corrobora a conclusão dos pesquisadores que constataram a ineficácia total
dos remédios comuns no combate à depressão,
sendo menos oneroso ao organismo do doente
tomar placebo.
C considerando que a principal causa da depressão
é o estresse e que, como explica o autor do texto,
uma das maneiras deste acarretar em depressão
é estimulando a resposta inflamatória geral do
nosso organismo, desgastando-o lentamente, a
expressão em questão indica a necessidade de
que o doente em tratamento da depressão tome,
além do antidepressivo fluoxetina, também anti-inflamatórios.
D considerando que a depressão tem como
principal causa o estresse e de que este vem
de todos os lados, a expressão em questão
evidencia que se curar da depressão é difícil, mas
não impossível e que, ainda que o doente tome
remédio, medida considerada fácil, é necessário
que elimine as causas do seu estresse tomando
atitudes como contratar um personal trainer,
enriquecer a dieta com carboidratos simples e
mudar de emprego ou cidade.
E considerando que a origem da depressão é
multifatorial e que um dos principais agentes
para aumento de casos da doença é o estresse, a
expressão em questão evidencia a necessidade,
relatada pelo autor do texto, tanto por meio
do exemplo da experiência científica quanto
pelas sugestões de alterações de hábitos, de
que, contíguo à utilização de medicamentos, o
doente assuma novas atitudes que combatam o
estresse do dia a dia.