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Muitas palavras em língua portuguesa são formadas com o sufixo -ada, que possui significados diferentes. Assinale a opção em que todas as palavras mostram esse sufixo com o mesmo valor.

A Garotada / peneirada.
B Laranjada / cadeirada.
C Peixada / estudantada.
D Vassourada / sujeirada.
E Caminhada /caçada.
Texto associado
Leia a crônica “Inconfiáveis cupins”, de Moacyr Scliar, para responder à questão. Havia um homem que odiava Van Gogh. Pintor desconhecido, pobre, atribuía todas suas frustrações ao artista holandês. Enquanto existirem no mundo aqueles horríveis girassóis, aquelas estrelas tumultuadas, aqueles ciprestes deformados, dizia, não poderei jamais dar vazão ao meu instinto criador. Decidiu mover uma guerra implacável, sem quartel, às telas de Van Gogh, onde quer que estivessem. Começaria pelas mais próximas, as do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Seu plano era de uma simplicidade diabólica. Não faria como outros destruidores de telas que entram num museu armados de facas e atiram-se às obras, tentando destruí-las; tais insanos não apenas não conseguem seu intento, como acabam na cadeia. Não, usaria um método científico, recorrendo a aliados absolutamente insuspeitados: os cupins. Deu-lhe muito trabalho, aquilo. Em primeiro lugar, era necessário treinar os cupins para que atacassem as telas de Van Gogh. Para isso, recorreu a uma técnica pavloviana. Reproduções das telas do artista, em tamanho natural, eram recobertas com uma solução açucarada. Dessa forma, os insetos aprenderam a diferenciar tais obras de outras. Mediante cruzamentos sucessivos, obteve um tipo de cupim que só queria comer Van Gogh. Para ele era repulsivo, mas para os insetos era agradável, e isso era o que importava. Conseguiu introduzir os cupins no museu e ficou à espera do que aconteceria. Sua decepção, contudo, foi enorme. Em vez de atacar as obras de arte, os cupins preferiram as vigas de sustentação do prédio, feitas de madeira absolutamente vulgar. E por isso foram detectados. O homem ficou furioso. Nem nos cupins se pode confiar, foi a sua desconsolada conclusão. É verdade que alguns insetos foram encontrados próximos a telas de Van Gogh. Mas isso não lhe serviu de consolo. Suspeitava que os sádicos cupins estivessem querendo apenas debochar dele. Cupins e Van Gogh, era tudo a mesma coisa. ( O imaginário cotidiano , 2002.)

Expressam ideia de negação e ideia de repetição, respectivamente, os prefixos das palavras

A “deformados” e “repulsivo”.
B “insuspeitados” e “repulsivo”.
C “deformados” e “recobertas”.
D “repulsivo” e “recobertas”.
E “insuspeitados” e “deformados”.
Texto associado
Leia o poema de Paulo Henriques Britto para responder à questão: Nada nas mãos nem na cabeça, nada no estômago além da sensação vazia de haver ultrapassado toda sensação. É em estado assim que se descobre a verdade, que se cometem os grandes crimes, os gestos mais sublimes, ou então não se faz nada. É como as cobras. As mais silenciosas, de corpo mais esguio, de cor esmaecida, destilam o veneno mais perfeito. Assim também os poemas. Os mais contidos e lisos, os que menos coisa dizem, destilam o veneno mais perfeito. ( Mínima lírica , 2013.)

O prefixo empregado na formação da palavra “ultrapassado” significa

A suficiência; o que basta.
B negação; o que era, mas não é mais.
C excesso; o que está além.
D simetria; o que está à frente.
E posição externa; o que está fora.
Texto associado
Leia o texto para responder à questão. Se o século XIX, marcado pelo progresso científico — genética, evolucionismo, positivismo, sociologia, racionalismo, etc. — motivou escolas literárias correspondentes — ________, _______ , _______ —, propugnando uma descrição rígida, precisa e minuciosa, acarretou, em contrapartida, um momento de descrédito da ciência, uma reação quase radical, que propunha a diluição dos objetos e sentimentos no vago e indistinto, no inefável, abstrato e incorpóreo, ideal supremo do ________. (Lauro Junkes, 2016. Adaptado.)

As palavras “indistinto” e “incorpóreo” são formadas com um prefixo que tem o mesmo significado do prefixo de

A intrauterino.
B subestimado.
C transnacional.
D semiaberto.
E acéfalo.
Texto associado
Leia a crônica “Conto carioca”, de Vinicius de Moraes, para responder à questão. O rapaz vinha passando num Cadillac novo pela avenida Atlântica. Vinha despreocupado, assoviando um blue, os olhos esquecidos no asfalto em retração. A noite era longa, alta e esférica, cheia de uma paz talvez macabra, mas o rapaz nada sentia. Ganhara o bastante na roleta para resolver a despesa do cassino, o que lhe dava essa sensação de comando do homem que paga: porque tratava-se de um “duro”, e o automóvel era o carro paterno, obtido depois de uma promessa de fazer força nos estudos. O show estivera agradável e ele flertara com quase todas as mulheres da sua mesa. A lua imobilizava-se no céu, imparticipante, clareando a cabeleira das ondas que rugiam, mas como que em silêncio. De súbito, em frente ao Lido, uma mulher sentada num banco. Uma mulher de branco, o rosto envolto num véu branco, e tão elegante e bonita, meu Deus, que parecia também, em sua claridade, um luar dormente. O freio de pé agiu quase automaticamente e a borracha deslizou, levando o carro maneiroso até o meio-fio, onde estacou num rincho ousado. Depois ele deu ré, até junto da dama branca. – Sozinha a essas horas? Ela não respondeu. Limitou-se a olhar serenamente o rapaz do Cadillac, com seu olhar extraordinariamente fluido, enquanto o vento sul agitava-lhe docemente os cabelos cor de cinza. – Sabe que é muito perigoso ficar aqui até estas horas, uma mulher tão bonita? A voz veio de longe, uma voz branca, branca como a mulher, e ao mesmo tempo crestada por um ligeiro sotaque nórdico: – Perdi a condução... Não sei... é tão difícil arranjar condução... O rapaz examinou-a já com olhos de cobiça. Que criatura fascinante! Tão branca... Devia ser uma coisa branca, um mar de leite, um amor pálido. Suas pernas tinham uma alvura de marfim e suas mãos pareciam porcelanas brancas. Veio-lhe uma sensação estranha, um arrepio percorreu-lhe todo o corpo e ele se sentiu entregar a um sono triste, onde a volúpia cantava baixinho. Teve um gesto para ela: – Vem... Eu levo você... Ela foi. Abriu a porta do carro e sentou-se a seu lado. Fosse porque a madrugada avançasse, a noite se fizera mais fria e, ao tê-la aconchegada – talvez emoção –, o rapaz tiritou. Seus braços eram frios como o mármore e sua boca gelada como éter. Vinha dela um suave perfume de flores que o levou para longe. Ela se deixou, passiva, em seus braços, entregue a um mundo de beijos mansos. Quando a madrugada rompeu, ele acordou do seu letargo amoroso. A moça branca parecia mais branca ainda, e agora olhava o mar, de onde vinha um vento branco. Ele disse: – Amor, vou levar você agora. Ela deu-lhe seus olhos quase inexistentes, de tão claros: – Em Botafogo, por favor. Tocou o carro. A aventura dera-lhe um delírio de velocidade. Entrou pelo túnel como um louco e fez, a pedido dela, a curva de General Polidoro num ângulo quase absurdo. – É aqui – disse ela em voz baixa. Ele parou. Olhou para ela espantado: – Por que aqui? – Eu moro aqui. Venha me ver quando quiser. Muito obrigada por tudo. E dando-lhe um último longo beijo, frio como o éter, abriu a porta do carro, passou através do portão fechado do cemitério e desapareceu. ( Para uma menina com uma flor , 2009.)

As palavras do texto cujos prefixos exprimem ideia de negação são

A “retração” (1° parágrafo) e “desapareceu” (20° parágrafo).
B “automóvel” (1° parágrafo) e “absurdo” (15° parágrafo).
C “despreocupado” (1° parágrafo) e “extraordinariamente” (4° parágrafo).
D “imobilizava-se” (1° parágrafo) e “inexistentes” (13° parágrafo).
E “elegante” (2° parágrafo) e “percorreu” (8° parágrafo).
Texto associado
Leia o trecho do livro A dança do universo , do físico brasileiro Marcelo Gleiser, para responder a questão. Algumas pessoas tornam-se heróis contra sua própria vontade. Mesmo que elas tenham ideias realmente (ou potencialmente) revolucionárias, muitas vezes não as reconhecem como tais, ou não acreditam no seu próprio potencial. Divididas entre enfrentar sua insegurança expondo suas ideias à opinião dos outros, ou manter-se na defensiva, elas preferem a segunda opção. O mundo está cheio de poemas e teorias escondidos no porão. Copérnico é, talvez, o mais famoso desses relutantes heróis da história da ciência. Ele foi o homem que colocou o Sol de volta no centro do Universo, ao mesmo tempo fazendo de tudo para que suas ideias não fossem difundidas, possivelmente com medo de críticas ou perseguição religiosa. Foi quem colocou o Sol de volta no centro do Universo, motivado por razões erradas. Insatisfeito com a falha do modelo de Ptolomeu, que aplicava o dogma platônico do movimento circular uniforme aos corpos celestes, Copérnico propôs que o equante fosse abandonado e que o Sol passasse a ocupar o centro do cosmo. Ao tentar fazer com que o Universo se adaptasse às ideias platônicas, ele retornou aos pitagóricos, ressuscitando a doutrina do fogo central, que levou ao modelo heliocêntrico de Aristarco dezoito séculos antes. Seu pensamento reflete o desejo de reformular as ideias cosmológicas de seu tempo apenas para voltar ainda mais no passado; Copérnico era, sem dúvida, um revolucionário conservador. Ele jamais poderia ter imaginado que, ao olhar para o passado, estaria criando uma nova visão cósmica, que abriria novas portas para o futuro. Tivesse vivido o suficiente para ver os frutos de suas ideias, Copérnico decerto teria odiado a revolução que involuntariamente causou. Entre 1510 e 1514, compôs um pequeno trabalho resumindo suas ideias, intitulado Commentariolus ( Pequeno comentário ). Embora na época fosse relativamente fácil publicar um manuscrito, Copérnico decidiu não publicar seu texto, enviando apenas algumas cópias para uma audiência seleta. Ele acreditava piamente no ideal pitagórico de discrição; apenas aqueles que eram iniciados nas complicações da matemática aplicada à astronomia tinham permissão para compartilhar sua sabedoria. Certamente essa posição elitista era muito peculiar, vinda de alguém que fora educado durante anos dentro da tradição humanista italiana. Será que Copérnico estava tentando sentir o clima intelectual da época, para ter uma ideia do quão “perigosas” eram suas ideias? Será que ele não acreditava muito nas suas próprias ideias e, portanto, queria evitar qualquer tipo de crítica? Ou será que ele estava tão imerso nos ideais pitagóricos que realmente não tinha o menor interesse em tornar populares suas ideias? As razões que possam justificar a atitude de Copérnico são, até hoje, um ponto de discussão entre os especialistas. ( A dança do universo , 2006. Adaptado.)

“ Tivesse vivido o suficiente para ver os frutos de suas ideias , Copérnico decerto teria odiado a revolução que involuntariamente causou.” (3 o parágrafo) Em relação ao trecho que o sucede, o trecho sublinhado tem sentido de

A consequência.
B condição.
C conclusão.
D concessão.
E causa.
Texto associado
Texto para a questão Vindos do norte, da fronteira velha-de-guerra, bem montados, bem enroupados, bem apessoados, chegaram uns oito homens, que de longe se via que eram valentões: primeiro surgiu um, dianteiro, escoteiro, que percorreu, de ponta a ponta, o povoado, pedindo água à porta de uma casa, pedindo pousada em outra, espiando muito para tudo e fazendo pergunta e pergunta; depois, então, apareceram os outros, equipados com um despropósito de armas – carabinas, novinhas quase; garruchas, de um e de dois canos; revólveres de boas marcas; facas, punhais, quicés de cabos esculpidos; porretes e facões, – e transportando um excesso de breves nos pescoços. O bando desfilou em formação espaçada, o chefe no meio. E o chefe – o mais forte e o mais alto de todos, com um lenço azul enrolado no chapéu de couro, com dentes brancos limados em acume, de olhar dominador e tosse rosnada, mas sorriso bonito e mansinho de moça – era o homem mais afamado dos dois sertões do rio: célebre do Jequitinhonha à Serra das Araras, da beira do Jequitaí à barra do Verde Grande, do Rio Gavião até nos Montes Claros, de Carinhanha até Paracatu; maior do que Antônio Dó ou Indalécio; o arranca-toco, o treme-terra, o come-brasa, o pega-à-unha, o fecha-treta, o tira-prosa, o parte-ferro, o rompe-racha, o rompe-e-arrasa: Seu Joãozinho Bem-Bem. João Guimarães Rosa, “A hora e vez de Augusto Matraga”, in Sagarana .

Os “valentões armados”, que figuram no texto, atuando isoladamente ou em bando, constituem fenômeno geral,

A nas regiões selváticas, em que a colonização europeia não logrou implantar-se, e nas quais predomina a influência do elemento autóctone – o ameríndio.
B em todas as áreas onde a pressão da lei não se faz sentir e onde a ordem privada desempenha funções que, em princípio, caberiam ao poder público.
C no Nordeste brasileiro, onde aparecem sob a forma do cangaço, mas inexistem no Sudeste e no Sul do Brasil.
D sobretudo, das zonas de pecuária extensiva ou de garimpo selvagem, onde ainda inexistem os aglomerados urbanos.
E durante os séculos da colonização e do Brasil Imperial, mas se reduzem progressivamente desde a proclamação da República, vindo a extinguir-se já na primeira década do século XX.