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Atenção : Para responder às questões de números 1 a 8, baseie-se no texto seguinte.

Arquitetura indígena

É um grande acontecimento a Bienal Indígena de Arquitetura e Urbanismo, incluída na COP30, em Belém. Contará com a presença de lideranças indigenas, universidades, coletivos culturais, parceiros institucionais. Toda a sociedade está convidada: pensemos juntos uma forma diferente de Arquitetura e Urbanismo.
Pensar a arquitetura e o urbanismo é pensar nosso lugar e pensar a sociedade. As cidades são vistas como centros da criação do conhecimento, que trouxe essa falsa ideia de que nos campos e florestas não se cria conhecimento. Nos grandes centros urbanos concentram-se, de fato, o dinheiro e o poder. Mas as cidades também poluem e soterram seus rios, e se alega que isso é parte da civilização. A especulação imobiliária faz a cidade crescer sem pensar suas áreas verdes e a importância das florestas na vida das pessoas. Essa ideia de cidade nos afastou da natureza.
A Bienal Indígena surge no intuito de reconhecer e valorizar os modos de construir e viver dos povos originários, que há séculos habitam esse território de forma sustentável. Suas arquiteturas não se separam da floresta, do rio, mas são capazes de pensar cidades-floresta. Mostram um modo de vida em conexão com a natureza num mundo onde o equilíbrio ecológico é condição de existéncia.
Esse projeto surge em um momento de emergência climática, quando a arquitetura, o urbanismo e o modo de vida das cidades precisam ter suas bases repensadas profundamente. O modelo ocidental de crescimento urbano e o consumo de "recursos naturais" mostrou-se insustentável, gerando destruição ambiental e desigualdade social. Frente a isso, os modos de vida e práticas indígenas oferecem alternativas concretas e filosóficas para reconstruir a relação entre o humano e a Terra: o uso consciente dos materiais, o respeito aos ciclos naturais etc.
A Escola da Cidade e seus parceiros propõem esta bienal justamente num contexto em que a educação e a arquitetura buscam se descolonizar, buscando o entendimento dos saberes ancestrais. A Bienal Indigena será um ato de aprendizado coletivo. Uma oportunidade de reimaginar o que é habitar, projetar e viver em harmonia com o planeta.
Mais do que um evento, esta Bienal é um chamado à transformação: um convite para compreender que a arquitetura indígena não pertence apenas ao passado, mas é uma das chaves para enfrentar os desafios do presente e desenhar futuros possíveis. A Bienal se afirma como uma iniciativa permanente, garantindo que cada edição amplie os frutos de aprendizagem, integração e transformação coletiva.

(Adaptado de: TXAI SURUÍ. Folha de S. Paulo . 01/11/2025)

É adequado o emprego do elemento sublinhado na seguinte frase:

A Será demonstrado que há conexões da arquitetura clássica por aquela dos índios.
B Não é preciso contrapor valores de uma cultura dos valores de uma outra ordem cultural.
C Os preconceitos pelos quais se dará combate nesta Bienal são muitos, e desafiadores.
D A autora do texto, louvando essa Bienal, mostra convicções das quais não arreda o pé.
E São muitos os obstáculos aos quais os promotores da Bienal serão desafiados.
Texto associado
Atenção : Leia o poema de Cecília Meireles, extraído do livro Viagem , para responder às questões de números 7 a 10.
Serenata
Permite que feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silêncio
e a dor é de origem divina.
Permite que volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.

No verso pois é muito longe e tão tarde! , o termo sublinhado expressa uma

A condição.
B explicação.
C comparação.
D finalidade.
E oposição.
Órgão: Ministério Público de Sergipe Cargo: Técnico do Ministério Público - Área: Manutenção e Suporte de Equipamentos de Informática e Softwares Prova: FCC - MPE SE - Técnico do Ministério Público - Área: Manutenção e Suporte de Equipamentos de Informática e Softwares - 2026
Texto associado
Leia o texto a seguir para responder às questões 19 e 20.

Texto 3

Assinale a alternativa que analisa corretamente a expressão “por isso”, presente no quarto quadro do texto.

A Ela veicula o mesmo sentido que “porque”.
B Ela é típica do uso informal da língua, visto que, de acordo com a norma-padrão, o correto seria utilizar “por isto”.
C Ela estabelece entre a fala do quarto quadro e a fala do terceiro quadro uma relação de adição.
D Ela pode ser substituída por “por causa disso” sem que isso modifique o sentido do texto.
E Além de ligar as partes do texto, a expressão também retoma, com a palavra “isso”, o vocábulo “sim”, presente na fala anterior.
Texto associado
O texto a seguir refere-se às questões de 1 a 16.

Texto 1

ENTENDA POR QUE SER MULTITAREFA É UM MITO QUE FAZ MAL AO CÉREBRO

Participar de uma reunião, checar mensagens e adiantar um relatório ao mesmo tempo. Quem nunca sentiu um certo orgulho por conseguir fazer várias coisas simultaneamente? Mas, a longo prazo, a vida multitarefas, ou multitasking, cobra seu preço. Chegar ao fim do dia com a cabeça a mil e não conseguir dormir é um clássico. Viver com a sensação de cansaço também. Por essas e outras, seria sensato parar de glorificar esse comportamento e, sempre que possível, fazer uma coisa de cada vez.

Ninguém ganha com o multitasking

Multitarefa não é só realizar duas ou mais tarefas ao mesmo tempo. Alternar entre uma ação e outra ou executar várias atividades seguidas, sem pausas, são variações sobre o mesmo tema: uma tentativa de dar conta das mil e uma demandas do dia a dia. Com a divisão desproporcional das funções domésticas e do cuidado, as mulheres tendem a desenvolver ainda mais essa “capacidade”.
Pesquisadores que estudam o impacto do multitasking nos processos mentais garantem que a nossa mente não foi projetada para lidar com várias tarefas ao mesmo tempo. Por exemplo, o renomado neurocientista Earl Miller, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, acredita que só podemos ter um ou dois pensamentos de cada vez.
Pesquisas recentes reforçam essa ideia. Um estudo dos departamentos de psicologia da Iowa State University e da California State University Northridge, publicado no mês passado na Frontiers in Psychology, mostrou que quem recorre à multitarefa com frequência busca mais gratificação imediata, subestima o tempo gasto nas atividades e tem menor autocontrole. Em resumo, a alternância constante entre estímulos ativa mais os circuitos de recompensa do que os de autorregulação — o que ajuda a explicar por que é tão difícil largar o celular.
Até a produtividade pode ser prejudicada. Ao contrário do que parece, alternar entre tarefas pode tornar tudo mais lento. Um estudo publicado no Journal of Experimental Psychology mostra que, ao mudar de atividade, o cérebro precisa se reajustar, retomar o raciocínio e lembrar as “regras” de cada função. O multitasking também nos impede de executar algumas ações no “piloto automático”, o que nos poupa alguns recursos mentais.

Pane no sistema cerebral

Um estudo da Cardiff University, do Reino Unido, indica que o multitasking tende a reconfigurar nossas conexões cerebrais, reduzindo a capacidade de manter o foco e de prestar atenção. Isso pode resultar em vários problemas, como um aumento na quantidade de erros e acidentes. Uma pesquisa de 2018, por exemplo, descobriu que adultos são mais propensos a cometer deslizes ao dirigir se estiverem realizando outras tarefas ao mesmo tempo, como ajustar o Waze ou checar o WhatsApp.
A falta de atenção também prejudica a memória, já que é preciso estar presente para que as experiências se fixem. Além disso, ao pular de uma tarefa para outra sem pausa, nosso cérebro não tem tempo de consolidar o que aprendeu ou de alcançar pensamentos mais profundos.
O multitasking também reduz a criatividade, que é estimulada quando a mente está livre de exigências complexas. “Muitas vezes, não estamos conseguindo memorizar as coisas porque não estamos presente de verdade, mas divididos em multitarefas no presencial e no online. Existe uma ilusão de que a atenção pode ser dividida, o que não é verdade”, explica Natália Mota, neurocientista e psiquiatra computacional.
Lidar com tarefas simultâneas também pode sobrecarregar o sistema nervoso e gerar sensação de urgência constante, o que contribui para o aumento da ansiedade. Tudo isso, a médio prazo, abre caminho ao esgotamento mental e ao burnout.

Monotasking e seus benefícios

Em um mundo que valoriza o multitasking como uma habilidade desejável, focar uma atividade por vez (monotasking) é cada vez mais difícil. Na correria, também parece que não temos outra opção. Mas poderíamos, pelo menos, parar de romantizar esse processo, reconhecer as suas consequências e evitar essa prática quando possível.
Um bom primeiro passo para quem deseja adotar o monotasking é limitar as distrações, começando pelos momentos de lazer — por exemplo, deixar o celular de lado enquanto assiste a séries. Já no trabalho, isso pode significar tanto procurar um local mais silencioso ou desligar notificações. Vale também agendar horários específicos para checar emails, mensagens e outras atividades que costumam nos distrair.
Mas esse talvez seja um preço necessário para perceber o que está em excesso ou o que consome mais tempo do que deveria. Essa mudança pode levar a transformações mais profundas. E o cérebro agradece.

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2025/11/entenda-por-queser-multitarefa-e-um-mito-que-faz-mal-ao-cerebro.shtml. Acesso em: 10 dez. de 2025.

Assinale a alternativa em que o termo “ao” NÃO introduz um segmento textual que veicula uma circunstância de tempo.

A “[...]” ao mudar de atividade, o cérebro precisa se reajustar [...]”.
B “Participar de uma reunião, checar mensagens e adiantar um relatório ao mesmo tempo.”
C “[...] adultos são mais propensos a cometer deslizes ao dirigir [...]”.
D “[...] ao pular de uma tarefa para outra sem pausa, nosso cérebro não tem tempo [...]”.
E “Tudo isso, a médio prazo, abre caminho ao esgotamento mental [...]”.
Texto associado
Ele tem 22 anos e uma missão: varrer o lixo espacial da órbita da Terra
Quem quiser conversar com Leonidas Askianakis precisa primeiro encontrar um horário em sua agenda. Seus compromissos são marcados de forma meticulosa, em intervalos de 30 minutos, das 5h às 23h. Reuniões? Apenas online e sempre sobre um único tema: o espaço. Um jovem com uma missão que não o deixa em paz nem mesmo à noite. Ele fica acordado, lendo as notícias mais recentes da China sobre detritos em órbita e mais perigo para os astronautas. Logo no início de novembro, uma tripulação chinesa teve que estender sua estadia no espaço devido ao receio de que sua espaçonave pudesse ser atingida por lixo espacial durante a volta à Terra.
Aliás, lixo espacial é meio que uma especialidade de Askianakis. Milhares de toneladas deles orbitam a Terra, como satélites desativados, pedaços de foguetes e detritos. É por esse motivo que a órbita terrestre é monitorada 24 horas por dia. Mas, quanto menores os fragmentos, mais difícil é encontrá-los. “Com nossos sistemas de radar terrestres, normalmente detectamos objetos do tamanho de uma bola de tênis, cerca de dez centímetros. Qualquer coisa menor que isso é invisível”, diz Siminski. “Isso significa que sempre há um certo risco.”
É exatamente esse risco que preocupa Askianakis desde o primeiro ano do curso de engenharia aeroespacial na Universidade Técnica de Munique. “Como o lixo espacial pode permanecer em órbita por 200 anos e ninguém faz nada a respeito?”. Com um satélite equipado com radar de alta sensibilidade, algoritmos e padrões de varredura, ele pretende tornar visíveis detritos que variam de um a dez centímetros, possibilitando, pela primeira vez, o monitoramento completo da órbita. Posteriormente, sondas com braços robóticos removerão os fragmentos maiores.
Uma conversa com representantes da Airbus reforçou sua determinação. “Eles estavam cientes do problema e ficaram satisfeitos por alguém estar tentando resolvê-lo. Foi aí que me ocorreu: eu realmente preciso abrir minha própria empresa”. Ele fundou a Project-S. Como que por intervenção divina, pouco depois de sua fundação, a nova lei espacial da União Europeia (UE) entrou em vigor obrigando os operadores de satélites a removerem seus detritos espaciais.

Adaptado de: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/deutschewelle/2025/11/26/empresa-alema-quer-criar-servico-de-coleta-de-lixo-espacial.htm Acesso em: 27 nov. 2025.

Assinale a alternativa que apresenta, entre parênteses, o valor semântico INCORRETO para o termo destacado.

A “É por esse motivo que a órbita terrestre é monitorada 24 horas por dia.” (valor causal).
B “ Mas , quanto menores os fragmentos, mais difícil é encontrá-los.” (valor adversativo).
C “Como o lixo espacial pode permanecer em órbita por 200 anos e ninguém faz nada a respeito?” (valor explicativo).
D “Como que por intervenção divina, pouco depois de sua fundação, a nova lei espacial da União Europeia (UE) entrou em vigor [...]” (valor temporal).
E “Com um satélite equipado com radar de alta sensibilidade, algoritmos e padrões de varredura [...]” (valor aditivo).
Texto associado
Texto CG1A1

Observando os mineiros trabalharem, você percebe, por um breve instante, como são diferentes os universos habitados por diferentes pessoas. Os subterrâneos onde se escava o carvão são uma espécie de mundo à parte, e é fácil viver toda uma vida sem jamais ouvir falar dele. É provável que a maioria das pessoas até prefira não ouvir falar dele. E, contudo, esse mundo é a contraparte indispensável do nosso mundo da superfície. Praticamente tudo que fazemos, desde tomar um sorvete até atravessar o Atlântico, desde assar um filão de pão até escrever um romance, envolve usar carvão, direta ou indiretamente. Para todas as artes da paz, o carvão é necessário; e, se a guerra irrompe, é ainda mais necessário. Em épocas de revolução, o mineiro precisa continuar trabalhando, do contrário a revolução tem que parar, pois o carvão é essencial tanto para a revolta como para a reação. Seja lá o que for que aconteça na superfície, as pás e picaretas têm que continuar escavando sem trégua — ou fazendo uma pausa de algumas semanas, no máximo. Porém, de modo geral, não temos consciência disso; todos sabemos que “precisamos de carvão”, mas raramente, ou nunca, nos lembramos de tudo o que está envolvido no processo para se obter carvão.
Aqui estou eu escrevendo, sentado diante da minha confortável lareira a carvão. De quinze em quinze dias, a carroça de carvão para na porta e uns homens de blusão de couro trazem o carvão para dentro de casa em sacos robustos, cheirando a piche, e o despejam no depósito de carvão embaixo da escada. É só muito raramente, quando faço um esforço mental bem definido, que estabeleço a conexão entre esse carvão e o penoso trabalho realizado lá longe, nas minas. É apenas “carvão”, algo que eu preciso ter, uma coisa escura que chega misteriosamente, vinda de nenhum lugar em especial, como o maná, só que devemos pagar por ele.
Seria fácil atravessar de carro todo o norte da Inglaterra sem lembrar, nem uma só vez, que, dezenas de metros abaixo da estrada, os mineiros estão atacando o carvão com suas picaretas. E, contudo, são eles que estão fazendo seu carro andar. O mundo deles lá embaixo, iluminado por suas lâmpadas, é tão necessário para o mundo da superfície, da luz do dia, como a raiz é necessária para a flor.

George Orwell. O caminho para Wigan Pier. Trad. Isa Mara Lando. São Paulo: Companhia das Letras, 2010 (com adaptações).

Julgue os itens subsequentes, relativos a aspectos linguísticos do texto CG1A1.

A expressão “do contrário” (sétimo período do primeiro parágrafo) apresenta valor condicional na oração em que se insere.

C Certo
E Errado
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 6 a 10, baseie-se no texto abaixo.

Zero bala

A vida tem um vigor
que o corpo não comporta
por mais que se prepare
No mesmo passo, a natureza
caminha para o zero
como o seu fruto principal
que se gasta quanto mais
se apura na terra estreita
e por instinto busca no espaço
campo para se alçar, crescer
no sentimento e gesto
em uma nova combinação
de interferências e insumos
despoluídos até o impossível
com órgãos sem discrepância
que não contrariam as fontes
nem se desgastam em nenhum
desvio de doença ou perda
de força, suportando o sopro
o porte da pureza possível -
original - sem marca de pecado.

(FREITAS FILHO, Armando. Respiro - poemas .
Companhia das Letras, 2024)

No trecho em uma nova combinação de interferências e insumos/despoluídos até o impossível, a expressão adverbial até o impossível circunstancia a

A noção de limite absoluto, enfatizando a dificuldade de alcançar a pureza desejada.
B impossibilidade, realista, de renovação absoluta da matéria orgânica.
C redundância diante da crença na perfectibilidade humana.
D oposição entre o desejo de pureza e a realidade da degeneração.
E negação da ação natural no processo de regeneração vital.
Texto associado
Atenção: Considere o poema A poesia , de Francisco Alvim, para responder às questões de números 7 a 9 .

Houve um tempo
em que Schlmdt e Vinicius
dividiam as preferências
como maior poeta do Brasil.
Quando, por unanimidade ou quase,
nesse jogo tolo
de se querer medir tudo,
Drummond foi o escolhido,
ele comentou:
alguém já me mediu
com fita métrica
para saber se de fato sou
o maior poeta?

Estava certo.
Pois a poesia
quando ocorre
tem mesmo a perfeição
do metro -
nem o mais
nem o menos
- só que de um metro nenhum
Um metro de nadas

(ALVIM, Francisco. Boa companhia: poesia. sao Paulo: Companhia das Letras, 2003)

Considerado o contexto, a expressa o "só que" (verso 21)

A introduz uma oposição ao que foi afirmado antes.
B expressa ideia de temporalidade.
C tem o mesmo valor semântico de "apenas".
D foi empregada para realçar a frase, sendo desnecessária ao sentido.
E foi empregada em sentido figurado.
Texto associado
Leia o Texto 1 para responder às questões de 11 a 21.

Texto 1

ARGUMENTAR NA REDE

Monica Graciela Zoppi Fontana

A argumentação é um fato de linguagem tão presente no nosso dia a dia que nem sempre percebemos sua força. Ela está presente nas mais diversas relações cotidianas: em conversas entre amigos, familiares e desconhecidos, nas reclamações de quem se encontra em uma fila de espera e demanda atendimento, nas estratégias para conseguir agendar uma consulta médica, na discussão sobre uma nota com um professor ou sobre um preço com um vendedor e até mesmo em situações mais enquadradas por procedimentos institucionais, como um julgamento no tribunal do Júri.
Argumentar é uma prática de linguagem que envolve uma relação entre os interlocutores e com a situação do dizer. Argumentamos a partir do já-dito, ou seja, dos sentidos já produzidos socialmente na história e presentes como memória discursiva. E ao argumentar estabelecemos uma relação particular com o não-dito e com o silêncio, pois a língua fornece a base material para essa prática.
Argumentamos por meio de palavras (casebre, mansão, pouco, um pouco, muito e muitas outras presentes no léxico da língua). Sufixos e prefixos também participam na argumentação (contradiscurso, antibelicista, pseudointelectual), assim como diminutivos e aumentativos (carrão, favorzinho, mulherzinha, garotão). Temos ainda locuções adverbiais (mesmo que, só que, apesar de, tanto quanto, por exemplo) e frases idiomáticas (descascar um abacaxi, enfiar o pé na jaca). E ainda há interjeições com valor argumentativo (vixe!, credo!). Argumentamos também por meio da forma de construção dos enunciados (a ordem das palavras na frase, construções passivas ou ativas, elipses etc.). As diversas formas de encadeamento dos enunciados no texto têm valor argumentativo. Algumas palavras, como as conjunções (portanto, porém, entre outras), explicitam o tipo de relação argumentativa presente no encadeamento.
Assim, a forma específica como os enunciados estão formulados afeta a interpretação, orientando o sentido produzido em uma determinada direção. Mas toda prática de linguagem é produzida por falantes constituídos enquanto tais em um tempo e um espaço específicos. Todo dizer é assim determinado pelos processos históricos e pelos espaços de enunciação nos quais é produzido. E isso afeta constitutivamente a argumentação.
Nas novas tecnologias de linguagem, a argumentação ganha contornos diferenciados, por meio de funcionamentos próprios do digital, como hashtags, memes, gifs e vídeos. Algumas expressões que surgiram na internet atravessam as fronteiras das redes sociais e são incorporadas na oralidade pelos falantes em suas trocas linguageiras.
A Linguística estuda essas questões e reflete sobre os diversos modos de argumentar ao longo do tempo e em diversos espaços de enunciação. Questões semânticas e discursivas devem ser abordadas para compreender melhor o funcionamento da argumentação nos dias atuais e para ponderar seus efeitos nas práticas de linguagem na sociedade.

Adaptado de: https://www.blogs.unicamp.br/linguistica/2017/08/16/argumentar-na-rede/. Acesso em: 04 de abr. de 2025.

No Texto 1, a autora descreve o papel dos itens lexicais e gramaticais na construção da argumentação. A exemplo disso, ela afirma que “Algumas palavras, como as conjunções (portanto, porém, entre outras), explicitam o tipo de relação argumentativa presente no encadeamento.”. Com base no exposto, leia o trecho a seguir e assinale a alternativa em que o termo ou a expressão em destaque marca o argumento mais forte na escala argumentativa composta no excerto.

“A argumentação é um fato de linguagem tão presente no nosso dia a dia que nem sempre percebemos sua força . Ela está presente nas mais diversas relações cotidianas: em conversas entre amigos, familiares e desconhecidos, nas reclamações de quem se encontra em uma fila de espera e demanda atendimento, nas estratégias para conseguir agendar uma consulta médica, na discussão sobre uma nota com um professor ou sobre um preço com um vendedor e até mesmo em situações mais enquadradas por procedimentos institucionais, como um julgamento no tribunal do Júri.”.

A Nem sempre.
B Sua força.
C Para.
D Ou.
E Até mesmo.
Órgão: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul Cargo: Professor - Área: Português Prova: Instituto AOCP - IFMS - Professor - Área: Português - 2025
Texto associado
Considere o seguinte texto para responder as questões de 1 a 8.

PASSOS ANTIDEPRESSIVOS

Drauzio Varella

Desde que comecei a correr adquiri a convicção de que a atividade física é antidepressiva. Quando discutia o assunto com meus colegas, eles argumentavam, entretanto, que faltavam evidências científicas para justificar essa afirmação. Naqueles anos 1990, eles tinham toda razão.
Hoje, é correto afirmar que a depressão é um dos transtornos mentais mais prevalentes no mundo, pode acometer crianças, adolescentes e pessoas com 90 anos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ela será a principal causa de absenteísmo no trabalho no decorrer do século 21, contanto que o estilo de vida contemporâneo seja mantido.
Essa alta prevalência motivou diversos estudiosos a avaliar o impacto da vida moderna na gênese do transtorno e de possíveis mudanças comportamentais, a fim de que se evite o estabelecimento do transtorno.
Nas últimas décadas do século passado, uma enxurrada de publicações havia demonstrado o papel da atividade física na prevenção das doenças cardiovasculares, respiratórias, câncer, diabetes, obesidade e uma infinidade de outras. Os benefícios são de tal ordem que o exercício se tornou a panaceia dos dias atuais.
Em 2020 foi publicada uma metanálise que procurou relacionar os níveis de atividade física com a emergência de quadros depressivos. Os resultados mostraram uma relação direta entre a realização de atividade física e a redução nos casos de depressão.
Em dezembro de 2024, o Journal of the American Medical Association (JAMA), publicou uma metanálise de um grupo espanhol que se propôs a quantificar essa relação, comparando o número de passos dados por dia com o risco de apresentar sintomas depressivos.
Pedômetros e acelerômetros disponíveis em relógios de pulso e celulares permitiram que os dados fossem colhidos com muito mais precisão do que no passado, quando se baseavam em estimativas subjetivas.
A partir da análise de mais de 10 mil estudos sobre o tema, os autores selecionaram 33 publicados no período de 2004 a 2023, em que os autores trabalharam com critérios científicos mais consistentes.
No total, foram cerca de 96 mil mulheres e homens (55% mulheres) de 18 a 91 anos de idade, de 13 países diferentes, que não tinham nem apresentado sintomas de depressão nem recebido esse diagnóstico.
De acordo com a faixa etária eles foram divididos em três subgrupos: 18 a 35 anos, 36 a 64 anos e 65 ou mais. De acordo com o número de passos diários, a divisão foi feita em quatro subgrupos: abaixo de 5 mil/dia; entre 5 mil e 7,5 mil; de 7,5 mil a 10 mil; e acima de 10 mil/dia.
Este foi o resultado: a redução dos quadros depressivos foi inversamente proporcional aos passos dados. Isto é, quanto mais passos menor o risco de depressão. Esse resultado ficou evidente em todas as faixas etárias, dos 18 aos 91 anos.
As principais conclusões foram: 1) os que deram mais de 7.500 passos/dia reduziram o risco em 42%, 2) para cada mil passos a mais acima dos 7 mil diários, o risco diminui 9%, 3) acima de 10 mil passos/dia não há benefício adicional, 4) o efeito protetor se mantém, mesmo que se pratique atividade física em níveis considerados modestos.
Qual o tipo de atividade física ideal? Embora a metanálise citada não faça referência a esse dado, evidências anteriores demonstraram que as vantagens de fazer exercícios se repetem, não importa qual seja a atividade aeróbica – andar, correr, dançar, subir escada, levantar peso, tai chi e ioga, entre outras.
No passado, a medicina e a assim chamada “sabedoria popular” aconselhavam aos mais velhos: “não se esforce, faça repouso”. Partiam do princípio de que quanto menos energia fosse dispendida com ossos e músculos, mais sobraria para o funcionamento dos órgãos internos.
As consequências desse paradigma equivocado foram graves: hipertensão arterial, diabetes, tromboses, ataques cardíacos e derrames cerebrais levavam precocemente aqueles que sobreviviam às doenças infecto-parasitárias, que devastavam a infância, e ousavam chegar aos 50 anos.
Demorou para entendermos que o corpo humano é uma máquina desenhada, pela seleção natural, para o movimento. Ao contrário de outras construídas com o mesmo objetivo, como o automóvel ou o avião, que se desgastam à medida que se movem, nosso corpo se aprimora: a musculatura fica mais forte, os ossos mais firmes, a rede de vasos sanguíneos mais eficiente e o oxigênio chega com mais facilidade ao cérebro e demais órgãos internos.

Adaptado de: https://drauziovarella.uol.com.br/artigo-do-drauzio-varella/passos-antidepressivos/. Acesso em: 05 maio 2025.

Em “[...] o efeito protetor se mantém, mesmo que se pratique atividade física em níveis considerados modestos.”, a expressão destacada estabelece uma relação sintático-semântica entre as orações do período. Assinale a alternativa cuja expressão em destaque estabeleça a mesma relação sintático-semântica.

A “Essa alta prevalência motivou diversos estudiosos a avaliar o impacto da vida moderna na gênese do transtorno e de possíveis mudanças comportamentais, a fim de que se evite o estabelecimento do transtorno.”.
B “ Embora a metanálise citada não faça referência a esse dado, evidências anteriores demonstraram que as vantagens de fazer exercícios se repetem [...]”.
C “Ao contrário de outras construídas com o mesmo objetivo, como o automóvel ou o avião [...]”.
D “Quando discutia o assunto com meus colegas, eles argumentavam, entretanto , que faltavam evidências científicas [...]”.
E “Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ela será a principal causa de absenteísmo no trabalho no decorrer do século 21, contanto que o estilo de vida contemporâneo seja mantido.”.