Cachorrinhos quase humanos
Clara Braga
Observei que
ultimamente o termo “pais de
pets” tem se popularizado e eu acho isso
muito legal! Eu mesma me considero mãe de
pet, tenho uma cadelinha linda, que é uma
companheira da família, principalmente do
meu filho.
Mas, uma coisa
me preocupou em relação a
algumas pessoas com quem conversei nos
últimos dias. Não foi uma ou duas, foram
algumas várias pessoas que compartilharam do
mesmo pensamento. Todas disseram que
decidiram ter um cachorro ou um gato para
ver se levavam jeito para serem pais e,
então, decidirem se teriam ou não filhos
humanos!
Lembrei-me do dia que minha cadelinha
chegou
em casa: coloquei água, ração, deixei um
brinquedinho à disposição e fui trabalhar.
Então, lembrei-me de quando meu filho
chegou: choro de 3 em 3 horas, peito rachado
por causa da amamentação, pacotes e mais
pacotes de fraldas e, para sair de casa,
parecia que estávamos de mudança. Lembrei-me
das cólicas que minha cadela nunca teve, das
febres altas e viroses que ela nunca
experimentou, dos quilos de roupas golfadas
que nunca precisei lavar dela e dos banhos
que são apenas semanais e não diários!
A gente
ama os pets como se fossem filhos,
eles são da família, aparecem nas fotos de
natal, têm seu próprio book, dormem na nossa
cama, estão sempre do nosso lado, se ficam
doentes, a gente sofre, mas mesmo doentes
não dão o trabalho que uma criança dá!
Comparar
as situações é injusto até com o
pet, já que ele também não sabe se está
preparado para a chegada de um mini humano.
Só o pet sabe o que é ter seu rabo puxado
constantemente, ver seu pote de água sendo
virado, ver brinquedos espalhados no chão e
não poder brincar, enfim, aposto que eles
também têm suas dúvidas!
E sabe quem
mais tem dúvida? Quem já é pai e
mãe, pois eles sabem que tudo que funcionou
com um pode não funcionar com o segundo,
então bate o pânico de novo! Ou seja, nada
se compara a ter um filho, nem ter um
filho!
Verdade seja dita, nós nunca estamos
preparados, contudo damos um jeito. Depois
de um dia difícil, segurar seu filho no
colo, ganhar um beijo e um sorriso, faz você
entender todo o resto. Não te faz esquecer,
não te deixa menos cansado, não faz você
levantar e sair cantando e dançando como se
estivesse em um musical, mas faz você
entender, principalmente se junto você tiver
seu pet pronto para também ganhar e dar
carinho para todo mundo.
Adaptado de:
http//www.cronicadodia.com.br/2019/12/cachor
rinhos-quase-humanos-clara-braga.html.
Acesso em: 10 dez. 2019.
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62 questões encontradas
ondas tão fortes que chegam a derrubar as pessoas (3º parágrafo)
A conjunção sublinhada acima estabelece noção de
Texto associado
Elogio das pequenas coisas
Há o tempo das grandes ambições
e o tempo da
sabedoria, quando passamos a fazer o elogio
das
pequenas coisas. A felicidade pode ser fazer
uma
viagem ao outro lado do mundo, mas é também
caminhar no parque todo dia ou, se for o
caso,
uma vez por semana ou duas vezes por mês.
Não
importa. Há o tempo das atividades
controladas,
monitoradas por especialistas, voltadas para
atingir metas corporais. Há também aquilo
que
se faz pela mente, a caminhada para
espairecer,
olhar a natureza, respirar ar puro, pensar
na vida,
passar o tempo, desligar-se do celular,
deixar-se
levar bifurcando ao som do vento.
Ser
feliz, quando chega o tempo da
compreensão da importância das pequenas
coisas, é ir ao estádio com um velho amigo,
ver
jogar o time do coração, com o coração menos
interessado na vitória obrigatória do que no
momento compartilhado, contando o percurso,
a ida e a volta, o intervalo, as lembranças,
os
assuntos postos em dia. Há o tempo de querer
descobrir novos lugares, sempre mais longes,
e o tempo de curtir velhos recantos,
bastante
próximos. Há quem considere a valorização
das pequenas coisas como acomodação. Há
quem veja na obrigação de rodar o mundo uma
imposição da indústria do turismo. O que
importa
mesmo é que cada um encontre um passatempo,
uma paixão.
Há o tempo dos grandes voos no
escuro e o
tempo dos pequenos passos no clarão da
manhã.
Tudo vale quando o coração se agiganta para
aninhar as coisas que não têm preço e por
isso não
podem ser compradas. Há o tempo das vaidades
incontroláveis e o tempo de estender a mão,
cancelar inimizades, pedir perdão,
deslumbrar-se
com o sol caindo sobre o rio, fazer trilhas
sob a
lua cheia, voltar ansioso para o Natal em
família,
saudar ano novo com amigos, pertencer a
alguma
coisa, um clube, uma confraria, uma
tradição,
uma roda qualquer. Há o tempo de esquecer de
mandar flores, o tempo de encomendar flores
pelo telefone e o tempo de andar orgulhoso
pelo
bairro com flores nos braços. Há o tempo de
romper com o cotidiano, de acumular milhas
de
avião sem tempo de usá-las e o tempo de amar
a
sua rua, cumprimentar os vizinhos, amar a
aldeia
e andar mais lentamente.
Adaptado de: <
https://www.correiodopovo.com.br/blogs/jurem
irmachado/
elogio-das-pequenas-coisas-1.374386 >.
Acesso em 24 out. 2019.
Há o tempo das grandes ambições
e o tempo da
sabedoria, quando passamos a fazer o elogio
das
pequenas coisas. A felicidade pode ser fazer
uma
viagem ao outro lado do mundo, mas é também
caminhar no parque todo dia ou, se for o
caso,
uma vez por semana ou duas vezes por mês.
Não
importa. Há o tempo das atividades
controladas,
monitoradas por especialistas, voltadas para
atingir metas corporais. Há também aquilo
que
se faz pela mente, a caminhada para
espairecer,
olhar a natureza, respirar ar puro, pensar
na vida,
passar o tempo, desligar-se do celular,
deixar-se
levar bifurcando ao som do vento.
Ser
feliz, quando chega o tempo da
compreensão da importância das pequenas
coisas, é ir ao estádio com um velho amigo,
ver
jogar o time do coração, com o coração menos
interessado na vitória obrigatória do que no
momento compartilhado, contando o percurso,
a ida e a volta, o intervalo, as lembranças,
os
assuntos postos em dia. Há o tempo de querer
descobrir novos lugares, sempre mais longes,
e o tempo de curtir velhos recantos,
bastante
próximos. Há quem considere a valorização
das pequenas coisas como acomodação. Há
quem veja na obrigação de rodar o mundo uma
imposição da indústria do turismo. O que
importa
mesmo é que cada um encontre um passatempo,
uma paixão.
Há o tempo dos grandes voos no
escuro e o
tempo dos pequenos passos no clarão da
manhã.
Tudo vale quando o coração se agiganta para
aninhar as coisas que não têm preço e por
isso não
podem ser compradas. Há o tempo das vaidades
incontroláveis e o tempo de estender a mão,
cancelar inimizades, pedir perdão,
deslumbrar-se
com o sol caindo sobre o rio, fazer trilhas
sob a
lua cheia, voltar ansioso para o Natal em
família,
saudar ano novo com amigos, pertencer a
alguma
coisa, um clube, uma confraria, uma
tradição,
uma roda qualquer. Há o tempo de esquecer de
mandar flores, o tempo de encomendar flores
pelo telefone e o tempo de andar orgulhoso
pelo
bairro com flores nos braços. Há o tempo de
romper com o cotidiano, de acumular milhas
de
avião sem tempo de usá-las e o tempo de amar
a
sua rua, cumprimentar os vizinhos, amar a
aldeia
e andar mais lentamente.
Adaptado de: <
https://www.correiodopovo.com.br/blogs/jurem
irmachado/
elogio-das-pequenas-coisas-1.374386 >.
Acesso em 24 out. 2019.
Assinale a alternativa em que o termo
destacado seja um pronome relativo que
está retomando um substantivo.
Texto associado
Não o suficiente
Carla Dias
Sentado à mesa, cercado por tantos. Entende
bem o que acontece ali, mas é experiente em
enganar os próprios sentidos, mesmo não
gostando dessa qualidade da qual não consegue
se livrar. Vale-se dela sempre que a oportunidade
se apresenta. É um talento. Um incômodo talento.
Permanece ali, os braços cruzados, a cabeça
levemente inclinada, como se observasse o
cenário que se estende além.
Já conhece as manifestações que se
alardeiam, durante esses encontros sociais. Na
verdade, compôs uma canção, certa vez, com
uma inquietante letra gerada de combinações de
algumas delas: não cabe aqui, não serve para
isso, não orna com aquilo, não é sua culpa, mas
não vai dar certo.
É bom, só que não o suficiente.
Não ser o suficiente é meio que o slogan da
vida dele, alguém considerado nada suficiente,
até mesmo quando transborda. Acostumou-se a
ser visto dessa forma.
A tal canção tomou conta dele. É capaz
de cantá-la de trás para frente, formar novos
versos, bagunçar as palavras e, ainda assim,
elas continuam ridiculamente cruéis. A melodia,
não... Nela ele se recusa a mexer. Ela é a única
beleza que reina plena nesse baile da saudade
que acontece em seu dentro. Há ternura nessa
afiada melodia, ela que é a única cria da qual ele
não sente vergonha de ter trazido ao mundo.
Apegou-se a uma frase que escutou um alguém
verbalizar, enquanto passava por ele, depois de
um dia de inutilidades profissionais. “Equilibrar-se
é saber se desequilibrar com elegância.” Achou
aquilo de uma sabedoria profunda e profana. De
uma dualidade revigorante, porque se considera
equilibrado com a boca cheia de palavras
engolidas, de mágoas salientes, de lamentos
reverberantes. Daqueles que bufa, do nada,
assustando a pessoa que dorme sentada ao lado,
em alguma sala de espera da vida.
A elegância do desequilíbrio é o que mantém
à mesa. Ninguém ali se importa de fato com ele,
ou deseja escutar o que ele tem a dizer. Sabem
seu nome, porque saber o nome oferece pompa,
na hora de chamar o insignificante para o campo,
e que ele batalhe pelos que significam. É como
se chamassem um animal de estimação. Ele
atende, rasteja-se, servil, até eles. Atende aos
desejos desses sujeitos que acham que a própria
dignidade mora na indignidade do outro.
Os nada suficientes.
Estranhamente, essas pessoas significam
para ele. Há algo de aprendizado nessa labuta
de dissonantes inseguranças travestidas de
hierarquia. Estranhamente, ele se alimenta da
espera pelo dia em que, rebelde como jamais
antes, ele se levantará e partirá dali, deles.
Sumirá das vistas, das teias, das inseguranças
desses significantes que não sabem significar
sem desidentificar o outro.
Equilibrar-se ao desequilibrar-se com
elegância, para ele, é combater, na singeleza do
insignificante, uma diplomacia mimada, das que
atendem a todos os clichês abrandadores de malestar.
Então, quando dão a vez a ele, permitem
ao insuficiente se manifestar, ele sorri e se cala,
enquanto rumina a ciência de que, sim, ele sabe
que não é o suficiente, ao menos não para atender
ao catálogo dos desejos impróprios. Porque acha
de uma impropriedade sibilante ter de atender
aos desejos alheios, enquanto sufoca os próprios.
Ele sorri a certeza de que acontecerá o dia
em que ele os reconhecerá, os desejos que vem
diluindo em vulgares ironias, recebidas assim,
embrulhadas em pequenas doses de falseada
gentileza. O dia em que os libertará de uma
polidez adquirida como proteção e os soltará no
mundo, rebeldes e eletrizantes. Livres.
E isso será o suficiente. Ele será o
suficientemente corajoso para se despedir de
seus apaixonantes flagelos. Desequilibradamente
equilibrado, dará a vez a si.
Disponível em: < http://www.cronicadodia.com.br/2019/08/nao-o-suficiente-
carla-dias.html >. Acesso em: 16 nov. 2019.
Carla Dias
Sentado à mesa, cercado por tantos. Entende
bem o que acontece ali, mas é experiente em
enganar os próprios sentidos, mesmo não
gostando dessa qualidade da qual não consegue
se livrar. Vale-se dela sempre que a oportunidade
se apresenta. É um talento. Um incômodo talento.
Permanece ali, os braços cruzados, a cabeça
levemente inclinada, como se observasse o
cenário que se estende além.
Já conhece as manifestações que se
alardeiam, durante esses encontros sociais. Na
verdade, compôs uma canção, certa vez, com
uma inquietante letra gerada de combinações de
algumas delas: não cabe aqui, não serve para
isso, não orna com aquilo, não é sua culpa, mas
não vai dar certo.
É bom, só que não o suficiente.
Não ser o suficiente é meio que o slogan da
vida dele, alguém considerado nada suficiente,
até mesmo quando transborda. Acostumou-se a
ser visto dessa forma.
A tal canção tomou conta dele. É capaz
de cantá-la de trás para frente, formar novos
versos, bagunçar as palavras e, ainda assim,
elas continuam ridiculamente cruéis. A melodia,
não... Nela ele se recusa a mexer. Ela é a única
beleza que reina plena nesse baile da saudade
que acontece em seu dentro. Há ternura nessa
afiada melodia, ela que é a única cria da qual ele
não sente vergonha de ter trazido ao mundo.
Apegou-se a uma frase que escutou um alguém
verbalizar, enquanto passava por ele, depois de
um dia de inutilidades profissionais. “Equilibrar-se
é saber se desequilibrar com elegância.” Achou
aquilo de uma sabedoria profunda e profana. De
uma dualidade revigorante, porque se considera
equilibrado com a boca cheia de palavras
engolidas, de mágoas salientes, de lamentos
reverberantes. Daqueles que bufa, do nada,
assustando a pessoa que dorme sentada ao lado,
em alguma sala de espera da vida.
A elegância do desequilíbrio é o que mantém
à mesa. Ninguém ali se importa de fato com ele,
ou deseja escutar o que ele tem a dizer. Sabem
seu nome, porque saber o nome oferece pompa,
na hora de chamar o insignificante para o campo,
e que ele batalhe pelos que significam. É como
se chamassem um animal de estimação. Ele
atende, rasteja-se, servil, até eles. Atende aos
desejos desses sujeitos que acham que a própria
dignidade mora na indignidade do outro.
Os nada suficientes.
Estranhamente, essas pessoas significam
para ele. Há algo de aprendizado nessa labuta
de dissonantes inseguranças travestidas de
hierarquia. Estranhamente, ele se alimenta da
espera pelo dia em que, rebelde como jamais
antes, ele se levantará e partirá dali, deles.
Sumirá das vistas, das teias, das inseguranças
desses significantes que não sabem significar
sem desidentificar o outro.
Equilibrar-se ao desequilibrar-se com
elegância, para ele, é combater, na singeleza do
insignificante, uma diplomacia mimada, das que
atendem a todos os clichês abrandadores de malestar.
Então, quando dão a vez a ele, permitem
ao insuficiente se manifestar, ele sorri e se cala,
enquanto rumina a ciência de que, sim, ele sabe
que não é o suficiente, ao menos não para atender
ao catálogo dos desejos impróprios. Porque acha
de uma impropriedade sibilante ter de atender
aos desejos alheios, enquanto sufoca os próprios.
Ele sorri a certeza de que acontecerá o dia
em que ele os reconhecerá, os desejos que vem
diluindo em vulgares ironias, recebidas assim,
embrulhadas em pequenas doses de falseada
gentileza. O dia em que os libertará de uma
polidez adquirida como proteção e os soltará no
mundo, rebeldes e eletrizantes. Livres.
E isso será o suficiente. Ele será o
suficientemente corajoso para se despedir de
seus apaixonantes flagelos. Desequilibradamente
equilibrado, dará a vez a si.
Disponível em: < http://www.cronicadodia.com.br/2019/08/nao-o-suficiente-
carla-dias.html >. Acesso em: 16 nov. 2019.
O termo destacado em “[...] ele sabe que
não é o suficiente [...]” é
Com relação aos aspectos linguísticos e aos sentidos do texto, julgue o item a seguir.
O vocábulo “que” (?.29) poderia ser substituído por o qual, sem alteração dos sentidos e da correção gramatical do texto
Texto associado
Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse – “ai meu Deus, que história mais engraçada!” E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria – “mas essa história é mesmo muito engraçada!” Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera, a minha história chegasse – e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria; que o comissário do distrito, depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aquelas pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse – “por favor, se comportem, que diabo! Eu não gosto de prender ninguém!” E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história. E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente. E quando todos me perguntassem – “mas de onde é que você tirou essa história?” – eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi por acaso na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: “Ontem ouvi um sujeito contar uma história...” E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro. (Rubem Braga, Meu ideal seria escrever... Elenco de cronistas modernos . Adaptado)
Na passagem – ... aquela moça que está naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse –, os termos destacados introduzem sequências com sentido, respectivamente, de
Texto
II. .. e cheio de perigos virtuais E tal como no mundo real, no qual há aquelas pessoas mal-intencionadas, a internet também possui perigos e exige precauções. No mundo real, usamos diversos tipos delas. Instalamos fechaduras nas portas das nossas casas e carros e as trancamos para ter maior segurança pessoal e dos nossos bens. Usamos cortinas nas nossas janelas para, além da claridade, ter mais privacidade em relação a vizinhos e pedestres. Não saímos por aí contando para qualquer desconhecido como foi aquela aventura amorosa ou quais são os hábitos dos nossos familiares. E ainda evitamos que nossos filhos tenham contatos com pessoas que não conhecemos sem a nossa presença ou de alguém da nossa confiança. Do mesmo modo, também devemos nos proteger e ser precavidos no mundo virtual. E isso vale para empresas e governos. Com o progressivo crescimento da digitalização dos negócios, tornou-se mais frequente a ocorrência de crimes e golpes virtuais. E os seus tipos são tão variados quanto a criatividade humana permite, indo desde roubo de informações sensíveis (políticas, estratégicas, segredos industriais etc.), sequestro de dados, controle remoto de dispositivos pessoais para finalidades ilegais... BRASIL, país digital (Extraído de: brasilpaisdigital.com.br/seguranca-e-cidadania-no-mundo-digital). Adaptado Com base no seguinte período do primeiro parágrafo do Texto II, responda à questão. “E ainda evitamos que nossos filhos tenham contatos com pessoas que não conhecemos sem a nossa presença ou de alguém da nossa confiança.” A palavra “que” é em pregada, no trecho, respectivamente, como:
Texto associado
“Ele achava que a sociedade deveria ser harmoniosa e as pessoas deveriam ser encorajadas em seu ‘autodesenvolvimento’ para que pudessem aproveitar ao máximo sua posição.” (linhas 16 a 18)
A respeito do período acima, analise as afirmativas a seguir:
I. Há ocorrência de duas formas verbais em voz passiva.
II. Existem duas locuções verbais no período.
III. Há ocorrência de um QUE pronome relativo e um QUE conjunção subordinativa. Assinale
O elemento de coesão “que” possui, no texto, a função sintática idêntica ao do elemento sublinhado na sentença:
Texto associado
BRASIL NO PROJETO EHT A primeira imagem de um buraco negro está circulando pelo mundo já faz uma semana. Esse feito só foi possível a partir de uma combinação de sinais capturados por oito radiotelescópios e montada com a ajuda de um "telescópio virtual" criado por algoritmos. Mais de 200 cientistas de diferentes nacionalidades, que participaram do avanço científico, fazem parte do projeto Event Horizont Telescope (EHT). Entre eles, está o nome da brasileira Lia Medeiros, de 28 anos, que se mudou na infância para os Estados Unidos, onde acaba de defender sua tese de doutorado (conhecida lá fora como PhD) pela Universidade do Arizona. Filha de um professor de Aeronáutica da Universidade de São Paulo (USP), afirmou, em entrevista ao G1, que cresceu perto de pesquisas científicas. Ela também precisou usar inglês e português nos vários lugares em que morou e, por isso, viu na matemática uma linguagem que não mudava. Especializada em testar as teorias da física nas condições extremas do espaço, Lia encontrou no EHT o projeto ideal para o seu trabalho. Ela atuou tanto na equipe que realizou as simulações teóricas quanto em um dos quatro times do grupo de imagens. Os pesquisadores usaram diferentes algoritmos para ter os pedaços da imagem do buraco negro captados pelos sinais dos radiotelescópios e preencher os espaços vazios para completar a "fotografia". O feito de Lia recebeu destaque no site da Universidade do Arizona, que listou o trabalho no projeto de mais de 20 estudantes da instituição, começando pela brasileira. Segundo a pesquisadora, embora os resultados do projeto EHT tenham sido obtidos graças ao trabalho de mais de tantas pessoas, o foco que as mulheres participantes do projeto receberam é positivo para mudar o estereótipo de quem pode e deve ser cientista. Como você se envolveu com ciência e, mais especificamente, com a astronomia? Meu pai é professor universitário e cresci perto da pesquisa científica. Decidi que queria fazer um PhD desde cedo, mesmo antes de saber o que queria estudar. Mudei muito durante a minha vida e troquei de línguas entre português e inglês três vezes até os 10 anos. Quando era criança, percebi que, mesmo que a leitura e a escrita fossem completamente diferentes em países diferentes, a matemática era sempre a mesma. Ela parecia ser uma verdade mais profunda, como se fosse de alguma forma mais universal que as outras matérias. Mergulhei na matemática e amei. No ensino médio, estudei física, cálculo e astronomia ao mesmo tempo e, finalmente, entendi o real significado da matemática. Fiquei maravilhada e atônita que nós, seres humanos, conseguimos criar uma linguagem, a matemática, que não é só capaz de descrever o universo, mas pode inclusive ser usada para fazer previsões. Fiquei especialmente maravilhada pelos buracos negros e a teoria da relatividade geral. Decidi então que queria entender os buracos negros, que precisava entender os buracos negros. Lembro que perguntei a um professor qual curso eu precisava estudar na faculdade para trabalhar com buracos negros. Ele disse que provavelmente daria certo com física ou astronomia. Então eu fiz as duas. E como você se envolveu com o projeto do EHT? Meus interesses de pesquisa estão focados no uso de objetos e fenômenos astronômicos para testar os fundamentos das teorias da física. Eu vejo a astronomia como um laboratório onde podemos testar teorias nos cenários mais extremos que você possa imaginar. O EHT era o projeto perfeito para isso, porque as observações dele sondam a física gravitacional no regime dos campos de força em maneiras que ainda não tinham sido feitas antes. (...) Tenho dedicado uma porcentagem significativa do meu tempo, durante meus estudos, em tentar expandir a representação das mulheres na ciência, especificamente focando em dar às meninas jovens exemplos positivos nos modelos femininos na STEM [sigla em inglês para ciências, tecnologia, engenharia e matemática]. Por exemplo, frequentemente visito escolas de ensino médio e outros locais para dar palestras públicas. Na minha opinião, reconhecer que muitas mulheres estão envolvidas nesse resultado pode ser muito benéfico para mudar o estereótipo de quem pode e deve ser cientista. É importante que garotas e jovens mulheres saibam que essa é uma opção para elas, e que não estarão sozinhas se optarem por uma carreira científica. https://gazetaweb.globo.com/