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Texto Einstein tinha razão Os buracos negros são há muito tempo as superestrelas da ficção científica. Mas a sua fama hollywoodesca é um pouco estranha porque ninguém tinha visto um — pelo menos até agora. Para quem precisa de ver para crer, pode agradecer ao Event Horizon Telescope (EHT), que acabou de nos oferecer a primeira imagem direta de um buraco negro. Este feito notável exigiu uma colaboração global para transformar a Terra num gigante telescópio e captar um objeto a milhares de trilhões de quilômetros. Sendo assombroso e inovador, o projeto do EHT não é apenas um desafio. É na verdade um teste sem precedentes para ver se as ideias de Einstein sobre a própria natureza do espaço e do tempo se confirmam em circunstâncias extremas, e lança o olhar mais próximo que obtivemos até hoje sobre o papel dos buracos negros no universo. Para resumir: Einstein tinha razão. Um buraco negro é uma zona do espaço cuja massa é tão grande e densa que nem sequer a luz consegue escapar à sua atração gravitacional. Capturá-lo contra o fundo negro do além é uma tarefa quase impossível. Mas graças ao trabalho inovador de Stephen Hawking, sabemos que estas massas colossais não são apenas um abismo de onde nada sai. Os buracos negros são capazes não só de emitir grandes jatos de plasma, como a sua gravidade imensa também puxa fluxos de matéria para o seu núcleo. Quando a matéria se aproxima do horizonte de eventos de um buraco negro — o ponto a partir do qual nem a luz escapa — esta forma um disco orbital. A matéria neste disco converte alguma da sua energia em fricção entre as partículas. Isto aquece o disco, tal como nós aquecemos as mãos esfregando-as num dia frio. Quanto mais próxima estiver a matéria, maior a fricção. A matéria mais próxima do horizonte de eventos irradia um grande brilho ao atingir o calor de centenas de sóis. Foi esta luz que o EHT detectou, junto com a "silhueta" do buraco negro. Analisar estes dados e produzir uma imagem é uma tarefa hercúlea. Como astrônomo que estuda os buracos negros em galáxias distantes, é raro eu conseguir obter uma imagem clara sequer de uma estrela nessas galáxias, muito menos do buraco negro no centro delas. A equipe do EHT decidiu concentrar-se em dois dos buracos negros supermassivos mais próximos de nós — na grande galáxia em forma de elipse M87, e em Sagitário A, no centro da nossa Via Láctea. Para dar uma ideia da dificuldade da tarefa: embora o buraco negro da Via Láctea tenha uma massa de 4,1 milhões de sóis e um diâmetro de 60 milhões de quilômetros, ele encontra-se a 250 614 750 218 665 392 quilômetros de distância da Terra — o equivalente a ir de Londres a Nova Iorque 45 trilhões, ou milhões de milhões de vezes. Como a equipe do EHT comentou, isto é como estar em Nova Iorque a tentar contar os sulcos de uma bola de golfe em Los Angeles, ou fotografar uma laranja na lua a partir da Terra. Para fotografar um objeto tão impossivelmente distante, a equipe do EHT precisaria de um telescópio tão grande como a própria Terra. Não existindo uma máquina desse tamanho, a equipe ligou entre si telescópios por todo o mundo e combinou os dados recolhidos por eles. Para captar uma imagem precisa a uma tal distância, os telescópios tinham de ter grande estabilidade e as suas leituras sincronizadas na perfeição. Para atingir este feito, a equipe usou relógios atômicos tão precisos que a cada 100 milhões de anos perdem apenas um segundo. Os 5 mil Terabytes de dados recolhidos ocuparam centenas de discos duros que tiveram de ser transportados e ligados fisicamente a um supercomputador, que corrigiu as diferenças de tempo nos dados e produziu a imagem do buraco negro. (Por Kevin Pimbblet, professor de Física da Universidade de Hull – Texto adaptado)

“Os 5 mil Terabytes de dados recolhidos ocuparam centenas de discos duros QUE tiveram de ser transportados e ligados fisicamente a um supercomputador...” (último §). O QUE destacado tem valor morfossintático correto em:

A conjunção integrante / objeto indireto.
B advérbio / objeto direto.
C preposição / predicativo.
D interjeição / aposto.
E pronome relativo / sujeito.
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O DIMINUTIVO O diminutivo é uma maneira ao mesmo tempo afetuosa e precavida de usar a linguagem. Afetuosa porque geralmente a usamos para designar o que é agradável, aquelas coisas tão afáveis que se deixam diminuir sem perder o sentido. E precavida também porque a usamos para desarmar certas palavras que, na sua forma original, são ameaçadoras demais. Operação, por exemplo. É uma palavra assustadora. Pior do que intervenção cirúrgica, porque promete uma intromissão muito mais radical nos intestinos. Uma operação certamente durará horas e os resultados são incertos. Suas chances de sobreviver a uma operação... sei não. Melhor se preparar para o pior. Já uma operaçãozinha é uma mera formalidade. Anestesia local e duas aspirinas depois. Uma coisa tão banal que quase dispensa a presença do paciente. No Brasil, usa-se o diminutivo principalmente com relação à comida. Nada nos desperta sentimentos tão carinhosos quanto uma boa comidinha. - Mais um feijãozinho? O feijãozinho passou dois dias borbulhando num daqueles caldeirões de antropófagos com capacidade para três missionários. Mas a dona da casa o trata como um mingau de todos os dias. O diminutivo é também uma forma de disfarçar o nosso entusiasmo pelas grandes porções. E tem um efeito psicológico inegável. Você pode passar duas horas tomando cervejinha sem nenhum dos efeitos que sofreria depois de duas cervejas. E agora, um docinho. E surge um tacho de ambrosia que é um porta-aviões. Luís Fernando Veríssimo

No trecho “E surge um tacho de ambrosia QUE é um porta-aviões.”, o termo destacado QUE tem o seguinte valor morfossintático:

A conjunção/sujeito
B pronome relativo/objeto direto
C advérbio/objeto indireto
D preposição/predicativo
E pronome relativo/sujeito
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Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões. A palavra é o bem mais precioso do trabalho do médico JJ Camargo 01 Nas visitas aos leitos com estudantes , é rotina que se faça um resumo do caso, antes que 02 entremos no quarto, para que os alunos tenham uma noção do que irão encontrar. 03 Era um grupo de oito jovens, _________ de Medicina , e a introdução foi _________: 04 — Vamos agora conhecer o Guilherme, de 57 anos , que tem um câncer avançado de 05 esôfago, que tratou com quimioterapia e radioterapia, com uma resposta pobre, e a doença 06 evoluiu até o surgimento de pelo menos três metástases cerebrais. É um paciente em fase 07 terminal da doença, com um emagrecimento impressionante. 08 Um dos alunos, visivelmente ________, perguntou: 09 — E o coitado ainda está consciente? 10 A confirmação de que sim resultou em três abandonos da visita. Uma doutora justificou: 11 — Eu não saberia o que dizer, muito menos o que perguntar, e eu choro com muita 12 facilidade, o que acho que só iria deprimi-lo mais ainda. 13 Achei que a visita com o grupo rachado não valeria a pena, e voltamos para a sala de 14 reuniões, para uma espécie de pausa emocional, a fim de organizarmos nossas cabeças e 15 nossos sentimentos. 16 Era evidente, pela ansiedade coletiva, que a dificuldade aparentemente intransponível que o 17 grupo _________ era a ausência de palavras adequadas. E a palavra, como se sabe, é o mais 18 precioso instrumento de trabalho do médico, porque é através dela que conquistamos confiança 19 ou plantamos incerteza , que somos acolhidos ou _________ , que oferecemos parceria ou nos 20 perdemos na ilusão de que o paciente dará __ tecnologia o mesmo valor com que a 21 reverenciamos. 22 Quando a doutora que se confessara chorona relatou duas experiências prévias em que não 23 conseguira sequer que os pacientes fixassem o olho nela, ficou claro que tínhamos de redefinir 24 como a proximidade da morte é vista pelo doente. Porque, se isso for entendido, ficará 25 compreensível a irritação do paciente com o discurso falacioso do médico ao descrever o que 26 será feito para que desfrute um tempo que ele reconhece, pela percepção de sua fraqueza 27 orgânica, como impossível: o futuro. 28 Ser médico nessa hora é entender que o fim da vida é reconhecível com a maior certeza 29 pelo paciente, e tudo o que lhe interessa, nesse estágio, é como manejar o passado com suas 30 sombras e dúvidas, e mentiras e traições, e culpas e remorsos. E o médico que pretenda 31 escalar esse degrau superior da medicina é o que se oferece para ajudá-lo a apaziguar seus 32 demônios, para que ele morra em paz. 33 Quando saía do hospital, dei uma última espiada; a doutora estava sentada na cama do seu 34 Guilherme e lhe segurava uma das mãos. Quando ela comentou que "neste andar, não tem 35 ninguém com netos tão lindos no porta-retratos!", ele sorriu, e ofereceu-lhe __ segunda mão 36 para que ela segurasse. Tomara que ela tenha chorado, porque terá descoberto, bem cedo na 37 vida, o quanto o choro médico é bom de chorar. Texto adaptado. Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br

Para responder a questão, considere o parágrafo contido entre as linhas 28 e 32 do texto. Sobre as ocorrências para palavra ‘que’ entre as linhas 28 e 32 do texto, afirma-se que:

I. As duas primeiras ocorrências são pronomes relativos.

II. A segunda, a terceira e a quarta ocorrência funcionam como pronomes relativos.

III. A última ocorrência é uma conjunção, a qual, combinada com a preposição ‘para’, atribui ao período que introduz a ideia de finalidade. Quais estão corretas?

A Apenas I.
B Apenas II.
C Apenas III
D Apenas I e II.
E Apenas II e III.
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Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões. Por que a depressão é mais comum em mulheres? Novo estudo tenta responder Maria Tereza Santos 01 O sexo feminino possui um risco quase duas vezes maior de desenvolver a depressão. 02 Pois um estudo da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, investigou a fundo o cérebro 03 de homens e mulheres para tentar desvendar possíveis mecanismos biológicos por ........ disso. 04 Os pesquisadores recrutaram 115 indivíduos saudáveis (69 mulheres e 46 homens). Eles 05 foram separados em dois grupos: um deveria in ? erir pequenas doses de endotoxinas 06 (substâncias que promovem uma inflamação cerebral controlada), e o outro tomava um 07 placebo. 08 Duas horas depois, todos os participantes executaram uma tarefa que visava testar o 09 sistema de recompensa do cérebro — um conjunto de estruturas que promove a sensação de 10 prazer e que, na depressão, é inibido. Enquanto isso, a massa cinzenta dos voluntários era 11 monitorada por um aparelho de ressonância magnética funcional. 12 Com base nas informações dos exames, os cientistas constataram que , nas mulheres que 13 haviam recebido aquela substância inflamatória, a atividade do tal sistema de recompensa 14 diminuiu, o que não aconteceu com os homens que tomaram as endotoxinas e com todo o 15 grupo placebo. 16 “Isso sugere que mulheres com distúrbios crônicos inflamatórios podem ser 17 particularmente vulneráveis __ desenvolver depressão através da diminuição da sensibilidade 18 __ recompensas”, arremata, em comunicado __ imprensa, a psicóloga Mona Moieni, 19 da Universidade da Califórnia, que liderou a análise. 20 Limitações da investigação 21 Apesar dos resultados serem significativos, é importante analisá-los com cuidado. “Os 22 autores su ? erem que os achados explicariam a maior prevalência da doença em mulheres, mas 23 isso não pode ser concluído através da pesquisa”, comenta o psiquiatra Antonio Egidio Nardi, da 24 Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Certamente fatores genéticos e hormonais 25 também devem influir aí”, completa. 26 Um trabalho de 2017 que contou com a participação de Nardi, por exemplo, mostra que 27 o DNA pode estar por ........ dos processos inflamatórios que desencadeariam certos transtornos 28 mentais. Nesse levantamento, os experts avaliaram marcadores genéticos e inflamatórios em 29 pacientes que já haviam tentado o suicídio. 30 “Demonstramos que a carga genética talvez dificulte o bom funcionamento cerebral em 31 situações de estresse, favorecendo a reação inflamatória e agravando o quadro depressivo”, 32 explica o psiquiatra. 33 Por que as mulheres são mais propensas à depressão 34 Segundo Nardi, em geral, esse transtorno surge da interação de fatores genéticos com o 35 estresse. “Depois da primeira crise, parece que a doença segue um curso próprio. Os fatores 36 ambientais e emocionais vão perdendo a capacidade de influir”, complementa o professor. 37 Acontece que a genética e a flutuação hormonal seriam mais preponderantes no 38 desenvolvimento da doença entre o sexo feminino. “Antes da menopausa, a incidência de 39 depressão é pelo menos duas vezes maior nas mulheres. Após a menopausa, é a mesma para 40 os dois sexos”, exemplifica Nardi. Isso indica que os hormônios femininos, que caem em 41 concentração depois dessa fase, têm um papel na depressão. 42 Discussões à parte, fica cada vez mais claro que a depressão não surge apenas por causa 46 de aspectos sociais e psicológicos.

(Fonte: https://saude.abril.com.br – 11 jun 2019 – adaptação)

Analise as seguintes ocorrências da palavra ‘que’:

I. Linha 06.

II. Linha 12.

III. Linha 16.

IV. Linha 26.

V. Linha 30. VI. Linha 37. Quais funcionam como conjunção integrante, nos respectivos contextos de ocorrência?

A Apenas I, II e III.
B Apenas III, IV e V.
C Apenas I, III, IV e VI.
D Apenas II, III, IV, V e VI.
E I, II, III, IV, V e VI.
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As razões _______ a indústria do cigarro está investindo em ONG antitabagista. A indústria do cigarro, capitaneada pela Philip Morris, está investindo um bilhão de dólares numa ONG que promete um mundo sem cigarro. ______? Cientistas de reputação imaculada deveriam aceitar contribuições financeiras de uma companhia de tabaco? Este não é um teste teórico de comportamento ético, mas o dilema que se apresentou dramaticamente para acadêmicos da Universidade de Utrecht (UU), na Holanda. Quem lançou a isca foi a Philip Morris, gigante mundial do tabaco, e a oferta não era de se jogar fora: 360 mil euros (1,64 milhão de reais) para o trabalho de investigar as consequências do contrabando e falsificação de cigarros. De mais a mais, a companhia acenava com total liberdade para os acadêmicos em suas apurações. Não são historicamente as mais decentes as relações entre profissionais da saúde e as controvertidas usinas de câncer de pulmão. Décadas atrás, a indústria de tabaco tinha o hábito de recrutar médicos de forma que eles, ao contrário do que já indicavam os alertas patológicos, alardeassem publicamente as virtudes do fumo para os pulmões e as vias respiratórias. Médicos de prestígio aceitavam alegremente ser cúmplices desse crime. É natural que , hoje em dia, quando a indústria procura a academia, uma fumaça de desconfiança impregne o ar. O professor de Direito John Vervaele, encarregado de administrar a doação em Utrecht, reagiu às críticas argumentando: “Fazemos isso ______ indústria de tabaco não é ilegal. O comércio ilícito de cigarro, sim”. O argumento não convenceu os pneumologistas e oncologistas da Sociedade Holandesa do Câncer, os mais desconfiados em relação à pretensa boa vontade da Philip Morris. “Cerca de 7 milhões de pessoas continuam morrendo todos os anos, no mundo inteiro, vítimas dos efeitos malignos do fumo” – rebateram os clínicos. A discussão azedou a tal ponto que a UU acabou declinando da doação. Anunciou que ela ............ vai bancar a pesquisa do professor Vervaele e sua equipe. A Philip Morris, por sua vez, está disposta a verter uma montanha de dinheiro em programas como aquele que tentou, em vão, na Holanda. O combate ao comércio ilegal de cigarro vai lhe custar 100 milhões de dólares – não só em pesquisas, mas também nos custos de repressão ao tráfico. Outro bilhão de dólares a Philip Morris pretende investir, ao longo de 12 anos, na Foundation for a Smoke-Free World, uma ONG com sede em Nova York. Como entender que a fabricante do Marlboro, a marca número 1, esteja financiando uma fundação ______ nome apregoa “um mundo sem cigarro”? A tal fundação ............ controvérsias, de fato. A Philip Morris assegura que ela exprime hoje uma preocupação que é de ............ indústria do tabaco: como ajudar os fumantes a encontrar alternativas seguras aos cigarros combustíveis, unanimemente fadados à extinção? Já a Organização Mundial da Saúde não tem tanta certeza assim dos objetivos meritórios das campanhas da indústria. De acordo com a brasileira Vera Luzia da Costa e Silva, chefe da Convenção do Controle do Tabaco, com sede em Genebra, o que uma entidade endinheirada como a Foundation for a Smoke-Free World almeja é atropelar as iniciativas coletivas para impor sua própria pauta, seus próprios métodos e, no final, seus próprios interesses – que continuam comprometendo a vida saudável. Texto especialmente adaptado para esta prova.

Fonte: https://www.cartacapital.com.br/revista/1011/cortina-de-fumaca

Quanto às seguintes ocorrências da palavra que no texto, assinale a alternativa INCORRETA.

A Nas linhas 02 e 04, trata-se de um pronome.
B Na linha 14, trata-se de uma conjunção, assim como na linha 22 (os dois casos).
C Na linha 24, não se trata de um pronome.
D Nas linhas 28 e 30, trata-se de conjunção integrante.
E Nas linhas 36 e 38 introduzem orações adjetivas.
Texto associado
As razões _______ a indústria do cigarro está investindo em ONG antitabagista . A indústria do cigarro, capitaneada pela Philip Morris, está investindo um bilhão de dólares numa ONG que promete um mundo sem cigarro. ______? Cientistas de reputação imaculada deveriam aceitar contribuições financeiras de uma companhia de tabaco? Este não é um teste teórico de comportamento ético, mas o dilema que se apresentou dramaticamente para acadêmicos da Universidade de Utrecht (UU), na Holanda. Quem lançou a isca foi a Philip Morris, gigante mundial do tabaco, e a oferta não era de se jogar fora: 360 mil euros (1,64 milhão de reais) para o trabalho de investigar as consequências do contrabando e falsificação de cigarros. De mais a mais, a companhia acenava com total liberdade para os acadêmicos em suas apurações. Não são historicamente as mais decentes as relações entre profissionais da saúde e as controvertidas usinas de câncer de pulmão. Décadas atrás, a indústria de tabaco tinha o hábito de recrutar médicos de forma que eles, ao contrário do que já indicavam os alertas patológicos, alardeassem publicamente as virtudes do fumo para os pulmões e as vias respiratórias. Médicos de prestígio aceitavam alegremente ser cúmplices desse crime. É natural que , hoje em dia, quando a indústria procura a academia, uma fumaça de desconfiança impregne o ar. O professor de Direito John Vervaele, encarregado de administrar a doação em Utrecht, reagiu às críticas argumentando: “Fazemos isso ______ indústria de tabaco não é ilegal. O comércio ilícito de cigarro, sim”. O argumento não convenceu os pneumologistas e oncologistas da Sociedade Holandesa do Câncer, os mais desconfiados em relação à pretensa boa vontade da Philip Morris. “Cerca de 7 milhões de pessoas continuam morrendo todos os anos, no mundo inteiro, vítimas dos efeitos malignos do fumo” – rebateram os clínicos. A discussão azedou a tal ponto que a UU acabou declinando da doação. Anunciou que ela ............ vai bancar a pesquisa do professor Vervaele e sua equipe. A Philip Morris, por sua vez, está disposta a verter uma montanha de dinheiro em programas como aquele que tentou, em vão, na Holanda. O combate ao comércio ilegal de cigarro vai lhe custar 100 milhões de dólares – não só em pesquisas, mas também nos custos de repressão ao tráfico. Outro bilhão de dólares a Philip Morris pretende investir, ao longo de 12 anos, na Foundation for a Smoke-Free World, uma ONG com sede em Nova York. Como entender que a fabricante do Marlboro, a marca número 1, esteja financiando uma fundação ______ nome apregoa “um mundo sem cigarro”? A tal fundação ............ controvérsias, de fato. A Philip Morris assegura que ela exprime hoje uma preocupação que é de ............ indústria do tabaco: como ajudar os fumantes a encontrar alternativas seguras aos cigarros combustíveis, unanimemente fadados à extinção? Já a Organização Mundial da Saúde não tem tanta certeza assim dos objetivos meritórios das campanhas da indústria. De acordo com a brasileira Vera Luzia da Costa e Silva, chefe da Convenção do Controle do Tabaco, com sede em Genebra, o que uma entidade endinheirada como a Foundation for a Smoke-Free World almeja é atropelar as iniciativas coletivas para impor sua própria pauta, seus próprios métodos e, no final, seus próprios interesses – que continuam comprometendo a vida saudável. Texto especialmente adaptado para esta prova.

Fonte: https://www.cartacapital.com.br/revista/1011/cortina-de-fumaca

Quanto às seguintes ocorrências da palavra que no texto, assinale a altern

A Nas linhas 02 e 04, trata-se de um pronome.
B Na linha 14, trata-se de uma conjunção, assim como na linha 22 (os dois casos).
C Na linha 24, não se trata de um pronome.
D Nas linhas 28 e 30, trata-se de conjunção integrante.
E Nas linhas 36 e 38 introduzem orações adjetivas.
Texto associado
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões. As razões _______ a indústria do cigarro está investindo em ONG antitabagista. 01 A indústria do cigarro, capitaneada pela Philip Morris, está investindo um bilhão de dólares 02 numa ONG que promete um mundo sem cigarro. ______? Cientistas de reputação imaculada 03 deveriam aceitar contribuições financeiras de uma companhia de tabaco? Este não é um teste 04 teórico de comportamento ético, mas o dilema que se apresentou dramaticamente para 05 acadêmicos da Universidade de Utrecht (UU), na Holanda. Quem lançou a isca foi a Philip Morris, 06 gigante mundial do tabaco, e a oferta não era de se jogar fora: 360 mil euros (1,64 milhão de 07 reais) para o trabalho de investigar as consequências do contrabando e falsificação de cigarros. 08 De mais a mais, a companhia acenava com total liberdade para os acadêmicos em suas 09 apurações. 10 Não são historicamente as mais decentes as relações entre profissionais da saúde e as 11 controvertidas usinas de câncer de pulmão. Décadas atrás, a indústria de tabaco tinha o hábito 12 de recrutar médicos de forma que eles, ao contrário do que já indicavam os alertas patológicos, 13 alardeassem publicamente as virtudes do fumo para os pulmões e as vias respiratórias. Médicos 14 de prestígio aceitavam alegremente ser cúmplices desse crime. É natural que , hoje em dia, 15 quando a indústria procura a academia, uma fumaça de desconfiança impregne o ar. 16 O professor de Direito John Vervaele, encarregado de administrar a doação em Utrecht, reagiu 17 às críticas argumentando: “Fazemos isso ______ indústria de tabaco não é ilegal. O comércio 18 ilícito de cigarro, sim”. O argumento não convenceu os pneumologistas e oncologistas da 19 Sociedade Holandesa do Câncer, os mais desconfiados em relação à pretensa boa vontade da 20 Philip Morris. “Cerca de 7 milhões de pessoas continuam morrendo todos os anos, no mundo 21 inteiro, vítimas dos efeitos malignos do fumo” – rebateram os clínicos. 22 A discussão azedou a tal ponto que a UU acabou declinando da doação. Anunciou que ela 23 ............ vai bancar a pesquisa do professor Vervaele e sua equipe. A Philip Morris, por sua vez, 24 está disposta a verter uma montanha de dinheiro em programas como aquele que tentou, em 25 vão, na Holanda. O combate ao comércio ilegal de cigarro vai lhe custar 100 milhões de dólares 26 – não só em pesquisas, mas também nos custos de repressão ao tráfico. Outro bilhão de dólares 27 a Philip Morris pretende investir, ao longo de 12 anos, na Foundation for a Smoke-Free World, 28 uma ONG com sede em Nova York. Como entender que a fabricante do Marlboro, a marca número 29 1, esteja financiando uma fundação ______ nome apregoa “um mundo sem cigarro”? 30 A tal fundação ............ controvérsias, de fato. A Philip Morris assegura que ela exprime hoje 31 uma preocupação que é de ............ indústria do tabaco: como ajudar os fumantes a encontrar 32 alternativas seguras aos cigarros combustíveis, unanimemente fadados à extinção? Já a 33 Organização Mundial da Saúde não tem tanta certeza assim dos objetivos meritórios das 34 campanhas da indústria. 35 De acordo com a brasileira Vera Luzia da Costa e Silva, chefe da Convenção do Controle do 36 Tabaco, com sede em Genebra, o que uma entidade endinheirada como a Foundation for a 37 Smoke-Free World almeja é atropelar as iniciativas coletivas para impor sua própria pauta, seus 38 próprios métodos e, no final, seus próprios interesses – que continuam comprometendo a vida 39 saudável. Texto especialmente adaptado para esta prova.

Fonte: https://www.cartacapital.com.br/revista/1011/cortina-de-fumaca

Quanto às seguintes ocorrências da palavra que no texto, assinale a alternativa INCORRETA.

A Nas linhas 02 e 04, trata-se de um pronome.
B Na linha 14, trata-se de uma conjunção, assim como na linha 22 (os dois casos).
C Na linha 24, não se trata de um pronome.
D Nas linhas 28 e 30, trata-se de conjunção integrante.
E Nas linhas 36 e 38 introduzem orações adjetivas.

Toda a estrutura de nossa sociedade colonial teve sua base fora dos meios urbanos. É preciso considerar esse fato para se compreenderem exatamente as condições que, por via direta ou indireta, nos governaram até mesmo depois de proclamada nossa independência política e cujos reflexos não se apagaram ainda hoje. Se [...] não foi a rigor uma civilização agrícola o que os portugueses instauraram no Brasil, foi, sem dúvida, uma civilização de raízes rurais. É efetivamente nas propriedades rústicas que toda a vida da colônia se concentra durante os séculos iniciais da ocupação europeia: as cidades são virtualmente, se não de fato, simples dependências delas. Com pouco exagero pode dizer-se que tal situação não se modificou essencialmente até à Abolição. 1888 representa o marco divisório entre duas épocas; em nossa evolução nacional, essa data assume significado singular e incomparável. Na Monarquia eram ainda os fazendeiros escravocratas e eram filhos de fazendeiros, educados nas profissões liberais, quem monopolizava a política, elegendo-se ou fazendo eleger seus candidatos, dominando os parlamentos, os ministérios, em geral todas as posições de mando, e fundando a estabilidade das instituições nesse incontestado domínio. Tão incontestado, em realidade, que muitos representantes da classe dos antigos senhores puderam, com frequência, dar-se ao luxo de inclinações antitradicionalistas e mesmo empreender alguns dos mais importantes movimentos liberais que já operaram em nossa história. A eles, de certo modo, também se deve o bom êxito de progressos materiais que tenderiam a arruinar a situação tradicional, minando aos poucos o prestígio de sua classe e o principal esteio em que descansava esse prestígio, ou seja, o trabalho escravo . (HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil . São Paulo: Companhia das Letras, 2014, p.85-86) Em alguns dos mais importantes movimentos liberais que já operaram em nossa história (4º parágrafo), o termo sublinhado exerce a mesma função sintática do termo sublinhado em:

A É efetivamente nas propriedades rústicas que toda a vida da colônia se concentra (2° parágrafo)
B progressos materiais que tenderiam a arruinar a situação tradicional . (4° parágrafo)
C Toda a estrutura de nossa sociedade colonial teve sua base fora dos meios urbanos. (1° parágrafo)
D eram ainda os fazendeiros escravocratas e eram filhos de fazendeiros, educados nas profissões liberais, quem monopolizava a política (3° parágrafo)
E tal situação não se modificou essencialmente até à Abolição (2° parágrafo)
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Mundo de mentira
Paulo Pestana

Tem muita gente que implica com mentira, esquecendo-se de que as melhores histórias do mundo nascem delas: algumas cabeludas, outras mais inocentes, sempre invenções da mente, fruto da criatividade — ou do aperto, dependendo da situação.

Ademais, se fosse tão ruim estaria na lista das pedras que Moisés recebeu aos pés do monte Sinai, entre as 10 coisas mais feias da humanidade, todas proibidas e que levam ao inferno; ficou de fora. A mentira não está nem entre os pecados capitais, que aliás eram ofensas bem antes de Cristo nascer, formando um rol de virtudes avessas, para controlar os instintos básicos da patuleia. Eram leis. E é preciso lembrar também que ninguém colocou a mentira entre os pecados veniais; talvez, seja por isso que o mundo minta tanto, hoje em dia.

E tudo nasceu na forma mais poética possível, com os mitos — e não vamos falar de presidentes aqui — às lendas, narrativas fantásticas que serviam para educar ou entreter. Entre tantas notícias falsas, há muitas lendas que, inclusive, explicam por que fazemos tanta festa para o ano que começa.

Os japoneses, por exemplo, contam que um velhinho, na véspera do ano-novo, não conseguiu vender os chapéus que fabricava e colocou-os na cabeça de seis estátuas de pedra; chegou em casa coberto de neve e sem um tostão. No dia seguinte, recebeu comida farta e dinheiro das próprias estátuas, para mostrar que a bondade é sempre reconhecida e recompensada.

Os brasileiros vestem roupas brancas na passagem do ano, mas poucos sabem que esta é uma tradição recente, de pouco mais de 50 anos, e que veio do candomblé, mais precisamente da cultura yorubá, com os irúnmolés’s funfun — as divindades do branco. E atenção: para eles, o regente de 2019 é Ogum, o guerreiro, orixá associado às forças armadas, ao mesmo tempo impiedoso, impaciente e amável. Ogunhê!

Mas na minha profunda ignorância eu não conhecia a lenda da Noite de São Silvestre, que marca a passagem do ano. E assim foime contada pelo Doutor João, culto advogado, entre suaves goles de vinho — um Quinta do Crasto Douro (sorry, periferia, diria o Ibrahim Sued).

Disse-me ele: ao ver a Virgem Maria desolada contemplando o Oceano Atlântico, São Silvestre se aproximou para consolá-la, quando ela disse que estava com saudades da Atlântida, o reino submerso por Deus, em resposta aos desafios e à soberba de seu soberano e dos pecados de seu povo. As lágrimas da Virgem Maria — transformadas em pérolas — caíram no oceano; e uma delas deu origem à Ilha da Madeira — chamada Pérola do Atlântico, na modesta visão dos locais — ao mesmo tempo em que surgiram misteriosas luzes no céu, que se repetiriam por anos a fio; e é por isso que festejamos a chegada do ano-novo com fogos de artifício.

Aliás, agora inventaram fogo de artifício sem barulho para não incomodar os cachorros. A próxima jogada politicamente correta será lançar fogos sem luz para não perturbar as corujas buraqueiras. E isso está longe de ser lenda: é só um mundo mais chato.

Disponível em: . Acesso em: 18 fev. 2019.

Assinale a alternativa correta em relação à palavra “que” destacada.

A Na frase “Tem muita gente que implica com mentira [...]”, o “que” tem função de conjunção subordinativa adverbial, retomando a palavra “gente”.
B Em “[...] se fosse tão ruim estaria na lista das pedras que Moisés recebeu [...]”, o “que” é uma conjunção coordenativa com função de explicação.
C No trecho “[...] às lendas, narrativas fantásticas que serviam para educar ou entreter.”, o “que” é pronome relativo.
D Em “[...] quando ela disse que estava com saudades da Atlântida [...]”, o “que” é pronome relativo e completa o sentido do verbo “disse”.
E No excerto “[...] é por isso que festejamos a chegada do ano-novo com fogos de artifício.”, o “que” é uma conjunção subordinativa explicativa.

Assinale a alternativa em que o “que” destacado possui a mesma função exercida pelo “que” presente em: “[...] distanciou-o também da arte, que talhada para captar a essência humana, o faz de maneira basicamente intuitiva.”.

A “Os sonhos eram considerados proféticos e reveladores, até que , em 1899, Sigmund Freud apresentou uma das primeiras tentativas de interpretá-los cientificamente [...]”.
B Tanto insistiu que conseguiu [...]”.
C “A reunião não foi das mais frutíferas, já que os dois eram incapazes de conversar [...]”.
D “[...] a retomada desse episódio na peça Histeria, do dramaturgo Terry Johnson, mostra que não desistimos [...]”
E “[...] Johnson expande o diálogo que não aconteceu [...]”.