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O colapso do Império Turco-Otomano, precipitado pela Primeira Guerra Mundial, não foi apenas resultado de derrotas militares. Sobre esse assunto, assinale a alternativa correta.

A O Império Otomano, aliado da Tríplice Entente, participou diretamente das campanhas nos Bálcãs contra a Alemanha e a Áustria-Hungria, mas foi enfraquecido pela ocupação britânica em Istambul, no ano de 1915.
B O nacionalismo árabe, estimulado pelas promessas britânicas de independência, somado às campanhas militares de T. E. Lawrence, contribuiu para a desintegração da autoridade otomana em regiões como a Síria e a Palestina.
C O Tratado de Lausanne (1920) estabeleceu a partilha dos territórios otomanos entre França e Reino Unido, além de criar mandatos internacionais na Península Arábica.
D A ascensão de Mustafá Kemal Atatürk, ainda durante a guerra, consolidou imediatamente um regime republicano centralizado em Ancara, reconhecido internacionalmente já em 1918.
E O colapso otomano ocorreu sem envolvimento das potências europeias, resultando apenas de disputas internas entre turcos, curdos e árabes pela definição de fronteiras nacionais.

Catão, o Velho (Marcus Porcius Cato), célebre senador romano do século II a.C., tornou-se conhecido por encerrar todos os seus discursos no Senado com a frase Carthago delenda est (“Cartago deve ser destruída”). Essa expressão não era mero recurso retórico, mas revelava as preocupações estratégicas de Roma diante de sua principal rival no Mediterrâneo Ocidental. Considerando o contexto histórico dessa afirmação, assinale a alternativa correta.

A A frase refletia o temor de Roma em relação à rápida expansão cartaginesa na Península Ibérica e à ameaça de uma nova guerra, mesmo após a derrota de Aníbal na Segunda Guerra Púnica.
B Catão defendia a destruição de Cartago para garantir o monopólio romano sobre as rotas comerciais do Mediterrâneo Oriental, dominadas pela Grécia e pelo Egito helenístico.
C O pronunciamento de Catão ocorreu no contexto da Primeira Guerra Púnica, quando Roma ainda não havia consolidado seu poder naval frente à frota cartaginesa.
D A célebre expressão relaciona-se à repressão de revoltas internas em Roma, em que Catão associava Cartago ao perigo representado pelos irmãos Graco e suas reformas agrárias.
E O apelo de Catão estava ligado à aliança militar entre Cartago e o Império Selêucida, que ameaçava transformar Roma em uma potência secundária no Mediterrâneo.

Leia o trecho a seguir. Comparações e conexões são dois meios muito diferentes de cruzar limites. As comparações visam transcender a unidade única e fechada de análise para contrastar entre duas ou mais unidades para destacar diferenças e/ou semelhanças, para testar atribuições casuais ou para formular um padrão ou generalização. A outra forma importante de transcender fronteiras é conectar unidades que são geralmente abordadas separadamente e sublinhando os laços em jogo entre eles. Neste caso, os limites são ultrapassados substancialmente, em vez de analiticamente, já que o cruzamento é indispensável para definir uma unidade de análise maior do que o normal ou o próprio objeto de pesquisa. Adaptado de: OLSTEIN , Diego. Thinking History Globally . New York: Palgrave Macmillan, 2015, p. 59. Com base na leitura do trecho, analise as afirmativas a seguir, que apresentam definições de História Comparada e de História Conectada.

I. A História Comparada estuda duas ou mais unidades de análise histórica para encontrar afinidades ou divergências entre elas.

II. A História Conectada examina uma única unidade de análise histórica para aprofundar o estudo e torná-lo mais específico.

III. A História Comparada e a História Conectada são metodologias idênticas, pois buscam relacionar diferentes unidades de análise históricas. Está correto o que se afirma em

A I, apenas.
B I e II, apenas.
C I e III, apenas.
D II e III, apenas.
E I, II e III.

Leia o trecho a seguir. A maioria das pessoas tende a pensar que a História Cultural aborda a cultura superior, a Cultura com C maiúsculo. Então, o leitor pode querer uma palavra de explicação. Enquanto o historiador das ideias esboça a filiação do pensamento formal, de um filósofo para outro, o historiador etnográfico estuda a maneira como as pessoas comuns entendiam o mundo. Tenta descobrir a cosmologia, mostrar como organizavam a realidade em suas mentes e a expressavam em seu comportamento. Não tenta transformar em filósofo o homem comum, mas ver como a vida comum exigia uma estratégia. Operando ao nível corriqueiro, as pessoas comuns aprendem a “se virar” e podem ser tão inteligentes, à sua maneira, quanto os filósofos. Mas, em vez de tirarem conclusões lógicas, pensam com coisas, ou com qualquer material que sua cultura lhes ponha à disposição, como histórias ou cerimônias. Adaptado de: DARNTON , Robert. O grande massacre dos gatos. E outros episódios da História cultural francesa. Rio de Janeiro: Graal, 1986, p. XIV. Assinale a opção que descreve corretamente a compreensão do autor sobre o objeto de estudo da História Cultural.

A O estudo da cultura das elites intelectuais, que criaram e influenciaram os elementos culturais das sociedades.
B O estudo que reconhece que a população cria cultura, desconsiderando a capacidade do conhecimento filosófico de produzir saber.
C O estudo que investiga as experiências e visões da população comum sobre seus cotidianos.
D O estudo das expressões culturais individuais, sem considerar fatores externos.
E O estudo que separa o comportamento social da cultura para entender as expressões sociais.

Numa aula sobre a configuração da sociedade colonial brasileira o professor oferece aos estudantes um texto clássico do historiador Caio Prado Jr. “Esta massa de escravos, índios ou negros, constituía a maior parte da população colonial. (...). Ao lado de pequenos proprietários encontramos o tipo mais comum dos agregados . São estes os indivíduos – em geral escravos libertos ou mestiços espúrios - que vivem nos grandes domínios prestando aos senhores toda sorte de serviços: guarda da propriedade, mensageiro, etc. Entre eles figuram também os rendeiros, que pagam seus aluguéis em dinheiro ou mais comumente em produtos naturais ou em serviços. A situação destes rendeiros é a mais precária possível. Raramente se faziam contratos escritos, e mesmo não havia autoridades para os sancionar. Na propriedade quem domina incontrastavelmente é o senhor. Todos os que se fixam em suas terras cedem, em troca da gleba que cultivam para seu sustento e da proteção que lhes outorga o senhor contra outros mandões do sertão ou a própria Justiça, praticamente, toda a liberdade”. PRADO JR., Caio. Evolução política do Brasil e outros estudos . São Paulo: Editora Brasiliense, 1953 (texto adaptado). A partir da leitura do excerto desse historiador, os estudantes devem ser instados a interpretarem a estrutura de classes que compunha a sociedade colonial e suas interrelações de dependência. Dessa atividade, resulta a compreensão de que

A a sociedade colonial era formada por três classes: os senhores, os escravizados e os agregados (e dentre estes, os rendeiros) que, cada um a seu modo, dependiam dos interesses e das necessidades dos senhores.
B os senhores e os agregados não tinham obstáculos às suas necessidades e vontades, ao passo que os escravos eram privados de qualquer liberdade.
C A localização de rodoviárias e estradas.
D As relações entre comércio e serviço.
E As redes de transporte e comunicação.

Uma das tendências da historiografia contemporânea é a concepção da cultura como circular, ou seja, resultado da reunião de elementos de naturezas diferentes na composição de saberes culturais para contextos determinados. Com o objetivo de colocar seus estudantes diante dessa concepção de circularidade cultural, uma professora de História desafiou seus estudantes a reunirem, em sustentação lógica, argumentos das mais diversas origens para produzir justificativas em defesa da ampliação dos espaços públicos para lazer infantil em sua cidade. Com esse exercício, a docente preparou os estudantes a entrarem em contato com a concepção de história que embasam obras didáticas de

A Leonardo Benevolo, que estudou a cidade ao longo da História e marcou a dinâmica dos projetos urbanos contemporâneos pela necessidade de contemplar a infância.
B Marc Bloch, que abordou o processo de construção do conceito de Europa a partir da visão reversa do Oriente e das Américas sobre o continente.
C Fazer uma apresentação em Power Point com muitos dados e estatísticas sobre a economia da Europa na época.
D Convidar um especialista na temática para dar uma palestra técnica sobre o Antigo Regime.
E Levar os estudantes ao museu de Arte Sacra e esperar que façam relações individualmente das obras às características do Antigo Regime europeu.

Sobre o sistema feudal em vigor na Europa durante a Idade Média, pode-se afirmar que

A fundava-se na concepção de Santo Agostinho de que as terras agricultáveis pertenciam ao reino de Deus e que somente a Igreja Católica tinha autoridade para distribuí-las e nelas empregar o trabalho de escravizados.
B estabelecia as relações de proteção pela fortificação dos castelos no interior das cidades medievais habitadas por trabalhadores manufatureiros e camponeses, com gestão cooperativa.
C II, III e IV.
D I, III e IV.
E I, IV e V.

A Revolução Francesa do século XVIII foi um movimento que derrubou o Antigo Regime naquele país e fixou um paradigma de transformação política no imaginário social muito além da França e da época em que ocorreu. Sobre essa afirmação, deve-se dizer que

A a França, desde então, não teve mais governos monárquicos e que o modelo de transformação social difundido foi o da persuasão e do entendimento diplomático entre os detentores do poder e os descontentes.
B girondinos, integrantes da vanguarda revolucionária, nutriram-se do Grande Medo dos camponeses para o golpe fatal na realeza e a medida que passou a ser estratégica desde então para as mudanças foi adoção da reforma agrária.
C A garantia de sobrevivência dos trabalhadores negros nas fazendas estava na remuneração assalariada que os senhores lhes passaram a oferecer para que permanecessem ali e acumulassem recursos.
D Libertos por direito, os negros antes escravizados não tiveram a liberdade de fato assegurada, pois marcados racialmente pelo regime anterior não eram vistos pela sociedade como indivíduos livres e capazes.
E O regime escravocrata enraizou-se de tal maneira na mentalidade dos negros que, mesmo libertos, eles não conseguiam conceber modos de vida distintos daqueles a que estavam habituados.

A arte renascentista italiana do ‘ Quattrocento ’, na Itália, teve como característica

A a proibição de representação do corpo humano.
B o emprego exclusivo de personagens santificados.
C à queda da oferta de mão de obra especializada na lavoura açucareira, habilidade detida secularmente pelos holandeses.
D ao relativo e circunstancial desinteresse dos reinos ibéricos unidos quanto às plantations em favor da agricultura diversificada, modelo próprio dos espanhóis.
E ao fato de que os holandeses descobriram metais preciosos no território brasileiro e passaram a financiar expedições de prospecção no interior da colônia.

Nikolai Petrovitch Kirsanóv tem uma boa propriedade com duzentas almas, desde que demarcou as terras dos camponeses. [...] Ao filho que o visita, revela – Estou tendo grandes preocupações com os mujiques este ano [...]. Não estão pagando o obrok. O que é que se vai fazer? E o filho indaga “– E com seus trabalhadores contratados, está satisfeito? Nikolai responde por entre os dentes – estão sendo instigados, isso é que é ruim; e ainda por cima eles não se esforçam de verdade. Estragam o arreamento. Por outro lado, até que lavraram direito. TURGUÊNIEV, Ivan. Pais e Filhos

( 1862 ). Antofágica (e-book), RJ, 2020. Tradução Lucas Simone. Adaptado. A leitura do texto acima nos remete ao contexto da Rússia na segunda metade do século XIX, em que

A a demarcação de propriedades no campo deu origem a relações de produção nas quais os mujiques passaram a empregar mão de obra contratada para realizar o trabalho que anteriormente cabia a eles.
B o plano quinquenal de expansão econômica, desencadeado pelo Estado, gerou a necessidade de convivência de regimes de trabalho distintos na produção rural e a preocupação de que servos camponeses fossem “instigados” pelos contratados.
C a adoção da perspectiva na composição das imagens.
D a introdução de ilusionismos e ludicidade na pintura.
E o conceitualismo estético abstrato.