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Texto associado
O termo inclusão digital tenta expressar a noção já tradicional, embora controversa, de que certos meios e/ou tecnologias
podem ser aplicados de maneira planejada, eficaz e previsível ao desenvolvimento social. O qualificador "digital" aparece nessa
expressão para ressaltar o fato de que, em anos recentes, uma gama ampla de sentidos do desenvolvimento tem sido associada às
Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC). Essas, por sua vez, têm sido vistas como "chaves para o crescimento,
empregos, investimento e inovação" uma vez que "um uso mais amplo e eficiente das TIC por todos os setores da economia é uma
clara oportunidade de fomento da competitividade, do desenvolvimento sustentável e da inclusão social".
Grosso modo, duas condições para a inclusão digital têm sido apontadas como essenciais, quando não como suficientes: o
acesso à infraestrutura técnica mínima (computadores, software e serviços de conexão à internet) e um grau mínimo de capacitação
da população para o uso das TIC.
(Adaptado de: BUZATO, Marcelo. Letramento e inclusão. Revista Delta: Documentação e Estudos em Linguística Aplicada. v. 25, n. 1, 2009.
Disponível em: )

As ruas abertas à livre circulação de pessoas e veículos representam uma das imagens mais vivas da cidade moderna. Apesar
de as cidades ocidentais incorporarem várias e até contraditórias versões da modernidade, há um grande consenso a respeito de
quais são os elementos básicos da experiência moderna de vida pública urbana [...].
No trecho acima, indicam juízos de valor os seguintes termos:

A mais vivas, grande consenso
B veículos, experiência moderna
C ruas abertas, circulação de pessoas e veículos
D cidades ocidentais, versões da modernidade
E livre circulação, consenso
Texto associado
O termo inclusão digital tenta expressar a noção já tradicional, embora controversa, de que certos meios e/ou tecnologias
podem ser aplicados de maneira planejada, eficaz e previsível ao desenvolvimento social. O qualificador "digital" aparece nessa
expressão para ressaltar o fato de que, em anos recentes, uma gama ampla de sentidos do desenvolvimento tem sido associada às
Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC). Essas, por sua vez, têm sido vistas como "chaves para o crescimento,
empregos, investimento e inovação" uma vez que "um uso mais amplo e eficiente das TIC por todos os setores da economia é uma
clara oportunidade de fomento da competitividade, do desenvolvimento sustentável e da inclusão social".
Grosso modo, duas condições para a inclusão digital têm sido apontadas como essenciais, quando não como suficientes: o
acesso à infraestrutura técnica mínima (computadores, software e serviços de conexão à internet) e um grau mínimo de capacitação
da população para o uso das TIC.
(Adaptado de: BUZATO, Marcelo. Letramento e inclusão. Revista Delta: Documentação e Estudos em Linguística Aplicada. v. 25, n. 1, 2009.
Disponível em: )

Considere as frases a seguir:
É claro que esse nunca foi exatamente o caso, em Paris ou em qualquer outro lugar. As cidades modernas foram sempre
marcadas por desigualdades sociais e segregação espacial e nunca deixaram de ser apropriadas de formas bastante diferentes
por diversos grupos, dependendo de sua posição social e de seu poder. (2º parágrafo)
Essa ficção, tão radical quanto aquela da cidade aberta, ajudou a destruir a ordem social estamental que a precedeu. (3º parágrafo)
Os termos sublinhados referem-se, respectivamente, a

A cidades modernas grupos ordem social
B desigualdades sociais segregação ficção
C cidades modernas grupos ficção
D desigualdades sociais grupos ficção
E cidades modernas segregação ordem social
Texto associado
O termo inclusão digital tenta expressar a noção já tradicional, embora controversa, de que certos meios e/ou tecnologias
podem ser aplicados de maneira planejada, eficaz e previsível ao desenvolvimento social. O qualificador "digital" aparece nessa
expressão para ressaltar o fato de que, em anos recentes, uma gama ampla de sentidos do desenvolvimento tem sido associada às
Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC). Essas, por sua vez, têm sido vistas como "chaves para o crescimento,
empregos, investimento e inovação" uma vez que "um uso mais amplo e eficiente das TIC por todos os setores da economia é uma
clara oportunidade de fomento da competitividade, do desenvolvimento sustentável e da inclusão social".
Grosso modo, duas condições para a inclusão digital têm sido apontadas como essenciais, quando não como suficientes: o
acesso à infraestrutura técnica mínima (computadores, software e serviços de conexão à internet) e um grau mínimo de capacitação
da população para o uso das TIC.
(Adaptado de: BUZATO, Marcelo. Letramento e inclusão. Revista Delta: Documentação e Estudos em Linguística Aplicada. v. 25, n. 1, 2009.
Disponível em: )

Essa ficção, tão radical quanto aquela da cidade aberta, ajudou a destruir a ordem social estamental que a precedeu. No entanto,
foi só depois de muitas lutas que as definições de quem poderia ser considerado "livre e igual" foram pouco a pouco expandidas.
(3º parágrafo)
O termo sublinhado no trecho acima indica a

A adição de dois pontos de vista sobre um mesmo objeto.
B relativização de uma afirmativa anterior.
C oposição entre duas premissas.
D conclusão de um determinado processo.
E negação absoluta de um argumento anterior.
Texto associado
O termo inclusão digital tenta expressar a noção já tradicional, embora controversa, de que certos meios e/ou tecnologias
podem ser aplicados de maneira planejada, eficaz e previsível ao desenvolvimento social. O qualificador "digital" aparece nessa
expressão para ressaltar o fato de que, em anos recentes, uma gama ampla de sentidos do desenvolvimento tem sido associada às
Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC). Essas, por sua vez, têm sido vistas como "chaves para o crescimento,
empregos, investimento e inovação" uma vez que "um uso mais amplo e eficiente das TIC por todos os setores da economia é uma
clara oportunidade de fomento da competitividade, do desenvolvimento sustentável e da inclusão social".
Grosso modo, duas condições para a inclusão digital têm sido apontadas como essenciais, quando não como suficientes: o
acesso à infraestrutura técnica mínima (computadores, software e serviços de conexão à internet) e um grau mínimo de capacitação
da população para o uso das TIC.
(Adaptado de: BUZATO, Marcelo. Letramento e inclusão. Revista Delta: Documentação e Estudos em Linguística Aplicada. v. 25, n. 1, 2009.
Disponível em: )

A correção gramatical e a regência são plenamente contempladas no seguinte período:

A Muitos estudiosos defendem que há consenso com a importância desses espaços para a vida urbana, embora nem sempre
se reconheça sua relação sob a experiência cotidiana dos cidadãos.
B A noção de cidade aberta foi incorporada em discursos políticos desde o século XIX. Ela está frequentemente ligada para
com projetos de modernização urbanos que valorizam a circulação e o consumo.
C As cidades modernas foram sempre marcadas por desigualdades sociais e segregação espacial e nunca deixaram de ser
apropriadas de formas bastante diferentes por diversos grupos, dependendo de sua posição social e de seu poder.
D Há consenso diante a quais são os elementos básicos da vida pública urbana. As ruas abertas e a livre circulação de pessoas
são fundamentais para uma concepção democrática de cidade moderna.
E As cidades foram marcadas em desigualdades sociais profundas. Apesar disso, o discurso de abertura política, típico das
democracias burguesas, foram hegemônicos no ocidente, ao menos até as primeiras décadas do século XXI.
Texto associado
O termo inclusão digital tenta expressar a noção já tradicional, embora controversa, de que certos meios e/ou tecnologias
podem ser aplicados de maneira planejada, eficaz e previsível ao desenvolvimento social. O qualificador "digital" aparece nessa
expressão para ressaltar o fato de que, em anos recentes, uma gama ampla de sentidos do desenvolvimento tem sido associada às
Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC). Essas, por sua vez, têm sido vistas como "chaves para o crescimento,
empregos, investimento e inovação" uma vez que "um uso mais amplo e eficiente das TIC por todos os setores da economia é uma
clara oportunidade de fomento da competitividade, do desenvolvimento sustentável e da inclusão social".
Grosso modo, duas condições para a inclusão digital têm sido apontadas como essenciais, quando não como suficientes: o
acesso à infraestrutura técnica mínima (computadores, software e serviços de conexão à internet) e um grau mínimo de capacitação
da população para o uso das TIC.
(Adaptado de: BUZATO, Marcelo. Letramento e inclusão. Revista Delta: Documentação e Estudos em Linguística Aplicada. v. 25, n. 1, 2009.
Disponível em: )

O uso adequado do sinal indicativo de crase encontra-se em:

A As cidades ocidentais modernas sempre mantiveram vários sinais de abertura, sobretudo no que diz respeito a circulação e
ao consumo.
B À promessa de incorporação a sociedade moderna incluía não só à cidade e o consumo, mas também a ordem política.
C Às ruas abertas à livre circulação de pessoas e veículos representam uma das imagens mais vivas da cidade moderna.
D Esses elementos são associados à vida moderna em cidades capitalistas pelo menos desde a reforma de Paris.
E As imagens da cidade moderna são análogas àquelas da ordem liberal-democrática.
Texto associado
Considere o texto do filósofo latino Sêneca para responder às questões de 1 a 10.
A vida divide-se em três períodos: o que se foi, o que está sendo e o que há de vir. Desses, o que estamos atravessando é breve, o que havemos de atravessar é duvidoso, o que já atravessamos é certo. É este último de fato aquele sobre o qual a fortuna perdeu seu direito, o qual não pode ser reconduzido ao arbítrio de ninguém. Esse período os ocupados o perdem, pois não lhes sobra tempo para examinar o passado, e, se lhes sobrasse, seria desagradável a recordação de algo que lhes causaria arrependimento. Ninguém voltará de bom grado seu olhar ao passado, exceto quem submete todos os seus atos à própria censura, que nunca se deixa enganar. Quem avidamente muito cobiçou, desprezou com soberba, venceu com insolência, enganou com insídias, roubou por cupidez, prodigamente dissipou, é forçoso que tema a própria memória. Ora, essa é a parte sagrada e intocável de nosso tempo, posta acima de todos os reveses humanos, subtraída ao reino da Fortuna, e que nem a penúria, nem o medo, nem o ataque de doenças podem atingir. Ela não pode ser conturbada nem tirada: a posse dela é perpétua e sem receios. Somente um a um os dias se mostram presentes para nós, e ainda fracionados em momentos. Porém, todos os dias do passado, tão logo ordenares, estarão diante de ti, a teu arbítrio irão deixar-se examinar detidamente; isso os ocupados não têm tempo de fazer. É próprio de uma mente segura e tranquila percorrer todos os períodos de sua vida; as almas dos ocupados, como se estivessem atadas sob o jugo, não podem virar-se e olhar para trás. Portanto, a vida deles desaparece num abismo e, tal como de nada adianta verter líquido até a borda de um recipiente, se embaixo não há fundo que o receba e conserve, assim também não importa quanto tempo nos é concedido, se não há lugar onde ele possa depositar-se, se ele vaza por trincas e perfurações de nossas almas.
(Adaptado de: Sêneca. Sobre a brevidade da vida. São Paulo: Companhia das Letras, 2017, p.21-22)

Sêneca inclui seu interlocutor no próprio texto, valendo-se para tanto de verbo na segunda pessoa do singular, em:

A Quem avidamente muito cobiçou, desprezou com soberba, venceu com insolência, enganou com insídias, roubou por cupidez, prodigamente dissipou, é forçoso que tema a própria memória.
B Somente um a um os dias se mostram presentes para nós, e ainda fracionados em momentos.
C Desses, o que estamos atravessando é breve, o que havemos de atravessar é duvidoso, o que já atravessamos é certo.
D Porém, todos os dias do passado, tão logo ordenares, estarão diante de ti, a teu arbítrio irão deixar-se examinar detidamente; isso os ocupados não têm tempo de fazer.
E Esse período os ocupados o perdem, pois não lhes sobra tempo para examinar o passado, e, se lhes sobrasse, seria desagradável a recordação de algo que lhes causaria arrependimento.
Texto associado
Uma simples folha de papel... Ontem, num programa de TV, discutíamos entre escritores e jornalistas o drama do papel em branco na máquina e, diante dele, o pobre de nós que espreme o juízo até produzir qualquer coisa que encha as laudas necessárias e possa ir para a impressão. Acho que essa angústia existe desde que o primeiro escriba de cuneiforme, na Mesopotâmia, ficava aflito por uma ideia a gravar no tijolinho fresco, e depressa, antes que o barro secasse. Ou o emissário real, no Egito, diante do papiro virgem, rabiscando tentativamente um começo de hieróglifo sem saber o que contar na mensagem para o Faraó.
O curioso é que nem sempre, desse esforço de última hora, sai um resultado pífio. Às vezes, depois de minutos e minutos de indecisão e bloqueio, brota de repente uma ideia que é um clarão, o escriba bate freneticamente na máquina, tentando forçar os dedos a uma marcha mais veloz que a dos miolos; e em pouco ele entrega à oficina a sua melhor matéria do mês. Quando esse branco se dá na produção de livro, não tem tanta importância. O romance espera, o conto espera. E o poema só nasce na hora que quer. O jornal - que vive à custa do cotidiano e é voraz por fatos atuais e comentários sobre esses fatos, mal se consolando com projeções sobre o futuro ou meditações sobre o passado -, o jornal é que o grande tirano. Ele é como um alto forno de usina siderúrgica que não pode se apagar nunca e exige, dia e noite, combustível, minério, e a atenção infatigável dos seus alimentadores e manobreiros.
Aliás, para fazer justiça, não é propriamente o jornal o nosso tirano. O déspota implacável é mesmo o público, de quem o jornal é apenas o humilde, solícito, serviçal. O público é quem dá sentença de vida e morte, o público é quem boceja ou aplaude. Ele é quem recorta com amor o tópico feliz, ele quem amarrota a folha enfadonha a caminho da cesta. Nessa trêmula serventia vivemos todos os que dependemos da fera, e por isso a bajulamos, hesitamos num fraseado, trocamos um verbo mais incisivo por outro mais ameno, polvilhamos com um sal de malícia qualquer flagrante inocente, descobrimos interpretações sutis ou sibilinas para o que seria apenas massudo e incolor, sem o nosso intempestivo inuendo. Mas quanto equilíbrio e cuidados são necessários para não transpor o frágil limite da verdade dos fatos e não cair no perigoso terreno da invenção! Às vezes, basta insinuar que o figurão sorriu antes da sua resposta e se derruba todo um laborioso esforço de credibilidade, em hora de crise política.

No contexto em que se encontra, o elemento sublinhado expressa ideia de:

A causa.
B concessão.
C condição.
D oposição.
E finalidade.
Texto associado
Uma simples folha de papel... Ontem, num programa de TV, discutíamos entre escritores e jornalistas o drama do papel em branco na máquina e, diante dele, o pobre de nós que espreme o juízo até produzir qualquer coisa que encha as laudas necessárias e possa ir para a impressão. Acho que essa angústia existe desde que o primeiro escriba de cuneiforme, na Mesopotâmia, ficava aflito por uma ideia a gravar no tijolinho fresco, e depressa, antes que o barro secasse. Ou o emissário real, no Egito, diante do papiro virgem, rabiscando tentativamente um começo de hieróglifo sem saber o que contar na mensagem para o Faraó.
O curioso é que nem sempre, desse esforço de última hora, sai um resultado pífio. Às vezes, depois de minutos e minutos de indecisão e bloqueio, brota de repente uma ideia que é um clarão, o escriba bate freneticamente na máquina, tentando forçar os dedos a uma marcha mais veloz que a dos miolos; e em pouco ele entrega à oficina a sua melhor matéria do mês. Quando esse branco se dá na produção de livro, não tem tanta importância. O romance espera, o conto espera. E o poema só nasce na hora que quer. O jornal - que vive à custa do cotidiano e é voraz por fatos atuais e comentários sobre esses fatos, mal se consolando com projeções sobre o futuro ou meditações sobre o passado -, o jornal é que o grande tirano. Ele é como um alto forno de usina siderúrgica que não pode se apagar nunca e exige, dia e noite, combustível, minério, e a atenção infatigável dos seus alimentadores e manobreiros.
Aliás, para fazer justiça, não é propriamente o jornal o nosso tirano. O déspota implacável é mesmo o público, de quem o jornal é apenas o humilde, solícito, serviçal. O público é quem dá sentença de vida e morte, o público é quem boceja ou aplaude. Ele é quem recorta com amor o tópico feliz, ele quem amarrota a folha enfadonha a caminho da cesta. Nessa trêmula serventia vivemos todos os que dependemos da fera, e por isso a bajulamos, hesitamos num fraseado, trocamos um verbo mais incisivo por outro mais ameno, polvilhamos com um sal de malícia qualquer flagrante inocente, descobrimos interpretações sutis ou sibilinas para o que seria apenas massudo e incolor, sem o nosso intempestivo inuendo. Mas quanto equilíbrio e cuidados são necessários para não transpor o frágil limite da verdade dos fatos e não cair no perigoso terreno da invenção! Às vezes, basta insinuar que o figurão sorriu antes da sua resposta e se derruba todo um laborioso esforço de credibilidade, em hora de crise política.

O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o da frase acima está em:

A o figurão sorriu antes da sua resposta
B ele quem amarrota a folha enfadonha a caminho da cesta.
C interpretações sutis ou sibilinas para o que seria apenas massudo e incolor
D qualquer coisa que encha as laudas necessárias
E discutíamos entre escritores e jornalistas o drama do papel em branco na máquina
Texto associado
Uma simples folha de papel... Ontem, num programa de TV, discutíamos entre escritores e jornalistas o drama do papel em branco na máquina e, diante dele, o pobre de nós que espreme o juízo até produzir qualquer coisa que encha as laudas necessárias e possa ir para a impressão. Acho que essa angústia existe desde que o primeiro escriba de cuneiforme, na Mesopotâmia, ficava aflito por uma ideia a gravar no tijolinho fresco, e depressa, antes que o barro secasse. Ou o emissário real, no Egito, diante do papiro virgem, rabiscando tentativamente um começo de hieróglifo sem saber o que contar na mensagem para o Faraó.
O curioso é que nem sempre, desse esforço de última hora, sai um resultado pífio. Às vezes, depois de minutos e minutos de indecisão e bloqueio, brota de repente uma ideia que é um clarão, o escriba bate freneticamente na máquina, tentando forçar os dedos a uma marcha mais veloz que a dos miolos; e em pouco ele entrega à oficina a sua melhor matéria do mês. Quando esse branco se dá na produção de livro, não tem tanta importância. O romance espera, o conto espera. E o poema só nasce na hora que quer. O jornal - que vive à custa do cotidiano e é voraz por fatos atuais e comentários sobre esses fatos, mal se consolando com projeções sobre o futuro ou meditações sobre o passado -, o jornal é que o grande tirano. Ele é como um alto forno de usina siderúrgica que não pode se apagar nunca e exige, dia e noite, combustível, minério, e a atenção infatigável dos seus alimentadores e manobreiros.
Aliás, para fazer justiça, não é propriamente o jornal o nosso tirano. O déspota implacável é mesmo o público, de quem o jornal é apenas o humilde, solícito, serviçal. O público é quem dá sentença de vida e morte, o público é quem boceja ou aplaude. Ele é quem recorta com amor o tópico feliz, ele quem amarrota a folha enfadonha a caminho da cesta. Nessa trêmula serventia vivemos todos os que dependemos da fera, e por isso a bajulamos, hesitamos num fraseado, trocamos um verbo mais incisivo por outro mais ameno, polvilhamos com um sal de malícia qualquer flagrante inocente, descobrimos interpretações sutis ou sibilinas para o que seria apenas massudo e incolor, sem o nosso intempestivo inuendo. Mas quanto equilíbrio e cuidados são necessários para não transpor o frágil limite da verdade dos fatos e não cair no perigoso terreno da invenção! Às vezes, basta insinuar que o figurão sorriu antes da sua resposta e se derruba todo um laborioso esforço de credibilidade, em hora de crise política.

Omite-se uma palavra que se subentende pelo contexto em:

A um alto forno de usina siderúrgica
B o drama do papel em branco na máquina
C Uma simples folha de papel
D uma marcha mais veloz que a dos miolos
E O romance espera
Texto associado
Uma simples folha de papel... Ontem, num programa de TV, discutíamos entre escritores e jornalistas o drama do papel em branco na máquina e, diante dele, o pobre de nós que espreme o juízo até produzir qualquer coisa que encha as laudas necessárias e possa ir para a impressão. Acho que essa angústia existe desde que o primeiro escriba de cuneiforme, na Mesopotâmia, ficava aflito por uma ideia a gravar no tijolinho fresco, e depressa, antes que o barro secasse. Ou o emissário real, no Egito, diante do papiro virgem, rabiscando tentativamente um começo de hieróglifo sem saber o que contar na mensagem para o Faraó.
O curioso é que nem sempre, desse esforço de última hora, sai um resultado pífio. Às vezes, depois de minutos e minutos de indecisão e bloqueio, brota de repente uma ideia que é um clarão, o escriba bate freneticamente na máquina, tentando forçar os dedos a uma marcha mais veloz que a dos miolos; e em pouco ele entrega à oficina a sua melhor matéria do mês. Quando esse branco se dá na produção de livro, não tem tanta importância. O romance espera, o conto espera. E o poema só nasce na hora que quer. O jornal - que vive à custa do cotidiano e é voraz por fatos atuais e comentários sobre esses fatos, mal se consolando com projeções sobre o futuro ou meditações sobre o passado -, o jornal é que o grande tirano. Ele é como um alto forno de usina siderúrgica que não pode se apagar nunca e exige, dia e noite, combustível, minério, e a atenção infatigável dos seus alimentadores e manobreiros.
Aliás, para fazer justiça, não é propriamente o jornal o nosso tirano. O déspota implacável é mesmo o público, de quem o jornal é apenas o humilde, solícito, serviçal. O público é quem dá sentença de vida e morte, o público é quem boceja ou aplaude. Ele é quem recorta com amor o tópico feliz, ele quem amarrota a folha enfadonha a caminho da cesta. Nessa trêmula serventia vivemos todos os que dependemos da fera, e por isso a bajulamos, hesitamos num fraseado, trocamos um verbo mais incisivo por outro mais ameno, polvilhamos com um sal de malícia qualquer flagrante inocente, descobrimos interpretações sutis ou sibilinas para o que seria apenas massudo e incolor, sem o nosso intempestivo inuendo. Mas quanto equilíbrio e cuidados são necessários para não transpor o frágil limite da verdade dos fatos e não cair no perigoso terreno da invenção! Às vezes, basta insinuar que o figurão sorriu antes da sua resposta e se derruba todo um laborioso esforço de credibilidade, em hora de crise política.

Sem que nenhuma outra alteração seja feita e sem prejuízo para a correção gramatical, o trecho que pode ser removido da frase está sublinhado em:

A o jornal é que o grande tirano
B vivemos todos os que dependemos da fera
C Ontem, num programa de TV, discutíamos
D brota de repente uma ideia que é um clarão
E Quando esse branco se dá na produção de livro