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Os antigos Os antigos invocavam as Musas. Nós invocamo-nos a nós mesmos. Não sei se as Musas apareciam – Seria sem dúvida conforme o invocado e a invocação. – Mas sei que nós não aparecemos. Quantas vezes me tenho debruçado Sobre o poço que me suponho E balido “Ah!” para ouvir um eco, E não tenho ouvido mais que o visto – O vago alvor escuro com que a água resplandece Lá na inutilidade do fundo… Nenhum eco para mim… Só vagamente uma cara, Que deve ser a minha, por não poder ser de outro. E uma coisa quase invisível, Exceto como luminosamente vejo Lá no fundo… No silêncio e na luz falsa do fundo… (Fernando Pessoa. Poemas de Álvaro de Campos . São Paulo, Saraiva, 2013, p. 156)

Assinale a alternativa correta no que se refere à linguagem empregada no poema.

A Em “Nós invocamo-nos as nós mesmos” (verso 2), verifica-se uma construção pleonástica, que enfatiza o emprego reflexivo do verbo invocar.
B Em “me tenho debruçado” (verso 6), o verbo debruçar está conjugado de tal modo a expressar uma ação pontual, ocorrida uma única vez no passado.
C A expressão “poço que me suponho” (verso 7) refere-se a um espaço geográfico bem definido e que representa todo o território português.
D A expressão “vago alvor escuro” (verso 10) refere-se ao reflexo que se visualiza com marcante nitidez na água no fundo do poço.
E Em “Que deve ser a minha, por não poder ser de outro.” (verso 14), o vocábulo por imprime sentido de finalidade à relação que estabelece entre as orações.
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Os antigos Os antigos invocavam as Musas. Nós invocamo-nos a nós mesmos. Não sei se as Musas apareciam – Seria sem dúvida conforme o invocado e a invocação. – Mas sei que nós não aparecemos. Quantas vezes me tenho debruçado Sobre o poço que me suponho E balido “Ah!” para ouvir um eco, E não tenho ouvido mais que o visto – O vago alvor escuro com que a água resplandece Lá na inutilidade do fundo… Nenhum eco para mim… Só vagamente uma cara, Que deve ser a minha, por não poder ser de outro. E uma coisa quase invisível, Exceto como luminosamente vejo Lá no fundo… No silêncio e na luz falsa do fundo… (Fernando Pessoa. Poemas de Álvaro de Campos . São Paulo, Saraiva, 2013, p. 156)

Assinale a alternativa cuja frase está escrita em conformidade com a norma ortográfica e com a norma-padrão da língua.

A Fernando Pessoa fez uma biografia para cada um dos seus heterônimos. De educação inglesa e origem portuguesa, Álvaro de Campos era um engenheiro.
B Dentre as personalidades literárias de Pessoa, Álvaro de Campos, foi o único que a obra teve diferentes fases poéticas. Começando com uma de influencia simbolista.
C Na segunda fase de sua poesia, Álvaro de Campos identifica-se com o futurismo. Nessa fase o otimismo da civilização e o facínio pela máquina predomina.
D Um dos poemas mais celebres, de Álvaro de Campos, “Tabacaria”, pertence a terceira fase de sua produção, da qual o poeta encontra-se mais intimista.
E “Ode Triunfal”, importante poema de Álvaro de Campos foi recentemente, censurado por uma editora que considerou-o impróprio para o estudo em nivel escolar.
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Leia o texto para responder à questão. Para Lilia Schwarcz, Brasil está reescrevendo a história da escravidão “É declarada extinta desde a data desta Lei a escravidão no Brasil. Revogam-se as disposições em contrário.” Com menos de 20 palavras, a escravidão foi abolida no Brasil há 130 anos, em 13 de maio de 1888. Para a historiadora Lilia Schwarcz, o 13 de maio não deve ser uma data de celebração, mas sim de reflexão sobre o papel do Brasil, que foi o último dos países das Américas a abolir formalmente a escravidão mercantil. Além disso, Schwarcz propõe que a abordagem do tema deixe de focar apenas os aspectos que mostram os africanos como vítimas passivas e abarque a resistência dos escravizados, para propagar o conhecimento de que os escravos e escravas não foram trazidos para cá pacificamente — evidenciando, assim, a violência que permeou o fenômeno da miscigenação brasileira. (Luiza Calegari. Revista Exame. https://exame.abril.com.br. 13.05.2018. Adaptado)

O uso das aspas no primeiro parágrafo do texto serve ao propósito de sinalizar

A o emprego de palavras com sentido figurado.
B a fala da historiadora Lilia Schwarcz.
C um tipo de linguagem inadequada a comunicações formais.
D a citação da Lei que aboliu a escravidão no Brasil.
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Atenção : Leia o texto abaixo para responder à questão. O conceito de infância, como o conhecemos, consolidou-se no Ocidente a partir do século XVIII. Até o século XVI, pelo menos, assim que conseguissem se virar sem as mães ou as amas, as crianças eram integradas ao mundo dos adultos. A infância, como idade da brincadeira e da formação escolar, ao mesmo tempo com direito à proteção dos pais e depois à do Estado, é algo relativamente novo. A infância não é um conceito determinado apenas pela biologia. Como tudo, é também um fenômeno histórico implicado nas transformações econômicas e sociais do mundo, em permanente mudança e construção. Hoje há algo novo nesse cenário. Vivemos a era dos adultos infantilizados. Não é por acaso que proliferaram os coaches. Coach, em inglês, significa treinador. Originalmente, treinador de esportistas. Nesse conceito importado dos Estados Unidos, país que transformou a infância numa bilionária indústria de consumo, a ideia é a de que, embora estejamos na idade adulta, não sabemos lidar com a vida sozinhos. Precisamos de um treinador que nos ajude a comer, conseguir amigos e emprego, lidar com conflitos matrimoniais e profissionais, arrumar as finanças e até mesmo organizar os armários. Uma espécie de infância permanente do indivíduo. Os adultos infantilizados desse início de milênio encarnam a geração do “eu mereço”. Alcançar sonhos, ideais ou mesmo objetivos parece ser compreendido como uma consequência natural do próprio existir, de preferência imediata. Quando essa crença fracassa, é hora de buscar o treinador de felicidade, o treinador de saúde. É estarrecedor verificar como as gerações que estão aí parecem não perceber que dá trabalho conquistar o que se deseja. E, mesmo que se esforcem muito, haverá sempre o que não foi possível alcançar. (Adaptado de: BRUM, ELIANE. Disponível em: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca)

Afirma-se corretamente:

A No segmento O conceito de infância, como o conhecemos, consolidou-se no Ocidente (1° parágrafo), o elemento sublinhado refere-se a “Ocidente”.
B No segmento com direito à proteção dos pais e depois à do Estado (1° parágrafo), o sinal indicativo de crase que antecede o termo “do” é facultativo e pode ser suprimido.
C O elemento sublinhado em é também um fenômeno histórico implicado nas transformações econômicas e sociais do mundo (2° parágrafo) pode ser corretamente substituído por: “compelido”.
D Mantendo-se a correção e o sentido, o segmento sublinhado em país que transformou a infância numa bilionária indústria de consumo (3° parágrafo) pode ser substituído por: “cuja a infância foi transformada”.
E Fazendo-se as devidas alterações entre minúsculas e maiúsculas, as frases Hoje há algo novo nesse cenário / Vivemos a era dos adultos infantilizados (3° parágrafo) podem ser articuladas em um único período com o uso do sinal de dois-pontos.