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“Formação econômica do Brasil” é um livro clássico, escrito por Celso Furtado, que tratou de temas relativos ao desenvolvimento econômico do país desde a colonização até o século XX. O pensamento do autor, no que tange à economia de transição para um sistema industrial, é corretamente retratado na seguinte alternativa:

A a queima e a destruição dos estoques de café, no Convênio de Taubaté, permitiam uma política de valorização do produto;
B a queima do excedente de café impunha, como consequência lógica, uma redução dos investimentos agrícolas e da colheita futura de café;
C o preço do café era condicionado fundamentalmente pelos fatores que prevaleciam do lado da demanda, notadamente na década de 1930;
D a baixa brusca do preço internacional do café após a crise de 1929 e a falência do sistema de conversibilidade acarretaram a alta do valor externo da moeda;
E a política de destruição de parte da produção cafeeira evitou contração da renda do setor exportador, reduzindo os efeitos do multiplicador do desemprego no resto da economia.

Ao longo do século XX, países em desenvolvimento adotaram diferentes estratégias de crescimento industrial, como a industrialização por substituição das importações (ISI) e o modelo de crescimento orientado às exportações (export-led growth) . Sobre essas estratégias, é correto afirmar que:

A no crescimento liderado pelas exportações há uma relação direta entre desempenho do setor exportador e o desenvolvimento industrial mais abrangente;
B a ISI permite aos países que a adotam se beneficiarem de suas vantagens comparativas, internalizarem processos e exporem suas indústrias à competição internacional, promovendo inovação e eficiência;
C no pós-guerra, países em desenvolvimento do leste asiático adotaram a ISI, priorizando setores de alta tecnologia e abrindo suas economias à concorrência estrangeira desde o início do processo de industrialização;
D o crescimento liderado pelas exportações, adotado por países latino-americanos no pós-guerra, baseava-se na ideia de que a industrialização exigiria intervenção estatal para superar os efeitos negativos do livre-comércio e da deterioração dos termos de troca;
E o crescimento liderado pelas exportações na América Latina orientou-se pela crença cepalina de que a industrialização interna deveria preceder qualquer inserção competitiva no comércio internacional, priorizando inicialmente bens de consumo não duráveis para posterior diversificação exportadora.

A partir da década de 1930, o crescimento industrial no Brasil ganhou força e diversificação, iniciando um processo aprofundado de substituição de importações (PSI) que se estenderia por aproximadamente cinquenta anos. No Brasil, o processo de substituição de importações:

A se encerrou com a primeira crise do petróleo;
B foi marcado pelo fim da proteção ao setor agroexportador;
C teve sua origem derivada da crise do setor cafeeiro e da crise de 1929;
D levou ao desenvolvimento de um setor industrial competitivo;
E teve ampla participação do setor privado e redução da participação estatal na economia.

Considerando os séculos XIX e XX em conjunto, o período 1950-1973 destaca-se como o de mais rápido crescimento econômico já registrado entre as economias capitalistas avançadas. Na Europa, esse período ficou conhecido como Era de Ouro. O continente emergiu da Segunda Guerra Mundial econômica e socialmente devastado, mas sua recuperação foi rápida: o PIB de alguns países, que havia retrocedido a níveis de fins do século XIX, em 1950 já havia retornado ao patamar pré-guerra. Comparando o crescimento econômico dos países nesse período, nota-se que:

A os países europeus cresceram a taxas similares, não havendo grandes diferenças entre eles;
B apesar do forte crescimento, não houve redução do abismo existente entre as economias europeias e norte-americana;
C os países do leste europeu, sob influência soviética, apresentaram crescimento superior ao dos países da Europa ocidental;
D o Reino Unido teve o melhor desempenho dentre as nações desenvolvidas, retomando seu protagonismo no cenário econômico e comercial mundial;
E o crescimento observado na Europa ocidental pode ser creditado à combinação entre aprofundamento do capital, crescimento da produtividade total dos fatores e pactos sociais.

A indústria de produção de petróleo no Brasil é um exemplo do surgimento e desenvolvimento de uma rede de conhecimento centrada na firma. Com base na evolução do setor de exploração e produção de petróleo no país, é correto afirmar que:

A a primeira descoberta comercial de petróleo ocorreu após a criação da Petrobras, em 1953;
B o Brasil, com o aumento do preço do petróleo nos anos 1970, reduziu a exploração offshore , notadamente na Bacia de Campos;
C o debate que antecedeu a criação da Petrobras foi unânime em defender que a exploração deveria ser feita por uma empresa estatal brasileira;
D o programa de capacitação da Petrobras, dividido em três etapas, foi essencial para gerar conhecimento de exploração em águas ultraprofundas;
E o governo brasileiro, com a descoberta do pré-sal, manteve a legislação regulatória da atividade de exploração e produção por compreender ser o melhor mecanismo de desenvolvimento econômico e regional.

Em relação ao crescimento econômico de economias emergentes no mundo, como China, Índia e Brasil, e à emergência de um ciclo de preços favoráveis das commodities a partir de meados da década de 2000, é correto afirmar que:

A os riscos de insegurança alimentar no Brasil aumentavam quanto maiores eram as exportações do agronegócio nesse período;
B os saldos superavitários do agronegócio contribuíram para a acumulação de reservas internacionais, que, para países como o Brasil, eram essenciais para evitar crises cambiais mais agudas;
C o aumento das exportações do agronegócio brasileiro foi liderado pela incorporação de terras baratas no processo produtivo, o que permitiu ao país vender seus produtos a preços competitivos;
D apesar de a indústria nacional obter saldos superavitários na balança comercial, foi o agronegócio que puxou o crescimento econômico do país no período em questão;
E a frase “a inflação aleija, mas o câmbio mata”, de Mário Henrique Simonsen, implica que, com o câmbio flutuante, a expansão da agropecuária prejudicou o equilíbrio macroeconômico do Brasil.

Após 21 anos de ditadura, em março de 1985, José Sarney assumiu a presidência do Brasil com a tarefa de redemocratizar o país. A economia brasileira enfrentava a maior taxa de inflação da história. Havia uma falta de consenso entre os economistas sobre as causas da inflação e uma indefinição sobre as formas de combatê-la. Por fim, três grandes planos foram postos em prática entre 1986 e 1990, sem resolver o problema. Nesse contexto, é correto afirmar que:

A o Plano Cruzado propôs um “choque heterodoxo”, e suas principais medidas foram: criação do Cruzado (Cz$); congelamento de preços; reajuste salarial pela média dos últimos seis meses e criação do gatilho salarial; e substituição das ORTNs por OTNs e do IPCA pelo IPC;
B o Plano Bresser, de caráter marcadamente ortodoxo, visava promover um choque desinflacionário na economia por meio de desvalorizações cambiais, congelamento de preços e salários, reajustes trimestrais com base na inflação do período, corte de subsídios e política monetária ativa;
C o fracasso do Plano Cruzado pode ser creditado ao congelamento de preços, que, posto em prática por pouco tempo, não foi suficiente para evitar os efeitos redistributivos da inflação, e ao excesso de demanda e incapacidade de investir o suficiente para aumentar a oferta no curto prazo;
D o Plano Verão, lançado em janeiro de 1989, previa restrição ao crédito e suspensão da correção monetária para prazos inferiores a 90 dias, criação do Cruzeiro Novo com paridade ao dólar, cortes de gastos, redução de pessoal e um programa de privatizações como forma de resolver o desequilíbrio fiscal crônico;
E o Plano Cruzado previa novas modalidades de caderneta de poupança, proibição de contratação de funcionários públicos, redução de gastos públicos, reajuste de preços de serviços de setores específicos (combustíveis, automóveis e cigarros), elevação de impostos, incentivos fiscais e desvalorização cambial para estimular exportações.

Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), a política de privatizações foi um dos pilares da agenda de reformas do Estado. Em relação à onda de privatizações ocorrida nos anos 1990, é correto afirmar que:

A o setor bancário estatal foi inteiramente privatizado;
B o envolvimento do capital nacional foi fundamental para que as privatizações ocorressem;
C objetivava-se a modernização das empresas estatais para torná-las mais competitivas;
D não houve qualquer tipo de regulamentação posterior, deixando os setores sujeitos ao livre funcionamento do mercado;
E focava nas pequenas empresas sem relevância estratégica para a economia.

Elaborado durante o governo Ernesto Geisel, o

II Plano Nacional de Desenvolvimento (1975-1979) foi a principal resposta do regime militar à crise internacional provocada pelo choque do petróleo de 1973. Em relação ao

II Plano Nacional de Desenvolvimento, é correto afirmar que:

A previu investimentos estatais em infraestrutura e na industrialização, buscando reduzir a vulnerabilidade externa e ampliar a capacidade produtiva do país;
B evitou a participação de empresas estrangeiras no processo de industrialização, priorizando o capital nacional como forma de proteção ao mercado interno;
C concentrou seus investimentos nos setores de bens de consumo e comércio varejista, diferentemente do I Plano Nacional de Desenvolvimento, visando a estimular o consumo interno no curto prazo;
D teve como principal meta o controle inflacionário, buscando crescimento moderado e o equilíbrio fiscal como forma de estabilizar a economia frente à crise do petróleo;
E limitou a atuação estatal na economia, cabendo ao setor privado nacional e internacional a liderança nos investimentos em infraestrutura e indústria pesada.

Considere o trecho a seguir. “Os efeitos da desindustrialização têm implicações diretas para o desenvolvimento do país, pois a indústria de transformação pode ser considerada o motor de crescimento econômico no longo prazo. Isto decorre da operação de economias de escala dinâmicas e estáticas, e da criação e difusão do progresso técnico nesse setor de atividade econômica. Adicionalmente, a indústria de transformação apresenta fortes efeitos de encadeamentos insumo-produto a jusante e a montante com outros setores da economia; portanto, apresenta efeitos multiplicadores na renda e no emprego que têm maior impacto. Do ponto de vista econômico, a desindustrialização é um fator importante para a perda do dinamismo de crescimento econômico e, por conseguinte, limita o processo de desenvolvimento socioeconômico.” (Magalhães et al., In: Pompeu et al., 2023). Sobre o processo de desindustrialização no Brasil, é correto afirmar que:

A a queda da participação da indústria no PIB brasileiro desde os anos 1980 decorre de um processo de desindustrialização natural;
B o processo foi marcado por uma redução da participação da indústria de transformação no PIB, após o país ter consolidado um setor de serviços altamente sofisticado;
C o setor industrial brasileiro perdeu participação no PIB após os anos 2000 como resultado do protecionismo crescente e da redução da concorrência externa;
D ele foi impulsionado principalmente pela substituição da produção industrial doméstica por exportações de produtos manufaturados de alto valor agregado;
E sua manifestação expressa-se pela menor participação da indústria no PIB, pela perda de espaço de setores mais tecnológicos, pela queda das exportações de manufaturados e pela redução do emprego industrial.