O texto a seguir refere-se às questões 1 a 12.
COMO O DOUTOR GOOGLE ESTÁ CRIANDO UMA LEGIÃO DE CIBERCONDRÍACOS
Thiago Tanji – 18 SET 2015
“Sintomas”, “dor de cabeça”, “sonolência”, “estou com sorte”. Uma busca despretensiosa usando essas palavras-chave leva a um endereço que indica os sinais e sintomas de um tumor cerebral. Definitivamente, não era um dia de sorte. Mas é possível encontrar outros diagnósticos virtuais para essa busca, como anemia, distúrbios do sono, meningite e virose, é claro. Já escolheu a doença que mais se encaixa no seu caso? Provavelmente, você decidirá pela pior dessa lista. “Depois de checar os sintomas no Google, a maior parte das pessoas tende a associar sua situação a doenças sérias e raras”, diz Dengfeng Yan, professor do departamento de marketing da Universidade do Texas em San Antonio, Estados Unidos. É verdade que o dr. Google é prático e pode ajudar em alguns casos, mas seu curso de medicina é baseado em algoritmos que podem te transformar em um cibercondríaco (é sério, essa palavra já é utilizada por cientistas).
Em 2012, quando era pesquisador na Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, na China, Yan realizou um trabalho para estudar as escolhas irracionais de consumidores com base na ideia de que as pessoas tendem a superestimar seus problemas de saúde. Em uma entrevista, ele perguntava a um grupo sobre a possibilidade de contrair doenças como gripe aviária, câncer de mama e AIDS. “As pessoas costumam ignorar a chance real de ocorrências de uma doença e acabam confiando demais apenas nos sintomas que estão sentindo”, afirma. O problema é que, ao buscar os sintomas pela internet, nosso medo de contrair doenças graves é potencializado, já que essas enfermidades rendem um maior número de discussões e tendem a aparecer com maior frequência no resultado das buscas. “As informações mostradas no Google não são uma representação da realidade, já que a maior parte das pessoas não costuma discutir a ocorrência de doenças normais”, diz Yan.
De acordo com um relatório do Google, uma em cada 20 pesquisas do serviço de buscas está relacionada a questões ligadas à saúde. Mas o problema é que quantidade não representa qualidade. “Há um conteúdo muito bom que é cuidadosamente checado e publicado por especialistas. No entanto, também há um conteúdo extremamente pobre, com informações incorretas”, afirma Guido Zuccon, pesquisador de sistemas de informação da Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália. “Também observamos que há conteúdo de alta qualidade, como pesquisas divulgadas pela comunidade médica, mas que os usuários em geral têm muita dificuldade de entender”. Em março deste ano, a equipe do pesquisador conduziu um estudo para avaliar a qualidade das informações médicas disponíveis nas buscas do Google, a partir da experiência de um grupo de entrevistados. No relatório, Zuccon indica que as ferramentas virtuais melhoraram sua engenharia de busca nos últimos anos, mas a pesquisa por termos abrangentes – como os sintomas descritos no início da matéria – ainda não consegue retornar resultados satisfatórios para os usuários.
Adaptado de: https://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2015/09/como-odoutor-google-esta-criando-uma-legiao-de-cibercondriacos.html. Acesso em: 10 jun. 2022.
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Texto associado
O texto a seguir refere-se às questões 1 a 5.
SEMIÁRIDO BRASILEIRO PODE RECRIAR O SOLO DE MARTE
É a aposta de um projeto que simula missões que astronautas terão no planeta
Por: Carolina Fioratti – 11 novembro 2020
Julio Rezende, professor da UFRN e coordenador do projeto Habitat Marte, explica como a ciência pode aproveitar o solo do Pico do Cabugi – um vulcão adormecido no Rio Grande do Norte –, para entender sobre a colonização do planeta vermelho. De forma virtual ou presencial, cerca de 200 pesquisadores já participaram do projeto, que foi fundado em 2017 e organizou mais de 50 missões simuladas.
Por que a escolha dessa região? A Universidade da Flórida Central possui um banco de dados que mostra as várias experiências de solo marciano simulado ao redor do mundo. Lá, encontramos cinco tipos que estão sendo utilizados em testes pela Nasa e são ricos em basalto. As formações vulcânicas também têm uma predominância de basalto e queremos mostrar que o nosso solo, no Pico do Cabugi, possui características similares a esses outros.
Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/semiaridobrasileiro-pode-recriar-solo-de-marte/. Acesso em: 3 jun. 2022.
SEMIÁRIDO BRASILEIRO PODE RECRIAR O SOLO DE MARTE
É a aposta de um projeto que simula missões que astronautas terão no planeta
Por: Carolina Fioratti – 11 novembro 2020
Julio Rezende, professor da UFRN e coordenador do projeto Habitat Marte, explica como a ciência pode aproveitar o solo do Pico do Cabugi – um vulcão adormecido no Rio Grande do Norte –, para entender sobre a colonização do planeta vermelho. De forma virtual ou presencial, cerca de 200 pesquisadores já participaram do projeto, que foi fundado em 2017 e organizou mais de 50 missões simuladas.
Por que a escolha dessa região? A Universidade da Flórida Central possui um banco de dados que mostra as várias experiências de solo marciano simulado ao redor do mundo. Lá, encontramos cinco tipos que estão sendo utilizados em testes pela Nasa e são ricos em basalto. As formações vulcânicas também têm uma predominância de basalto e queremos mostrar que o nosso solo, no Pico do Cabugi, possui características similares a esses outros.
Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/semiaridobrasileiro-pode-recriar-solo-de-marte/. Acesso em: 3 jun. 2022.
Qual é a função textual do excerto “[...] um vulcão adormecido no Rio Grande do Norte [...]”?
Texto associado
O texto a seguir refere-se às questões 1 a 4.
CRÔNICA DO COTIDIANO – REPARAÇÃO
Auridan Dantas
Nada melhor do que, após um dia cansativo de trabalho e de fisioterapia, você ter um sono REPARADOR. Os especialistas sempre dizem que o importante não é a quantidade de horas dormidas, mas a qualidade destas horas. Pois bem, de ontem para hoje eu tive um sono bem REPARADOR. Passei a noite toda REPARANDO tudo o que passava na televisão e ao meu redor, e não tinha nem uma bandinha de remédio para dormir. Assisti até programa de vendas (o lado bom da coisa: fiz uma pesquisa de preços arretada, e só repasso mediante pagamento antecipado e em euro). Tô só o “mi da pipoca”, com os “zói” vermelhos, mas cheio de informação.
Adaptado de: ARAÚJO, A. D.; DUMARESQ, M. A. M. C. Crônicas do cotidiano: as sagas de um beradeiro e uma enfermeira. Natal: IFRN, 2014. Acesso em: 14 out. 2022.
CRÔNICA DO COTIDIANO – REPARAÇÃO
Auridan Dantas
Nada melhor do que, após um dia cansativo de trabalho e de fisioterapia, você ter um sono REPARADOR. Os especialistas sempre dizem que o importante não é a quantidade de horas dormidas, mas a qualidade destas horas. Pois bem, de ontem para hoje eu tive um sono bem REPARADOR. Passei a noite toda REPARANDO tudo o que passava na televisão e ao meu redor, e não tinha nem uma bandinha de remédio para dormir. Assisti até programa de vendas (o lado bom da coisa: fiz uma pesquisa de preços arretada, e só repasso mediante pagamento antecipado e em euro). Tô só o “mi da pipoca”, com os “zói” vermelhos, mas cheio de informação.
Adaptado de: ARAÚJO, A. D.; DUMARESQ, M. A. M. C. Crônicas do cotidiano: as sagas de um beradeiro e uma enfermeira. Natal: IFRN, 2014. Acesso em: 14 out. 2022.
Assinale a alternativa que apresenta um aspecto que pode estar presente no gênero crônica, mas que está ausente no texto “Crônica do Cotidiano – Reparação”.
Texto associado
Leia o texto apresentado para responder as questões a seguir:
Estudo denuncia venda ilegal de aranhas e insetos raros e ameaçados na web
Pesquisadores identificaram negociações de 79 espécies consideradas em perigo de extinção em sites populares como Ebay, Amazon e Alibaba
REDAÇÃO GALILEU
27 ABR 2022
__ Pesquisadores investigaram sites de vendas na internet como Amazon, Ebay, Etsy e Alibaba e descobriram que diversas espécies de insetos e aranhas, incluindo 79 listadas como ameaçadas de extinção, estão à venda ilegalmente. Os experts registraram seus resultados em 2 de abril na revista Global Ecology and Conservation.
__ A pesquisa revelou que adquirir animais raros e vulneráveis por tráfico não é difícil: basta realizar pesquisas básicas na internet. A equipe de especialistas encontrou à venda na web criaturas incluídas em três listas: a da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Silvestres Ameaçadas de Extinção (CITES), a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e a Lista de Espécies Ameaçadas dos Estados Unidos.
__ Entre as espécies localizadas nos sites de vendas, estava uma das borboletas mais raras do mundo, a Papilio chikae , listada como ameaçada pela CITES. O animal estava disponível na Amazon por cerca de US$ 110 (R$ 551,62, na atual cotação). Também foram encontradas sete espécies criticamente ameaçadas segundo a Lista Vermelha da IUCN, incluindo uma tarântula Poecilotheria Metallica , à venda por US$ 232,50 (R$1.164,57), e um besouro Propomacrus cypriacus , que saía por mais de US$ 1,1 mil (R$ 5,5 mil) no eBay.
__ Estavam presentes ainda muitas espécies usadas em serviços ecológicos, como joaninhas liberadas para controle de pragas e polinizadores. Segundo os cientistas, isso é alarmante, pois esses insetos deveriam ser liberados por fontes regulamentadas, já que soltá-los na natureza pode afetar gravemente outras populações de animais.
__ A pesquisa em questão foi liderada por John Losey, professor de entomologia da Universidade Cornell, nos EUA, que trabalhou em conjunto com 18 estudantes de graduação e com Paul Curtis, especialista da vida selvagem.
__ De acordo com Losey, quanto mais rara são as espécies, mais valiosas elas se tornam para colecionadores. Isso preocupa os especialistas pois os insetos negociados estão em declínio no planeta. Estimativas apontam que a Terra está perdendo cerca de 10 a 20% de todas as espécies do grupo a cada década.
Adaptado de: https://revistagalileu.globo.com/Um-SoPlaneta/noticia/2022/04/estudo-denuncia-venda-ilegal-de-aranhase-insetos-raros-e-ameacados-na-web.html. Acesso em: 06 maio 2022.
Estudo denuncia venda ilegal de aranhas e insetos raros e ameaçados na web
Pesquisadores identificaram negociações de 79 espécies consideradas em perigo de extinção em sites populares como Ebay, Amazon e Alibaba
REDAÇÃO GALILEU
27 ABR 2022
__ Pesquisadores investigaram sites de vendas na internet como Amazon, Ebay, Etsy e Alibaba e descobriram que diversas espécies de insetos e aranhas, incluindo 79 listadas como ameaçadas de extinção, estão à venda ilegalmente. Os experts registraram seus resultados em 2 de abril na revista Global Ecology and Conservation.
__ A pesquisa revelou que adquirir animais raros e vulneráveis por tráfico não é difícil: basta realizar pesquisas básicas na internet. A equipe de especialistas encontrou à venda na web criaturas incluídas em três listas: a da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Silvestres Ameaçadas de Extinção (CITES), a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e a Lista de Espécies Ameaçadas dos Estados Unidos.
__ Entre as espécies localizadas nos sites de vendas, estava uma das borboletas mais raras do mundo, a Papilio chikae , listada como ameaçada pela CITES. O animal estava disponível na Amazon por cerca de US$ 110 (R$ 551,62, na atual cotação). Também foram encontradas sete espécies criticamente ameaçadas segundo a Lista Vermelha da IUCN, incluindo uma tarântula Poecilotheria Metallica , à venda por US$ 232,50 (R$1.164,57), e um besouro Propomacrus cypriacus , que saía por mais de US$ 1,1 mil (R$ 5,5 mil) no eBay.
__ Estavam presentes ainda muitas espécies usadas em serviços ecológicos, como joaninhas liberadas para controle de pragas e polinizadores. Segundo os cientistas, isso é alarmante, pois esses insetos deveriam ser liberados por fontes regulamentadas, já que soltá-los na natureza pode afetar gravemente outras populações de animais.
__ A pesquisa em questão foi liderada por John Losey, professor de entomologia da Universidade Cornell, nos EUA, que trabalhou em conjunto com 18 estudantes de graduação e com Paul Curtis, especialista da vida selvagem.
__ De acordo com Losey, quanto mais rara são as espécies, mais valiosas elas se tornam para colecionadores. Isso preocupa os especialistas pois os insetos negociados estão em declínio no planeta. Estimativas apontam que a Terra está perdendo cerca de 10 a 20% de todas as espécies do grupo a cada década.
Adaptado de: https://revistagalileu.globo.com/Um-SoPlaneta/noticia/2022/04/estudo-denuncia-venda-ilegal-de-aranhase-insetos-raros-e-ameacados-na-web.html. Acesso em: 06 maio 2022.
Considere o trecho retirado do texto “De acordo com Losey, quanto mais rara são as espécies, mais valiosas elas se tornam para colecionadores.” para assinalar a alternativa correta em relação ao sentido e uso das palavras.
Texto associado
Dormir é mais importante para a saúde do coração que atividade física, revela novo estudo
Pesquisa feita pela Universidade de Saúde Pública de Columbia afirma que um mau sono está relacionado a fatores de risco clínico, psicológico e doenças cardíacas
Pesquisadores da Universidade de Saúde Pública de Columbia, nos Estados Unidos, comprovou que uma boa noite de sono é essencial para manter o coração saudável. A American Heart Association adicionou a duração do sono à sua lista de verificação de saúde cardiovascular, chamada de “Life's Essential 8” (Os oito essenciais da vida, em tradução livre). São eles: parar de fumar, comer melhor, ficar ativo, controlar o peso, controlar a pressão arterial, controlar o colesterol, reduzir o açúcar no sangue e, mais recentemente, ter um sono saudável.
Os cientistas analisaram o sono de dois mil adultos de 50 anos ou mais. Os participantes responderam uma pesquisa detalhada sobre o sono de cada um e usaram um dispositivo para medição do sono por sete dias. Segundo os resultados, os maus hábitos noturnos são “onipresentes” entre todos os americanos. Cerca de 65% dos participantes dormiam menos de sete horas por noite e 30% dormiam menos de seis horas. Segundo o Centro norte-americano de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), a duração ideal do sono para um adulto é entre sete e nove horas por noite.
A pesquisa apontou ainda que as pessoas que dormiam menos de sete horas por noite tinham maior chance de ter uma “baixa eficiência do sono”, padrões irregulares, sonolência diurna excessiva e apneia do sono — este último aliás, quase metade dos participantes do estudo tinham apneia do sono de moderada a grave. Um terço relatou sintomas de insônia, e 14% relataram sonolência diurna excessiva.
Esse grupo ainda teve maior prevalência de fatores de risco para doenças cardiovasculares, como obesidade, diabetes tipo 2 e pressão alta.
“O sono ruim também está ligado a outros comportamentos de saúde ruins. Em poucas palavras, o sono está relacionado a fatores de risco clínicos ou psicológicos e relacionados ao estilo de vida para doenças cardíacas. Portanto, não é surpresa que o sono ruim aumente o risco futuro de doenças cardíacas”, disse Nour Makarem, autor do estudo e professor assistente de epidemiologia na Universidade de Columbia.
A equipe espera realizar outros estudos que ajudem a fornecer evidências adicionais de uma conexão entre uma saúde saudável e o bom sono.
Adaptado de: https://oglobo.globo.com/saude/medicina/noticia/2022/10/dormir-e-mais-importante-para-a-saude-do-coracao-que-atividade-fisica-revela-novo-estudo.ghtml. Acesso em: 10 out. 2022.
Pesquisa feita pela Universidade de Saúde Pública de Columbia afirma que um mau sono está relacionado a fatores de risco clínico, psicológico e doenças cardíacas
Pesquisadores da Universidade de Saúde Pública de Columbia, nos Estados Unidos, comprovou que uma boa noite de sono é essencial para manter o coração saudável. A American Heart Association adicionou a duração do sono à sua lista de verificação de saúde cardiovascular, chamada de “Life's Essential 8” (Os oito essenciais da vida, em tradução livre). São eles: parar de fumar, comer melhor, ficar ativo, controlar o peso, controlar a pressão arterial, controlar o colesterol, reduzir o açúcar no sangue e, mais recentemente, ter um sono saudável.
Os cientistas analisaram o sono de dois mil adultos de 50 anos ou mais. Os participantes responderam uma pesquisa detalhada sobre o sono de cada um e usaram um dispositivo para medição do sono por sete dias. Segundo os resultados, os maus hábitos noturnos são “onipresentes” entre todos os americanos. Cerca de 65% dos participantes dormiam menos de sete horas por noite e 30% dormiam menos de seis horas. Segundo o Centro norte-americano de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), a duração ideal do sono para um adulto é entre sete e nove horas por noite.
A pesquisa apontou ainda que as pessoas que dormiam menos de sete horas por noite tinham maior chance de ter uma “baixa eficiência do sono”, padrões irregulares, sonolência diurna excessiva e apneia do sono — este último aliás, quase metade dos participantes do estudo tinham apneia do sono de moderada a grave. Um terço relatou sintomas de insônia, e 14% relataram sonolência diurna excessiva.
Esse grupo ainda teve maior prevalência de fatores de risco para doenças cardiovasculares, como obesidade, diabetes tipo 2 e pressão alta.
“O sono ruim também está ligado a outros comportamentos de saúde ruins. Em poucas palavras, o sono está relacionado a fatores de risco clínicos ou psicológicos e relacionados ao estilo de vida para doenças cardíacas. Portanto, não é surpresa que o sono ruim aumente o risco futuro de doenças cardíacas”, disse Nour Makarem, autor do estudo e professor assistente de epidemiologia na Universidade de Columbia.
A equipe espera realizar outros estudos que ajudem a fornecer evidências adicionais de uma conexão entre uma saúde saudável e o bom sono.
Adaptado de: https://oglobo.globo.com/saude/medicina/noticia/2022/10/dormir-e-mais-importante-para-a-saude-do-coracao-que-atividade-fisica-revela-novo-estudo.ghtml. Acesso em: 10 out. 2022.
Sobre o conteúdo do texto, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta.
( ) As ações de dormir e de fazer atividade física são comparadas em uma relação de igualdade.
( ) Dormir bem corresponde a uma das ações basilares à saúde do coração.
( ) A maioria das pessoas analisadas na pesquisa apresentou dificuldades para dormir, isto é, sofre com insônia.
( ) Dormir menos de sete horas por noite corresponde a um dos efeitos de se ter uma baixa eficiência do sono.
( ) Pessoas que dormem menos de sete horas por noite estão mais suscetíveis a ter problemas cardíacos.
Texto associado
Texto CG2A1
Previsto na Constituição Federal de 1988, o Sistema Único de Saúde (SUS) é reconhecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como o maior e mais eficiente sistema gratuito de saúde do mundo, criado para atender a toda a coletividade brasileira, sem distinção.
Ao criar o SUS como uma política pública, evidenciado na pauta da política dos anos 80 do século passado, o Brasil deu um passo decisivo que mudou o modelo de atendimento à saúde, antes seletivo e centralizado. O SUS é inclusivo e está presente em todas as áreas da saúde, realizando procedimentos dos mais simples aos mais complexos. Trinta anos após sua criação, presta atendimento a mais de 11 milhões de pessoas por dia e realiza aproximadamente 127 procedimentos por segundo.
O SUS sobreviveu às mudanças de governo e está associado à redução da mortalidade infantil, ao aumento da expectativa de vida e à melhoria generalizada dos principais indicadores de saúde no Brasil, nas três últimas décadas. Essa é uma conquista da população que não pode ser desprezada. Conforme dados de 2019, sete em cada dez brasileiros dependem, exclusivamente, do sistema público de saúde, o que equivale a 74% da população do país.
A atenção primária à saúde integral, porta de entrada preferencial no SUS, que garante atenção oportuna e resolutiva, alcança hoje 50% dos usuários. Com base em evidências científicas internacionais, a OMS afirma que sistemas de saúde embasados nessa premissa apresentam melhores resultados, menores custos e maior qualidade de atendimento. Nesse sentido, os inquestionáveis avanços do SUS a favor das necessidades e dos direitos da população constituem patamar inabdicável de realizações, conhecimentos e práticas, por meio do incremento da integração das ações promotoras, protetoras e recuperadoras da saúde, apoiadas em diagnósticos epidemiológicos e sociais, formação profissional e processos de trabalho em equipe. Na prática, a resolutividade pode chegar a 90% de atendimento às necessidades de saúde.
Manoel Carlos Neri da Silva e Maria Helena Machado. Sistema de saúde e trabalho: desafios para a Enfermagem no Brasil. In: Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 25, n.º 1, jan./2020 (com adaptações).
Previsto na Constituição Federal de 1988, o Sistema Único de Saúde (SUS) é reconhecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como o maior e mais eficiente sistema gratuito de saúde do mundo, criado para atender a toda a coletividade brasileira, sem distinção.
Ao criar o SUS como uma política pública, evidenciado na pauta da política dos anos 80 do século passado, o Brasil deu um passo decisivo que mudou o modelo de atendimento à saúde, antes seletivo e centralizado. O SUS é inclusivo e está presente em todas as áreas da saúde, realizando procedimentos dos mais simples aos mais complexos. Trinta anos após sua criação, presta atendimento a mais de 11 milhões de pessoas por dia e realiza aproximadamente 127 procedimentos por segundo.
O SUS sobreviveu às mudanças de governo e está associado à redução da mortalidade infantil, ao aumento da expectativa de vida e à melhoria generalizada dos principais indicadores de saúde no Brasil, nas três últimas décadas. Essa é uma conquista da população que não pode ser desprezada. Conforme dados de 2019, sete em cada dez brasileiros dependem, exclusivamente, do sistema público de saúde, o que equivale a 74% da população do país.
A atenção primária à saúde integral, porta de entrada preferencial no SUS, que garante atenção oportuna e resolutiva, alcança hoje 50% dos usuários. Com base em evidências científicas internacionais, a OMS afirma que sistemas de saúde embasados nessa premissa apresentam melhores resultados, menores custos e maior qualidade de atendimento. Nesse sentido, os inquestionáveis avanços do SUS a favor das necessidades e dos direitos da população constituem patamar inabdicável de realizações, conhecimentos e práticas, por meio do incremento da integração das ações promotoras, protetoras e recuperadoras da saúde, apoiadas em diagnósticos epidemiológicos e sociais, formação profissional e processos de trabalho em equipe. Na prática, a resolutividade pode chegar a 90% de atendimento às necessidades de saúde.
Manoel Carlos Neri da Silva e Maria Helena Machado. Sistema de saúde e trabalho: desafios para a Enfermagem no Brasil. In: Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 25, n.º 1, jan./2020 (com adaptações).
Deduz-se do texto CG2A1 que o SUS
Texto associado
MENTIRINHAS
“É ingá”, ele diz enquanto chupa uma semente, a vagem aberta entre os dedos, e eu não consigo tirar os olhos daquele bigode desajeitado subindo e descendo, os pelos grisalhos amontoados num rosto queimado de sol. “Cê quer, Tininha?”, ele estende a mão com algumas daquelas sementes esquisitas, “não, vô, pode comer”. Ele olha divertido, como se fosse fazer piada, mas fica quieto, chupando sementes.
“Cê sabe, Tininha, cê não precisa ficar assim, né? Cê é moça nova, cê logo arruma outro rapaz”, ele fala olhando pra árvore, pra vagem, pra raiz. Nunca no meu olho. Nunca foi de jogar o olho no meu olho quando era coisa séria, só quando era de brincadeira. “Não é isso, vô. É que ele mentiu. Por que foi que ele mentiu? Por que não me falou logo que tinha esposa, que tinha filho? Por que me enrolou até agora? Dois anos, vô. Eu tava pensando em noivar. Agora não tenho mais nada.”
“É homem, Tininha”, ele fala cuspindo o caroço, como se lançasse feitiço: baba de sapo, perna de lagarto, um abracadabra brabo e viscoso. E eu aperto os dentes para não chorar de novo, mais uma vez, pra não me debulhar de lágrima imerecida. “Que que tem que é homem, vô? Só porque é homem tem que mentir? Vai me dizer que o senhor mentia pra vó?
Ele fica de olho comprido no horizonte, os dedos futucando outra vagem, como minhoquinhas na terra. “Menti pra muita gente, Tininha. Menti pros meus pais, pros professores, pros amigos, pra sua mãe... Menti pra sua vó... A vida é assim. Um monte de mentirinhas que a gente vai contando. Até pra gente mesmo”. Ele funga um pouco, limpa a testa com as costas da mão e fica quieto, o olho no ingá. Eu já menti pra caramba também, não sei por que o espanto. Minto desde criança, para não apanhar, para ganhar uma qualquer coisa a mais, dinheiro, uma bala, um dadinho de amendoim. Quem não mente?
“Cê arruma outro rapaz”, ele repete por fim, encerrando o assunto e levantando do banco de madeira mal feito. Vai arrastando um pé depois do outro na direção da cozinha e pela primeira vez na vida penso que talvez meu avô não tenha sido tão feliz quanto parecia quando contava as aventuras da juventude. O vô de repente era grande por dentro, maior do que eu nem sei. [...]
PRETTI, Thays. A mulher que ri . São Paulo: Editora Patuá, 2019.
“É ingá”, ele diz enquanto chupa uma semente, a vagem aberta entre os dedos, e eu não consigo tirar os olhos daquele bigode desajeitado subindo e descendo, os pelos grisalhos amontoados num rosto queimado de sol. “Cê quer, Tininha?”, ele estende a mão com algumas daquelas sementes esquisitas, “não, vô, pode comer”. Ele olha divertido, como se fosse fazer piada, mas fica quieto, chupando sementes.
“Cê sabe, Tininha, cê não precisa ficar assim, né? Cê é moça nova, cê logo arruma outro rapaz”, ele fala olhando pra árvore, pra vagem, pra raiz. Nunca no meu olho. Nunca foi de jogar o olho no meu olho quando era coisa séria, só quando era de brincadeira. “Não é isso, vô. É que ele mentiu. Por que foi que ele mentiu? Por que não me falou logo que tinha esposa, que tinha filho? Por que me enrolou até agora? Dois anos, vô. Eu tava pensando em noivar. Agora não tenho mais nada.”
“É homem, Tininha”, ele fala cuspindo o caroço, como se lançasse feitiço: baba de sapo, perna de lagarto, um abracadabra brabo e viscoso. E eu aperto os dentes para não chorar de novo, mais uma vez, pra não me debulhar de lágrima imerecida. “Que que tem que é homem, vô? Só porque é homem tem que mentir? Vai me dizer que o senhor mentia pra vó?
Ele fica de olho comprido no horizonte, os dedos futucando outra vagem, como minhoquinhas na terra. “Menti pra muita gente, Tininha. Menti pros meus pais, pros professores, pros amigos, pra sua mãe... Menti pra sua vó... A vida é assim. Um monte de mentirinhas que a gente vai contando. Até pra gente mesmo”. Ele funga um pouco, limpa a testa com as costas da mão e fica quieto, o olho no ingá. Eu já menti pra caramba também, não sei por que o espanto. Minto desde criança, para não apanhar, para ganhar uma qualquer coisa a mais, dinheiro, uma bala, um dadinho de amendoim. Quem não mente?
“Cê arruma outro rapaz”, ele repete por fim, encerrando o assunto e levantando do banco de madeira mal feito. Vai arrastando um pé depois do outro na direção da cozinha e pela primeira vez na vida penso que talvez meu avô não tenha sido tão feliz quanto parecia quando contava as aventuras da juventude. O vô de repente era grande por dentro, maior do que eu nem sei. [...]
PRETTI, Thays. A mulher que ri . São Paulo: Editora Patuá, 2019.
Sobre o texto, é correto afirmar que
Texto associado
Filosofia em dois desenhos
Fui caminhar. E na calçada me deparei com um estranho indivíduo. Carregava um saco plástico enorme que, pelo perfil do conteúdo, calculei estivesse cheio de latinhas. Mal acabei de pensar, o homem se acocorou na calçada. Extraiu de alguma parte uma pedra branca parecendo ser cal prensada, e com ela começou a desenhar no cimento.
Parei para ver, atraída pelo ritual que se esboçava. O homem desenhou dois círculos um diante do outro, quase encostados, e dentro deles desenhou duas setas convergentes.
Levantou-se, olhou sua obra com satisfação, andou cinco ou seis passos e, novamente, se acocorou. Continuava com a pedra de cal na mão.
Mas o desenho que fez foi diferente. Riscou dois traços, colocados na mesma distância dos dois círculos, e atrás deles desenhou duas setas que apontavam uma para a outra.
Segui adiante refletindo sobre o que havia presenciado. A primeira coisa que me veio à cabeça foi a Serra da Capivara, que visitei numa ida a Teresina para algum congresso ou palestra. Trouxe de volta a louça que a arqueóloga franco-brasileira Niéde Guidon, há muitos anos responsável pelo sítio arqueológico, ensinou os locais a fazerem para terem uma fonte de subsistência. Louça com impressos os mesmos desenhos estampados na rocha, que se acredita serem vestígios de uma cultura paleoamericana. Pois, como um ser primitivo, o homem havia estampado seus pensamentos e sua visão interior na mais moderna das rochas: o cimento.
Havia reparado que o homem estava muito sujo e desgrenhado. Calçava havaianas de sola já bem fininha e roupas indefinidas. Provavelmente era mais um morador de rua. E como morador de rua, usava a mesma calçada em que dormia para se expressar. Usava a calçada, único bem que lhe pertencia, como se fosse papel para desenhar ou escrever. Porque não há dúvida de que, ao desenhar, aquele homem estava escrevendo.
Estava escrevendo a sua dificuldade para se comunicar. Preso dentro de um círculo, pouco adiantava que as setas apontassem em direção uma da outra. Ele não conseguia obedecer à ordem das setas, pois continuava contido pela linha que delimitava o círculo.
Coisa idêntica dizia o segundo desenho, agora com um traço, uma parede, um muro, impedindo-o de obedecer ao comando das setas.
Pode até ser que o homem, através de seus desenhos estivesse desenvolvendo uma teoria filosófica sobre a incomunicabilidade dos seres humanos. Que, se por um lado não conseguem viver sozinhos (significado das setas instando à comunicação), por outro lado não conseguem se entender (significado dos círculos e dos traços impeditivos).
Avançando nessa teoria, chegaríamos à conclusão de que tudo o que é coletivo resvala no pessoal. Assim como os desenhos do homem, tão íntimos e pessoais, destinavam-se a quem quer que passasse naquela exata calçada de Ipanema.
Adaptado de: https://www.marinacolasanti.com/2021/09/filosofiaem- dois-desenhos.html [Fragmentos]. Acesso em: 18 set. 2021.
Considerando os aspectos linguísticos do texto de apoio e os sentidos por eles expressos, julgue os seguintes itens.
Fui caminhar. E na calçada me deparei com um estranho indivíduo. Carregava um saco plástico enorme que, pelo perfil do conteúdo, calculei estivesse cheio de latinhas. Mal acabei de pensar, o homem se acocorou na calçada. Extraiu de alguma parte uma pedra branca parecendo ser cal prensada, e com ela começou a desenhar no cimento.
Parei para ver, atraída pelo ritual que se esboçava. O homem desenhou dois círculos um diante do outro, quase encostados, e dentro deles desenhou duas setas convergentes.
Levantou-se, olhou sua obra com satisfação, andou cinco ou seis passos e, novamente, se acocorou. Continuava com a pedra de cal na mão.
Mas o desenho que fez foi diferente. Riscou dois traços, colocados na mesma distância dos dois círculos, e atrás deles desenhou duas setas que apontavam uma para a outra.
Segui adiante refletindo sobre o que havia presenciado. A primeira coisa que me veio à cabeça foi a Serra da Capivara, que visitei numa ida a Teresina para algum congresso ou palestra. Trouxe de volta a louça que a arqueóloga franco-brasileira Niéde Guidon, há muitos anos responsável pelo sítio arqueológico, ensinou os locais a fazerem para terem uma fonte de subsistência. Louça com impressos os mesmos desenhos estampados na rocha, que se acredita serem vestígios de uma cultura paleoamericana. Pois, como um ser primitivo, o homem havia estampado seus pensamentos e sua visão interior na mais moderna das rochas: o cimento.
Havia reparado que o homem estava muito sujo e desgrenhado. Calçava havaianas de sola já bem fininha e roupas indefinidas. Provavelmente era mais um morador de rua. E como morador de rua, usava a mesma calçada em que dormia para se expressar. Usava a calçada, único bem que lhe pertencia, como se fosse papel para desenhar ou escrever. Porque não há dúvida de que, ao desenhar, aquele homem estava escrevendo.
Estava escrevendo a sua dificuldade para se comunicar. Preso dentro de um círculo, pouco adiantava que as setas apontassem em direção uma da outra. Ele não conseguia obedecer à ordem das setas, pois continuava contido pela linha que delimitava o círculo.
Coisa idêntica dizia o segundo desenho, agora com um traço, uma parede, um muro, impedindo-o de obedecer ao comando das setas.
Pode até ser que o homem, através de seus desenhos estivesse desenvolvendo uma teoria filosófica sobre a incomunicabilidade dos seres humanos. Que, se por um lado não conseguem viver sozinhos (significado das setas instando à comunicação), por outro lado não conseguem se entender (significado dos círculos e dos traços impeditivos).
Avançando nessa teoria, chegaríamos à conclusão de que tudo o que é coletivo resvala no pessoal. Assim como os desenhos do homem, tão íntimos e pessoais, destinavam-se a quem quer que passasse naquela exata calçada de Ipanema.
Adaptado de: https://www.marinacolasanti.com/2021/09/filosofiaem- dois-desenhos.html [Fragmentos]. Acesso em: 18 set. 2021.
Considerando os aspectos linguísticos do texto de apoio e os sentidos por eles expressos, julgue os seguintes itens.
No início do 9º parágrafo, o verbo “pode” foi empregado com função modalizadora, indicando a capacidade do homem em formular uma teoria de cunho filosófico.
Um estudo clássico sobre a comunicação das abelhas revelou que elas se comunicam por meio de danças, transmitindo, basicamente, informações sobre a fonte de alimentos. No entanto essa transmissão não pode ser considerada linguagem. Sobre isso, assinale a alternativa correta.
Texto associado
MENTIRINHAS
“É ingá”, ele diz enquanto chupa uma semente, a vagem aberta entre os dedos, e eu não consigo tirar os olhos daquele bigode desajeitado subindo e descendo, os pelos grisalhos amontoados num rosto queimado de sol. “Cê quer, Tininha?”, ele estende a mão com algumas daquelas sementes esquisitas, “não, vô, pode comer”. Ele olha divertido, como se fosse fazer piada, mas fica quieto, chupando sementes.
“Cê sabe, Tininha, cê não precisa ficar assim, né? Cê é moça nova, cê logo arruma outro rapaz”, ele fala olhando pra árvore, pra vagem, pra raiz. Nunca no meu olho. Nunca foi de jogar o olho no meu olho quando era coisa séria, só quando era de brincadeira. “Não é isso, vô. É que ele mentiu. Por que foi que ele mentiu? Por que não me falou logo que tinha esposa, que tinha filho? Por que me enrolou até agora? Dois anos, vô. Eu tava pensando em noivar. Agora não tenho mais nada.”
“É homem, Tininha”, ele fala cuspindo o caroço, como se lançasse feitiço: baba de sapo, perna de lagarto, um abracadabra brabo e viscoso. E eu aperto os dentes para não chorar de novo, mais uma vez, pra não me debulhar de lágrima imerecida. “Que que tem que é homem, vô? Só porque é homem tem que mentir? Vai me dizer que o senhor mentia pra vó?
Ele fica de olho comprido no horizonte, os dedos futucando outra vagem, como minhoquinhas na terra. “Menti pra muita gente, Tininha. Menti pros meus pais, pros professores, pros amigos, pra sua mãe... Menti pra sua vó... A vida é assim. Um monte de mentirinhas que a gente vai contando. Até pra gente mesmo”. Ele funga um pouco, limpa a testa com as costas da mão e fica quieto, o olho no ingá. Eu já menti pra caramba também, não sei por que o espanto. Minto desde criança, para não apanhar, para ganhar uma qualquer coisa a mais, dinheiro, uma bala, um dadinho de amendoim. Quem não mente?
“Cê arruma outro rapaz”, ele repete por fim, encerrando o assunto e levantando do banco de madeira mal feito. Vai arrastando um pé depois do outro na direção da cozinha e pela primeira vez na vida penso que talvez meu avô não tenha sido tão feliz quanto parecia quando contava as aventuras da juventude. O vô de repente era grande por dentro, maior do que eu nem sei. [...]
PRETTI, Thays. A mulher que ri . São Paulo: Editora Patuá, 2019.
“É ingá”, ele diz enquanto chupa uma semente, a vagem aberta entre os dedos, e eu não consigo tirar os olhos daquele bigode desajeitado subindo e descendo, os pelos grisalhos amontoados num rosto queimado de sol. “Cê quer, Tininha?”, ele estende a mão com algumas daquelas sementes esquisitas, “não, vô, pode comer”. Ele olha divertido, como se fosse fazer piada, mas fica quieto, chupando sementes.
“Cê sabe, Tininha, cê não precisa ficar assim, né? Cê é moça nova, cê logo arruma outro rapaz”, ele fala olhando pra árvore, pra vagem, pra raiz. Nunca no meu olho. Nunca foi de jogar o olho no meu olho quando era coisa séria, só quando era de brincadeira. “Não é isso, vô. É que ele mentiu. Por que foi que ele mentiu? Por que não me falou logo que tinha esposa, que tinha filho? Por que me enrolou até agora? Dois anos, vô. Eu tava pensando em noivar. Agora não tenho mais nada.”
“É homem, Tininha”, ele fala cuspindo o caroço, como se lançasse feitiço: baba de sapo, perna de lagarto, um abracadabra brabo e viscoso. E eu aperto os dentes para não chorar de novo, mais uma vez, pra não me debulhar de lágrima imerecida. “Que que tem que é homem, vô? Só porque é homem tem que mentir? Vai me dizer que o senhor mentia pra vó?
Ele fica de olho comprido no horizonte, os dedos futucando outra vagem, como minhoquinhas na terra. “Menti pra muita gente, Tininha. Menti pros meus pais, pros professores, pros amigos, pra sua mãe... Menti pra sua vó... A vida é assim. Um monte de mentirinhas que a gente vai contando. Até pra gente mesmo”. Ele funga um pouco, limpa a testa com as costas da mão e fica quieto, o olho no ingá. Eu já menti pra caramba também, não sei por que o espanto. Minto desde criança, para não apanhar, para ganhar uma qualquer coisa a mais, dinheiro, uma bala, um dadinho de amendoim. Quem não mente?
“Cê arruma outro rapaz”, ele repete por fim, encerrando o assunto e levantando do banco de madeira mal feito. Vai arrastando um pé depois do outro na direção da cozinha e pela primeira vez na vida penso que talvez meu avô não tenha sido tão feliz quanto parecia quando contava as aventuras da juventude. O vô de repente era grande por dentro, maior do que eu nem sei. [...]
PRETTI, Thays. A mulher que ri . São Paulo: Editora Patuá, 2019.