Os enredos afro-brasileiros estão recuperando o espaço negado por longo tempo, décadas, aos que inventaram a festa e, ainda hoje, a constroem
1
O carnaval chegou ao fim, tiremos a fantasia. Existe um nome para a polêmica sobre os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial. Sete letras. Começa com “R”, termina com “ismo”, o sufixo que denota doutrinas, sistemas, ideologias e doenças. Racismo. A discriminação racial no Brasil se dá de muitas formas, várias camadas, como se diz hoje em dia. Uma delas é disfarçar o incômodo com o protagonismo preto, negro, afro-brasileiro, periférico, favelado com discursos relacionados à monotonia, chatice, irrelevância, falta de liberdade, cerceamento à liberdade de expressão e até incompreensão. Balela. O nome é racismo.
2
Começou com a entrevista do carnavalesco da Unidos de Vila Isabel, escola de samba da maior qualidade, vinculada pelo nome ao filho mais ilustre, mestre Martinho. O presidente de honra da Vila é um artista negro com imensa contribuição para a valorização da cultura e da identidade afros, bem como para a integração do Brasil com países do Atlântico Negro, Angola em particular. Paulo Barros, quatro troféus por desfiles no Grupo Especial do Rio de Janeiro, disse à Folha de S.Paulo: "A maioria dos enredos deste ano são afros, tudo que já foi visto e revisto, e posso te garantir que 90% de quem está assistindo ao desfile não vai entender nada".
3
A safra de enredos (supostamente) incompreensíveis lotou a Marquês de Sapucaí nos ensaios técnicos. Foram capazes de lotar a Marquês de Sapucaí nos 11 dias de travessia gratuita, sete de escolas do Grupo Especial, quatro da Série Ouro. No sábado, 21 de fevereiro, 80 mil espectadores ocuparam arquibancadas e frisas para não entender nadica de nada sobre as mandingas do Salgueiro; a visita de Oxalá a Xangô, tema da Imperatriz Leopoldinense; o Malunguinho da Unidos do Viradouro, campeã em 2024 com "Arroboboi Dangbé”. Se nos três dias do desfile principal houve quem não compreendesse, o problema está na plateia, não nos enredos. Quem gosta e vive escola de samba teve longa temporada de aprendizagem. Os temas foram anunciados antes da virada do semestre; os sambas, escolhidos até outubro; as gravações oficiais, no início de dezembro; nas redes sociais, multiplicam-se vídeos, sinopses, glossários, contextos.
[...]
OLIVEIRA, Flávia. A polêmica tem nome: racismo. O Globo, Rio de Janeiro, 7 mar. 2025.
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O Texto IX apresenta uma visão crítica acerca da polêmica em torno dos enredos de temática afro-brasileira no carnaval de 2025.
Texto associado
Durante algumas semanas, antes de o Departamento de Inglês do Oberlin College decidir me efetivar como professora, fui assombrada pelo sonho de fugir — de desaparecer —, até mesmo de morrer. O sonho não era uma reação ao medo de eu não conseguir a estabilidade no cargo. Era uma reação à realidade de que eu ia conseguir a estabilidade. Eu tinha medo de ficar presa na academia para sempre.
Em vez de ficar eufórica quando fui efetivada, caí numa depressão profunda que me pôs a vida em risco. Visto que todos ao meu redor achavam que eu devia me sentir aliviada, contente, orgulhosa, senti-me “culpada” por meus “verdadeiros” sentimentos e não consegui partilhá-los com ninguém. O ciclo de aulas me levou à ensolarada Califórnia e ao mundo new age da casa da minha irmã, em Laguna Beach, onde pude esfriar a cabeça por um mês. Quando partilhei meus sentimentos com minha irmã (ela é terapeuta), ela me garantiu que eles não eram nem um pouco impróprios. Disse: “Você nunca quis ser professora. Desde quando éramos pequenas, tudo o que você sempre quis foi escrever.” Ela tinha razão. Todos sempre partiram do pressuposto de que eu seria professora.
[...]
Mas o sonho de me tornar escritora sempre esteve presente dentro de mim. Desde a infância, eu acreditava que iria lecionar e escrever. O escrever seria o trabalho sério e o lecionar, o “emprego” não tão sério de que eu precisava para ganhar a vida. O escrever, conforme pensava então, era uma questão de anseio particular e glória pessoal, enquanto o lecionar era um serviço, uma forma de retribuir à comunidade. Para os negros, o lecionar — o educar — era fundamentalmente político, pois tinha raízes na luta antirracista. Com efeito, foi nas escolas de ensino fundamental, frequentadas somente por negros, que eu tive a experiência do aprendizado como revolução.
HOOKS, Bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. Tradução de Marcelo Brandão Cipolla. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2017. p. 9-10. Adaptado.
Em vez de ficar eufórica quando fui efetivada, caí numa depressão profunda que me pôs a vida em risco. Visto que todos ao meu redor achavam que eu devia me sentir aliviada, contente, orgulhosa, senti-me “culpada” por meus “verdadeiros” sentimentos e não consegui partilhá-los com ninguém. O ciclo de aulas me levou à ensolarada Califórnia e ao mundo new age da casa da minha irmã, em Laguna Beach, onde pude esfriar a cabeça por um mês. Quando partilhei meus sentimentos com minha irmã (ela é terapeuta), ela me garantiu que eles não eram nem um pouco impróprios. Disse: “Você nunca quis ser professora. Desde quando éramos pequenas, tudo o que você sempre quis foi escrever.” Ela tinha razão. Todos sempre partiram do pressuposto de que eu seria professora.
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Mas o sonho de me tornar escritora sempre esteve presente dentro de mim. Desde a infância, eu acreditava que iria lecionar e escrever. O escrever seria o trabalho sério e o lecionar, o “emprego” não tão sério de que eu precisava para ganhar a vida. O escrever, conforme pensava então, era uma questão de anseio particular e glória pessoal, enquanto o lecionar era um serviço, uma forma de retribuir à comunidade. Para os negros, o lecionar — o educar — era fundamentalmente político, pois tinha raízes na luta antirracista. Com efeito, foi nas escolas de ensino fundamental, frequentadas somente por negros, que eu tive a experiência do aprendizado como revolução.
HOOKS, Bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. Tradução de Marcelo Brandão Cipolla. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2017. p. 9-10. Adaptado.
No Texto I, o uso das palavras culpada e verdadeiros, em oposição às palavras aliviada, contente, orgulhosa (parágrafo 2), materializa a ideia de que a autora
Texto associado
O professor Fernando Osório, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, foi surpreendido com a fala de uma colega de profissão: "O ChatGPT me matou!"
Curioso, Osório indagou em que circunstâncias ela supostamente teria morrido. "De acordo com o ChatGPT, ela morreu em um acidente de carro, em uma estrada a caminho da universidade onde ela trabalha, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Ela é de fato professora da PUC no Rio Grande do Sul, mas não existe essa estrada mencionada pelo ChatGPT", lembra ele, ao reforçar que a professora em questão estava não apenas viva e bem, como compartilhava a situação surreal com todos os colegas.
Desde o fatídico - e letal - engano, o referido professor decidiu embarcar em uma jornada nada heroica de transformar o modelo de linguagem, cada vez mais popular, em um serial killer. Como estava bem-humorado, o professor seguiu para uma próxima etapa em seu projeto funesto: convencer o ChatGPT a criar um texto falando sobre sua própria morte.
Para alcançar seus objetivos, Osório encadeou uma série de conversas com a ferramenta, mencionando a morte de colegas de profissão e solicitando uma nova minibiografia pessoal após a breve conversa. "Quando eu finalmente pedi para ele fazer uma minibiografia minha, ele me matou. Por quê? Porque o tema da vez, o contexto, era a morte. Por isso, quando ele gerou a minha biografia, ele já gerou com um assassinato", esclarece.
Fato é que contornar as limitações do ChatGPT e direcionar suas respostas não só é uma tarefa possível, como discutivelmente simples. Os resultados, entretanto, podem gerar inúmeros perigos, especialmente na hora de forjar factoides sobre fontes críveis, no caso, cientistas.
Segundo Osório, “meu experimento pessoal demonstrou como a IA pode ser facilmente manipulada para gerar informações. Os dados na IA são controlados por humanos que podem bloquear informações prejudiciais, mas, se um usuário contornar esses filtros, a IA pode gerar resultados incorretos ou falsos". Para o usuário mal-intencionado, a geração de textos convincentes, áudios deturpados e vídeos falsos que parecem realistas foi definitivamente facilitada pelas novas tecnologias.
O já citado ChatGPT e diversas outras ferramentas similares são agrupados em um tipo específico de inteligência conhecido como generativo. Inteligências generativas são aquelas que têm a capacidade de criar novas informações a partir de conjuntos de dados preexistentes.
Uma das características que definem as versões atuais desses modelos é sua capacidade de responder em linguagem natural às perguntas e necessidades dos usuários. Esses modelos são projetados para entender e gerar texto em linguagem natural com base em grandes quantidades de dados de texto que foram usadas para treiná-los. "Eles são uma forma de IA conhecida como aprendizado de máquina e fazem parte da subárea de processamento de linguagem natural".
Esses modelos são treinados em enormes quantidades de texto de fontes diversas, como a internet, livros, artigos e muito mais. Durante o treinamento, eles aprendem a associar palavras e frases comuns, bem como a entender o contexto e a gramática da linguagem natural. Eles também podem aprender a identificar tópicos, sentimentos e informações úteis nos textos.
Osório enfatiza que “o ChatGPT é alimentado por um vasto conhecimento prévio, mas não possui consciência nem compreensão do que está escrevendo". Portanto, as respostas desse tipo de modelo são resultado do treinamento e da manipulação de texto, não de uma compreensão profunda do assunto. “Nós os chamamos de papagaios estocásticos, ferramentas que geram respostas com base na probabilidade e no contexto fornecido."
O problema é que esses papagaios da IA podem ser extremamente convincentes aos olhos de um observador comum, tal qual os pássaros da vida real, criando a ilusão de que existe uma inteligência de fato conversando com você por trás da máquina. Nesse cenário, a disseminação de fake news e de informações falsas é apenas a ponta do iceberg. Um obstáculo muito mais profundo e difícil de ser contornado é o uso de ferramentas de IA para a geração de argumentos falsos, que podem se valer de informações verdadeiras para produzir narrativas fictícias e induzir a conclusões inválidas, por exemplo.
Esses modelos são treinados para replicar a linguagem humana. “Então, se você os treinar com textos muito bem escritos, eles vão reproduzir textos muito bem escritos", destaca Victor Hugo Nascimento Rocha, que está desenvolvendo um sistema de IA para a detecção de argumentos falsos. Ele identificou esse problema depois de desafiar o ChatGPT a convencê-lo de coisas absurdas por exemplo, de que escravizar seres humanos era justificável e receber de volta respostas muito bem elaboradas. As premissas das quais o texto partia eram todas falsas, mas o modo como ele encaixava essas premissas era muito convincente. "Não diria que por isso nós vamos ter que abandonar a tecnologia e jogar fora o computador. Mas acho que a sociedade precisa estar pronta para entender e ter as ferramentas necessárias, dentro do possível, para analisar o que está recebendo", salienta o pesquisador.
Para Osório, regulamentação, distanciamento crítico e monitoramento contínuo do uso das IAs "é o que vai nos ajudar a evitar a disseminação de informações incorretas" sobre política, ciência e demais assuntos polarizantes. Nunca perdendo de vista que a desinformação pode disseminar o ódio, deflagrar conflitos e causar mortes de verdade, e não apenas mortes fictícias, como as anunciadas nas alucinações do ChatGPT e outros modelos de linguagem.
PACHECO, Denis. Jornal da USP, 10 nov. 2023. Disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/inteligencias-artificiais--entram-em-campo-contra-e-a-favor-da-desinformacao/. Acesso em: 3 jan. 2026. Adaptado.
Curioso, Osório indagou em que circunstâncias ela supostamente teria morrido. "De acordo com o ChatGPT, ela morreu em um acidente de carro, em uma estrada a caminho da universidade onde ela trabalha, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Ela é de fato professora da PUC no Rio Grande do Sul, mas não existe essa estrada mencionada pelo ChatGPT", lembra ele, ao reforçar que a professora em questão estava não apenas viva e bem, como compartilhava a situação surreal com todos os colegas.
Desde o fatídico - e letal - engano, o referido professor decidiu embarcar em uma jornada nada heroica de transformar o modelo de linguagem, cada vez mais popular, em um serial killer. Como estava bem-humorado, o professor seguiu para uma próxima etapa em seu projeto funesto: convencer o ChatGPT a criar um texto falando sobre sua própria morte.
Para alcançar seus objetivos, Osório encadeou uma série de conversas com a ferramenta, mencionando a morte de colegas de profissão e solicitando uma nova minibiografia pessoal após a breve conversa. "Quando eu finalmente pedi para ele fazer uma minibiografia minha, ele me matou. Por quê? Porque o tema da vez, o contexto, era a morte. Por isso, quando ele gerou a minha biografia, ele já gerou com um assassinato", esclarece.
Fato é que contornar as limitações do ChatGPT e direcionar suas respostas não só é uma tarefa possível, como discutivelmente simples. Os resultados, entretanto, podem gerar inúmeros perigos, especialmente na hora de forjar factoides sobre fontes críveis, no caso, cientistas.
Segundo Osório, “meu experimento pessoal demonstrou como a IA pode ser facilmente manipulada para gerar informações. Os dados na IA são controlados por humanos que podem bloquear informações prejudiciais, mas, se um usuário contornar esses filtros, a IA pode gerar resultados incorretos ou falsos". Para o usuário mal-intencionado, a geração de textos convincentes, áudios deturpados e vídeos falsos que parecem realistas foi definitivamente facilitada pelas novas tecnologias.
O já citado ChatGPT e diversas outras ferramentas similares são agrupados em um tipo específico de inteligência conhecido como generativo. Inteligências generativas são aquelas que têm a capacidade de criar novas informações a partir de conjuntos de dados preexistentes.
Uma das características que definem as versões atuais desses modelos é sua capacidade de responder em linguagem natural às perguntas e necessidades dos usuários. Esses modelos são projetados para entender e gerar texto em linguagem natural com base em grandes quantidades de dados de texto que foram usadas para treiná-los. "Eles são uma forma de IA conhecida como aprendizado de máquina e fazem parte da subárea de processamento de linguagem natural".
Esses modelos são treinados em enormes quantidades de texto de fontes diversas, como a internet, livros, artigos e muito mais. Durante o treinamento, eles aprendem a associar palavras e frases comuns, bem como a entender o contexto e a gramática da linguagem natural. Eles também podem aprender a identificar tópicos, sentimentos e informações úteis nos textos.
Osório enfatiza que “o ChatGPT é alimentado por um vasto conhecimento prévio, mas não possui consciência nem compreensão do que está escrevendo". Portanto, as respostas desse tipo de modelo são resultado do treinamento e da manipulação de texto, não de uma compreensão profunda do assunto. “Nós os chamamos de papagaios estocásticos, ferramentas que geram respostas com base na probabilidade e no contexto fornecido."
O problema é que esses papagaios da IA podem ser extremamente convincentes aos olhos de um observador comum, tal qual os pássaros da vida real, criando a ilusão de que existe uma inteligência de fato conversando com você por trás da máquina. Nesse cenário, a disseminação de fake news e de informações falsas é apenas a ponta do iceberg. Um obstáculo muito mais profundo e difícil de ser contornado é o uso de ferramentas de IA para a geração de argumentos falsos, que podem se valer de informações verdadeiras para produzir narrativas fictícias e induzir a conclusões inválidas, por exemplo.
Esses modelos são treinados para replicar a linguagem humana. “Então, se você os treinar com textos muito bem escritos, eles vão reproduzir textos muito bem escritos", destaca Victor Hugo Nascimento Rocha, que está desenvolvendo um sistema de IA para a detecção de argumentos falsos. Ele identificou esse problema depois de desafiar o ChatGPT a convencê-lo de coisas absurdas por exemplo, de que escravizar seres humanos era justificável e receber de volta respostas muito bem elaboradas. As premissas das quais o texto partia eram todas falsas, mas o modo como ele encaixava essas premissas era muito convincente. "Não diria que por isso nós vamos ter que abandonar a tecnologia e jogar fora o computador. Mas acho que a sociedade precisa estar pronta para entender e ter as ferramentas necessárias, dentro do possível, para analisar o que está recebendo", salienta o pesquisador.
Para Osório, regulamentação, distanciamento crítico e monitoramento contínuo do uso das IAs "é o que vai nos ajudar a evitar a disseminação de informações incorretas" sobre política, ciência e demais assuntos polarizantes. Nunca perdendo de vista que a desinformação pode disseminar o ódio, deflagrar conflitos e causar mortes de verdade, e não apenas mortes fictícias, como as anunciadas nas alucinações do ChatGPT e outros modelos de linguagem.
PACHECO, Denis. Jornal da USP, 10 nov. 2023. Disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/inteligencias-artificiais--entram-em-campo-contra-e-a-favor-da-desinformacao/. Acesso em: 3 jan. 2026. Adaptado.
Ao definir o ChatGPT como um "papagaio estocástico", o professor Osório enfatiza que o modelo
Texto associado
O professor Fernando Osório, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, foi surpreendido com a fala de uma colega de profissão: "O ChatGPT me matou!"
Curioso, Osório indagou em que circunstâncias ela supostamente teria morrido. "De acordo com o ChatGPT, ela morreu em um acidente de carro, em uma estrada a caminho da universidade onde ela trabalha, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Ela é de fato professora da PUC no Rio Grande do Sul, mas não existe essa estrada mencionada pelo ChatGPT", lembra ele, ao reforçar que a professora em questão estava não apenas viva e bem, como compartilhava a situação surreal com todos os colegas.
Desde o fatídico - e letal - engano, o referido professor decidiu embarcar em uma jornada nada heroica de transformar o modelo de linguagem, cada vez mais popular, em um serial killer. Como estava bem-humorado, o professor seguiu para uma próxima etapa em seu projeto funesto: convencer o ChatGPT a criar um texto falando sobre sua própria morte.
Para alcançar seus objetivos, Osório encadeou uma série de conversas com a ferramenta, mencionando a morte de colegas de profissão e solicitando uma nova minibiografia pessoal após a breve conversa. "Quando eu finalmente pedi para ele fazer uma minibiografia minha, ele me matou. Por quê? Porque o tema da vez, o contexto, era a morte. Por isso, quando ele gerou a minha biografia, ele já gerou com um assassinato", esclarece.
Fato é que contornar as limitações do ChatGPT e direcionar suas respostas não só é uma tarefa possível, como discutivelmente simples. Os resultados, entretanto, podem gerar inúmeros perigos, especialmente na hora de forjar factoides sobre fontes críveis, no caso, cientistas.
Segundo Osório, “meu experimento pessoal demonstrou como a IA pode ser facilmente manipulada para gerar informações. Os dados na IA são controlados por humanos que podem bloquear informações prejudiciais, mas, se um usuário contornar esses filtros, a IA pode gerar resultados incorretos ou falsos". Para o usuário mal-intencionado, a geração de textos convincentes, áudios deturpados e vídeos falsos que parecem realistas foi definitivamente facilitada pelas novas tecnologias.
O já citado ChatGPT e diversas outras ferramentas similares são agrupados em um tipo específico de inteligência conhecido como generativo. Inteligências generativas são aquelas que têm a capacidade de criar novas informações a partir de conjuntos de dados preexistentes.
Uma das características que definem as versões atuais desses modelos é sua capacidade de responder em linguagem natural às perguntas e necessidades dos usuários. Esses modelos são projetados para entender e gerar texto em linguagem natural com base em grandes quantidades de dados de texto que foram usadas para treiná-los. "Eles são uma forma de IA conhecida como aprendizado de máquina e fazem parte da subárea de processamento de linguagem natural".
Esses modelos são treinados em enormes quantidades de texto de fontes diversas, como a internet, livros, artigos e muito mais. Durante o treinamento, eles aprendem a associar palavras e frases comuns, bem como a entender o contexto e a gramática da linguagem natural. Eles também podem aprender a identificar tópicos, sentimentos e informações úteis nos textos.
Osório enfatiza que “o ChatGPT é alimentado por um vasto conhecimento prévio, mas não possui consciência nem compreensão do que está escrevendo". Portanto, as respostas desse tipo de modelo são resultado do treinamento e da manipulação de texto, não de uma compreensão profunda do assunto. “Nós os chamamos de papagaios estocásticos, ferramentas que geram respostas com base na probabilidade e no contexto fornecido."
O problema é que esses papagaios da IA podem ser extremamente convincentes aos olhos de um observador comum, tal qual os pássaros da vida real, criando a ilusão de que existe uma inteligência de fato conversando com você por trás da máquina. Nesse cenário, a disseminação de fake news e de informações falsas é apenas a ponta do iceberg. Um obstáculo muito mais profundo e difícil de ser contornado é o uso de ferramentas de IA para a geração de argumentos falsos, que podem se valer de informações verdadeiras para produzir narrativas fictícias e induzir a conclusões inválidas, por exemplo.
Esses modelos são treinados para replicar a linguagem humana. “Então, se você os treinar com textos muito bem escritos, eles vão reproduzir textos muito bem escritos", destaca Victor Hugo Nascimento Rocha, que está desenvolvendo um sistema de IA para a detecção de argumentos falsos. Ele identificou esse problema depois de desafiar o ChatGPT a convencê-lo de coisas absurdas por exemplo, de que escravizar seres humanos era justificável e receber de volta respostas muito bem elaboradas. As premissas das quais o texto partia eram todas falsas, mas o modo como ele encaixava essas premissas era muito convincente. "Não diria que por isso nós vamos ter que abandonar a tecnologia e jogar fora o computador. Mas acho que a sociedade precisa estar pronta para entender e ter as ferramentas necessárias, dentro do possível, para analisar o que está recebendo", salienta o pesquisador.
Para Osório, regulamentação, distanciamento crítico e monitoramento contínuo do uso das IAs "é o que vai nos ajudar a evitar a disseminação de informações incorretas" sobre política, ciência e demais assuntos polarizantes. Nunca perdendo de vista que a desinformação pode disseminar o ódio, deflagrar conflitos e causar mortes de verdade, e não apenas mortes fictícias, como as anunciadas nas alucinações do ChatGPT e outros modelos de linguagem.
PACHECO, Denis. Jornal da USP, 10 nov. 2023. Disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/inteligencias-artificiais--entram-em-campo-contra-e-a-favor-da-desinformacao/. Acesso em: 3 jan. 2026. Adaptado.
Curioso, Osório indagou em que circunstâncias ela supostamente teria morrido. "De acordo com o ChatGPT, ela morreu em um acidente de carro, em uma estrada a caminho da universidade onde ela trabalha, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Ela é de fato professora da PUC no Rio Grande do Sul, mas não existe essa estrada mencionada pelo ChatGPT", lembra ele, ao reforçar que a professora em questão estava não apenas viva e bem, como compartilhava a situação surreal com todos os colegas.
Desde o fatídico - e letal - engano, o referido professor decidiu embarcar em uma jornada nada heroica de transformar o modelo de linguagem, cada vez mais popular, em um serial killer. Como estava bem-humorado, o professor seguiu para uma próxima etapa em seu projeto funesto: convencer o ChatGPT a criar um texto falando sobre sua própria morte.
Para alcançar seus objetivos, Osório encadeou uma série de conversas com a ferramenta, mencionando a morte de colegas de profissão e solicitando uma nova minibiografia pessoal após a breve conversa. "Quando eu finalmente pedi para ele fazer uma minibiografia minha, ele me matou. Por quê? Porque o tema da vez, o contexto, era a morte. Por isso, quando ele gerou a minha biografia, ele já gerou com um assassinato", esclarece.
Fato é que contornar as limitações do ChatGPT e direcionar suas respostas não só é uma tarefa possível, como discutivelmente simples. Os resultados, entretanto, podem gerar inúmeros perigos, especialmente na hora de forjar factoides sobre fontes críveis, no caso, cientistas.
Segundo Osório, “meu experimento pessoal demonstrou como a IA pode ser facilmente manipulada para gerar informações. Os dados na IA são controlados por humanos que podem bloquear informações prejudiciais, mas, se um usuário contornar esses filtros, a IA pode gerar resultados incorretos ou falsos". Para o usuário mal-intencionado, a geração de textos convincentes, áudios deturpados e vídeos falsos que parecem realistas foi definitivamente facilitada pelas novas tecnologias.
O já citado ChatGPT e diversas outras ferramentas similares são agrupados em um tipo específico de inteligência conhecido como generativo. Inteligências generativas são aquelas que têm a capacidade de criar novas informações a partir de conjuntos de dados preexistentes.
Uma das características que definem as versões atuais desses modelos é sua capacidade de responder em linguagem natural às perguntas e necessidades dos usuários. Esses modelos são projetados para entender e gerar texto em linguagem natural com base em grandes quantidades de dados de texto que foram usadas para treiná-los. "Eles são uma forma de IA conhecida como aprendizado de máquina e fazem parte da subárea de processamento de linguagem natural".
Esses modelos são treinados em enormes quantidades de texto de fontes diversas, como a internet, livros, artigos e muito mais. Durante o treinamento, eles aprendem a associar palavras e frases comuns, bem como a entender o contexto e a gramática da linguagem natural. Eles também podem aprender a identificar tópicos, sentimentos e informações úteis nos textos.
Osório enfatiza que “o ChatGPT é alimentado por um vasto conhecimento prévio, mas não possui consciência nem compreensão do que está escrevendo". Portanto, as respostas desse tipo de modelo são resultado do treinamento e da manipulação de texto, não de uma compreensão profunda do assunto. “Nós os chamamos de papagaios estocásticos, ferramentas que geram respostas com base na probabilidade e no contexto fornecido."
O problema é que esses papagaios da IA podem ser extremamente convincentes aos olhos de um observador comum, tal qual os pássaros da vida real, criando a ilusão de que existe uma inteligência de fato conversando com você por trás da máquina. Nesse cenário, a disseminação de fake news e de informações falsas é apenas a ponta do iceberg. Um obstáculo muito mais profundo e difícil de ser contornado é o uso de ferramentas de IA para a geração de argumentos falsos, que podem se valer de informações verdadeiras para produzir narrativas fictícias e induzir a conclusões inválidas, por exemplo.
Esses modelos são treinados para replicar a linguagem humana. “Então, se você os treinar com textos muito bem escritos, eles vão reproduzir textos muito bem escritos", destaca Victor Hugo Nascimento Rocha, que está desenvolvendo um sistema de IA para a detecção de argumentos falsos. Ele identificou esse problema depois de desafiar o ChatGPT a convencê-lo de coisas absurdas por exemplo, de que escravizar seres humanos era justificável e receber de volta respostas muito bem elaboradas. As premissas das quais o texto partia eram todas falsas, mas o modo como ele encaixava essas premissas era muito convincente. "Não diria que por isso nós vamos ter que abandonar a tecnologia e jogar fora o computador. Mas acho que a sociedade precisa estar pronta para entender e ter as ferramentas necessárias, dentro do possível, para analisar o que está recebendo", salienta o pesquisador.
Para Osório, regulamentação, distanciamento crítico e monitoramento contínuo do uso das IAs "é o que vai nos ajudar a evitar a disseminação de informações incorretas" sobre política, ciência e demais assuntos polarizantes. Nunca perdendo de vista que a desinformação pode disseminar o ódio, deflagrar conflitos e causar mortes de verdade, e não apenas mortes fictícias, como as anunciadas nas alucinações do ChatGPT e outros modelos de linguagem.
PACHECO, Denis. Jornal da USP, 10 nov. 2023. Disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/inteligencias-artificiais--entram-em-campo-contra-e-a-favor-da-desinformacao/. Acesso em: 3 jan. 2026. Adaptado.
De acordo com a ordem das ideias apresentadas no texto, observa-se que, antes de apresentar uma definição de "inteligência generativa", o texto explica que
Texto associado
O professor Fernando Osório, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, foi surpreendido com a fala de uma colega de profissão: "O ChatGPT me matou!"
Curioso, Osório indagou em que circunstâncias ela supostamente teria morrido. "De acordo com o ChatGPT, ela morreu em um acidente de carro, em uma estrada a caminho da universidade onde ela trabalha, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Ela é de fato professora da PUC no Rio Grande do Sul, mas não existe essa estrada mencionada pelo ChatGPT", lembra ele, ao reforçar que a professora em questão estava não apenas viva e bem, como compartilhava a situação surreal com todos os colegas.
Desde o fatídico - e letal - engano, o referido professor decidiu embarcar em uma jornada nada heroica de transformar o modelo de linguagem, cada vez mais popular, em um serial killer. Como estava bem-humorado, o professor seguiu para uma próxima etapa em seu projeto funesto: convencer o ChatGPT a criar um texto falando sobre sua própria morte.
Para alcançar seus objetivos, Osório encadeou uma série de conversas com a ferramenta, mencionando a morte de colegas de profissão e solicitando uma nova minibiografia pessoal após a breve conversa. "Quando eu finalmente pedi para ele fazer uma minibiografia minha, ele me matou. Por quê? Porque o tema da vez, o contexto, era a morte. Por isso, quando ele gerou a minha biografia, ele já gerou com um assassinato", esclarece.
Fato é que contornar as limitações do ChatGPT e direcionar suas respostas não só é uma tarefa possível, como discutivelmente simples. Os resultados, entretanto, podem gerar inúmeros perigos, especialmente na hora de forjar factoides sobre fontes críveis, no caso, cientistas.
Segundo Osório, “meu experimento pessoal demonstrou como a IA pode ser facilmente manipulada para gerar informações. Os dados na IA são controlados por humanos que podem bloquear informações prejudiciais, mas, se um usuário contornar esses filtros, a IA pode gerar resultados incorretos ou falsos". Para o usuário mal-intencionado, a geração de textos convincentes, áudios deturpados e vídeos falsos que parecem realistas foi definitivamente facilitada pelas novas tecnologias.
O já citado ChatGPT e diversas outras ferramentas similares são agrupados em um tipo específico de inteligência conhecido como generativo. Inteligências generativas são aquelas que têm a capacidade de criar novas informações a partir de conjuntos de dados preexistentes.
Uma das características que definem as versões atuais desses modelos é sua capacidade de responder em linguagem natural às perguntas e necessidades dos usuários. Esses modelos são projetados para entender e gerar texto em linguagem natural com base em grandes quantidades de dados de texto que foram usadas para treiná-los. "Eles são uma forma de IA conhecida como aprendizado de máquina e fazem parte da subárea de processamento de linguagem natural".
Esses modelos são treinados em enormes quantidades de texto de fontes diversas, como a internet, livros, artigos e muito mais. Durante o treinamento, eles aprendem a associar palavras e frases comuns, bem como a entender o contexto e a gramática da linguagem natural. Eles também podem aprender a identificar tópicos, sentimentos e informações úteis nos textos.
Osório enfatiza que “o ChatGPT é alimentado por um vasto conhecimento prévio, mas não possui consciência nem compreensão do que está escrevendo". Portanto, as respostas desse tipo de modelo são resultado do treinamento e da manipulação de texto, não de uma compreensão profunda do assunto. “Nós os chamamos de papagaios estocásticos, ferramentas que geram respostas com base na probabilidade e no contexto fornecido."
O problema é que esses papagaios da IA podem ser extremamente convincentes aos olhos de um observador comum, tal qual os pássaros da vida real, criando a ilusão de que existe uma inteligência de fato conversando com você por trás da máquina. Nesse cenário, a disseminação de fake news e de informações falsas é apenas a ponta do iceberg. Um obstáculo muito mais profundo e difícil de ser contornado é o uso de ferramentas de IA para a geração de argumentos falsos, que podem se valer de informações verdadeiras para produzir narrativas fictícias e induzir a conclusões inválidas, por exemplo.
Esses modelos são treinados para replicar a linguagem humana. “Então, se você os treinar com textos muito bem escritos, eles vão reproduzir textos muito bem escritos", destaca Victor Hugo Nascimento Rocha, que está desenvolvendo um sistema de IA para a detecção de argumentos falsos. Ele identificou esse problema depois de desafiar o ChatGPT a convencê-lo de coisas absurdas por exemplo, de que escravizar seres humanos era justificável e receber de volta respostas muito bem elaboradas. As premissas das quais o texto partia eram todas falsas, mas o modo como ele encaixava essas premissas era muito convincente. "Não diria que por isso nós vamos ter que abandonar a tecnologia e jogar fora o computador. Mas acho que a sociedade precisa estar pronta para entender e ter as ferramentas necessárias, dentro do possível, para analisar o que está recebendo", salienta o pesquisador.
Para Osório, regulamentação, distanciamento crítico e monitoramento contínuo do uso das IAs "é o que vai nos ajudar a evitar a disseminação de informações incorretas" sobre política, ciência e demais assuntos polarizantes. Nunca perdendo de vista que a desinformação pode disseminar o ódio, deflagrar conflitos e causar mortes de verdade, e não apenas mortes fictícias, como as anunciadas nas alucinações do ChatGPT e outros modelos de linguagem.
PACHECO, Denis. Jornal da USP, 10 nov. 2023. Disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/inteligencias-artificiais--entram-em-campo-contra-e-a-favor-da-desinformacao/. Acesso em: 3 jan. 2026. Adaptado.
Curioso, Osório indagou em que circunstâncias ela supostamente teria morrido. "De acordo com o ChatGPT, ela morreu em um acidente de carro, em uma estrada a caminho da universidade onde ela trabalha, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Ela é de fato professora da PUC no Rio Grande do Sul, mas não existe essa estrada mencionada pelo ChatGPT", lembra ele, ao reforçar que a professora em questão estava não apenas viva e bem, como compartilhava a situação surreal com todos os colegas.
Desde o fatídico - e letal - engano, o referido professor decidiu embarcar em uma jornada nada heroica de transformar o modelo de linguagem, cada vez mais popular, em um serial killer. Como estava bem-humorado, o professor seguiu para uma próxima etapa em seu projeto funesto: convencer o ChatGPT a criar um texto falando sobre sua própria morte.
Para alcançar seus objetivos, Osório encadeou uma série de conversas com a ferramenta, mencionando a morte de colegas de profissão e solicitando uma nova minibiografia pessoal após a breve conversa. "Quando eu finalmente pedi para ele fazer uma minibiografia minha, ele me matou. Por quê? Porque o tema da vez, o contexto, era a morte. Por isso, quando ele gerou a minha biografia, ele já gerou com um assassinato", esclarece.
Fato é que contornar as limitações do ChatGPT e direcionar suas respostas não só é uma tarefa possível, como discutivelmente simples. Os resultados, entretanto, podem gerar inúmeros perigos, especialmente na hora de forjar factoides sobre fontes críveis, no caso, cientistas.
Segundo Osório, “meu experimento pessoal demonstrou como a IA pode ser facilmente manipulada para gerar informações. Os dados na IA são controlados por humanos que podem bloquear informações prejudiciais, mas, se um usuário contornar esses filtros, a IA pode gerar resultados incorretos ou falsos". Para o usuário mal-intencionado, a geração de textos convincentes, áudios deturpados e vídeos falsos que parecem realistas foi definitivamente facilitada pelas novas tecnologias.
O já citado ChatGPT e diversas outras ferramentas similares são agrupados em um tipo específico de inteligência conhecido como generativo. Inteligências generativas são aquelas que têm a capacidade de criar novas informações a partir de conjuntos de dados preexistentes.
Uma das características que definem as versões atuais desses modelos é sua capacidade de responder em linguagem natural às perguntas e necessidades dos usuários. Esses modelos são projetados para entender e gerar texto em linguagem natural com base em grandes quantidades de dados de texto que foram usadas para treiná-los. "Eles são uma forma de IA conhecida como aprendizado de máquina e fazem parte da subárea de processamento de linguagem natural".
Esses modelos são treinados em enormes quantidades de texto de fontes diversas, como a internet, livros, artigos e muito mais. Durante o treinamento, eles aprendem a associar palavras e frases comuns, bem como a entender o contexto e a gramática da linguagem natural. Eles também podem aprender a identificar tópicos, sentimentos e informações úteis nos textos.
Osório enfatiza que “o ChatGPT é alimentado por um vasto conhecimento prévio, mas não possui consciência nem compreensão do que está escrevendo". Portanto, as respostas desse tipo de modelo são resultado do treinamento e da manipulação de texto, não de uma compreensão profunda do assunto. “Nós os chamamos de papagaios estocásticos, ferramentas que geram respostas com base na probabilidade e no contexto fornecido."
O problema é que esses papagaios da IA podem ser extremamente convincentes aos olhos de um observador comum, tal qual os pássaros da vida real, criando a ilusão de que existe uma inteligência de fato conversando com você por trás da máquina. Nesse cenário, a disseminação de fake news e de informações falsas é apenas a ponta do iceberg. Um obstáculo muito mais profundo e difícil de ser contornado é o uso de ferramentas de IA para a geração de argumentos falsos, que podem se valer de informações verdadeiras para produzir narrativas fictícias e induzir a conclusões inválidas, por exemplo.
Esses modelos são treinados para replicar a linguagem humana. “Então, se você os treinar com textos muito bem escritos, eles vão reproduzir textos muito bem escritos", destaca Victor Hugo Nascimento Rocha, que está desenvolvendo um sistema de IA para a detecção de argumentos falsos. Ele identificou esse problema depois de desafiar o ChatGPT a convencê-lo de coisas absurdas por exemplo, de que escravizar seres humanos era justificável e receber de volta respostas muito bem elaboradas. As premissas das quais o texto partia eram todas falsas, mas o modo como ele encaixava essas premissas era muito convincente. "Não diria que por isso nós vamos ter que abandonar a tecnologia e jogar fora o computador. Mas acho que a sociedade precisa estar pronta para entender e ter as ferramentas necessárias, dentro do possível, para analisar o que está recebendo", salienta o pesquisador.
Para Osório, regulamentação, distanciamento crítico e monitoramento contínuo do uso das IAs "é o que vai nos ajudar a evitar a disseminação de informações incorretas" sobre política, ciência e demais assuntos polarizantes. Nunca perdendo de vista que a desinformação pode disseminar o ódio, deflagrar conflitos e causar mortes de verdade, e não apenas mortes fictícias, como as anunciadas nas alucinações do ChatGPT e outros modelos de linguagem.
PACHECO, Denis. Jornal da USP, 10 nov. 2023. Disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/inteligencias-artificiais--entram-em-campo-contra-e-a-favor-da-desinformacao/. Acesso em: 3 jan. 2026. Adaptado.
O trecho do texto que resume a análise realizada pelo autor sobre os perigos da IA é:
Texto associado
O professor Fernando Osório, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, foi surpreendido com a fala de uma colega de profissão: "O ChatGPT me matou!"
Curioso, Osório indagou em que circunstâncias ela supostamente teria morrido. "De acordo com o ChatGPT, ela morreu em um acidente de carro, em uma estrada a caminho da universidade onde ela trabalha, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Ela é de fato professora da PUC no Rio Grande do Sul, mas não existe essa estrada mencionada pelo ChatGPT", lembra ele, ao reforçar que a professora em questão estava não apenas viva e bem, como compartilhava a situação surreal com todos os colegas.
Desde o fatídico - e letal - engano, o referido professor decidiu embarcar em uma jornada nada heroica de transformar o modelo de linguagem, cada vez mais popular, em um serial killer. Como estava bem-humorado, o professor seguiu para uma próxima etapa em seu projeto funesto: convencer o ChatGPT a criar um texto falando sobre sua própria morte.
Para alcançar seus objetivos, Osório encadeou uma série de conversas com a ferramenta, mencionando a morte de colegas de profissão e solicitando uma nova minibiografia pessoal após a breve conversa. "Quando eu finalmente pedi para ele fazer uma minibiografia minha, ele me matou. Por quê? Porque o tema da vez, o contexto, era a morte. Por isso, quando ele gerou a minha biografia, ele já gerou com um assassinato", esclarece.
Fato é que contornar as limitações do ChatGPT e direcionar suas respostas não só é uma tarefa possível, como discutivelmente simples. Os resultados, entretanto, podem gerar inúmeros perigos, especialmente na hora de forjar factoides sobre fontes críveis, no caso, cientistas.
Segundo Osório, “meu experimento pessoal demonstrou como a IA pode ser facilmente manipulada para gerar informações. Os dados na IA são controlados por humanos que podem bloquear informações prejudiciais, mas, se um usuário contornar esses filtros, a IA pode gerar resultados incorretos ou falsos". Para o usuário mal-intencionado, a geração de textos convincentes, áudios deturpados e vídeos falsos que parecem realistas foi definitivamente facilitada pelas novas tecnologias.
O já citado ChatGPT e diversas outras ferramentas similares são agrupados em um tipo específico de inteligência conhecido como generativo. Inteligências generativas são aquelas que têm a capacidade de criar novas informações a partir de conjuntos de dados preexistentes.
Uma das características que definem as versões atuais desses modelos é sua capacidade de responder em linguagem natural às perguntas e necessidades dos usuários. Esses modelos são projetados para entender e gerar texto em linguagem natural com base em grandes quantidades de dados de texto que foram usadas para treiná-los. "Eles são uma forma de IA conhecida como aprendizado de máquina e fazem parte da subárea de processamento de linguagem natural".
Esses modelos são treinados em enormes quantidades de texto de fontes diversas, como a internet, livros, artigos e muito mais. Durante o treinamento, eles aprendem a associar palavras e frases comuns, bem como a entender o contexto e a gramática da linguagem natural. Eles também podem aprender a identificar tópicos, sentimentos e informações úteis nos textos.
Osório enfatiza que “o ChatGPT é alimentado por um vasto conhecimento prévio, mas não possui consciência nem compreensão do que está escrevendo". Portanto, as respostas desse tipo de modelo são resultado do treinamento e da manipulação de texto, não de uma compreensão profunda do assunto. “Nós os chamamos de papagaios estocásticos, ferramentas que geram respostas com base na probabilidade e no contexto fornecido."
O problema é que esses papagaios da IA podem ser extremamente convincentes aos olhos de um observador comum, tal qual os pássaros da vida real, criando a ilusão de que existe uma inteligência de fato conversando com você por trás da máquina. Nesse cenário, a disseminação de fake news e de informações falsas é apenas a ponta do iceberg. Um obstáculo muito mais profundo e difícil de ser contornado é o uso de ferramentas de IA para a geração de argumentos falsos, que podem se valer de informações verdadeiras para produzir narrativas fictícias e induzir a conclusões inválidas, por exemplo.
Esses modelos são treinados para replicar a linguagem humana. “Então, se você os treinar com textos muito bem escritos, eles vão reproduzir textos muito bem escritos", destaca Victor Hugo Nascimento Rocha, que está desenvolvendo um sistema de IA para a detecção de argumentos falsos. Ele identificou esse problema depois de desafiar o ChatGPT a convencê-lo de coisas absurdas por exemplo, de que escravizar seres humanos era justificável e receber de volta respostas muito bem elaboradas. As premissas das quais o texto partia eram todas falsas, mas o modo como ele encaixava essas premissas era muito convincente. "Não diria que por isso nós vamos ter que abandonar a tecnologia e jogar fora o computador. Mas acho que a sociedade precisa estar pronta para entender e ter as ferramentas necessárias, dentro do possível, para analisar o que está recebendo", salienta o pesquisador.
Para Osório, regulamentação, distanciamento crítico e monitoramento contínuo do uso das IAs "é o que vai nos ajudar a evitar a disseminação de informações incorretas" sobre política, ciência e demais assuntos polarizantes. Nunca perdendo de vista que a desinformação pode disseminar o ódio, deflagrar conflitos e causar mortes de verdade, e não apenas mortes fictícias, como as anunciadas nas alucinações do ChatGPT e outros modelos de linguagem.
PACHECO, Denis. Jornal da USP, 10 nov. 2023. Disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/inteligencias-artificiais--entram-em-campo-contra-e-a-favor-da-desinformacao/. Acesso em: 3 jan. 2026. Adaptado.
Curioso, Osório indagou em que circunstâncias ela supostamente teria morrido. "De acordo com o ChatGPT, ela morreu em um acidente de carro, em uma estrada a caminho da universidade onde ela trabalha, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Ela é de fato professora da PUC no Rio Grande do Sul, mas não existe essa estrada mencionada pelo ChatGPT", lembra ele, ao reforçar que a professora em questão estava não apenas viva e bem, como compartilhava a situação surreal com todos os colegas.
Desde o fatídico - e letal - engano, o referido professor decidiu embarcar em uma jornada nada heroica de transformar o modelo de linguagem, cada vez mais popular, em um serial killer. Como estava bem-humorado, o professor seguiu para uma próxima etapa em seu projeto funesto: convencer o ChatGPT a criar um texto falando sobre sua própria morte.
Para alcançar seus objetivos, Osório encadeou uma série de conversas com a ferramenta, mencionando a morte de colegas de profissão e solicitando uma nova minibiografia pessoal após a breve conversa. "Quando eu finalmente pedi para ele fazer uma minibiografia minha, ele me matou. Por quê? Porque o tema da vez, o contexto, era a morte. Por isso, quando ele gerou a minha biografia, ele já gerou com um assassinato", esclarece.
Fato é que contornar as limitações do ChatGPT e direcionar suas respostas não só é uma tarefa possível, como discutivelmente simples. Os resultados, entretanto, podem gerar inúmeros perigos, especialmente na hora de forjar factoides sobre fontes críveis, no caso, cientistas.
Segundo Osório, “meu experimento pessoal demonstrou como a IA pode ser facilmente manipulada para gerar informações. Os dados na IA são controlados por humanos que podem bloquear informações prejudiciais, mas, se um usuário contornar esses filtros, a IA pode gerar resultados incorretos ou falsos". Para o usuário mal-intencionado, a geração de textos convincentes, áudios deturpados e vídeos falsos que parecem realistas foi definitivamente facilitada pelas novas tecnologias.
O já citado ChatGPT e diversas outras ferramentas similares são agrupados em um tipo específico de inteligência conhecido como generativo. Inteligências generativas são aquelas que têm a capacidade de criar novas informações a partir de conjuntos de dados preexistentes.
Uma das características que definem as versões atuais desses modelos é sua capacidade de responder em linguagem natural às perguntas e necessidades dos usuários. Esses modelos são projetados para entender e gerar texto em linguagem natural com base em grandes quantidades de dados de texto que foram usadas para treiná-los. "Eles são uma forma de IA conhecida como aprendizado de máquina e fazem parte da subárea de processamento de linguagem natural".
Esses modelos são treinados em enormes quantidades de texto de fontes diversas, como a internet, livros, artigos e muito mais. Durante o treinamento, eles aprendem a associar palavras e frases comuns, bem como a entender o contexto e a gramática da linguagem natural. Eles também podem aprender a identificar tópicos, sentimentos e informações úteis nos textos.
Osório enfatiza que “o ChatGPT é alimentado por um vasto conhecimento prévio, mas não possui consciência nem compreensão do que está escrevendo". Portanto, as respostas desse tipo de modelo são resultado do treinamento e da manipulação de texto, não de uma compreensão profunda do assunto. “Nós os chamamos de papagaios estocásticos, ferramentas que geram respostas com base na probabilidade e no contexto fornecido."
O problema é que esses papagaios da IA podem ser extremamente convincentes aos olhos de um observador comum, tal qual os pássaros da vida real, criando a ilusão de que existe uma inteligência de fato conversando com você por trás da máquina. Nesse cenário, a disseminação de fake news e de informações falsas é apenas a ponta do iceberg. Um obstáculo muito mais profundo e difícil de ser contornado é o uso de ferramentas de IA para a geração de argumentos falsos, que podem se valer de informações verdadeiras para produzir narrativas fictícias e induzir a conclusões inválidas, por exemplo.
Esses modelos são treinados para replicar a linguagem humana. “Então, se você os treinar com textos muito bem escritos, eles vão reproduzir textos muito bem escritos", destaca Victor Hugo Nascimento Rocha, que está desenvolvendo um sistema de IA para a detecção de argumentos falsos. Ele identificou esse problema depois de desafiar o ChatGPT a convencê-lo de coisas absurdas por exemplo, de que escravizar seres humanos era justificável e receber de volta respostas muito bem elaboradas. As premissas das quais o texto partia eram todas falsas, mas o modo como ele encaixava essas premissas era muito convincente. "Não diria que por isso nós vamos ter que abandonar a tecnologia e jogar fora o computador. Mas acho que a sociedade precisa estar pronta para entender e ter as ferramentas necessárias, dentro do possível, para analisar o que está recebendo", salienta o pesquisador.
Para Osório, regulamentação, distanciamento crítico e monitoramento contínuo do uso das IAs "é o que vai nos ajudar a evitar a disseminação de informações incorretas" sobre política, ciência e demais assuntos polarizantes. Nunca perdendo de vista que a desinformação pode disseminar o ódio, deflagrar conflitos e causar mortes de verdade, e não apenas mortes fictícias, como as anunciadas nas alucinações do ChatGPT e outros modelos de linguagem.
PACHECO, Denis. Jornal da USP, 10 nov. 2023. Disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/inteligencias-artificiais--entram-em-campo-contra-e-a-favor-da-desinformacao/. Acesso em: 3 jan. 2026. Adaptado.
A narrativa apresentada ao início, envolvendo a suposta morte de professores atribuída ao ChatGPT, tem como principal função no texto
Texto associado
O professor Fernando Osório, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, foi surpreendido com a fala de uma colega de profissão: "O ChatGPT me matou!"
Curioso, Osório indagou em que circunstâncias ela supostamente teria morrido. "De acordo com o ChatGPT, ela morreu em um acidente de carro, em uma estrada a caminho da universidade onde ela trabalha, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Ela é de fato professora da PUC no Rio Grande do Sul, mas não existe essa estrada mencionada pelo ChatGPT", lembra ele, ao reforçar que a professora em questão estava não apenas viva e bem, como compartilhava a situação surreal com todos os colegas.
Desde o fatídico - e letal - engano, o referido professor decidiu embarcar em uma jornada nada heroica de transformar o modelo de linguagem, cada vez mais popular, em um serial killer. Como estava bem-humorado, o professor seguiu para uma próxima etapa em seu projeto funesto: convencer o ChatGPT a criar um texto falando sobre sua própria morte.
Para alcançar seus objetivos, Osório encadeou uma série de conversas com a ferramenta, mencionando a morte de colegas de profissão e solicitando uma nova minibiografia pessoal após a breve conversa. "Quando eu finalmente pedi para ele fazer uma minibiografia minha, ele me matou. Por quê? Porque o tema da vez, o contexto, era a morte. Por isso, quando ele gerou a minha biografia, ele já gerou com um assassinato", esclarece.
Fato é que contornar as limitações do ChatGPT e direcionar suas respostas não só é uma tarefa possível, como discutivelmente simples. Os resultados, entretanto, podem gerar inúmeros perigos, especialmente na hora de forjar factoides sobre fontes críveis, no caso, cientistas.
Segundo Osório, “meu experimento pessoal demonstrou como a IA pode ser facilmente manipulada para gerar informações. Os dados na IA são controlados por humanos que podem bloquear informações prejudiciais, mas, se um usuário contornar esses filtros, a IA pode gerar resultados incorretos ou falsos". Para o usuário mal-intencionado, a geração de textos convincentes, áudios deturpados e vídeos falsos que parecem realistas foi definitivamente facilitada pelas novas tecnologias.
O já citado ChatGPT e diversas outras ferramentas similares são agrupados em um tipo específico de inteligência conhecido como generativo. Inteligências generativas são aquelas que têm a capacidade de criar novas informações a partir de conjuntos de dados preexistentes.
Uma das características que definem as versões atuais desses modelos é sua capacidade de responder em linguagem natural às perguntas e necessidades dos usuários. Esses modelos são projetados para entender e gerar texto em linguagem natural com base em grandes quantidades de dados de texto que foram usadas para treiná-los. "Eles são uma forma de IA conhecida como aprendizado de máquina e fazem parte da subárea de processamento de linguagem natural".
Esses modelos são treinados em enormes quantidades de texto de fontes diversas, como a internet, livros, artigos e muito mais. Durante o treinamento, eles aprendem a associar palavras e frases comuns, bem como a entender o contexto e a gramática da linguagem natural. Eles também podem aprender a identificar tópicos, sentimentos e informações úteis nos textos.
Osório enfatiza que “o ChatGPT é alimentado por um vasto conhecimento prévio, mas não possui consciência nem compreensão do que está escrevendo". Portanto, as respostas desse tipo de modelo são resultado do treinamento e da manipulação de texto, não de uma compreensão profunda do assunto. “Nós os chamamos de papagaios estocásticos, ferramentas que geram respostas com base na probabilidade e no contexto fornecido."
O problema é que esses papagaios da IA podem ser extremamente convincentes aos olhos de um observador comum, tal qual os pássaros da vida real, criando a ilusão de que existe uma inteligência de fato conversando com você por trás da máquina. Nesse cenário, a disseminação de fake news e de informações falsas é apenas a ponta do iceberg. Um obstáculo muito mais profundo e difícil de ser contornado é o uso de ferramentas de IA para a geração de argumentos falsos, que podem se valer de informações verdadeiras para produzir narrativas fictícias e induzir a conclusões inválidas, por exemplo.
Esses modelos são treinados para replicar a linguagem humana. “Então, se você os treinar com textos muito bem escritos, eles vão reproduzir textos muito bem escritos", destaca Victor Hugo Nascimento Rocha, que está desenvolvendo um sistema de IA para a detecção de argumentos falsos. Ele identificou esse problema depois de desafiar o ChatGPT a convencê-lo de coisas absurdas por exemplo, de que escravizar seres humanos era justificável e receber de volta respostas muito bem elaboradas. As premissas das quais o texto partia eram todas falsas, mas o modo como ele encaixava essas premissas era muito convincente. "Não diria que por isso nós vamos ter que abandonar a tecnologia e jogar fora o computador. Mas acho que a sociedade precisa estar pronta para entender e ter as ferramentas necessárias, dentro do possível, para analisar o que está recebendo", salienta o pesquisador.
Para Osório, regulamentação, distanciamento crítico e monitoramento contínuo do uso das IAs "é o que vai nos ajudar a evitar a disseminação de informações incorretas" sobre política, ciência e demais assuntos polarizantes. Nunca perdendo de vista que a desinformação pode disseminar o ódio, deflagrar conflitos e causar mortes de verdade, e não apenas mortes fictícias, como as anunciadas nas alucinações do ChatGPT e outros modelos de linguagem.
PACHECO, Denis. Jornal da USP, 10 nov. 2023. Disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/inteligencias-artificiais--entram-em-campo-contra-e-a-favor-da-desinformacao/. Acesso em: 3 jan. 2026. Adaptado.
Curioso, Osório indagou em que circunstâncias ela supostamente teria morrido. "De acordo com o ChatGPT, ela morreu em um acidente de carro, em uma estrada a caminho da universidade onde ela trabalha, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Ela é de fato professora da PUC no Rio Grande do Sul, mas não existe essa estrada mencionada pelo ChatGPT", lembra ele, ao reforçar que a professora em questão estava não apenas viva e bem, como compartilhava a situação surreal com todos os colegas.
Desde o fatídico - e letal - engano, o referido professor decidiu embarcar em uma jornada nada heroica de transformar o modelo de linguagem, cada vez mais popular, em um serial killer. Como estava bem-humorado, o professor seguiu para uma próxima etapa em seu projeto funesto: convencer o ChatGPT a criar um texto falando sobre sua própria morte.
Para alcançar seus objetivos, Osório encadeou uma série de conversas com a ferramenta, mencionando a morte de colegas de profissão e solicitando uma nova minibiografia pessoal após a breve conversa. "Quando eu finalmente pedi para ele fazer uma minibiografia minha, ele me matou. Por quê? Porque o tema da vez, o contexto, era a morte. Por isso, quando ele gerou a minha biografia, ele já gerou com um assassinato", esclarece.
Fato é que contornar as limitações do ChatGPT e direcionar suas respostas não só é uma tarefa possível, como discutivelmente simples. Os resultados, entretanto, podem gerar inúmeros perigos, especialmente na hora de forjar factoides sobre fontes críveis, no caso, cientistas.
Segundo Osório, “meu experimento pessoal demonstrou como a IA pode ser facilmente manipulada para gerar informações. Os dados na IA são controlados por humanos que podem bloquear informações prejudiciais, mas, se um usuário contornar esses filtros, a IA pode gerar resultados incorretos ou falsos". Para o usuário mal-intencionado, a geração de textos convincentes, áudios deturpados e vídeos falsos que parecem realistas foi definitivamente facilitada pelas novas tecnologias.
O já citado ChatGPT e diversas outras ferramentas similares são agrupados em um tipo específico de inteligência conhecido como generativo. Inteligências generativas são aquelas que têm a capacidade de criar novas informações a partir de conjuntos de dados preexistentes.
Uma das características que definem as versões atuais desses modelos é sua capacidade de responder em linguagem natural às perguntas e necessidades dos usuários. Esses modelos são projetados para entender e gerar texto em linguagem natural com base em grandes quantidades de dados de texto que foram usadas para treiná-los. "Eles são uma forma de IA conhecida como aprendizado de máquina e fazem parte da subárea de processamento de linguagem natural".
Esses modelos são treinados em enormes quantidades de texto de fontes diversas, como a internet, livros, artigos e muito mais. Durante o treinamento, eles aprendem a associar palavras e frases comuns, bem como a entender o contexto e a gramática da linguagem natural. Eles também podem aprender a identificar tópicos, sentimentos e informações úteis nos textos.
Osório enfatiza que “o ChatGPT é alimentado por um vasto conhecimento prévio, mas não possui consciência nem compreensão do que está escrevendo". Portanto, as respostas desse tipo de modelo são resultado do treinamento e da manipulação de texto, não de uma compreensão profunda do assunto. “Nós os chamamos de papagaios estocásticos, ferramentas que geram respostas com base na probabilidade e no contexto fornecido."
O problema é que esses papagaios da IA podem ser extremamente convincentes aos olhos de um observador comum, tal qual os pássaros da vida real, criando a ilusão de que existe uma inteligência de fato conversando com você por trás da máquina. Nesse cenário, a disseminação de fake news e de informações falsas é apenas a ponta do iceberg. Um obstáculo muito mais profundo e difícil de ser contornado é o uso de ferramentas de IA para a geração de argumentos falsos, que podem se valer de informações verdadeiras para produzir narrativas fictícias e induzir a conclusões inválidas, por exemplo.
Esses modelos são treinados para replicar a linguagem humana. “Então, se você os treinar com textos muito bem escritos, eles vão reproduzir textos muito bem escritos", destaca Victor Hugo Nascimento Rocha, que está desenvolvendo um sistema de IA para a detecção de argumentos falsos. Ele identificou esse problema depois de desafiar o ChatGPT a convencê-lo de coisas absurdas por exemplo, de que escravizar seres humanos era justificável e receber de volta respostas muito bem elaboradas. As premissas das quais o texto partia eram todas falsas, mas o modo como ele encaixava essas premissas era muito convincente. "Não diria que por isso nós vamos ter que abandonar a tecnologia e jogar fora o computador. Mas acho que a sociedade precisa estar pronta para entender e ter as ferramentas necessárias, dentro do possível, para analisar o que está recebendo", salienta o pesquisador.
Para Osório, regulamentação, distanciamento crítico e monitoramento contínuo do uso das IAs "é o que vai nos ajudar a evitar a disseminação de informações incorretas" sobre política, ciência e demais assuntos polarizantes. Nunca perdendo de vista que a desinformação pode disseminar o ódio, deflagrar conflitos e causar mortes de verdade, e não apenas mortes fictícias, como as anunciadas nas alucinações do ChatGPT e outros modelos de linguagem.
PACHECO, Denis. Jornal da USP, 10 nov. 2023. Disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/inteligencias-artificiais--entram-em-campo-contra-e-a-favor-da-desinformacao/. Acesso em: 3 jan. 2026. Adaptado.
De acordo com o texto, a facilidade de manipulação de modelos de IA generativa representa um perigo porque pode
Texto associado
Pesquisa feita com mais de 3.500 adultos sugere que prática de atividades ligadas à criatividade e cultura pode estar ligada a ritmo mais lento de envelhecimento celular.
Sarah Macedo
Atividades como ouvir música, ler um livro, desenhar ou visitar um museu podem fazer mais pela sua saúde do que relaxar a mente. Segundo uma nova pesquisa da UCL (University College London), na Inglaterra, pessoas que mantêm contato frequente com artes e atividades culturais apresentam um ritmo mais lento de envelhecimento biológico.
O estudo, publicado em 11 de maio na revista Innovation in Aging, reuniu informações de mais de 3,5 mil adultos do Reino Unido, incluindo exames de sangue e questionários sobre hábitos culturais. Com esses dados, os pesquisadores conseguiram calcular a idade biológica dos participantes e acompanhar a velocidade com que o corpo envelhece.
Os resultados mostraram que pessoas que se envolviam com atividades artísticas semanalmente envelheciam cerca de 4% mais lentamente do que aquelas que quase nunca tinham esse tipo de contato. Já quem mantinha esse hábito ao menos uma vez por mês apresentava um envelhecimento cerca de 3% mais lento.
Em média, os participantes que realizavam alguma atividade artística semanalmente eram biologicamente um ano mais jovens do que aqueles que raramente se dedicavam a elas, enquanto as pessoas que praticavam exercícios físicos uma vez por semana apresentavam uma diferença de cerca de seis meses nessa mesma métrica.
Como o estudo foi feito
Para a pesquisa, os participantes precisaram responder com que frequência, ao longo do último ano, participaram de atividades como canto, dança, pintura, fotografia e artesanato, além de visitas a exposições, eventos culturais, museus, bibliotecas, arquivos e patrimônios históricos (como monumentos, prédios antigos e parques históricos).
"Os resultados fornecem evidências de que o envolvimento com as artes e a cultura deve ser reconhecido como um comportamento promotor da saúde, de forma semelhante ao exercício físico", disse Daisy Fancourt, psicobióloga da UCL e autora principal do estudo, em entrevista ao The Guardian.
Para Feifei Bu, pesquisadora da UCL e autora sênior do estudo, o estudo traz "a primeira evidência” de uma relação entre o envolvimento com atividades artísticas e cultura e um envelhecimento biológico mais lento. Segundo ela, os resultados reforçam pesquisas anteriores que associam as artes à redução do estresse, diminuição de inflamações e melhora do risco de doenças cardiovasculares, benefícios já observados com a prática de exercícios físicos.
Fancourt também destacou que diferentes atividades culturais podem impactar o organismo de maneiras distintas. "Cada tipo de atividade artística — ler, fazer música, assistir a apresentações culturais, visitar locais históricos — tem efeitos diferentes sobre nós cognitivamente, emocionalmente e fisiologicamente", afirmou em entrevista à revista Smithsonian. "Por isso, se envolver em uma variedade de atividades, assim como manter uma alimentação diversificada, é extremamente benéfico para a saúde." [...]
Adaptado de: https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/05/contato-diario-com-cultura-e-arte-pode-desacelerar-envelhecimento-diz-estudo.ghtml_Acesso em: 17 jun. 2026.
Sarah Macedo
Atividades como ouvir música, ler um livro, desenhar ou visitar um museu podem fazer mais pela sua saúde do que relaxar a mente. Segundo uma nova pesquisa da UCL (University College London), na Inglaterra, pessoas que mantêm contato frequente com artes e atividades culturais apresentam um ritmo mais lento de envelhecimento biológico.
O estudo, publicado em 11 de maio na revista Innovation in Aging, reuniu informações de mais de 3,5 mil adultos do Reino Unido, incluindo exames de sangue e questionários sobre hábitos culturais. Com esses dados, os pesquisadores conseguiram calcular a idade biológica dos participantes e acompanhar a velocidade com que o corpo envelhece.
Os resultados mostraram que pessoas que se envolviam com atividades artísticas semanalmente envelheciam cerca de 4% mais lentamente do que aquelas que quase nunca tinham esse tipo de contato. Já quem mantinha esse hábito ao menos uma vez por mês apresentava um envelhecimento cerca de 3% mais lento.
Em média, os participantes que realizavam alguma atividade artística semanalmente eram biologicamente um ano mais jovens do que aqueles que raramente se dedicavam a elas, enquanto as pessoas que praticavam exercícios físicos uma vez por semana apresentavam uma diferença de cerca de seis meses nessa mesma métrica.
Como o estudo foi feito
Para a pesquisa, os participantes precisaram responder com que frequência, ao longo do último ano, participaram de atividades como canto, dança, pintura, fotografia e artesanato, além de visitas a exposições, eventos culturais, museus, bibliotecas, arquivos e patrimônios históricos (como monumentos, prédios antigos e parques históricos).
"Os resultados fornecem evidências de que o envolvimento com as artes e a cultura deve ser reconhecido como um comportamento promotor da saúde, de forma semelhante ao exercício físico", disse Daisy Fancourt, psicobióloga da UCL e autora principal do estudo, em entrevista ao The Guardian.
Para Feifei Bu, pesquisadora da UCL e autora sênior do estudo, o estudo traz "a primeira evidência” de uma relação entre o envolvimento com atividades artísticas e cultura e um envelhecimento biológico mais lento. Segundo ela, os resultados reforçam pesquisas anteriores que associam as artes à redução do estresse, diminuição de inflamações e melhora do risco de doenças cardiovasculares, benefícios já observados com a prática de exercícios físicos.
Fancourt também destacou que diferentes atividades culturais podem impactar o organismo de maneiras distintas. "Cada tipo de atividade artística — ler, fazer música, assistir a apresentações culturais, visitar locais históricos — tem efeitos diferentes sobre nós cognitivamente, emocionalmente e fisiologicamente", afirmou em entrevista à revista Smithsonian. "Por isso, se envolver em uma variedade de atividades, assim como manter uma alimentação diversificada, é extremamente benéfico para a saúde." [...]
Adaptado de: https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/05/contato-diario-com-cultura-e-arte-pode-desacelerar-envelhecimento-diz-estudo.ghtml_Acesso em: 17 jun. 2026.
Em relação ao excerto "Os resultados fornecem evidências de que o envolvimento com as artes e a cultura deve ser reconhecido como um comportamento promotor da saúde, de forma semelhante ao exercício físico', disse Daisy Fancourt, psicobióloga da UCL e autora principal do estudo, em entrevista ao The Guardian.", assinale a alternativa correta.
Texto associado
Texto CG7A1
Desde os anos 1960, a expansão demográfica, as alterações climáticas e o aquecimento global tornaram-se temas centrais nas pautas de diversas nações. O cenário ambiental global enfrenta um ponto de inflexão, com sinais evidentes de que a Terra não consegue mais sustentar o ritmo acelerado de exploração e consumo dos recursos naturais.
As demandas da sociedade e das esferas governamentais para a incorporação de critérios de sustentabilidade nas práticas administrativas e operacionais da administração pública têm se consolidado como uma realidade. Assim, os órgãos públicos têm sido convocados a desempenhar seu papel na criação de uma cultura institucional que, por meio de práticas ambientais sustentáveis, promova a gestão eficiente dos recursos, tanto naturais quanto econômicos, e dos resíduos gerados em suas atividades, além de combater o desperdício e aumentar sua contribuição para o desenvolvimento sustentável. Diante desse contexto, faz-se necessário promover um novo padrão de desenvolvimento que leve em conta, além dos indicadores de eficiência econômica, a preservação da sustentabilidade ambiental.
A Constituição Federal de 1988 incorporou o conceito de desenvolvimento sustentável por meio de diversos dispositivos expressos e de princípios implícitos, com o objetivo de promover o bem-estar coletivo sob a perspectiva da solidariedade ao mesmo tempo em que respeita a dignidade humana e assegura o direito de todos a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, capaz de atender às necessidades das gerações presentes e futuras. Nesse contexto constitucional, torna-se indispensável conciliar o crescimento econômico e o desenvolvimento social com a defesa e a proteção do meio ambiente, tanto na esfera pública quanto na privada.
No Brasil, destacam-se instrumentos legais como a Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P), criada em 1999 com o objetivo de incentivar os órgãos públicos a adotar práticas sustentáveis. Coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a A3P é um programa voluntário que abrange as esferas federal, estadual e municipal e que busca conscientizar os gestores públicos sobre a importância das questões socioambientais. Por meio dessa agenda, promovem-se o uso eficiente dos recursos naturais, a redução de despesas institucionais e a minimização dos impactos ambientais adversos gerados pelas atividades administrativas.
Desde os anos 1960, a expansão demográfica, as alterações climáticas e o aquecimento global tornaram-se temas centrais nas pautas de diversas nações. O cenário ambiental global enfrenta um ponto de inflexão, com sinais evidentes de que a Terra não consegue mais sustentar o ritmo acelerado de exploração e consumo dos recursos naturais.
As demandas da sociedade e das esferas governamentais para a incorporação de critérios de sustentabilidade nas práticas administrativas e operacionais da administração pública têm se consolidado como uma realidade. Assim, os órgãos públicos têm sido convocados a desempenhar seu papel na criação de uma cultura institucional que, por meio de práticas ambientais sustentáveis, promova a gestão eficiente dos recursos, tanto naturais quanto econômicos, e dos resíduos gerados em suas atividades, além de combater o desperdício e aumentar sua contribuição para o desenvolvimento sustentável. Diante desse contexto, faz-se necessário promover um novo padrão de desenvolvimento que leve em conta, além dos indicadores de eficiência econômica, a preservação da sustentabilidade ambiental.
A Constituição Federal de 1988 incorporou o conceito de desenvolvimento sustentável por meio de diversos dispositivos expressos e de princípios implícitos, com o objetivo de promover o bem-estar coletivo sob a perspectiva da solidariedade ao mesmo tempo em que respeita a dignidade humana e assegura o direito de todos a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, capaz de atender às necessidades das gerações presentes e futuras. Nesse contexto constitucional, torna-se indispensável conciliar o crescimento econômico e o desenvolvimento social com a defesa e a proteção do meio ambiente, tanto na esfera pública quanto na privada.
No Brasil, destacam-se instrumentos legais como a Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P), criada em 1999 com o objetivo de incentivar os órgãos públicos a adotar práticas sustentáveis. Coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a A3P é um programa voluntário que abrange as esferas federal, estadual e municipal e que busca conscientizar os gestores públicos sobre a importância das questões socioambientais. Por meio dessa agenda, promovem-se o uso eficiente dos recursos naturais, a redução de despesas institucionais e a minimização dos impactos ambientais adversos gerados pelas atividades administrativas.
Com base nas ideias veiculadas no texto CG7A1, julgue o item que se segue.
O texto informa que a Constituição Federal de 1988 inaugurou um novo conceito de desenvolvimento sustentável.
Texto associado
Texto CG7A1
Desde os anos 1960, a expansão demográfica, as alterações climáticas e o aquecimento global tornaram-se temas centrais nas pautas de diversas nações. O cenário ambiental global enfrenta um ponto de inflexão, com sinais evidentes de que a Terra não consegue mais sustentar o ritmo acelerado de exploração e consumo dos recursos naturais.
As demandas da sociedade e das esferas governamentais para a incorporação de critérios de sustentabilidade nas práticas administrativas e operacionais da administração pública têm se consolidado como uma realidade. Assim, os órgãos públicos têm sido convocados a desempenhar seu papel na criação de uma cultura institucional que, por meio de práticas ambientais sustentáveis, promova a gestão eficiente dos recursos, tanto naturais quanto econômicos, e dos resíduos gerados em suas atividades, além de combater o desperdício e aumentar sua contribuição para o desenvolvimento sustentável. Diante desse contexto, faz-se necessário promover um novo padrão de desenvolvimento que leve em conta, além dos indicadores de eficiência econômica, a preservação da sustentabilidade ambiental.
A Constituição Federal de 1988 incorporou o conceito de desenvolvimento sustentável por meio de diversos dispositivos expressos e de princípios implícitos, com o objetivo de promover o bem-estar coletivo sob a perspectiva da solidariedade ao mesmo tempo em que respeita a dignidade humana e assegura o direito de todos a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, capaz de atender às necessidades das gerações presentes e futuras. Nesse contexto constitucional, torna-se indispensável conciliar o crescimento econômico e o desenvolvimento social com a defesa e a proteção do meio ambiente, tanto na esfera pública quanto na privada.
No Brasil, destacam-se instrumentos legais como a Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P), criada em 1999 com o objetivo de incentivar os órgãos públicos a adotar práticas sustentáveis. Coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a A3P é um programa voluntário que abrange as esferas federal, estadual e municipal e que busca conscientizar os gestores públicos sobre a importância das questões socioambientais. Por meio dessa agenda, promovem-se o uso eficiente dos recursos naturais, a redução de despesas institucionais e a minimização dos impactos ambientais adversos gerados pelas atividades administrativas.
Desde os anos 1960, a expansão demográfica, as alterações climáticas e o aquecimento global tornaram-se temas centrais nas pautas de diversas nações. O cenário ambiental global enfrenta um ponto de inflexão, com sinais evidentes de que a Terra não consegue mais sustentar o ritmo acelerado de exploração e consumo dos recursos naturais.
As demandas da sociedade e das esferas governamentais para a incorporação de critérios de sustentabilidade nas práticas administrativas e operacionais da administração pública têm se consolidado como uma realidade. Assim, os órgãos públicos têm sido convocados a desempenhar seu papel na criação de uma cultura institucional que, por meio de práticas ambientais sustentáveis, promova a gestão eficiente dos recursos, tanto naturais quanto econômicos, e dos resíduos gerados em suas atividades, além de combater o desperdício e aumentar sua contribuição para o desenvolvimento sustentável. Diante desse contexto, faz-se necessário promover um novo padrão de desenvolvimento que leve em conta, além dos indicadores de eficiência econômica, a preservação da sustentabilidade ambiental.
A Constituição Federal de 1988 incorporou o conceito de desenvolvimento sustentável por meio de diversos dispositivos expressos e de princípios implícitos, com o objetivo de promover o bem-estar coletivo sob a perspectiva da solidariedade ao mesmo tempo em que respeita a dignidade humana e assegura o direito de todos a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, capaz de atender às necessidades das gerações presentes e futuras. Nesse contexto constitucional, torna-se indispensável conciliar o crescimento econômico e o desenvolvimento social com a defesa e a proteção do meio ambiente, tanto na esfera pública quanto na privada.
No Brasil, destacam-se instrumentos legais como a Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P), criada em 1999 com o objetivo de incentivar os órgãos públicos a adotar práticas sustentáveis. Coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a A3P é um programa voluntário que abrange as esferas federal, estadual e municipal e que busca conscientizar os gestores públicos sobre a importância das questões socioambientais. Por meio dessa agenda, promovem-se o uso eficiente dos recursos naturais, a redução de despesas institucionais e a minimização dos impactos ambientais adversos gerados pelas atividades administrativas.